• No results found

Comparing the Results of the Different Missingness Mechanisms . 61

7.2 Simulation Study

7.2.5 Comparing the Results of the Different Missingness Mechanisms . 61

Imagens 11/12 – Manuais de medicina sobre gravidez – séculos XVII-XVIII Fonte: Martins.(2005) e Blog Medievalist. Disponível em

79

Imagem 13 – Modelo anatômico em marfim, – século XVII

Fonte: Welcome Images. Disponível em http://bit.ly/2o43zJD. Acesso em 22 jan 2017.

Imagens 14/15/16 – Corpo grávido retratados nos manuais de medicina dos séculos XVIII-XIX

Fonte: U.S. National Library of Medicine e Martins (2005). Disponíveis em <http://bit.ly/2neYYji>; <http://bit.ly/2o46qCo>. Acesso em 12 fev 2017.

80

Imagem 17 – Spa para grávidas em 1965, espaço para a gestante descansar e se preparar para o parto Fonte: Daily Mail. Disponível em http://dailym.ai/2nTFk10. Acesso em 22 jan 2017.

Imagens 18/19 – Leila Diniz, atriz brasileira que nos anos 60, expôs seu corpo grávido de biquíni nas praias do rio de janeiro como forma de protesto contra a repressão.

81

Imagens 20/21 – Grávidas fitness praticando exercícios de alta intensidade. Na primeira imagem, Gabriela Zugliani. Na segunda, publicação da empresa Birthfit. Fonte: Instagram @gabrielazugliani e @birthfit. Disponíveis em <http://bit.ly/2o8luzt>; <http://bit.ly/2nxXKmt> .Acesso em 06 jan 2017.

Imagem 22 – Barriga chapada na gravidez ; modelo americana, Sarah Stage, ganhou as manchetes dos sites de “celebridades” por sua barriga esculpida com oito meses de gravidez.

82

Imagem 23 - Parto de Sarah Schmid; frame do vídeo do nascimento Fonte: Vídeo do parto de Sarah Schmid. Disponível em

83

Era a hora em que, no frio e miserável quarto. Se acrescentava a dor das mulheres no parto. (Baudelaire, As flores do mal)

Desde 2010, as maternidades brasileiras oferecem o serviço de partos televisionados ao vivo via internet. Serviço conhecido em revistas e sites especializados em maternidade, como Baby Brother, em referência ao reality show da Rede Globo Big Brother, o parto online é uma opção para os pais compartilharem o nascimento do bebê em tempo real com quem eles quiserem. De acordo com os hospitais que oferecem o serviço, o funcionamento é simples: uma câmera é instalada no centro cirúrgico e controlada de outra sala. A transmissão só pode ser acessada por meio de senhas distribuídas pelos pais. A filmagem não mostra “detalhes impróprios”103 do corpo

da mãe, os destaques são os rostos dos pais, o primeiro choro da criança, e os momentos dignos de serem lembrados do primeiro contato do bebê com o mundo.

No começo da transmissão, antes do parto, é exibida a seguinte mensagem: “Aguarde um momento... Em breve você assistirá a um dos momentos mais emocionantes da vida desta família: o nascimento”104, e então o internauta assiste a um vídeo institucional da maternidade. Prima da

gestante, Flávia Alberton afirma que “a qualidade (da transmissão) foi boa”, apesar de a tela de exibição ser “bem menor do que a do YouTube. Mas deu para ver a emoção de todos”. A qualidade da imagem é preocupação da produtora, e Paulo Borges ressalta que “estamos melhorando a câmera. E nossa internet, no Brasil, infelizmente é uma porcaria. Então não é cinema”. O empresário destaca que o próximo passo é vender espaço publicitário antes, durante e depois do nascimento. Ele completa que será tudo “bem discreto, até para não agredir”.105

De sua casa no Japão, Rosana Oshiro, brasileira, blogueira e doula voluntária, decidiu em 2011, transmitir ao vivo, via web, o parto desassistido do seu quinto bebê. Em seu blog, Oshiro compartilhou os momentos, as inseguranças e os desafios da gravidez dos seus cinco filhos. Após duas cesarianas e dois partos em casa, seu desejo com esse “projeto”, era que “todas as mulheres tenham partos dignos e felizes, independentemente de onde elas morem (país), dos seus médicos,

103 Matéria “Parto online ‒ Transmissão do parto via internet é a nova moda em maternidades de todo o Brasil”.

Disponível em <http://bit.ly/2lqe3RE>. Acesso em 10 ago. 2016.

104 Matéria “Hospitais lançam serviço de transmissão de imagens via internet da hora do parto”, revista Crescer.

Disponível em <http://glo.bo/2gyxNg2>. Acesso em 10 ago 2016.

105 Matéria “Parto ao vivo pela internet vira moda nas maternidades”, Folha de S. Paulo. Disponível em:

84

de sua classe social, independentes de suas crenças e tudo mais”.106 Além de poder ser

acompanhado em “tempo real” via live streaming,107 o vídeo do parto foi disponibilizado no canal

da mãe no YouTube, com mais de 150 mil visualizações; as imagens mostram toda a trajetória da mãe até o nascimento de sua neném. Por meio de legendas, ela compartilha seus sentimentos, dores, inseguranças, a presença das outras crianças e do marido. O momento do nascimento de Clara está na íntegra, segundo Oshiro, “sem cortes nem edições para que todos vejam como me senti realizada em parir”.108. Nele, pode-se ver a mãe, mordendo o lençol, deitada de bruços, e escuta-se a voz da

doula, que a acalma e orienta. Segundos depois, o bebê nasce, amparado pela doula, e é entregue aos braços da puérpera; a mãe e a recém-nascida (e a audiência) se conectam na primeira amamentação.

Também digno de visibilidade, outro parto constitui o quadro imagético deste capítulo. A imagem de uma mulher que, em trabalho de parto em pé, vestida, segurando-se em uma corda de tecido, dá à luz gêmeos, em um cômodo privado de uma casa.109 A mãe é assistida por duas

mulheres que a auxiliam ao dar à luz e também é acompanhada por uma mulher mais jovem e solteira, a única sem lenço nos cabelos. A seriedade é evidente nos rostos das três mulheres que participam do parto; tal como a parturiente, todas estão vestidas. Não há nenhum homem no quarto, nem é possível inferir a presença do pai ou de familiares do sexo masculino no exterior do quarto. A cena é eternizada por um olhar exterior que não participa do momento do parto nem necessariamente reproduz a experiência da parturiente.

De maneira geral, essa poderia ser a descrição de um parto natural de qualquer época, porém alguns elementos nos permitem perceber certo distanciamento, como a grávida estar vestida durante o parto; a ausência absoluta de homens no local do parto e de dispositivos de gravação de imagem e vídeo pode indicar a dissonância entre esse nascimento e os partos contemporâneos, como o de Oshiro ‒ entre essas imagens, aliás, há séculos de diferença. Se o de Oshiro evidencia o parto que segue uma lógica espetacular, condizente com os regimes de visibilidade e vigilância contemporâneos, a segunda imagem, retrata um parto medieval.

106 OSHIRO, R. (2010). “Por que empoderando?”. Disponível em <http://bit.ly/1RD0XKN>. Acesso em 17 dez. 2015. 107 Streaming é uma tecnologia que envia informações multimídia, por meio da transferência de dados, especialmente,

pela internet. O live streaming permite que o usuário acompanhe uma transmissão ao vivo.

108 OSHIRO, R. (2010). “O parto na íntegra”. Disponível em <http://bit.ly/20xeZ0G>. Acesso em 17 dez. 2015. 109 Imagem 24, disponível na página 112, ao final deste capítulo.

85

Especialistas em arte acreditam que a pintura pode ser datada do período 1475-1480, com autoria atribuída a François Maître e intitulada O nascimento de Esaú e Jacó,110 atualmente exposta

no Museu Meermanno, na Holanda. A obra eterniza o momento do parto de Rebecca, esposa de Isaac, relatado no primeiro livro da Bíblia, Gênesis. Esse nascimento é destacado nas narrativas cristãs, pois, a partir de uma oração feita por Issac, pedindo a Deus descendentes, sua mulher, que estava tendo dificuldades para engravidar, é abençoada com gêmeos, ambos do sexo masculino. O olhar sobre o momento do nascimento, seja por meio de narrativas relevantes para a religião ou transmitido ao vivo, constitui um panorama imagético que nos permite entender os regimes de visibilidade relacionados ao parto.