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Fase: Composición

8. Comunicación no verbal

Há uma tendência na literatura educacional em reconhecer que a qualidade da educação possa estar diretamente relacionada a investimentos em políticas públicas, em que os entes federativos em parceria com os sistemas de ensino, ao oferecer aos alunos e à sociedade conhecimentos capazes de promover o desenvolvimento de habilidades e atitudes necessárias à vivência no mundo globalizado e tecnológico,

estão de fato contribuindo para a construção de um país mais produtivo e de um mundo melhor (LÜCK, 2009).

Segundo Lück (2009), “boa escola é aquela em que os alunos aprendem, alargam seus horizontes e desenvolvem competências para a vida” (p.93). Para que a escola cumpra seu papel é indispensável, ainda segundo a autora, a definição de padrões de desempenho e competências de diretores escolares, com o objetivo de orientar o seu desenvolvimento.

Considerando a importância dada por Lück (2006), ao papel dos diretores escolares no sucesso da escola, cabe trazer à discussão o entendimento do que é gestão educacional. De acordo com a autora,

A gestão educacional corresponde à área de atuação responsável por estabelecer o direcionamento e a mobilização capazes de sustentar e dinamizar o modo de ser e de fazer dos sistemas de ensino e das escolas, para realizar ações conjuntas, associadas e articuladas, visando o objetivo comum da qualidade do ensino e seus resultados. Objetiva promover a organização, a mobilização e a articulação de todas as condições estruturais, funcionais, materiais e humanas necessárias para garantir o avanço dos processos socioeducacionais (LÜCK, 2006, p. 25-26).

Vale ressaltar a diferença existente entre gestão educacional e gestão escolar. Na visão de Lück (2006), gestão educacional é mais abrangente, como vimos acima, já a gestão escolar é mais restrita ao espaço físico da escola (com estrutura física e humana específica).

A autora esclarece ainda que os sistemas educacionais, as escolas, são “organismos vivos” e dinâmicos, por constituírem-se como unidades sociais. Portanto, estão interligadas e interagem entre si, dentro e com a comunidade onde estão colocadas. Desta forma, de acordo com a autora, as ações dos gestores educacionais devem ser articuladas entre si e com a participação de todos no processo, do planejamento à execução, caso contrário, não alcançarão o sucesso almejado.

Destaca-se, nas palavras da autora, a dinâmica necessária na ação dos gestores educacionais e das escolas, imprescindível para acompanhar as mudanças cada vez mais acentuadas na sociedade. Com isso, a responsabilidade da gestão educacional vai muito além da administração de recursos financeiros, de pessoal ou do patrimônio escolar. Da mesma, forma a gestão de uma escola não se resume mais ao seu diretor,

que até bem pouco tempo, atuava como um gerente, a quem competia zelar pelo cumprimento de normas, determinações e regulamentos que eram ditadas por órgãos centrais (LÜCK, 2006).

Assim, além de todas essas atribuições, o gestor educacional e o gestor escolar, segundo Lück (2009), têm como função primordial apropriar-se, envolver-se com a gestão pedagógica, concebendo-a como elemento que permeia todo Projeto Político Pedagógico.

Segundo essa mesma autora é incontestável que as ações desenvolvidas no cotidiano escolar tenham intenções de caráter eminentemente pedagógico, ou seja, que todas as ações se constituem intencionalmente em atos direcionados para mudanças dos processos sociais vividos no contexto escolar, transformação da prática docente e da escola como um todo, de modo que os alunos absorvam o potencial que a escola tem. Por esta razão, a gestão pedagógica constitui-se em uma das dimensões mais importantes do trabalho do diretor escolar.

A autora ressalta ainda que, apesar de a gestão pedagógica ser compartilhada com coordenadores pedagógicos, esta função não é exclusivamente de competência desses profissionais (LÜCK, 2009). Ou seja, a responsabilidade pela efetividade da gestão pedagógica continua a ser do diretor escolar, competindo-lhe além da liderança, coordenação, orientação, planejamento, acompanhamento e avaliação do trabalho pedagógico desempenhado pelos professores e desenvolvido na escola como um todo.

Sendo assim, a responsabilidade da gestão pedagógica e que deve ser observada pelo diretor escolar envolve também a atualização dos processos pedagógicos, a contextualização de seus conteúdos em face de novas tendências, os métodos e a dinâmica através dos quais se efetivam a utilização das tecnologias e a integração de um currículo coerente. Há, portanto, uma diversidade de questões relacionadas aos aspectos que envolvem à aprendizagem e à formação dos alunos conforme destacamos para as quais o diretor escolar deve focar sua atenção (LÜCK, 2009).

É relevante notar, conforme afirma Lück (2009), que:

[...] a melhoria da aprendizagem dos alunos é promovida, sobremodo, a partir da melhoria do trabalho na sala de aula orientado pelo professor. Em vista

disso, para melhorar a aprendizagem dos alunos é preciso observar e compreender como é desenvolvido o processo ensino-aprendizagem nesse espaço pedagógico, como os alunos reagem às diferentes experiências e seus diversos desdobramentos, que aspectos do relacionamento professor–aluno e aluno–aluno são mais favoráveis à aprendizagem e como eles são promovidos, dentre outros aspectos (LÜCK, 2009, p. 100).

Partindo deste princípio, Lück (2009) levanta alguns questionamentos que refletem diretamente no papel do gestor escolar frente à melhoria da qualidade do ensino e da aprendizagem e a transformação da realidade social:

Como poderia o diretor realizar a gestão pedagógica e atuar de modo a contribuir para a melhoria da aprendizagem dos alunos se não conhece o que acontece na sala de aula; se não influencia esse processo; se não contribui para que ele seja mais efetivo? (LÜCK, 2009, p.101).

Portanto, sob a ponto de vista de Lück (2009), observa-se que as escolas que têm alcançado melhoria dos indicadores educacionais devem tal conquista às práticas de gestão dos gestores e especialmente dos diretores escolares que manifestam características como empenho, criatividade e liderança.

Observa-se ainda nestas escolas um esforço no sentido de se buscar concordância, assim como também, um zelo pelo direcionamento das ações pedagógicas e administrativas com foco na efetivação dos objetivos educacionais claramente compreendidos, além de haver envolvimento dos pais na gestão escolar, assim como a abertura da escola para a comunidade. Mas, como fator crucial, observa- se nestas escolas a participação efetiva dos diretores escolares no que se refere ao acompanhamento do processo ensino-aprendizagem, à observação da execução do projeto pedagógico na sala de aula (acompanhado de feedbacks), com o objetivo de promover as mudanças necessárias para que os alunos aprendam com maior eficiência.

Apesar de todo esse progresso Lück (2011) conclui afirmando que ainda falta aos gestores educacionais e diretores escolares a visão sistêmica, a articulação entre os vários segmentos da escola e o comprometimento para enfrentar os desafios da gestão de escolas que apresentam, naturalmente, dificuldades, conflitos, tensões e entraves. Diante dessa realidade, a autora reconhece que falta, principalmente aos diretores escolares, a profissionalização.

Na próxima seção, apresentaremos o percurso metodológico através do qual a pesquisa foi conduzida.