CHAPTER IV.................................................................................................................................. 29
4.9 El-Ade attacks
Grande quantidade de trabalhos acadêmicos foram destinados a descrever o funcionamento do comércio exterior. Uns defendiam a adoção de um modelo de substituição de importações, (ISI) tomando – a partir da experiência - uma postura de desconfiança quanto ao comércio entre as nações. Outros defendiam um crescimento rápido, apoiado no princípio das vantagens comparativas de David Ricardo e no aumento do comércio entre as nações (MCE).
Neste sentido, em 1966, James Edward Meade75 preocupou-se com a estrutura do Balanço de Pagamentos, alertando para possíveis dificuldades. Defendeu o modelo (EGM). Milton Friedman76 falou da diferença entre taxas fixas e variadas nos processos de financiamento internacionais, defendendo as teses monetaristas de Chicago. Maria José Villaça77 escreveu sobre o comércio exterior segundo o prisma da estagnação. Essa divisão (a) estruturalismo x monetarismo; e (b) ISI x EGM dominou o ambiente intelectual da década de (19)60.
No início da década de (19)70, Raymond Frech Mikesell78 preocupou-se com a tendência deficitária da economia americana e o processo de larga emissão de dólares que favorecia uma inflação internacional. No mesmo sentido, Celso Luiz Martone79 escreveu em 1972.
Após o primeiro choque do petróleo (1973), Afonso Celso Pastore80 abordou o processo de barateamento da moeda nacional que trazia a
75
Ver Meade, J. E. The balance of payments / [Reprinted with corrections]. London; New York : Oxford University Press, [1966].
76
Ver Friedman, Milton, Balance of payments: free versus fixed exchange rates. Washington : Aei, 1967.
77
Ver Villaca, Maria José. Liquidez, moeda e crédito. Tese (livre-docencia) -- faculdade de ciências econômicas e administrativas da universidade de São Paulo. São Paulo : S.N., 1966.
78
Ver Mikesell, Raymond Frech, The U. S. balance of payments and the international role of the
dollar. Washington, D.C.: American Enterprise Institute for Public Policy Research, 1970.
79
Ver Martone, Celso Luiz. Enfoque monetário ao mecanismo de ajustamento no balanço de
pagamentos, São Paulo : S.N., 1972.
80
Ver Pastore, Affonso Celso, Teoria da paridade do poder de compra, mini-desvalorizações e o
desmoralização do valor do trabalho. Enquanto isso, a equipe do Banco do Brasil81 fez uma retrospectiva do comércio internacional nos últimos vinte anos. A administração militar no início da década de (19)70 demonstrava claramente seu posicionamento pela adoção do modelo EGM junto com as receitas monetaristas, apoiando-se maciçamente em poupança externa.
Na segunda metade da década de (19)70, era visível a preocupação com a inflação. Esta sinalizava o resfriamento do crescimento econômico, que era antes puxado pela economia norte-americana. Neste sentido publicam Celso Luiz Martone82, elementos da equipe das Nações Unidas83, Ernane Galvêas84 e Ana Lúcia Martins Lobato85.
Em 1978, Abelardo Fernando Monteiro86 escreveu sobre o processo de reestruturação do comércio internacional face a um ajuste estrutural recessivo. Voltava ao debate a postura ligada ao monetarismo e à industrialização tipo corredor de exportação. Neste sentido, Albert Fishlow,87 em 1981, falou da agregação de valores em produtos e do comércio em países do Terceiro Mundo, da perspectiva de uma grande crise. No mesmo ano, membros da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior88 descreveram o agravamento da deterioração das relações de comércio entre o Primeiro e o Terceiro Mundos. Em
81
Banco do Brasil, Intercâmbio comercial, 1953-1976, Rio de Janeiro : O Banco, 1977. 82
Para discussão, ver Martone, Celso Luis, Notas sobre a inflação e o balanço de pagamentos. São
Paulo : S.N., 1977.
83
Nações Unidas. Comissão Econômica para a América Latina. Balanco de pagos de america
latina 1950-1977. Santiago de Chile : Cepal, 1979.
84
Para discussão, ver Galveas, Ernane, Crise mundial e a estrategia brasileira de ajustamento do
balanco de pagamentos: exposição do ministro de estado da fazaenda no senado federal, em 23-3-
83. Brasília : Banco Central do Brasil, 1983. 85
Para discussão, ver Lobato, Ana Lucia Martins. Analise critica das criticas feitas aos programas
de ajuste do Fundo Monetario Internacional. Brasília : s.n., 1985.
86
Ver Montenegro, Abelardo Fernando, Estudos de economia internacional, Fortaleza, Ceará : Universidade Federal do Ceará, 1978.
87
Ver Fishlow, Albert, Trade in manufactured products with developing countries: reinforcing
North-South partnership: report of the Trilateral Task Force on North-South Trade of the Trilateral
Commission. New York : The Commission, c1981. 88
Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior, Balança comercial e outros indicadores
1982, em plena crise financeira, Gregory Flynn89 comentou a evolução do comércio internacional e sua tendência de decadência e estagnação na década de (19)80. No mesmo sentido, em 1985, a equipe do GATT90 escreveu sobre a necessidade de aumento do comércio exterior para permitir desenvolvimento econômico, como forma de superação de uma crise internacional. Já Simão Silber Davi91, preocupou-se com o funcionamento das Zonas Francas, i,e,, a criação de novos privilégios de exportação.
A análise do contexto latino-americano teve uma retomada com as importantes obras de René Villareal, El desequilíbrio externo em la
industrialización de México (1929-1973) e A contra-Revolução Monetarista (1984).
Julio Cotler elaborou Democracia e Integración Nacional (I.E.P. Peru, 1980) e diversos trabalhos de A. Gunder Frank (E.U.A.-Alemanha), Ricardo Freuch-Davis (CEPAL), Adolfo Ferrer (Argentina), Alejandro Foxley, Antônio Schneider (Chile), entre outros.
Em seguida, Edson Peterli Guimarães92 falou sobre o comércio exterior na recessão da década de (19)80. José Tavares de Araújo Júnior93 comentou o modelo de crescimento dependente do comércio exterior. Os estudos enfocavam o ajuste internacional pelo lado do resfriamento econômico mundial. Essa tendência continuou na década de (19)90. Em 1991, Eleni Lagroteria da Silva94 escreveu sobre o desempenho econômico brasileiro na década de (19)80, sob o
89
Ver Gregory Flynn. Economic interests in the 1980's: convergence or divergence? Paris; [Totowa, N.J.: Atlantic Institute for International Affairs: Available from Allanheld, Osmun], c1982.
90
Unctad/Gatt. Centro de Comércio Internacional, World directory of trade promotion
organizations and other foreign trade bodies : Répertoire mondial d'organisations de promotion des échanges commerciaux et autres organismes de commerce extérieur Repertorio mundial de organizaciones de promoción comercial y otros organismos de comercio exterior, Geneva :
International Trade Centre UNCTAD/GATT, 1985. 91
Ver Silber, Simão Davi, Política cambial nas zonas de processamento de exportação, São Paulo: FIPE, 1987.
92
Ver Guimarães, Edson Peterli, Some considerations regarding recent trade policy en Brazil. Rio de Janeiro : FUNCEX, 1989.
93
Ver Araújo Júnior, José Tavares de, A política de importações : autarquia ou eficiência ?. Rio de Janeiro : FUNCEX, 1990.
94
Ver Silva, Eleni Lagroteria da. Reajuste externo, poupança estatal e crescimento da economia
brasileira nos anos 80. Dissertação (mestrado) -- faculdade de economia, administração
prisma de um ajuste estrutural recessivo; e José Luiz Conrado Vieira95 tratou do processo de transformação da dívida ligada ao comércio exterior em negócio. Já Almeida96 analisou a balança comercial brasileira em uma perspectiva de longo prazo, evidenciando suas fissuras estruturais. Clóvis Oliveira de Almeida escreveu sobre a desvalorização da moeda brasileira, influenciada pelo comércio de gêneros agrícolas 97 e tratou da deterioração da balança comercial98. Ao final do processo, com o comércio exterior revelando-se mais duvidoso do que o esperado, houve, por parte do debate acadêmico, apoio ao retorno de práticas estruturalistas e substitutivistas, dando a essas correntes nova atualidade. Voltava a incerteza keynesiana a se instalar nas preocupações dos principais analistas acadêmicos, talvez por reconhecer a também incerteza das políticas até então adotadas.