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Concerns on the design

O trabalho teve o seu início com a pesquisa bibliográfica, efetuada em várias bibliotecas institucionais, designadamente, Academia Militar, Escola da Guarda, Instituto Superior de Ciências Policiais e Segurança Interna ou Procuradoria-Geral da República.

Esta pesquisa, orientada pelos objetivos e intenções formulados no início, apura o “estado da arte” e relaciona-se com as restantes componentes da investigação, pois contribui para estabelecer uma lógica de coerência em que todo este processo tem a finalidade de se proceder à confirmação ou refutação das hipóteses Lessard-Hébert, et. al. (2012).

Para tal, utilizaram-se técnicas no âmbito da metodologia qualitativa como a observação e a entrevista. A observação, segundo Lessard-Hébert, et. al. (2012), utiliza entre outras, as aptidões do investigador como a intuição, a perceção dos problemas e imaginação. A entrevista baseada numa amostra que seguiu critérios estabelecidos, será “objeto de análise de contudo sistemática, destinada a testar as hipóteses de trabalho”, (Quivy, R., et. al., 2005, p. 192).

5.3.1. Entrevistas e critérios de escolha dos entrevistados

Segundo Quivy, R., et. al., (2005), a entrevista permite uma verdadeira interação entre investigador e entrevistado, produtiva e útil em todos os sentidos uma vez que o entrevistado exprime as suas opiniões e experiências acerca de qualquer assunto sobre um enquadramento aberto do investigador.

Existindo vários tipos de entrevista, no caso em estudo optou-se pelo estabelecimento de um guião semi-diretivo que na definição de Quivy, R., et. al., (2005),

Capítulo 5 – Metodologias e Procedimentos

implica perguntas não totalmente abertas, mas também não restritivas, deixando assim ao entrevistado a possibilidade de falar sobre os assuntos de modo mais livre e espontâneo, ao mesmo tempo que o investigador pode “manter o controlo no decurso do processo”, (Lessard-Hébert, et. al., 2012, p. 162) mantendo o foco no assunto.

A seleção dos entrevistados, baseou-se em critérios de “representatividade social”, “(Guerra, I., 2012, p. 40), e não num cariz estatístico. Assim, optou-se por uma representatividade que fosse de encontro a uma das três possibilidades avançadas por Quivy, R., (2005), das características da população. Ou seja, pretende-se aqui alcançar uma vertente de diversidade, tendo em conta o natural elo de ligação com a situação em estudo, mas também a experiência profissional e o caráter de responsabilidade inerente às funções ocupadas à data dos factos.

Deste modo, a amostra é composta por três grupos de entrevistados como demonstra o Quadro n.º 2, a saber: profissionais dos média, profissionais das FS, Oficiais que embora não intervenientes diretos na situação em estudo, estão associados indiretamente.

No que aos profissionais dos média diz respeito, tentou-se ir de encontro à questão da diversidade, compreendendo a amostra profissionais dos diferentes meios de comunicação social existentes. Em relação aos profissionais das FS, previa-se no início da investigação, a participação de um leque maior de Oficiais da PSP com o seu contributo para as entrevistas. No entanto, por motivos alheios à capacidade do investigador foi compreendido na amostra o Oficial da PSP com a função mais ligada à parte operacional na situação.

Por último, foram compreendidos na amostra, dois Oficiais que ocupavam na altura as funções que, não estando diretamente ligadas à ação em si, estão necessariamente ligadas ao fator Segurança da manifestação, a saber, o responsável pela segurança da AR e o Oficial Adjunto do Secretário-Geral do Sistema de Segurança Interna.

Deste modo, compreendendo as várias vertentes profissionais envolvidas, consegue-se assim ter em conta a “heterogeneidade dos sujeitos”, (Guerra, I., 2012, p. 40), e garantir a diversidade dos mesmos.

Quanto ao Guião de Entrevista66, este foi elaborado em conformidade com as

perguntas e as hipóteses formuladas. Depois de selecionados os entrevistados, observaram- se as formalidades de contacto com os mesmos, disponibilizando-lhes uma carta de

Capítulo 5 – Metodologias e Procedimentos

apresentação, um enquadramento da investigação e o próprio guião de entrevista que é constituída por 13 questões (Q1 a Q13). Ainda antes de se efetuar a entrevista, solicitou-se aos participantes autorização para proceder à gravação da mesma, tendo em vista a posterior transcrição para análise.

Após a finalização das entrevistas, foram devidamente transcritas através do programa Microsoft Word 2010 e em seguida começou-se a proceder à análise de conteúdo dos dados. Esta análise tem uma “dimensão descritiva que visa dar conta do que nos foi narrado e uma dimensão interpretativa que decorre das interrogações do analista”, (Guerra, I., 2012, p. 62).

Para interpretar os dados reunidos, procedeu-se à elaboração de grelhas de análise que consistem em sinopses do discurso de cada entrevistado. Estas contêm de forma literal o fundamental de cada entrevista, constituindo “material descritivo que, atentamente lido e sintetizado, identifica as temáticas e problemáticas”, (Guerra, I., 2012, p. 73).

No que diz respeito à própria análise da informação, procedeu-se à elaboração de grelhas tendo em vista cada resposta e a sua ordenação e classificação segundo o critério de expressões ou opiniões semelhantes. É portanto tido em conta a frequência com que é utilizada certa opinião numa dada pergunta pelo universo dos entrevistados. Esta tarefa “consiste em reagrupar por critérios de proximidade de conteúdo”, (Guerra, I., 2012, p. 78).

Quadro n.º 2 – Amostra das entrevistas

Entrevista Nº Função Pertença Institucional

E1 Jornalista Editora Jornal Expresso E2 Redatora Principal Jornalista RTP

E3 Jornalista SIC

E4 Repórter TSF

E5 Editora Área de Segurança Jornalista Antena1 E6 Segurança Assembleia Coronel - Oficial de

República

GNR E7 Jornalista Diário de Notícias E8 Jornalista/Pivot TVI E9 Jornalista Editor Rádio Renascença E10

Tenente-Coronel - Adjunto Secretário-Geral

Sistema Segurança Interna GNR E11 Comando Metropolitano de Chefe Área Operacional

Lisboa PSP

Capítulo 5 – Metodologias e Procedimentos

5.3.2. Observação

O método de observação direta, segundo Quivy, R., et. al., (2005) ou observação participante de acordo com Lessard-Hébert, et. al. (2012), consiste na observação dos factos no âmbito do objeto da investigação, comparando-os com os conceitos já adquiridos, isto é, trata-se do “conjunto das operações através das quais o modelo de análise é submetido ao teste dos factos e confrontado com os dados observáveis”, (Quivy, R., et. al., 2005, p. 155).

Através da realização de uma manifestação organizada pela CGTP em Julho de 2014, sendo esta a mesma entidade organizadora da manifestação em estudo, foi possível observar os comportamentos dos intervenientes, organização do evento no espaço determinado pelas FS, e interação entre esses intervenientes nesse espaço. Com efeito, permitiu ao investigador “compreender um meio social que, à partida, lhe é estranho ou exterior”, (Lessard-Hébert, et. al., 2012, p. 155).

Os factos foram registados imediatamente após a observação, havendo também uma ligação com as entrevistas aplicadas, permitindo assim, numa das perspetivas de Lessard- Hébert, et. al. (2012), ter referenciado e classificado os problemas, sistemas de valores das pessoas presentes na situação, através de alguns factos mencionados anteriormente nesta técnica de recolha de dados.