Segundo Faulstich (2006, p. 47) “A ficha terminológica é uma ferramenta utilizada para sintetizar e sistematizar a informação. Os critérios principais para preparar uma ficha são: validade, concisão, atualidade e complementaridade dos dados”. Encontra-se nas fichas terminológicas o registro completo de informações referentes ao termo e pertinentes para a pesquisa, pois é por meio dessas informações relevantes que o verbete é construído, porém não é necessário conter no verbete todas as informações nela contidas (KRIEGER & FINATTO, 2004).
A ficha montada para esta pesquisa contém os seguintes itens:
I. Termo em Português: após a identificação e coleta do termo nos textos especializados, ele é registrado na ficha.
II. Variante em Português: caso exista variação ela é registrada nesse campo.
III. Termos em Mundurukú: este campo é registrado após a coleta e identificação do termo em Mundurukú no trabalho de campo.
IV. Variante em Mundurukú: caso exista variação ela é registrada nesse campo.
V. Fontes do termo em Mundurukú: registra-se aqui a fonte do termo em Mundurukú caso seja encontrado em material escrito/oral na língua.
VI. Contexto do termo em Português: registra-se um contexto de uso do termo encontrado nos textos especializados.
VII. Fonte do termo em Português: registra-se a fonte em que foi encontrado o termo em Português.
VIII. Exemplos: registram-se aqui exemplos de contextos de uso do termo em Mundurukú, coletados por meio das oficinas terminográficas.
IX. Definições em Português: registram-se, no mínimo, duas definições encontradas preferencialmente em dicionários terminológicos da área ou definições encontradas em dicionário de língua geral e nos próprios textos especializados.
X. Proposta de definição em Português: registra-se a proposta de definição construída pelos integrantes envolvidos na elaboração do dicionário (orientador, orientanda e colaboradores Mundurukú).
XI. Remissão: registram-se os outros termos que estabelecem relações e facilitam a compreensão do termo em questão.
XII. Notas: registram-se informações adicionais sobre os termos.
XIII. Fontes da definição em Português: registram-se as fontes das definições encontradas em Português para o termo.
XIV. Domínio: registra-se a área do saber em que o termo é inserido (Agroecologia, Enfermagem e/ou Magistério).
XV. Subárea: registra-se a subárea a que pertence o termo (Cf. seção 4.1).
XVI. Responsável: registra-se a pessoa responsável pela identificação, coleta e registro do termo.
XVII. Data: registra-se a data em que o termo foi coletado.
XVIII. Frequência no texto: registra-se a frequência em que o termo aparece em determinado texto.
XIX. Marcas de uso: registram-se aqui as particularidades de uso de um termo. Vale ressaltar que os dicionários22 utilizados para a busca de definições foram:
1-Dicionário Prático de Pedagogia, organizado por Tânia Dias Queiroz, de 2003. Esse dicionário em sua apresentação expõe que a obra está em conformidade com os Parâmetros Curriculares Nacionais e aborda os temas transversais, porém negligencia diversos termos básicos relacionados à Educação e aborda diversos que, fora do contexto, pouco se relacionam de fato com a Educação; e, nas próprias definições, este dicionário não os aproxima da área. Falha também por não trazer uma guia ao usuário, contando apenas com uma breve apresentação. Apresenta algumas definições tautológicas e outras enciclopédicas. Para nossa pesquisa, essa obra tem sua relevância por ser um dicionário da área abordada, porém reconhecemos que é uma obra deficitária em termos terminográficos.
2-Dicionário Interativo da Educação Brasileira.23 Esta obra, por ser um dicionário interativo disponível na internet, contribuiu bastante para a pesquisa pela facilidade de acesso, além de ser atualizado mais frequentemente. As definições desse dicionário costumam ser objetivas e claras, facilitando o entendimento sobre o verbete.
3-Dicionário Eletrônico Aurélio, 2008. Apesar de ser um dicionário de língua geral, resolvemos adotá-lo também, uma vez que, como já citado, são escassos os dicionários que abordem os termos da área do magistério. Também o adotamos pela sua representatividade em relação ao léxico do Português. Também há de se destacar que, mesmo sendo um dicionário de língua geral, existem muitos termos nele registrados.
4-Dicionário brasileiro de educação, de Sérgio Guerra Duarte, de 1986. Apesar de ser o dicionário mais antigo e trazer em algumas definições concepções ultrapassadas ou que, de acordo com as novas tendências educacionais, caminham para uma mudança, esse dicionário
22 Os dicionários estão ordenados na mesma ordem em que as definições são colocadas nas fichas terminológicas
no item “definições em português” (Cf. apêndices).
foi importante por trazer 2000 verbetes. Estruturalmente, só conta com uma breve apresentação, não trazendo um guia de uso. As definições são objetivas.
5-Termos da Legislação Educacional Brasileira, organizado por Adriana Cancella Duarte e Marisa Ribeiro Teixeira, de 2007. Esse dicionário aborda os termos da legislação educacional de maneira bastante rica, trazendo não uma simples definição, mas um texto abordando cada assunto. Porém, como o nosso dicionário busca definições simples e sucintas, utilizamos esse material mais como referencial de estudo para melhor compreender os termos. A obra está disponível em CD, facilitando o acesso.
6- Dicionário de Filosofia da Educação, de Christopher Winch e John Gingell, traduzido por Renato Marques de Oliveira, de 2007. Obra relevante por ser um dicionário que aborda termos da educação. Porém, por ser destinada a educadores, a filósofos, a autoridades educacionais, a alunos e a professores de filosofia da educação, não tem uma linguagem acessível ao nosso público-alvo. Essa obra, além da introdução, conta com lista dos conceitos, bibliografia e um índice remissivo.
7- Dicionário Eletrônico Houaiss, (2009). Também adotamos esse dicionário pelo menos motivo da adoção do Dicionário Aurélio.
O uso da ficha terminológica é primordial para elaboração do verbete, pois são com bases nas informações contidas na ficha que é feita a seleção das informações pertinentes a serem registradas no verbete (Cf. seção 4.2). Como os termos são identificados primeiramente em Português, a primeira etapa de preenchimento das fichas se dá com foco na língua portuguesa, só após esse preenchimento, incluindo o de elaboração de uma primeira definição é que volta-se para o trabalho de campo com o intuito de coletar os termos em Mundurukú, para então fechar o preenchimento de cada ficha terminológica.