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Dont complément du GN objet

3. Deuxième partie; L’aspect contrastif

3.1. Résultat

3.1.5. Dont complément du GN objet

A abordagem de González de Gómez (2012; 1999a; 2003) para o conceito de regime de informação utiliza como nexo inicial os referentes conceituais anteriormente detalhados, mas também introduz novos referenciais analíticos para abordar as relações entre política, informação e poder.

Na busca de conceitos operatórios desenvolve a discussão sobre as teorias da ação social e ação de informação a partir da seguinte questão: Quais são as formas de vinculação social e epistemológica dos conhecimentos? Para tratar a questão utiliza a teoria da ação de Wersig e Windel (1985) clarificando aspectos da ação de informação sob uma abordagem situacional salientando a conduta informativa dos sujeitos (os atores sociais) e a provisão de documentos ou de conhecimentos (dispositivos e artefatos de informação).

Nesta abordagem a informação assume um caráter relacional entre o singular (atores sociais) e os processos (dispositivos e artefatos), sendo esses últimos os responsáveis pela estabilização dos significados a partir de operações relacionais vinculadas à memória, transmissão, aferimento (avaliação e acompanhamento) e controle (GONZÁLEZ DE GÓMEZ; CHICANEL, 2008). Segundo a autora e, seguindo como Wersig a Teoria da Ação Comunicativa de Habermas, a ideia de ação da informação poderia ser caracterizada pelas formas de integração social que se constituem nos usos sociais da linguagem (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 1999a; GONZÁLEZ DE GÓMEZ; CHICANEL, 2008). Toma sentido as distinções entre ação de informação (como aquelas protagonizadas pelos participantes em determinados espaços sociais buscando o entendimento mútuo, a confiança e a cooperação) e os sistemas e redes de informação (orientados ao contexto de poder, aos custos e à administração).

Sob inspiração de Foucault reformula a base conceitual apresentada por Frohmann (1995) salientando os dispositivos de Foucault. A força do dispositivo ou o poder do dispositivo espera-se que seja exercido em todos os níveis de modo uniforme e maciço, a partir de narrativas reproduzidas em leis, em censuras, em diretrizes, normatizações,

manuais, modelos, etc. que possibilitem escoar tal poder sobre o tecido social para determinar um modelo de perceber certa realidade, coisa ou processo. O dispositivo sempre terá uma função estratégica dominante, encontra-se circunstanciado em relações e jogos de poder sustentados por tipos de saberes. Indica que um regime de informação não tem a configuração de um sistema de informação, mas antes um domínio amplo e exploratório que designa uma morfologia de rede definida somente durante a sua operacionalização, nunca plenamente constituída a priori. Nestes termos remeteria

[...] a uma equação entre potencialidades e forças de diferentes origens e direções que, combinadas, definem os modos de distribuição – entre diferentes atores sociais, atividades e regiões - da potência construtiva e do poder seletivo que se manifestam na geração, circulação, acesso e uso de informação (GONZÁLEZ DE GÓMEZ; CHICANEL, 2008, p. 5).

O desenho e as regras assumem a organização das experiências discursivas gerando a regularidade pela mediação da linguagem e carregam as marcas das condições objetivas de sua emergência: tecnológicas, organizacionais, econômicas, culturais. Nestes termos um regime estaria configurado, em cada manifestação ou caso, por “[...] plexos de relações plurais e diversas intermediáticas [...]” como as TV’s, os jornais, as conversas informais, a Internet etc.; interorganizacionais como empresa, universidade, domicílios, associações etc.; e intersociais se referindo aos atores comunitários, coletivos profissionais, agências governamentais, entre outros (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2002, p. 35).

Na aplicação dos dispositivos de Foucault (como um conceito operatório)10 um regime de informação então, estaria constituído assim, desse plexo de práticas discursivas e não-discursivas (produzindo os modos de existência) atuando como aparelhos, ferramentas, ora constituindo os sujeitos, ora organizando-os em um conjunto

[...] mais ou menos estável de redes sociocomunicacionais formais e informais nas quais informações podem ser geradas, organizadas e transferidas de diferentes produtores, através de muitos e diversos meios, canais e organizações, a diferentes destinatários ou receptores, sejam estes usuários específicos ou públicos amplos (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2002, p. 34).

10

Em Foucault os dispositivos são heterogêneos e incluem: “[...] discursos, instituições, organizações arquitetônicas, decisões regulamentares, leis, medidas administrativas, enunciados científicos, proposições filosóficas, morais, filantrópicas. Em suma, o dito e o não dito são os elementos do dispositivo. O dispositivo é a rede que se pode tecer entre estes elementos” (FOUCAULT, 2004, p. 244). Tudo em único aparelho que reúne poder (contínuo e desordenado) e saber (dá organicidade e sistematização) com a intencionalidade de revelar algo sobre as práticas sociais.

Ora, o que se espera de um dispositivo é a rede que é capaz de estabelecer entre os elementos heterogêneos. Em um regime de informação o dispositivo define como o poder é exercido por meio desse dispositivo. Os dispositivos midiáticos proporcionam visibilidade ao processo de transversalidade específica que define as ações, os meios e os recursos de informação, permitindo inclusive a coexistência de regimes de informação a partir de iguais arranjos de tecnologia, serviços e conteúdos informacionais. Objetivamente o conceito de regime designaria:

[...] um modo de produção informacional dominante em uma formação social, conforme o qual serão definidos sujeitos, instituições, regras e autoridades informacionais, os meios e os recursos preferenciais de informação, os padrões de excelência e os arranjos organizacionais de seu processamento seletivo, seus dispositivos de preservação e distribuição (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 2002, p. 34).

Trata-se de modo de produção de informação dominante porque na relação são realizadas escolhas prescritivas do que será reconhecido como os constituintes ou dispositivos: os sujeitos, as instituições, as regras e autoridades informacionais, os padrões de excelência e os critérios preferenciais de processamento seletivo de meios e recursos de informação (GONZÁLEZ DE GÓMEZ; CHICANEL, 2008). Tais escolhas definem a distribuição de poder, formativo e seletivo, entre atores e organizações, setores, regiões, redes (locais e globais). Em sua morfologia, em seu organizar-se, se definem, se constroem, estabilizando as zonas e recursos de visibilidade através dos atos seletivos que realizam. Um ambiente dinâmico sujeito a mudanças de parâmetros sobre os espaços de interação e cooperação conforme também se modificam os interesses, as ênfases e relevâncias dos atores que nela desenvolvem as ações de informação.

A informação funciona, sob um regime de informação, como um operador de relação que conecta simultaneamente duas redes: a rede primária e a rede secundária. A rede primária articula informações geradas, de forma intersubjetiva, nas ações de informação (processos comunicativo-informativos) que constituem as práticas de geração de conhecimento e aprendizagem entre os atores sociais. Tem como objeto a informação gerada que nela circula. Esta rede sustenta as redes orientadas ao conhecimento, interação e identificação dos atores sociais.

As ações de informação atuam sob duas dimensões: da dimensão da ação de

informação em si através da interação para entendimento mútuo no espaços sociais e

manifestações de saberes), integração social (espaço para a solidariedade e cooperação) e socialização (espaço para a formação das identificações e identidades entre os atores sociais); da dimensão dos serviços, sistemas e redes formais de informação orientadas à produtividade, ao poder e a gestão, nesta dimensão entram em cena as organizações, o estado e as ações de coordenação, todas relacionadas aos processos comunicativo- informativos. Todas as atividades desenvolvidas apresentam zonas de interseção com as tecnologias de informação utilizadas nos dispositivos e artefatos de informação nas redes primárias e secundárias (GONZÁLEZ DE GÓMEZ; CHICANEL, 2008).

A rede secundária ou rede de metainformação faz parte das redes relacionais e de cooperação (contratuais, institucionais e organizacionais). A metainformação refere-se a informação sobre informação, aos dados processados (bases de dados, estatísticas, indicadores, sites e homepages) e respectivas infraestruturas sob um nível mais analítico e sistematizador das informações produzidas na rede primária e selecionadas do ambiente externo.

Segundo González de Gómez (1999a) a existência apenas de redes secundárias de informação condiciona a produção de metaconhecimentos imperfeitos produzindo a formação de uma política formal esvaziada de micropolíticas de sustentação.

González de Gómez (1999a) enfatiza que um regime de informação apresenta maior autonomia informativa quando apresenta

[...] um bom desenvolvimento e articulação de suas redes primárias e secundárias de informação, de modo que podem gerar e aderir a testemunhos de informação confiáveis e pertinentes, com a máxima potência de relação e com a maior transparência metainformacional e contextual (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 1999a, p. 30).

Esta autonomia informativa ou de informação refere-se a uma condição de comunicação da informação dentro de um determinado grupo, organização ou estrutura social, uma condição para viabilizar a satisfação de necessidades de informação e propiciar as condições de geração de conhecimentos e de aprendizagem nos atores sociais. A autonomia informativa vincula-se aos atores sociais. “É na conectividade e densidade de relações entre essas redes que um indivíduo, grupo ou sociedade realiza seus projetos de autonomia, mantendo ao mesmo tempo seus vínculos com os outros e com os mundos conhecidos” (GONZÁLEZ DE GÓMEZ, 1999a, p. 29).

Um regime de informação apresenta alguns elementos constituintes e essenciais ao funcionamento e articulação das redes sociocomunicacionais primárias e secundárias:

a) Os dispositivos de informação referem-se aos meios (produtos e serviços de informação e práticas de transferência de informação). Os dispositivos seriam o recurso de flexibilização e mobilização facilitadores das operações nas redes primárias e secundárias. Definem os critérios e padrões selecionados para processamento de meios e recursos de informação.

b) Os atores sociais são aqueles que realizam as ações de informação, sujeitos sociais em atividades ligadas ao seu contexto e identidades.

c) Os artefatos de informação - Modos tecnológicos e materiais de armazenagem, processamento e de transmissão de dados mensagem-informação.

d) As ações de informação – são as formas de integração social adotadas pelos atores sociais para acionar os processos comunicativo-informativos. González de Gómez; Chicanel (2008) definem dois níveis de ações: aquelas produzidas pelos atores sociais em suas práticas cotidianas de interação e cooperação; e as ações