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Comparació de metodologies de caire tradicional vs. innovadores i cooperatives

7. Experiències viscudes al CEIP Rafal Vell

7.2. Comparació de metodologies de caire tradicional vs. innovadores i cooperatives

Segundo grande parte dos informantes, a incidência da doença nos jovens é uma importante variável na forma como o médico conduz o diagnóstico e, em certo sentido, uma situação mais “angustiante” para esse profissional. Especialmente quando as idades entre ele e o doente se assemelham (PINTO, 2003), as dificuldades no manejo de suas próprias emoções (MENEZES, 2006a, 2006b) tornam-se mais intensas. Para uma informante da Clínica Médica:

O pior é você dar o diagnóstico de câncer para uma pessoa mais jovem. O que seria jovem realmente? Um adulto jovem. Isso mexe muito mais comigo [...]. A idade, quando é jovem, é pior. Machuca a gente. Quando o paciente é mais idoso, você, acho que, trabalha, digere melhor...

Alguns médicos alegaram que a doença tem um impacto maior nos jovens porque pode trazer como conseqüência a interrupção no ciclo de vida e a impossibilidade de realizar projetos em andamento. Assim, o diagnóstico do câncer rompe com o sentimento de invulnerabilidade, que é reforçado na sociedade capitalista de consumo, na qual o novo é valorizado e o velho e a morte são associados à sensação de incompetência e incapacidade (VALLE, 2001).

As reações da família também costumam ser mais intensas quando o doente é jovem, especialmente se é uma criança ou adolescente. Na opinião de alguns informantes, existe a sensação de um tempo de vida ainda não vivido, ao contrário do que acontece quando o doente é idoso, para o qual a ocorrência progressiva de doenças é previsível, incluindo o câncer. Essas crenças também se mostraram presentes na opção de muitos médicos em não atender crianças ou jovens, em decorrência dos sentimentos despertados em relação a esse tema, um fato comumente relatado pelos informantes do sexo feminino.

Embora a atuação na área do câncer seja percebida como “árdua” para muitos informantes, a maioria mostrou-se gratificada pela escolha da especialidade, mesmo sabendo que, para alguns doentes, a possibilidade de cura é remota, desde quando a doença é detectada. Entretanto, especialmente no caso do atendimento a crianças e jovens, essa realidade mostrou-se emocionalmente intensa, como pode ser observado nesse trecho relatado por uma médica da Quimioterapia:

É óbvio que você tem situações que você realmente, eu chego em casa mais triste entendeu? mais pensativa. Quando eu vejo, por exemplo, uma paciente jovem, da mesma idade que eu, isso me faz pensar muito. Criança hoje em dia eu estou muito mais sensível que na época da minha formação.

Ao ser indagada sobre a mencionada variável na comunicação sobre o diagnóstico, uma das informantes referiu que, no caso de crianças e “demenciados”, por existirem limitações para a assimilação das informações, o médico preferencialmente opta pelo contato com a família. O argumento apontado por alguns informantes, e que justificaria a inclusão do familiar no processo dialógico, foi a existência de aspectos práticos que precisam ser resolvidos e que requerem capacidade de decisão.

Em relação a esse tema, os informantes acrescentaram que a maioria dos problemas enfrentados na comunicação sobre o diagnóstico é motivada pela não aceitação da doença pela família, em especial quando o doente é uma criança.

Por outro lado, a imagem de passividade e ignorância associada à representação da infância não foi unânime entre os informantes, especialmente no que se refere à aceitação da doença. Em alguns relatos eles enfatizaram a capacidade maior da criança em relação ao adulto para lidar com a doença e, eventualmente, com a morte: “coisas que eu ouvi de criança, que eu não ouvi de adulto, eles sabem quando vão morrer. Eles tem essa coisa assim, do amadurecimento de querer aquilo, e eles irem em paz” (médica da Quimioterapia).

Conforme comprovado em vários depoimentos, há muito tempo o diagnóstico do câncer tem sido associado à impossibilidade de cura da doença. Mas, uma recente mudança referida pelos profissionais da área da saúde vem sendo observada, especialmente no que se refere aos doentes mais jovens, que segundo os informantes, apresentam uma postura mais questionadora em relação à doença. Eles ressaltaram que a reação dos doentes jovens geralmente é de curiosidade sobre a doença e sobre o tratamento: “eles não têm medo do diagnóstico”, observação que leva a supor que a idade também pode ser uma importante variável no enfrentamento da doença pelos doentes.

No caso dos idosos, os informantes destacaram que as situações em que a família solicita ao médico a omissão do diagnóstico são freqüentes, sendo uma das principais justificativas o receio de antecipação da morte do doente, posicionamento que parece refletir a crença estereotipada de que os direitos diminuem com o envelhecimento. A limitação das informações costuma acentuar-se aos idosos, nos casos em que o médico julga que a revelação do diagnóstico não proporcionará benefícios ao doente. Segundo uma informante: “[...] nunca deixo de dizer, muito difícil. A não ser que seja uma vovozinha de 90 anos... O que é que vai modificar você dizer pra ela que ela tem câncer? Não modifica nada”.

Os informantes relataram que a variável idade é também um importante critério utilizado pelo médico para a interpretação do diagnóstico e dos direcionamentos terapêuticos subseqüentes:

[...] quanto mais novo, mais assim, sensibilizado, a gente fica. Eu fico muito. A gente vê às vezes, garota de vinte, vinte e três anos... quer dizer nova, muito nova, com filho e tudo. Então isso com certeza sensibiliza muito mais a gente, do que um paciente idoso, entendeu?! (médica da CCPO).

[...] quanto mais jovem eu tenho o doente, mais eu vou insistir nele, então o investimento depende da idade. Mas às vezes a idade biológica não condiz com a condição clínica. Às vezes uma senhora de 80 anos ela suporta coisas... e às vezes mulheres de cinqüenta, estão muito mais destruídas do que outras de menos idade. Então isso é, um ponto, um ponto que eu, sempre fico alerta (médico da CCPO).

Ao estabelecerem comparação das reações apresentadas pelos doentes, alguns informantes salientaram que os mais jovens costumavam fazer mais perguntas sobre o diagnóstico e demonstra mais interesse nas possibilidades de tratamento em comparação aos idosos. Coforme mencionei, uma possível causa para essa diferença de comportamento reside no fato de que os mais idosos tendem a associar com mais facilidade a doença à morte; além disso, historicamente essa representação foi válida por muito tempo e se manifesta até pelo repúdio ao uso da palavra “câncer”64:

Tanto é que muitas famílias e muitos pacientes falam ‘essa doença’. Não conseguem verbalizar a palavra câncer. Porque tem muito tabu ainda. Principalmente os mais velhos, que adoecem de câncer nessa geração, entendeu? Onde a medicina já existe, muito mais especialidades, muito mais tratamentos. Os mais jovens, é, eu tenho muitos doentes jovens com câncer de mama. Eles falam abertamente sobre a doença. Usam a palavra ‘câncer’, entendeu? Muito mais tranqüilo (médico da CCPO).

64 Laplantine (2004) destaca que, no saber médico ocidental, a representação do câncer geralmente está associada

Os médicos destacaram que os procedimentos são realizados com base na capacidade do organismo de suportar as seqüelas, variando também conforme a idade do doente, embora essa não possa ser considerada uma regra geral:

Muitas vezes a gente faz um tratamento menos radical em função da idade do doente. Isso não sou eu, são os protocolos inclusive, que falam isso. Se você tem, por exemplo, um doente com câncer de próstata com 80 anos, pra quê vai submetê-lo a uma prostatectomia radical, não justifica isso. O cirurgião, inclusive, abre mão de fazer o tratamento consigo em prol de outra especialidade. Porque não há benefício nenhum, aquele doente vai ser agredido. E se agente for analisar uma curva de sobrevida naquela idade, ele vai viver tanto quanto aquele que não teve câncer de próstata. Então, a gente muda efetivamente a forma de tratar de acordo com a idade do paciente. Paciente mais jovens, eu vou ter que tratar de forma mais agressiva porque eles suportam melhor e porque a gente tem que oferecer o que de melhor existe para que eles possam viver mais tempo (médico-cirugião).

Alguns informantes relataram que as peculiaridades da doença, além de variarem conforme a idade, estão também relacionadas à forma como os doentes enfrentam as mudanças no seu corpo decorrentes da doença ou mesmo do tratamento, muitas vezes apresentando traços depreciativos (MENEZES, 2006a). Isso reforça o estigma freqüentemente associado à doença (GOFFMAN, 1988), como algo que consome e que destrói a vitalidade (SONTAG, 2002). Na opinião de um médico-cirurgião:

Quando é num jovem, quando ele tem uma doença, um câncer, é tirado dele aquela fase gostosa da vida, ele fica marcado muito cedo pelo sofrimento. Ele fica um patinho feio porque ele fica careca, ele fica mutilado. Já o velho, tem outro tipo de aceitação, tem outro tipo de sofrimento.

Segundo alguns informantes, além do direito ao recebimento do diagnóstico, é necessário que os doentes tenham conhecimento de suas possibilidades ou não de cura, haja vista as providências (RUDDICK, 1999) que precisam ser tomadas a fim de assegurar a sobrevivência econômico-familiar, especialmente quando este papel é exercido pelo doente.

Essa preocupação existe, em parte, em decorrência da crença de que o diagnóstico numa fase produtiva da vida precisa ser informado, especialmente nas situações em que o doente é o principal provedor financeiro, fato que, em alguns casos, contribui para acelerar a enunciação do diagnóstico, tendo em vista que as implicações decorrentes do adoecimento na economia familiar e, em certos casos, da impossibilidade de retorno ao trabalho. Essas informações evidenciam que as conseqüências do diagnóstico se estendem também à esfera econômica, incluindo a busca de direitos garantidos por lei, como aposentadoria, entre outros.

6.1.1.2 A atitude e o aparente preparo emocional para assimilar e suportar as informações