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Part I - Foundation

2. Conceptual framework

Foram entrevistados dois professores de Matemática que já analisaram e aplicaram WebQuests disponíveis na internet – rede mundial de computadores.

Segundo Abar e Barbosa (2008), todas as WebQuests publicadas na internet podem ser utilizadas por outros educadores sem necessidade de pagamento de direitos autorais, mas, antes de o professor aplicá-las, é preciso verificar se a WebQuest escolhida atende aos interesses da classe.

Ao ser questionado sobre qual era a expectativa ao desenvolver a atividade WebQuest, o professor 1 nos falou que, “a princípio”, no momento da escolha da WebQuest, mostrou-se descrente dos benefícios oferecidos aos alunos por este tipo de atividade; revelou também que há muitas WebQuests de péssima qualidade disponíveis na rede de computadores, o que desmotiva os professores. Ainda segundo este professor, ele quis aplicar a WebQuest para verificar se realmente “funcionava”, ou seja, se facilitava a aprendizagem dos alunos, se comparada com as aulas convencionais, e, para sua surpresa, o resultado foi muito bom, tanto para o professor como para os alunos.

Ambos os professores entrevistados, ao serem questionados se acharam a atividade WebQuest motivadora, testemunharam que seus alunos se mostraram mais motivados do que em atividades tradicionais e, de acordo com a avaliação realizada posteriormente, perceberam que a aprendizagem também foi mais significativa do que quando trabalham em ambientes tradicionais.

Questionados sobre como foi o seu papel como professor ao utilizar uma WebQuest em sala de aula, ambos responderam que a presença do professor é essencial na atividade WebQuest, desde a seleção da atividade até a aplicação com os alunos. Segundo eles, o professor desempenha o papel de mediador e orientador nas atividades.

A respeito do apoio ou estímulo, por parte do corpo gestor, para realizar a WebQuest, o professor 1 respondeu que esta foi a maior dificuldade encontrada, pois o corpo gestor da escola não disponibilizou o laboratório de informática,

alegando que este deveria ser usado apenas para o reforço escolar, o que fez com que o professor desenvolvesse a WebQuest com os alunos em uma lan

house, fora de seu período de aula. Percebeu-se que o professor 1 não se deixou

vencer por não poder usar o laboratório da escola: procurou uma solução para seu problema – a lan house –, mas não desistiu de aplicar a WebQuest, o que pode servir de estímulo para outros professores que, assim como este, não tenham apoio do corpo gestor.

Por meio das imagens enviadas pelo professor 1 referente à aplicação da WebQuest, observou-se que na lan house, por ser esta composta por pequenas cabines, os alunos não tinham onde apoiar os seus cadernos, mas isso não foi empecilho nem desanimou os alunos de participarem da WebQuest. Devido a essa falta de espaço, cada aluno precisou usar um computador, porém percebeu- se que, apesar disso, estavam desenvolvendo o trabalho em dupla, porque cada dupla – verificou-se por meio das fotografias – estava sempre utilizando o mesmo

site.

Segundo o professor 1, ao término da aplicação da WebQuest, era recomendado que os alunos medissem a altura de uma igreja – seguindo as orientações da WebQuest desenvolvida.

Além do relato do professor 1, por meio das fotografias observadas, percebeu-se também que os alunos sempre trabalharam em duplas, um auxiliando o outro, além de demonstrarem disposição e motivação para a realização da atividade. Eis o que pensa o professor 1:

Pergunta: Você achou a atividade WebQuest motivadora?

Professor 1: Achei. Achei motivante e os alunos se mostraram

motivados.

Já o professor 2, a respeito do apoio ou estímulo, por parte do corpo gestor, para realizar a WebQuest, revelou que teve estímulo para aplicar a atividade WebQuest, mas deixou claro que a iniciativa foi dele mesmo e que não há incentivo para que os professores utilizem este laboratório. Pode-se perceber isso no depoimento abaixo:

Pergunta: Há apoio ou estímulo, por parte do corpo gestor, para que o

professor utilize o laboratório de informática?

Professor 2: Senti estímulo quando fui utilizá-lo, mas não ficam fazendo

“campanha” para o uso, não.

Considerando a fala do professor, presume-se que, se a direção incentivasse mais os professores a utilizar o laboratório de informática, talvez outros professores, além daqueles que já buscam aplicar as novas tecnologias, também se animassem a usá-lo.

Ao serem questionados sobre como foi o processo de aprendizagem do aluno ao utilizar uma WebQuest em sala de aula, ambos os professores argumentaram que os alunos não estavam acostumados a desenvolver tarefas tendo o professor apenas como um orientador e mediador e por isso, nas primeiras tarefas, mostraram-se “dependentes” do professor, mas aos poucos foram se acostumando a assumir o papel de agente principal do seu conhecimento e a ter o professor como mediador.

O professor 1 enviou à equipe de professores-pesquisadores fotografias e depoimentos de seus alunos sobre a aplicação da WebQuest, infelizmente não foi possível usar as imagens neste trabalho por não ter a autorização por escrito para fazer uso delas. Apresentam-se, a seguir, alguns depoimentos dos alunos29 do professor 1 sobre a WebQuest desenvolvida:

Aluno 1: A atividade foi concluída, porém se fosse feito por mim só, não

conseguiria concluir a atividade, mas como nós estávamos em grupo e com a ajuda da professora conseguimos concluí-la.

Aluno 2: Eu não gostei porque encontrei muitas dificuldades, porém

superei com a ajuda dos colegas e da professora.

Aluno 3: Achei bem mais fácil e interessante aprender pela webquest.

Foi uma aula diferente das que estamos acostumados a ter.

De acordo com o depoimento do aluno 1, notou-se que houve a aprendizagem cooperativa, pois os alunos desenvolveram as tarefas em grupo e houve a colaboração de todos os membros da equipe, pois um ajudou o outro; percebe-se que foi importante também a mediação do professor.

_______________

Já o aluno 2 não gostou da WebQuest porque teve dificuldades, mas em seu depoimento ficou claro que houve a intervenção do professor. Julga-se que o aluno tenha dito que não gostou da atividade por ser a primeira vez que trabalhou com estas tecnologias como recurso educacional. As resistências são consideradas normais, neste caso.

O aluno 3 mostra-nos que, realmente, fazer uso das novas tecnologias como recurso educacional pode facilitar o processo de aprendizagem, se comparado com a prática de aulas tradicionais.

Ao serem questionados sobre qual papel desempenharam nas atividades WebQuests desenvolvidas, os professores responderam:

Professor 1: Na verdade o que me “passaram” sobre WebQuest é que

eu deveria deixar o aluno manipular o site, apenas dando orientações a ele, não falar “faça isso ou aquilo”, “assim que deve ser ou não deve ser”. O que foi me passado sobre WebQuest nas aulas, é que a gente

[professor] deveria orientá-los [alunos].

Professor 2: Foi de direcionar e orientar os alunos em suas pesquisas.

Muitas vezes, mesmo lendo no processo eles não entendiam. Eu simplesmente lia juntamente com eles o que estava escrito e os orientava, assim eles chegavam às conclusões por conta própria.

As respostas dos professores revelam que eles desempenharam o papel de orientadores e mediadores no processo de aprendizagem dos alunos, assim como sugerem Abar e Barbosa (2008), Almeida (2000a, 2000b e 2000c) e Fukuda (2004).

7.4 Comparação da observação da aplicação da WebQuest com