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Os restaurantes não apenas têm a função de servir comida e proporcionar uma atmosfera ambiente, como também buscam atender às necessidades de vida social e lazer. Muitos deles, inclusive, partem de uma proposta temática e conceitual. Os projetos de restaurantes são divididos em duas zonas distintas, a primeira destinada ao público com entrada, recepção, espera, banheiros e espaços para refeições, enquanto a segunda corresponde às áreas de preparação de alimentos, de higienização e administração. É importante que as duas zonas sejam projetadas em perfeita inter-relação (KILMER e KILMER, 2014; GURGEL, 2005).

Para projetar ambientes de restaurante, é fundamental levar em consideração as diferentes características físicas dos usuários juntamente com dimensionamento dos espaços e mobiliário para desenvolver ambientes adequados e compatíveis com as necessidades dos consumidores e funcionários. Na etapa de visitas exploratórias, verificou-se a conformidade das dimensões da situação atual dos restaurantes às dimensões recomendadas por Panero e Zelnik (2010), no livro “Dimensionamento humano para espaços interiores”, quanto a:

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1) Dimensões de mesas

Figura 9. Dimensões de mesa recomendadas (em cm)

Fonte: Panero & Zelnik, 2010.

As dimensões recomendadas para mesa são de, no mínimo, 0,76m por 0,76m para acomodar duas pessoas. No entanto, para proporcionar maior conforto aos consumidores, as medidas consideradas ótimas são de 1m por 0,76m, conforme apresenta a Figura 9.

Figura 10. Dimensões de profundidades recomendadas (em cm)

Fonte: Panero & Zelnik, 2010.

Na Figura 10, são ilustradas a altura das mesas, as dimensões recomendadas para espaço para pernas e cadeira de rodas. A altura do tampo das mesas deve ter entre 0,73m e 0,76m, mas para quem utiliza cadeira de rodas, a altura ideal é de 0,76m (Panero; Zelnik, 2010).

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2) Circulação de serviços

Figura 11. Dimensões recomendadas das zonas de serviços e de circulação (em cm)

Fonte: Panero & Zelnik, 2010.

Figura 12. Dimensões recomendadas das zonas de serviços e de circulação

Fonte: Panero & Zelnik, 2010.

De acordo com Kilmer e Kilmer (2014), as áreas de circulação e os espaços para sentar devem ser planejados de modo a minimizar a confusão e interferência com os funcionários. Deve-se ainda buscar acomodar um número variável de pessoas que desejam interagir socialmente. Lawson (1994) considera essencial que sejam analisados os movimentos previstos de clientes e funcionários para planejar layout da melhor maneira possível. A Figura 11 se refere

66 a dimensões recomendadas para zonas de serviços e de circulação. Panero e Zelnik (2010) recomendam que o espaço entre as mesas deve ter pelo menos 0,91m. Para espaços de duas zonas, circulação e serviço, os autores recomendam que tenham pelo menos 1,20m conforme exposto na Figura 12. Também devem ser previstos espaços para cadeiras quando afastadas, com pelo menos 0,76m.

Foi verificada também a exigência da NBR 9050 (ABNT, 2015) no que diz respeito à acessibilidade espacial em restaurantes. As condições exigidas estabelecem que os restaurantes e bares “devem possuir pelo menos 5% do total de mesas, com no mínimo uma, acessível a P.C.R.15Estas mesas devem ser interligadas a uma rota acessível” (ABNT, 2015, p. 129). Ainda de acordo com a referida norma, as mesas devem ter uma altura entre 0,75m e 0,85m a partir do piso, para permitir o avanço sob as mesas ou superfícies até no máximo 0,50m (Figura 13). Deve-se assegurar uma faixa livre para circulação e manobra de 0,90m para o acesso às mesas, conforme o item 4.3 da referida norma (Figura 14).

Figura 13. Dimensões (em metros) recomendadas pela norma para pessoas em cadeira de rodas

Fonte: NBR 9050 (ABNT, 2015).

Figura 14. Largura recomendada para circulação e manobra (em metros)

Fonte: NBR 9050 (ABNT, 2015).

67 A norma ainda recomenda que em restaurantes, refeitórios, bares e espaços similares, as mesas devem ser distribuídas de forma integrada às demais em locais onde sejam oferecidos todos os serviços disponíveis nos restaurantes. Com relação à sinalização nas portas, todas as portas devem conter informação visual associada à sinalização tátil e/ou sonora, com números e/ou letras e/ou pictogramas e atender aos requisitos quanto às dimensões, espaçamentos, cores, entre outros. As informações táteis devem ser instaladas na parede adjacente à porta ou no batente em uma faixa de alcance acessível, bem como deve conter um painel na parte inferior da porta com revestimento resistente a impactos causados pela bengala, conforme ilustra a Figura 15 (ABNT, 2015).

Figura 15. Sinalização de portas com faixa de alcance acessível (esquerda) e revestimento resistente a

impactos (direita).

Fonte: NBR 9050 (ABNT, 2015).

Já a sinalização de identificação deve estar localizada junto às portas da edificação. Para evidenciar a entrada, as portas, sobretudo as envidraçadas, devem ser emolduradas por uma faixa de no mínimo 50 mm de largura a fim de facilitar a orientação das pessoas com baixa visão. Também recomenda-se quando as paredes e as portas envidraçadas estão situadas em locais de circulação, deve haver duas faixas contínuas com no mínimo 50 mm de altura conforme pode-se observar as recomendações na Figura 16. Quanto aos mapas acessíveis devem ser instalados após a entrada principal das edificações com informações em texto e em

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Figura 16. Sinalização visual nas paredes de vidro e na porta

Fonte: NBR 9050 (ABNT, 2015).

Por fim, a sinalização tátil e visual no piso deve ser instalada no sentido do deslocamento das pessoas, quando não há linha-guia em ambientes internos ou externos. O piso tátil de alerta intenciona alertar às pessoas os obstáculos presentes, indicar o início e o término de degraus, escadas e rampas, orientar para o uso de equipamentos como elevadores e informar as mudanças de direção. O piso é formado por um conjunto de relevos tronco-cônicos conforme ilustra a Figura 17 (ABNT 2015).

Figura 17. Exemplo de piso tátil de alerta (dimensões em milímetros)

Fonte: NBR 9050 (ABNT, 2015).

Já o piso tátil direcional serve para indicar rotas acessíveis a fim de orientar pessoas com deficiência visual. Ele é formado por barras paralelas uma à outra, conforme pode ser observado na Figura 18.

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Figura 18. Exemplo de piso tátil direcional (dimensões em milímetros)

Fonte: NBR 9050 (ABNT, 2015).

De acordo com Dischinger, Bins Ely e Piardi (2012), durante o desenvolvimento de qualquer projeto de ambiente, faz-se necessário prever espaço suficiente para o uso de bengala longa e cão-guia, devendo-se levar em conta o layout, a altura de equipamentos existentes no ambiente e o mobiliário (Figura 19).

Figura 19. Dimensões referenciais para pessoas que usam bengala longa e cão guia (dimensões em

metros)

Fonte: NBR 9050 (ABNT, 2015).