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6.3 Results

6.3.5 Comparison and discussion of the policy alternatives

O professor Josué de Castro foi solenemente empossado na cátedra da Faculdade de Filosofia – Os oradores – O elogio do novo mestre, pelo prof. Artur Ramos – Como se manifestou o Reitor da Universidade

Foi uma verdadeira festa de amizade e cultura a solenidade da posse, verificada, ontem, no Salão Nobre da Faculdade Nacional de Filosofia, do professor Josué de Castro, na cátedra de Geografia Humana do Curso de Jornalismo, daquele estabelecimento de ensino superior. Viviam-se, ali, destacados elementos dos círculos culturais e da sociedade, inclusive o corpo docente da Faculdade, bem como alunos dos seus diferentes Cursos. A solenidade foi presidida pelo sr. Inácio Azevedo Amaral, reitor da Universidade do Brasil, tendo constituído a mesa, ainda, srs. Ernesto Faria e Heitor Corrêa, respectivamente, diretor interino e secretario da aludida Faculdade bem assim o professor Artur Ramos, catedrático de Antropologia, saudou o sr. Josué de Castro.

Depois de ter lido o têrmo de posse e sido feita a entrega do título de nomeação, o diretor da Faculdade Nacional de Filosofia, em nome da mesma, passou ás mãos do sr. Josué de Castro, o diploma de Doutor em Geografia e História.

de seu concurso e relembrou ter acompanhado desde a Bahia a atuação do professor Josué de Castro como cientista e escritor. Referiu-se ás suas atividades como nutricionista e, depois, no setor social, estudando o problema da educação do homem em bases científicas. Chamou-o de mestre da ciência da nutrição, para então aludir á Geografia Humana – cátedra na qual se empossava o sr. Josué de Castro – como o estudo da compreensão e valorização do homem. Depois de outras considerações, concluiu dizendo que o sr. Josué de Castro é o homem sempre empolgado pelos problemas sociais de nosso tempo.

Fala um Aluno

Por delegação de seus companheiros de curso e também por delegação do Grêmio “José do Patrocínio”, saudou o professor Josué de Castro, o estudante do curso de Jornalismo, José Ribamar Machado, que exaltou as qualidades do mestre e do escritor fluente e seguro, é o sr. Josué de Castro. Congratulações do Reitor

A essa altura usou da palavra o professor Inácio Azevedo Amaral, congratulando-se com o professor Josué de Castro, em nome da Universidade do Brasil e em seu próprio nome, pela sua posse na cátedra de Geografia Humana. Disse que foi a luta vitoriosa contra todas as circunstâncias que assinalou a trajetória do sr. Josué de Castro como homem e cientista.

O Discurso do Mestre

O professor Josué de Castro está, agora, com a palavra. Referiu-se inicialmente ao “amor intelectual” a que aludiu Spinosa e, dirigindo-se ao “magnífico reitor da Universidade do Brasil” disse da sua admiração pelo mestre. “Sois – declarou – um grande selecionador de homens”. Não quis elogiar a “capacidade do plástico diante da vida, mas a do compreendedor do homem. Sois um homem rebelde contra os preconceitos e isso constitui a sua marcante personalidade. Sois um homem magnífico pelas virtudes e pelos defeitos”.

O orador faz o elogio do senhor Artur Ramos, seu amigo de muitos anos. Fez sentir a amizade que lhe dedica. Confessa a influência exercida pelo mesmo, na sua formação científica. Lê uma página de seu “diário” de estudante, à época em que era companheiro de pensão daquele. Profere ainda algumas palavras de carinho para o amigo que influiu decididamente em sua carreira acadêmica. Agora, o sr. Josué de Castro faz referencias ao sr. Roquete Pinto, paraninfo daquela festa de amizade e cultura. Elogiou o homem que muito concorreu para que ele – o orador se tornasse catedrático, pois por aquele fôra indicado para lecionar antropologia na Universidade do Distrito Federal. Outras considerações, e o professor Josué de Castro afirma que aquêle momento tem a significação de tôda uma existência. Quase finalizando sua peroração, reafirmou que a Geografia é a mais universalista das ciências e teceu judiciosos comentários a respeito.

Fonte: O MUNDO. Rio de Janeiro, 15 de junho de 1948.

Assim, Josué se manterá relativamente afastado da comunidade geográfica brasileira, enquanto estreita os laços com os colegas norte- americanos e franceses, como Max Sorre, com quem participara da Comissão de Geografia Médica da União Geográfica Internacional – UGI (vide correspondência de Jacques M. May); Francis Ruellan (amigo e colega na Faculdade Nacional de Filosofia), Jean Dresch e Jean Tricart, com os quais mantivera contato até o fim da vida, como pode ser visto nas correspondências que seguem39. Também com Pierre Deffontaines, manteve contato constante desde os anos 30, igualmente ao que acontecera com o norte-americano Preston James, cuja presença mostra-se marcante na obra de Josué. No Brasil, a partir da década de 1940, passa a dialogar com Milton Santos e outros geógrafos nordestinos como Manuel Correia de Andrade e Mário Lacerda de Melo.

Se manterá na Cátedra de Geografia Humana da Faculdade Nacional de Filosofia até 1954, quando se elege Deputado Federal pelo PTB de Pernambuco, mandato que seria renovado quatro anos depois e ao término do qual assumiria a Embaixada do Brasil em Genebra.

39

Josué de Castro vem a falecer em setembro de 1973 em Paris, onde ficou exilado em seguida ao golpe militar de 31 de março de 1964.

Correspondência do Professor Jacques M. May para o Professor Josué de Castro.

Correspondência do Professor Preston James para o Professor Josué de Castro.

Correspondência do Professor Preston James para o Professor Josué de Castro.

VI Capítulo – Geografia da Fome – Consubstanciação e Matriz