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How do companies gather the data?

4 Analysis

4.2 Interviews

4.2.2 How do companies gather the data?

Como já referimos anteriormente, foi nossa opção a conjugação entre uma

metodologia qualitativa e quantitativa que nos permitisse abranger diferentes dimensões na

nossa investigação.

Não obstante, a metodologia qualitativa é o nosso fio condutor da investigação, pelo

que interessa rever algumas das suas características enquanto reguladoras da nossa ação no

terreno – i) Na investigação qualitativa a fonte direta de dados é o ambiente natural,

constituindo o investigador o instrumento principal, – ii) A investigação qualitativa é

descritiva, iii) Os investigadores qualitativos interessam-se mais pelo processo do que

simplesmente pelos resultados ou produtos, iv) Os investigadores qualitativos tendem a

analisar os seus dados de forma indutiva, v) O significado é de importância vital na

abordagem qualitativa. Considerando estas características, admitimos que “o grau” de

aplicação de cada uma não é de “igual eloquência” em todas as investigações (Bogdan &

Biklen, 1994:47-51).

“Os investigadores qualitativos fazem questão em se certificarem de que estão a apreender as diferentes perspectivas adequadamente. […] Os investigadores qualitativos em educação estão continuamente a questionar os sujeitos de investigação, com o objetivo de perceber aquilo que eles experimentam, o modo

como eles interpretam as suas experiências e o modo como eles próprios estruturam o mundo social onde vivem” (idem:51, citando Psathas, 1973).

Partindo destes princípios qualitativos e quantitativos, a sua exploração recorre à

utilização de técnicas de apoio à investigação, que nos serviram de suporte para a

caracterização institucional e de técnicas que nos “guiaram” no desenho e desenvolvimento

da investigação, de forma a recolher o máximo de informação possível sobre o contexto

prisional.

Iniciámos com a pesquisa bibliográfica, bem como com a pesquisa e análise

documental para nos apropriarmos melhor das envolvências em torno do EP, procurando

aprofundar as questões sobre o tema, de modo a desenhar o enquadramento teórico.

Paralelamente, foram ainda estabelecidas conversas intencionais, designadamente

com o gabinete do Adjunto para o Tratamento Prisional, alguns Técnicos Superiores de

Reeducação (TSR) e restantes profissionais da EP. Por intermédio desta técnica foi possível

aceder a informações e recolher alguns dados

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acerca do EPPF e do seu contexto. Com estas

conversas intencionais realizámos uma interacção directa que permitiu aprofundar o nosso

conhecimento sobre a realidade em que estávamos a trabalhar, tendo possibilitado o

cruzamento dos diferentes pontos de vista recolhidos. Neste sentido, estas conversas

informais intencionais desenvolveram-se com objectivo de traçar uma linha interpretativa

e compreensiva entre as definições e discursos institucionais oficiais e as percepções retidas

por cada um dos diferentes intervenientes relativamente a essas definições, discursos e

cenários institucionais formais.

Num quadro tão complexo, recorrer à técnica da análise documental (regulamentos

internos, processos dos cursos, arquivo do EPPF, entre outros), revelou-se substancial, pelo

contributo prestado ao conhecimento que possuíamos e passámos a possuir em relação aos

temas da investigação, dado que permitiu construir mapas comparativos sobre a evolução da

EFA ao longo dos anos. Logo, esta técnica fez despontar um “novo olhar” sobre a realidade,

o que contribuiu para uma melhor interpretação da FP e da Educação no EPPF.

Devemos ainda acrescentar como refere Silva & Pinto, (1986:77) que a utilização da

técnica de entrevista “centrada” no indivíduo, “apelando para as capacidades

discursivas”, consistiu um instrumento de sustentáculo à nossa investigação, sendo que é

destes discursos que partiremos para as questões cruzando todos estes elementos.

As Ciências Sociais e a metodologia de investigação

Ao procurarem clarificar alguns conceitos do campo das Ciências Sociais, Silva &

Pinto (1986:9) apresentam a metodologia como o “trabalho permanente de análise crítica

dos métodos de pesquisa (…) dos processos e da investigação empírica”, sendo que, para os

autores, as ciências sociais apresentam como “objetivo comum [que] todas procuram

conhecer a realidade”, facto que se revela também para nós a alavanca da investigação: o

conhecimento “de uma realidade” particular a partir da mobilização de uma metodologia

pertinente face ao tipo de conhecimento que queremos produzir e ao objeto de investigação

que elegemos. Neste sentido adotamos nesta pesquisa o pressuposto de que o conhecimento

da “realidade social” supõe a aplicação de um conjunto de “instrumentos que nos

31Cf. Anexo 16 – Pedido de autorização de Entrada de Computador Pessoal – Instrumento de apoio ao registo das informações recolhidas nas conversas informais intencionais e na recolha dos volumes e tipos de formação ministradas no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira.

proporcionam a informação sobre essa realidade e modos de a tornar inteligível” com a

preocupação de nunca se confundir “com ela” (idem:10).

Neste desiderato, na história recente das “disciplinas sociais”, tem-se procurando

“propor soluções testáveis” designadas “em sentido lato de método científico (…) ainda que,

segundo Silva & Pinto (1986), talvez fosse mais adequada a expressão de estratégias de

investigação científica, já que a “ciência moderna – a que aposta desde Galileu, na

combinação da “teoria” e da “experiência”, da dedução e da observação sistemática” -

suporta-se hoje numa diversidade de procedimentos e métodos de investigação que vão para

além do que histórica e tradicionalmente se cunhou como método científico (idem:10-11).

O enquadramento metodológico

A nossa investigação desenvolveu-se tendo como realidade o contexto prisional,

onde já participámos em diversos projetos de educação e formação de adultos com grupos

de indivíduos em situação de reclusão. Estas experiências, no terreno, permitiram conhecer

uma realidade através das relações com os diferentes intervenientes, de onde destacamos a

relação privilegiada com os sujeitos reclusos. Esta “nova realidade” foi-se construindo

sobre determinados valores, dando a conhecer outras dimensões do quotidiano do viver em

reclusão. Com o desenvolvimento do trabalho formativo, e partindo destas experiências,

emergiram novas questões que, por sua vez, conduziram à construção de um campo empírico

não muito refletido no nosso dia-a-dia. Esta nova realidade, multifacetada, solicitava

permanentemente uma atenção para todas as dimensões dos sujeitos, “impondo” uma

mediação exigente do ponto de vista das relações humanas.

As dinâmicas dos projetos e as suas condicionantes formaram os meios que

permitiram conhecer as particularidades da FP dentro do contexto prisional, com as

limitações e imposições do sistema prisional, e que nos subsidiaram na construção de um

“conhecimento contextual desta via formativa em meio fechado”. Partindo deste ponto surge

a necessidade de produzir rupturas com o nosso quadro de valores e que nos possam permitir

uma análise científica dos factos “através dos discursos dos formandos [e dos] sentidos ou

não-sentidos atribuídos às suas experiências formativas no interior do EP e às suas

representações acerca da FP na sua possível relação com o processo futuro e individual de

reinserção social” (Pinho, 2012: 62).

A posse de um “património” resultado do trabalho/experiências no passado, das

relações privilegiadas com os formandos reclusos e restantes intervenientes do EP,

facilitaram a prática de diferentes técnicas, ainda que sem intenção científica, como “as

observações diretas ou participantes” e até mesmo a epistemologia da escuta (escuta ativa

dos diferentes profissionais (da segurança e da educação) e dos indivíduos reclusos) – tendo

possibilitado o desenvolvimento de uma apreensão da realidade que queremos investigar.

Não obstante, autores como Silva & Pinto (1986:56) identificaram a teoria como o

“património acumulado de interpretações provisoriamente validadas” e essa é que se

constitui o “nosso ponto de partida para a pesquisa”.

Daqui, partimos para outros níveis de questionamento mais profundo desta realidade,

com outras abordagens, mais objetivas, com “operações técnicas de recolha de dados”,

adotando uma nova atitude metodológica com a utilização da “técnica por meio de entrevista

(inquérito oral) e as análises documentais” (Lessard-Hérbert, Goyette, & Boutin, 1999: 25).

Cedendo à teoria o “papel de comando do conjunto do trabalho científico”, pela

definição do “objecto de análise”, pelo sentido de “orientação e significado” que alimenta

a investigação por “referência a esse objecto” e ainda pela elaboração das “potencialidades

explicativas [que lhe definem os] limites”, podemos encontrar nos diferentes níveis o que a

teoria produz dos “chamados enunciados observacionais [que dão] consistência à rede de

relações que se estabelece em todo o processo” (Silva & Pinto, 1986:62).

Pensando, ainda, as ciências como “um conjunto de resultados” que se vão

acumulando, reformulando e verificando em cada momento, podendo esses “caminhos”

serem objeto de contestação, o processo de pesquisa “tem de ser concebido como uma

prática social, específica e ativa”, onde o “seu primeiro momento é o da interrogação, do

questionamento a certas dimensões da realidade”. Por conseguinte, “a forma e os protocolos

da pergunta hão-de condicionar as respostas que se obtêm, ou seja, as evidências empíricas

a que a investigação conduz são por ela antecipadas ou, pelo menos, susceptíveis de

acolhimento no âmbito do questionamento formulado”. Logo, a problematização teórica

(com um conjunto de questões articuladas) é a consequência de “cada formação científica”,

assumindo o estatuto de “ponto de partida” em diferentes momentos da nossa investigação,

reformulando os “problemas de investigação” (Idem, Ibidem: 62-63).

A estratégia de pesquisa – a entrevista

As estratégias a adoptar foram definidas logo à partida no quadro conceptual do

projecto de investigação, e passariam pela mobilização, por um lado, das experiências

acumuladas e, por outro, pela aplicação de alguns instrumentos capazes de recolher os

testemunhos dos sujeitos – a entrevista. Estávamos conscientes que a forma como se

colocam as perguntas e como se articulam entre si condicionaria o rumo das respostas (Silva

& Pinto, 1986:74-75).

A opção pela entrevista semiestruturada, como referem Denzin, Lincoln, &

colaboradores (2006:17) “envolve uma abordagem naturalista, interpretativa, para o

mundo”, o que significa o estudo das “coisas em seus cenários naturais, tentando entender,

ou interpretar, os fenómenos em termos dos significados que as pessoas a eles conferem”.

Nesta linha de pensamento, Silva (2009:14) defende que a entrevista nos “projeta imagens

individuais que projetam questões sociais”, sentido com o qual concordamos, dado que será

destes testemunhos individuais suscetíveis de serem analisados cientificamente, suportados

por processos de análise, que pretendemos construir as nossas reflexões sobre o sentido

social, para além de individual, dos significados da formação profissional em contexto

prisional.

Estamos seguros que o trabalho no terreno, enquanto investigadores, solicita sentidos

apurados de comunicação procurando seguir algumas “balizas” fundamentais da

comunicação interpessoal, uma vez que “a linguagem resulta de códigos culturais que não

se restringem ao código verbal, mas se reportam a códigos visuais, sonoros e cinéticos em

todas as formas pelas quais se manifestam” (idem:40).

Neste sentido, partimos para uma comunicação interpessoal que “é essencialmente

um processo interativo e didático, em que o emissor constrói significados e desenvolve

expectativas na mente do recetor”, logo a informação que se pretende obter será o resultado

deste processo comunicativo (Ibidem).

Por conseguinte, é nosso entendimento que a metodologia qualitativa na investigação

se apresenta como a mais adequada para o nosso caso, apoiada por “um paradigma de

abordagem interpretativa” de análise, onde “o objeto de investigação social interpretativa

é a acção” procurando perceber de que modo “se desenvolvem e mantêm [os] sistemas de

significado” (Lessard-Hérbert, Goyette, & Boutin, 1999:39-41). Estes autores reforçam que

a metodologia qualitativa apresenta um “carácter de proximidade entre o investigador e os

participantes na investigação qualitativa centrada na construção de sentido”, pois está

alicerçada nas ciências sociais “em estudar e em interagir com as pessoas no seu terreno,

através da sua linguagem” (idem, ibidem:47).

Por último, a fenomenologia, emerge como “uma das fontes mencionada para o

reforço e interesse crescente pelos métodos qualitativo-interpretativo de análise” onde se

destaca a:

“pertinência e a necessidade de uma postura interpretativa dos comportamentos e fenómenos sociais: - a primazia da experiência subjetiva como forma de conhecimento; - O estudo dos fenómenos a partir da perspectiva do outro ou respeitando os seus marcos de referência; - o interesse em se conhecer a forma como as pessoas experienciam e interpretam o mundo social que também acabam por construir interactivamente” (Almeida & Freire, 1997:94-95).

Em consonância com o exposto, realizaram-se as seis entrevistas. A nossa postura

enquanto investigadores solicitou um posicionamento que evitasse perturbar o normal

funcionamento das rotinas internas do EP, nesse sentido procurou-se algum “afastamento”

para a seleção dos entrevistados, que ficou a cargo da Técnica Superior de Reeducação, que

recrutou os reclusos e os encaminhou até à nossa presença. Por conseguinte a selecção não

foi, portanto, autónoma e não nos foi possível intervir nessa “escolha”, sendo que o único

critério que solicitámos que fosse respeitado foi o da obrigatoriedade de entrevistar três

formandos que já tivessem concluído um processo formativo e de outros três ainda a

frequentar a formação

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, procurando assim, abranger estas três dimensões da vida dos

sujeitos (no antes, no durante e no depois, de um percurso educativo/formativo).

A nossa opção inicial consistia na realização de entrevistas individuais, no entanto, a

pedido dos três primeiros entrevistados acabámos por realizar uma entrevista de grupo. As

restantes entrevistas foram realizadas em função da disponibilidade dos indivíduos: uma foi

realizada individualmente e, finalmente, uma outra entrevista foi realizada com dois

formandos em simultâneo.

Em particular, procurou-se identificar as experiências vivenciadas nos programas

disponibilizados pelas estruturas do contexto prisional, direccionando algumas das questões

respondidas pelos sujeitos para essa temática.

Estamos cientes que esta investigação “recorre aos indivíduos como fonte de

informação” e que poderá ser comprometida por alguns “enviesamentos (…) decorrentes da

consciência que os sujeitos têm de que estão a ser observados ou testados, dos

constrangimentos associados ao papel de entrevistado ou respondente, da interação

32Devemos ressalvar que dos indivíduos seleccionados para as entrevistas, um já era nosso conhecido, participou num percurso formativo (curso Electricista de Instalações – EFA-B2, promovido pela entidade, Perfil-Psicologia e Trabalho, Lda, com quem colaborávamos) que coordenamos no passado, tendo sido por isso muito gratificante observar a evolução do seu percurso educativo/formativo. Neste seguimento, procurou-se a necessária “vigilância” para que os outros participantes não sentissem que estavam em segundo plano.

entrevistador-entrevistado” (Silva & Pinto, 1986: 106-107). No entanto é a análise de

conteúdo que permitirá apreender o significado das respostas obtidas e permitir desenvolver

um processo de objetivação (Idem).

Previamente foram explicados a todos os participantes os objetivos da entrevista, o

seu enquadramento no Mestrado em Educação e Formação de Adultos (MEFA), garantiu-se

a confidencialidade dos dados recolhidos, pediu-se a maior clareza nas resposta e também

foi pedido para que falassem livremente. A entrevista foi concretizada num espaço

confortável e reservado dentro dos serviços de Educação, e, com a autorização verbal dos

entrevistados, ficaram recolhidas em formato áudio

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, tendo sido posteriormente transcritas

para um documento de texto

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, procurando respeitar na íntegra termos e expressões usados

pelos intervenientes e que lhes servem de suporte.

Neste “quadro de uma conceção da investigação científica como atividade social”,

tornou-se necessário desenvolver uma série de “critérios de ordem social” que norteassem

os procedimentos a seguir:

“1. uma certa neutralidade de juízos face aos indivíduos; 2. a confidencialidade (…) o investigador nunca deverá formular comentários (…) à cerca daquilo que observou relativamente a um deles; 3. o

envolvimento (…) tentar envolver diretamente os informadores da investigação como se

colaboradores; 4. a clareza; o investigador deverá possuir uma ideia clara das questões principais que orientam a sua investigação, bem como dos procedimentos a utilizar para a recolha dos dados relativos a essas mesmas questões (…)” (Lessard-Hérbert, Goyette, & Boutin, 1999:84-86).

A análise documental como metodologia complementar

Para Maria Pinto Molina (1993:76) a análise documental (AD) “é uma disciplina”

recente, desenvolvida nos “países anglo-saxónicos” e que num contexto de investigação é

essencial no manuseamento de toda a “atividade documental”. Sublinha que este “é um

domínio que ainda não está definido de modo preciso”, uma vez que “nenhum organismo

ou instituição fixou para todos os documentos os processos e etapas da análise

documental”. Num quadro atual “as técnicas de AD ocupam um lugar cada vez mais

importante na dinâmica operativa dos centros de documentação” uma vez que “os

profissionais dedicam a estas tarefas cerca de 80 por cento do tempo laboral”. A autora

refere, também, que na sua origem está a dificuldade em “aceder aos documentos que se

33Cf. Anexo 19 – Pedido de autorização de entrada de Gravador de Voz, dirigido à Direção do Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira

necessita (…) num primeiro momento” para desvendar as respostas a determinadas questões,

sendo que “interrogava-se diretamente o conjunto da produção [documental] até encontrar

uma resposta satisfatória” (Idem:77).

Mas com o crescente aumento de “documentos e a ilimitada diversidade de

perguntas” ao campo documental gerou a necessidade “de introduzir na cena documental

uma etapa suplementar ou intermediária” com o objetivo de “facilitar a operação de

interrogação”, nascendo daqui “e reconhecida academicamente a Análise Documental

(AD) [como] atividade científico-técnica” com o objetivo de facilitar as “operações de

busca” e organização de elementos textuais presentes numa diversidade de documentos

(Ibidem:77). Neste trabalho, a análise documental versou essencialmente o conjunto de

materiais documentais que o EP nos facultou e que análisámos na perspetiva de compreender

os modos como a oferta institucional de formação se tem vindo a construir.

A grande dificuldade que sentimos no terreno prendeu-se com a forma como a

informação estava (des)organizada, dado que o arquivo apresentava alguns obstáculos que

precisávamos de contornar: muito disperso, com fraca catalogação e no seu interior existiam

elementos em falta, pelo que inicialmente organizámos cronologicamente os dossiers que

continham os documentos relativos aos processos de formação desde inícios dos anos 2000.

As nossas questões estavam bem definidas: a) queríamos encontrar as entidades parceiras

nos processos educativos/formativos, b) identificar quais os curso ministrados, c) os anos

em que foram realizados, d) o número de inscritos, e) o número de certificados emitidos.

Estas operações “como técnica auxiliar para o desenvolvimento da investigação”

permitiram a identificação e agregação dos elementos dispersos pelo arquivo, transformando

estes elementos em quadros informativos (Molina, 1993:86), facilitadores de uma leitura

mais detalhada das atividades educativas/formativas desenvolvidas ao longo dos últimos 10

anos no Estabelecimento Prisional, e que, não obstante algumas lacunas na informação

resgatada, nos permitem construir uma imagem da oferta institucional e de algumas das suas

transformações.

A Análise de conteúdo

Assumindo-se como “técnica de tratamento de informação”, a análise de conteúdo

pode ser “utilizada em pesquisas que se reportam a qualquer dos níveis de investigação

empírica”, apresentando “a enorme vantagem de permitir trabalhar” o “conteúdo de um

texto, um documento, uma entrevista ou qualquer outro material”, onde “o investigador

formula uma série de perguntas”, que por sua vez determinam as direções e orientações da

pesquisa (Silva & Pinto, 1986:104-108). Estes pressupostos são a base que circunscrevem

as “operações mínimas: - delimitação dos objetivos e definição de um quadro de referência

teórico orientador da pesquisa; - constituição de um corpus; - definição de categorias; -

definição de unidades de análise” (idem: 108-109).

Uma vez na posse do material empírico, produto das entrevistas, partimos para a

construção da grelha de análise por temas e subtemas (análise categorial temática) que

permitiu organizar e tratar a empiria, na procura de uma compreensão dos sujeitos, dos seus

percursos educativos e formativos, do funcionamento da FP em contexto prisional,

procurando já alguns cruzamentos com os outros elementos recolhidos, nomeadamente os

quadros resumo

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da formação anteriormente ministrada no EPPF.

Autores como Lessard-Hérbert, Goyette, & Boutin (1999:107), para a tarefa de

análise e a interpretação dos dados, defendem, que:

“o conjunto do material compilado no campo não é, em si mesmo, um conjunto de dados, mas é, sim, uma fonte de dados. (…) os documentos respeitantes ao local de estudo (…) as entrevistas (…) não são dados. Mesmo as transcrições das entrevistas não o são. Tudo isto constitui material documental a partir do qual os dados serão construídos graças aos meios formais que a análise proporciona”.

Esta “organização dos dados corresponde (…) a uma fase determinante da análise”

uma vez que:

“- ela permite ao investigador uma representação dos dados num espaço visual reduzido; - ela auxilia a planificação de outras análises; - ela facilita a comparação entre diferentes conjuntos de dados; por último, ela garante a utilização direta dos dados no relatório final” (Lessard-Hérbert, Goyette, & Boutin, 1999:118)

Foi nosso objectivo procurar identificar as experiências vivenciadas nos programas

disponibilizados pelas estruturas do contexto prisional e, nesse sentido, se direcionaram

algumas das questões respondidas pelos sujeitos. Torna-se necessário salvaguardar que estas

são somente a opiniões dos sujeitos com as suas representações em torno dos itinerários

educativos/formativos e de onde não se procura retirar conclusões que possam contestar os

sujeitos e o contexto prisional em geral. Ou seja, pretende-se obter uma análise crítica e

reflexiva que possa permitir avaliar as medidas implementadas no terreno e a sua eficácia.

O desenvolvimento deste processo de “análise e interpretação dos dados” segue

enquadrada num,

35Anexo 10 – Mapa resumo da formação por áreas entre 2004 e 2013 e Anexo 11 – Mapa resumo de toda a formação ministrada desde