5.2 Influence on the direction of search
5.2.2 Competing Technologies
Os estudos em Aprendizagem em Museus permitiram, na última década, o estabelecimento de fundamentos teórico-metodológicos, levando a uma maior compreensão de como os visitantes dão significado a suas experiências museais (RENNIE e JOHNSTON, 2004). Percebe-se que essas pesquisas são desenvolvidas principalmente nos Estados Unidos e na Inglaterra e, em menor quantidade, na França, na Espanha e no Canadá. Enquanto as pesquisas estadunidenses estão mais embasadas nos Museus de Ciências (definição que inclui Centros de Ciências, Museus de História Natural, Zoológicos, Jardins Botânicos etc.), as inglesas estão mais relacionadas aos Museus de História e de Arte. Percebe-se ainda que os estudos publicados por centros ingleses apresentam uma maior inovação em termos de ampliação dos referencias teórico-metodológicos utilizados. Os pesquisadores estadunidenses parecem tender a pesquisas mais pragmáticas, que forneçam resultados práticos para a mudança da práxis educativa. Na pesquisa inglesa, parece haver uma tendência em procurar
novas formas de explicar o fenômeno de interação museal. Assim, as pesquisas apontando para a importância da mediação semiótica e humana na aprendizagem em museus, por exemplo, aparecem e se fortalecem na Inglaterra (e. g., McManus, 1992; Hooper-Greenhill, 1999b), para posteriormente tomarem corpo nos Estados Unidos. Vale ressaltar a importância de outros países na construção desse campo de pesquisa. Canadá, França, Portugal, Espanha são países representativos da pesquisa educacional voltada para a aprendizagem e/ou para os museus.
É considerável o número de publicações na área, que pode ser observado pelos levantamentos bibliográficos realizados pelo Grupo para Educação em Museus (Group for Education in Museum), da Inglaterra, e pelo Projeto Colaborativo de Aprendizagem em Museus (Museum Learning Collaborative Project), atual UPCLOSE, nos Estados Unidos22. Mas, apesar da extensa literatura, muitas questões ainda estão colocadas sobre a aprendizagem nesses espaços:
- Museus virtuais – frente a enorme expansão das possibilidades de interação dos websites dos museus de ciências, não foram encontradas pesquisas dispostas a entender essa ferramenta no processo de aprendizagem dos webvisitantes. Poucas são as pesquisas sobre o uso de sistemas tecnológicos recentes em exposições, gerenciamento de coleções e informações ou comunicação entre pesquisadores da área (como em redes digitais de grupos de pesquisa). Em outras áreas (que não aprendizagem em museus), pesquisas sobre o uso dessas ferramentas na conservação de acervos são mais freqüentes. Acredita-se que esse seja um tema com forte tendência de expansão entre os museus e promete constituir-se como um campo importante de investigação. Vale ressaltar que o periódico Museum Management and Curatorship incluiu em seu editorial, em 2008, uma seção sobre Patrimônio Digital.
- Públicos especiais – com exceção de alguns trabalhos (e. g., BROOKE; SOLOMON, 2001), não foram encontradas pesquisas que procuram compreender o processo de aprendizagem desenvolvido por portadores de necessidades especiais em museus de ciências. Em um momento em que a Educação Inclusiva vem sendo debatida em diferentes esferas da sociedade e os museus colocam-se como importantes atores desse processo, é importante que atenção seja dada a como esses públicos interpretam as exposições e se engajam nas atividades educativas propostas pelos museus.
- Unidade de análise – frente à variedade de referenciais teórico-metodológicos, seria importante compreender quais as unidades de análise, quais os elementos do processo de ensino-aprendizagem em museus que contribuiriam para um melhor entendimento do todo desse processo sistêmico. Não se trata de analisar somente uma parte (a unidade) para entender o todo, mas sim de analisar o todo por meio da unidade. Como sugere Giordan (2006, p.19 e 37), “a unidade, como um tipo de generalização, pode ser empregada como instrumento analítico para a compreensão do todo” e “por se referir às características e propriedades concretas do fenômeno, não perde as propriedades inerentes ao todo que devem ser objeto de explicação, mas trazem em si as formas primárias mais simples dessas propriedades que motivaram sua análise”. A construção de um conhecimento sobre quais unidades de análise constituir-se-iam como inerentes aos processos de aprendizagem constitui-se em terreno fértil para futuras pesquisas.
- Função social dos museus – dentro da área de aprendizagem em museus,há um consenso de que a função educativa dos museus passa pelo processo ensino/aprendizagem, mesmo para aqueles que consideram que os visitantes vêm aos museus com sua motivação voltada para o lazer (mas acabam construindo significados independentemente de sua motivação inicial). Mas faltam as pesquisas (em museus de ciências) que reflitam sobre a aprendizagem enquanto elemento da construção da identidade do sujeito no meio social, ainda mais em relação à cultura científica. Como se dá a inserção do setor educativo na pesquisa e conservação do acervo de um museu de ciências? Como os museus de ciências têm permitido aos indivíduos, a partir de sua atividade principal de musealizar objetos e paisagens, novas leituras do mundo? Essas questões não foram abordadas na literatura analisada e poderiam ser pertinentes para o entendimento da “ação educativa” do museu como não limitada à extroversão do patrimônio.
As questões colocadas giram em torno não somente do fortalecimento de diretrizes teórico-metodológicas na área, mas também do entendimento de como os principais elementos envolvidos na aprendizagem influenciam a construção de significados durante e após as experiências museais, pelo indivíduo e pelo grupo social. Nesse sentido, estudos que analisem mais profundamente cada um dos diferentes fatores, mas que deem conta de interpretá-los em uma visão sistêmica, são importantes para o fortalecimento de um campo teórico sobre aprendizagem em museus. Faltam para isso, como coloca Falk (2004), escala e
escopo nos modelos de pesquisa: olha-se para grupos ou indivíduos dentro de um espaço e tempo delimitados ao invés de se olhar para o que acontece quando o museu é considerado uma pequena parte dentro de um todo. Seriam necessárias, portanto, pesquisas mais verticais que deem conta da variedade de experiências que ocorrem nos museus e, também, mais horizontais, que compreendam essas experiências em conexões com a vida integral dos sujeitos.