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concludes the results and provides recommendations as well as re- re-maining challenges for future developments that arise from the thesis

Esse curso de mestrado foi importante por diversos motivos. O principal deles, talvez, possa ser entendido como a importância de se esforçar para olhar as coisas de uma maneira nova, ou pelo menos, considerar o maior número de fatores que fazem com que essa mesma coisa possa ser vista de uma maneira diferente, dependendo do seu referencial. A ideia de que tudo depende do referencial, e por isso pode ser relativizado, ganha força, a partir do momento em que se busca dar um enfoque de determinado ângulo de visão.

Um dos elementos mais necessários para um pesquisador da área da comunicação é constituir um aporte teórico metodológico. O processo de consolidação da comunicação se dá de diferentes modos, tantos quantos sejam os contextos, as localidades, as temporalidades. Essa particularidade deveria ser um traço marcante no estudo da comunicação.

Até aí tudo bem, mas as revelações e informações novas que vão se somando na busca por respostas, ou maiores problematizações, reclamam o uso permanente da reflexão, esse exercício capaz de nos revelar muitas coisas, desde que tentemos compreender de forma complexa o que está ocorrendo.

O trajeto dessa pesquisa sofreu inúmeros entraves, atropelos, obstáculos e limitações. Muitas delas invisíveis aos olhos, mas presentes dentro das formas de percepção do pesquisador.

O trajeto da pesquisa se aproxima à jornada do herói, tese de Joseph Campbell, que evoca etapas de enfrentamento do desconhecido na busca de respostas e em muitos casos, desafios e recompensas. Talvez relembre ainda a saída do escravo no mito da caverna narrado por Platão, em busca da luz, do conhecimento, sem intermediários, sombras ou simulacros, para no fim, perceber diretamente o fenômeno. Então, o desafio foi perceber, em meio a uma nebulosa, diversa, múltipla de fatores, onde e como se davam as interações nas danças circulares.

O trajeto dentro do programa de mestrado em si, já foi um caminho com altos e baixos. Dedicar-se a um mestrado tendo ao mesmo tempo em que cuidar de dois filhos e ainda estar desempregado, apenas fazendo frilas, foi um grande desafio. Melhorou um pouco no terceiro semestre, mas antes os momentos foram difíceis, as limitações financeiras e de tempo para se dedicar mais, apenas estimulavam mais

ainda a vontade de prosseguir, e isso lembra o clássico livro de Ernest Hemingway, quando narra a persistência de um velho pescador ao tentar arrastar um enorme peixe em seu pequeno barco, no clássico ‘O Velho e o Mar’. A sensação parece ser a mesma, contando ninguém acredita.

Mas se sabia que seria assim por que tentou? Essa pergunta é muito moderna, e essa coisa de achar que tudo será de um único jeito sempre, nunca foi muito bem aceita. De modo que, lutar e não desistir, foi a ideia que me animou por muitos meses. Até mesmo quando tudo parecia estar dando errado, ao estilo kafkiano n“O Processo”.

O primeiro passo foi se aproximar do objeto de pesquisa, o MM. A reconstrução contextual e histórica do MM foi fundamental para se entender o que se buscava. Desse modo, foi possível observar grandes diferenças de percepção e propostas de intervenção entre as realidades, por isso a necessidade de se dialogar com os estudiosos, trazendo à tona discussões pertinentes. Foi igualmente importante partir do aqui, do local, de como é visto aqui, percebido aqui e seguir o percurso ao entendimento geral, dentro de uma ampla reflexão sobre as danças e as interações.

O segundo passo foi conciliar e tencionar o conhecimento do MM e as leituras de autores e pensadores que abordavam assuntos que poderiam dar um sentido à pesquisa. Em paralelo também foi imperioso conhecer o mundo das danças circulares, em seu sentido mítico e histórico, trazendo para o Brasil e para Belém, caracterizando sua chegada e sua disseminação e por fim, adentrar no mundo invisível das interações intersubjetivas a partir das DCs.

Olhando do campo da comunicação, já se torna muito complexa essa missão. Considerar que o ser humano ainda é um mundo a ser explorado e revelado, não torna isso mais fácil. Por tudo isso o campo da comunicação é vasto, complexo e precisa de perguntas bem formuladas, para que as buscas possam se dar de modo significativo.

Ver com outros olhos, por outras lentes, de outros ângulos, é o que se caracteriza uma pesquisa multidisciplinar e que pode fazer a diferença na análise de diversos processos. Tentamos construir nosso estudo a partir do olhar, da peculiaridade reclamada na pesquisa, a partir das referências teóricas e das práticas metodológicas adotadas. Houve momentos em que foi preciso desconstruir e construir tudo de novo. A pesquisa requereu envolvimento e nesse envolvimento

tivemos que nos bifurcar entre a produção e a reflexão. E mesmo assim, percebemos que há ainda um caminho longo a ser explorado.

De modo que temos consciência das lacunas e vácuos ainda existentes na pesquisa. Muitas possíveis abordagens e aprofundamentos ficaram de fora para se priorizar o momento das interações, e essas não estão nem perto de ser esgotadas em suas verificações. Esse esforço foi necessário, a fim de melhor focarmos o que estavámos pesquisando.

Porém, o que se buscou identificar, compreender e explicar, foi se mostrando aos poucos, à medida em que se avançava nas leituras, na pesquisa de campo, nas reflexões solitárias, nos pesadelos madrugada adentro, nos estresses da pressão do prazo se esgotando e no jogo do distanciamento e da aproximação para com o que se buscava apreender.

A abordagem fenomenológica-pragmática nos permitiu considerar as especificidades e as praticidades do que foi observado, constatado e revelado. Deixar a pesquisa falar, parece ser uma coisa esquisita, mas a pesquisa não é um objeto, é uma ânima, uma alma, é um objeto animado, múltiplo, que a cada dia se mostra diverso. E por isso mesmo, passível de ser apreendido, e compreendido em sua trajetória evolutiva.

A ciência só é ciência quando trás resultados para a sociedade. Os avanços científicos só têm razão de ser quando são aplicados nas práticas sociais. Mas é preciso esmiuçar o que se estuda, pois nem tudo está contido na racionalidade, nas estatísticas, nas categorias fechadas e já encaixadas nas estantes de um conhecimento inquestionável e hermeticamente fechado, especialmente quando se trata do ser humano, conforme frisa o pensamento de Michel Maffesoli.

De modo que é importante revelar que o Mana-Maní é um mundo de coisas, uma diversidade que requer mais tempo e cuidados para se lançar em um estudo mais aprofundado sobre sua historicidade, suas ações e suas sementes germinadas ao longo de 12 anos. Nesse período da pesquisa buscamos transformar o que era tácito em explícito, analisando a partir dos fatos, dos dados reais que os participantes ofereciam de maneira espontânea e independente, a fim de buscar revelar o implícito, o velado, o escondido.

Observamos, ao longo da pesquisa empírica, que o processo comunicativo se dá com o outro, ou os outros, a partir do momento em que exista repertório capaz de se deixar interagir, segundo sua capacidade cognitiva e bacia semântica, seus

sentidos construídos ao longo de sua trajetória, sua capacidade de estabelecer uma intersubjetividade cujas significações alcancem o campo simbólico, a rede de significados que cada um trás de forma invisível, mas que se estabelece assim que ocorre uma interação.

Bem, então finalmente concluímos uma etapa importante, acreditando que é apenas uma. Outras estão se desenhando no horizonte de uma pesquisa mais direcionada e complexa. As observações e achados na pesquisa são valiosos, inéditos eu diria, mas que apontam para possíveis aprofundamentos por parte deste pesquisador, que pretende avançar em direção ao doutorado, aprimorando o que já foi feito, e expandindo outros olhares sobre as interações na dança circular. Serve ainda para outros pesquisadores, que desejarem abordar as danças circulares sob o ponto de vista das interações.

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