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5.3 CASE A

5.3.1 The communication modalities used

A natureza tem provido a humanidade com insumis há séculos e continua a ser a mais rica fonte de produtos químicos bioativos para o desenvolvimento de drogas modernas Plantas terrestres, em particular, foram utilizadas como base de sofisticadas Farmacopeias tradicionais já a partir de 2600 a.C., e algumas das primeiras documentações vêm de inscrições da Mesopotâmia. Registros dos antigos egípcios e chineses mostram que as plantas eram utilizadas para a preparação de centenas de medicamentos, abrangendo uma gama impressionante de problemas de saúde e doenças. No mundo antigo ocidental, o filósofo e naturalista Teofrasto (~ 300 a.C.) compilou em seus nove livros intitulados História das Plantas as características botânicas e propriedades medicinais das ervas. No ano 100 d.C., o médico Dioscorides, seguindo os exércitos romanos, desenvolveu e gravou uma grande variedade de receitas e fórmulas complexas utilizando ervas medicinais (IOANNOU; ROUSSIS, 2009).

Evidentemente, a natureza continuará sendo, por muito tempo, uma abundante fonte de novas substâncias bioativas, tendo em vista que, até agora, apenas 5 a 15% das cerca de 250.000 espécies de plantas superiores foram sistematicamente estudadas (IOANNOU; ROUSSIS, 2009).

A vida surgiu no mar há cerca de 3,5 bilhões de anos e seus habitantes constituem o sistema mais diversificado do planeta (BRASIL, 2010). A biota marinha, apesar dos oceanos cobrirem dois terços da superfície da terra, continua a ser uma fonte quase inexplorada de substâncias novas e importantes (IOANNOU; ROUSSIS, 2009). Desde o fim da II Guerra Mundial, o mar tem despertado o interesse dos biólogos, oceanógrafos, bioquímicos e químicos sobre o seu potencial biotecnológico (BRASIL, 2010). O início efetivo de investigações foi, todavia, retardado devido a dificuldades de coleta. Os avanços em mergulho autônomo e o desenvolvimento de equipamentos para coleta em maiores profundidades,

associados às novas técnicas cromatográficas, espectroscópicas, de cultivo, dentre outras, resultaram no seu desenvolvimento a partir dos anos 70 (BRASIL, 2010).

No que concerne a bioprodutos, tendências recentes na pesquisa de drogas a partir de fontes naturais sugerem que as algas são um grupo promissor no fornecimento de novas substâncias bioativas (IOANNOU; ROUSSIS, 2009; OLIVEIRA et al., 2009).

As algas têm proporcionado o maior número de substâncias dentro de um único grupo de organismos marinhos e estão dentre os primeiros quimicamente analisados, com mais de 3600 artigos publicados descrevendo 3300 metabólitos secundários, e ainda continuam a ser uma fonte quase inesgotável de novos compostos bioativos (IOANNOU; ROUSSIS, 2009).

As algas vermelhas ou rodofíceas, quando comparadas com outras classes de algas, são consideradas a fonte mais importante de muitos metabólitos biologicamente ativos. Existem aproximadamente 8000 espécies de algas vermelhas, a maioria das quais são de origem marinha. Estas são encontradas na região entremarés e no infralitoral até profundidades de até 40 ou, ocasionalmente, a 250 m (GAMAL, 2010).

As macroalgas marinhas sintetizam produtos com um amplo espectro de atividades biológicas, principalmente os representantes de mares tropicais e subtropicais, como é o caso da costa brasileira, sendo, portanto, muito relevante o seu estudo químico (TEIXEIRA et al., 1991).

O litoral brasileiro possui uma extensão de 8698 km de costa (BRASIL, 2010), onde se pode destacar uma diversidade marinha excepcional e praticamente desconhecida (SOUZA et al., 2011) no que tange à quimiotaxonomia e farmacologia dos seus indivíduos quando comparados ao conhecimento da nossa flora terrestre.

No Nordeste do Brasil, as algas são abundantes, facilmente coletadas e tratadas, sendo utilizadas principalmente como biomassa para o tratamento de efluentes industriais (OLIVEIRA et al., 2009).

A manutenção e melhoria da qualidade de vida, principalmente em países em desenvolvimento e regiões pobres que enfrentam sérios problemas com as secas, como no Nordeste do Brasil, motivam a busca por novas substâncias extraíveis de

recursos naturais renováveis (OLIVEIRA et al., 2009). Tendo em vista a disponibilidade e a diversidade da nossa biomassa, torna-se imperativo que estudos prospectivos sejam realizados, objetivando a identificação de potenciais compostos oriundos de macroalgas marinhas.

Reconhecendo a importância das algas no que tange a produção de substâncias das mais variadas classes, o potencial terapêutico destes indivíduos marinhos e a riqueza da nossa flora marinha, o grupo do Programa de Produtos Naturais e Sintéticos Bioativos (PgPNSB) buscou, também nas algas, a possibilidade da descoberta de novos fármacos, ou protótipos para estes através da extração, isolamento e caracterização estrutural de suas substâncias, empregando, para tanto, métodos extrativos, cromatográficos e espectroscópicos, respectivamente. O estudo dos organismos marinhos caracteriza-se como uma nova linha de pesquisa no PgPNSB.

Portanto, com base nessas premissas, as espécies de rodofíceas Gracilaria

birdiae Plastino & Oliveira, Gracilaria caudata J. Agardh, Gracilaria cervicornis

(Turner) J. Agardh e Gracilaria domingensis (Kuetz.) Sonder ex Dickie (família Gracilariaceae) coletadas no litoral paraibano foram alvos do nosso interesse científico com o objetivo de conhecer seus princípios ativos, através de um estudo químico pioneiro e criterioso que é base essencial para o direcionamento de estudos farmacológicos, considerando-se que, na literatura científica, são quase inexistentes quaisquer dados químicos ou farmacológicos no que tange aos seus estudos.

Somou-se a esta pesquisa uma colaboração com o Professor Dr. Vassilios Roussis da Universidade de Atenas (Grécia), por intermédio do Programa de Doutorado no País com Estágio no Exterior (PDEE/CAPES). Através desta parceria realizou-se também o estudo químico da alga vermelha Sphaerococcus

coronopifolius Stackhouse 1797 (família Sphaerococcaceae) coletada no mar Jônico

(Grécia), tendo em vista que esta espécie foi alvo de investigações químicas prévias com excelentes resultados, onde dois diterpenos (Bromosphaerol e Sphaerococcenol A) são responsáveis por cerca de um terço do rendimento de seu extrato orgânico, sendo que o segundo apresentou uma potente atividade antitumoral (SMYRNIOTOPOULOS et al., 2010a). A espécie S. coronopifolius é também considerada uma fonte prolífica incomum de uma extensa variedade de

diterpenos interessantes, incentivando, desta maneira, a busca pelo isolamento de novas substâncias e re-isolamento de outras com vistas à obtenção de material para a realização de testes biológicos.