• No results found

Output Devices

A.2 Supervising Activities and Collaborations

2.1 Hardware Overview

2.1.2 Output Devices

Desde a sua origem, a cartografia teve uma ligação muito íntima com a ciência geográfica e ao mesmo tempo com a Matemática. A cartografia sempre constituiu uma forma de representação de dados da superfície da terra, dos objetos geográficos físicos e humanos, além de constituir um grande instrumento de comunicação. Uma forma mesma de linguagem comum à Geografia e a todos os profissionais que se atêm da dimensão espacial. E, nesse contexto, os produtos cartográficos: a carta16, o mapa17 sempre foram expressões de um conjunto de procedimentos matemáticos. A representação dos objetos geográficos é, sobretudo, uma conseqüência de estudos de formas e medidas por conseguir-se utilizar as ferramentas disponíveis para a Matemática. Em sua essência, a Cartografia é uma expressão da ciência Matemática.

Campo do conhecimento geográfico, expressão de procedimentos matemáticos, afinal, o que é Cartografia? Ciência ou arte, método científico ou técnica de representação e análise de dados geográficos? Trata-se de uma indagação instigante e que desperta o interesse de diferentes profissionais que se nutrem desse campo do conhecimento na atualidade. Eis algumas definições de cartografia. Bakker (1965), entende que:

A cartografia pode ser definida como a ciência e a arte de expressar graficamente, por meio de mapas e cartas, o conhecimento humano da superfície da terra. É ciência porque essa expressão gráfica, para alcançar exatidão satisfatória, procura um apoio científico que se obtém pela coordenação de determinações astronômicas, e matemáticas assim como

topográficas e geodésias18. É arte quando se subordina às leis estéticas da

simplicidade, clareza e harmonia, procurando atingir o ideal artístico. (BAKKER, 1965, p. 06)

16 Carta: é a representação no plano, em escala média dos aspectos naturais e artificiais de uma área

tomada de uma superfície planetária, subdividida em folhas delimitadas por linhas convencionais – paralelos e meridianos – com a finalidade de possibilitar a avaliação de pormenores, com grau de precisão compatível com as escala (IBGE).

17 Mapa: é a representação no plano, normalmente em escala pequena, dos seus aspectos geográficos,

naturais, culturais e artificiais de uma área tomada na superfície de uma figura planetária, delimitada por elementos físicos, político-administrativos, destinado aos mais variados usos temáticos, culturais e ilustrativos (IBGE).

18 Geodésia é a ciência que se encarrega da determinação da forma e das dimensões da Terra. A palavra

O geógrafo francês Fernand Joly (1990) entende que a Cartografia “é a arte de conceber, de levantar, de reduzir e de divulgar os mapas”. Trata-se de procedimentos técnicos e científicos que:

Exige do cartógrafo um aprofundamento do assunto a ser cartografado e dos seus métodos de estudo que lhe concerne, uma prática comprovada da expressão gráfica com suas possibilidades e seus limites, enfim, uma familiaridade com os modernos procedimentos de criação e de divulgação dos mapas, desde o sensoriamento remoto até a cartografia computadorizada, passando pelo desenho manual e pela impressão.(JOLY, 1990, p. 71)

Oliveira (1987) discorda de Bakker (1965) e de Fernand Joly (1990) no que respeita à condição de ciência e arte da cartografia: “a cartografia não pode constituir uma ciência e tampouco uma arte”, acentua. Com suas feições e técnicas próprias e inconfundíveis, “a cartografia é um método científico, que se destina à expressão de fatos e fenômenos observados sobre a superfície a ser mapeada”.

A Associação Cartográfica Internacional (ACI), órgão mundial responsável pela normatização de regras e difusão de convenções cartográficas, em 1966, estabeleceu e posteriormente foi ratificado pela União das Nações Unidas para a Educação Ciência e Cultura (UNESCO), o conceito que hoje é aceito pela comunidade científica sobre a cartografia:

A cartografia como um conjunto de estudos e operações científicas, artísticas e técnicas, que tendo por base os resultados das observações obtidas pelos métodos e processos diretos, indiretos ou subsidiários de levantamento ou exploração de documentos existentes, destina-se à elaboração e à preparação de mapas e outras formas de expressão, assim como a sua utilização.

Em 1991, Taylor, como presidente desta associação, expõe o seu entendimento a respeito da cartografia: “é a organização, apresentação, comunicação e utilização da geo-

informação19 nas formas gráfica, digital e tátil”. Pode, segundo o autor, incluir todas as etapas,

desde a apresentação dos dados, até o uso final, na criação de mapas e produtos relacionados com a informação espacial.

O entendimento de Salichtchev (1978, apud Martinelli, 1991), sobre o que é a cartografia é muito mais amplo que os autores anteriormente citados. Advoga que a Cartografia é uma ciência cuja função não é somente a representação dos fenômenos passíveis de espacialização. A cartografia:

É a ciência da representação e do estudo da distribuição espacial dos fenômenos naturais e sociais, suas relações e suas transformações ao longo do tempo, por meio de representações cartográficas - modelos icônicos – que reproduzem este ou aquele aspecto da realidade de forma gráfica e generalizada.

Desta forma, Salichtchev (1978) demonstra que o valor da cartografia não é limitado apenas a expressões técnicas de objetos. A Cartografia não é simplesmente uma técnica, indiferente ao conteúdo que está sendo transmitido. Se ela pretende representar e investigar conteúdos espaciais, por meio desses modelos, não poderá fazê- lo sem o conhecimento da essência dos fenômenos que estão sendo representados, nem sem o suporte das ciências que os estudam (Salichtchev, 1980; Martinelli, 1991).

Conforme Yves Lacoste (1988), a construção e elaboração de uma carta ou um mapa representa um esforço que extrapola a dimensão da técnica exigindo do cartógrafo conhecimentos amplos de ciências afins como Geografia e Matemática:

A confecção da carta de um território não é um pequeno empreendimento; é preciso dar-se conta da massa de esforços envolvidos nos levantamentos, nas medições e cálculos, na aplicação de métodos geodésicos, topográficos, astronômicos, fotogramétricos, gráficos, até se chegar no estabelecimento da carta. (LACOSTE, 1988, p. 58)

19 Geo-informação são as tecnologias utilizadas na produção do conhecimento espacial da superfície

como: sensoriamento remoto, sistemas de informação geográfica (SIG), Sistema de posicionamento

É chamado "processo cartográfico", o processo de construção e elaboração da carta ou do mapa que envolve necessariamente uma seqüência de procedimentos que vão desde a coleta de dados, estudo, análise, composição e representação de observações a medidas, de fatos, fenômenos e dados pertinentes a diversos campos científicos, associados à superfície terrestre.

Conforme o autor, é sobre a análise e explicação dos fenômenos da superfície terrestre que se baseia a Geografia. E a cartografia é a sua expressão gráfica. Hoje, ela recebe uma grande ajuda dos meios modernos de que o cartógrafo dispõe como a aerofotogrametria20 e fotointerpretação21, o sensoriamento remoto22 e a cartografia computadorizada23.

2.2 A cartografia na História: especificidade e evolução da cartografia ao longo do