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Communication In Distributed Computing

Mensalmente, durante a idade reprodutiva - entre a puberdade e a menopausa - a mulher libera um óvulo. Quando um espermatozóide o encontra e o fecunda, uma cascata de reações hormonais tem início e o útero se distenderá pela presença do feto o suficiente para abrigá-lo por nove meses, um investimento biológico considerável. As mulheres, assim como

outras fêmeas do mundo animal, comprometem seus organismos e energia em prol da reprodução.

Como se não bastasse o investimento feito durante a gestação, as fêmeas humanas ainda podem se deparar com o nascimento de um bebê de peso e tamanho elevados, o que torna o parto potencialmente doloroso e perigoso para a mulher, de modo que, mesmo nos dias de hoje, com todos os avanços da Medicina, ainda afeta consideravelmente os indicadores de mortalidade feminina (Grimes, 1994; Mace, 2000; Shah & Say, 2007).

Após o parto, as mulheres oferecem o cuidado obrigatório ao bebê, pois produzem seu alimento, o leite materno (Geary, 2002). Por fim, se contarmos ainda o tempo e a energia gastos em cuidados com o bebê até que ele se torne minimamente auto-suficiente, o investimento feito pelas mães torna-se bastante difícil de ser calculado. Os custos das mulheres com a reprodução são muito elevados e as mulheres de todo o mundo parecem estar cientes disso (Mace, 2000).

Considerando exclusivamente os fenômenos biológicos da gestação, nascimento e lactação, podemos considerar que homens e mulheres trilharam caminhos evolutivos bastante diferentes. Se, por um lado, somos da mesma espécie e por isso temos muitas semelhanças, por outro lado, percorremos caminhos para reproduzir tão distintos, que acabaram por nos tornar uma espécie sexualmente dimórfica, não apenas na anatomia e fisiologia, mas também em diversos aspectos comportamentais (Hines, 2004).

Além disso, nos humanos, assim como em outras espécies animais, a assimetria de potencial reprodutivo entre machos e fêmeas também existe (Clutton-Brock, 1991). Para as mulheres, a reprodução é limitada pela capacidade de investimento fisiológico, dado o comprometimento com a gestação e a amamentação, mas para os homens a limitação reprodutiva está principalmente na quantidade de parceiras férteis que consiga obter (Buss, 1994; Gaulin & McBurney, 2001; Trivers, 1972).

Nesse contexto, este estudo traz investigações sobre a história reprodutiva das mulheres, considerando a possibilidade de que elas, assim como as fêmeas de outras espécies, tenham desenvolvido, ao longo da evolução, estratégias reprodutivas específicas, possivelmente relacionadas à seleção de parceiros, ao início da vida reprodutiva, ao incentivo para o cuidado paterno e ao investimento no bebê após o nascimento.

Sobre a seleção de parceiros em humanos, tema freqüente na Psicologia Evolucionista, mencionado anteriormente, algumas lacunas de entendimento ainda persistem, especialmente se considerarmos a necessidade de estudos interculturais para a comparação com os critérios já identificados. Ao mesmo tempo, algumas críticas podem ser feitas às pesquisas já realizadas, considerando, por exemplo, as amostras de sujeitos que utilizam, na maioria das vezes, estudantes universitários, norte-americanos, na faixa etária dos vinte anos, não envolvidos necessariamente em um relacionamento amoroso (Barber, 1995; Bleske- Rechek et al., 2006; Greiling & Buss, 2000; Penton-Voak & Perret, 2000; Townsend & Wasserman, 1998). Além disso, estas pesquisas têm a possibilidade de revelar apenas as características “ideais” de um parceiro, na medida em que solicitam aos sujeitos que “imaginem” ou “pensem”, nas características que consideram desejáveis (por exemplo, Greiling & Buss, 2000). Mas até que ponto os “parceiros ideais”, são parecidos com os “parceiros reais”? O que querem as mulheres em um parceiro real? Mais do que isso, o que querem as mulheres nos pais dos seus filhos? Como entender as mentes femininas, que foram suavemente lapidadas ao longo de milhões e milhões de anos de evolução, para dentre tantos homens possíveis escolher apenas alguns e com eles se reproduzir? Estas questões foram investigadas na presente pesquisa, que aborda a seleção de parceiros em humanos numa situação real.

Os desejos e expectativas que as mulheres têm durante a gravidez, enquanto em seu ventre cresce um bebê, não têm sido um assunto muito abordado pela Psicologia

Evolucionista, apresentando-se como uma fronteira aberta a novas investigações. Nesse sentido, a hipótese de Daly e Wilson (1982) sobre a atribuição de semelhança dos bebês com os pais nunca foi testada no Brasil, o que pode ser importante para uma perspectiva que assume a possibilidade de existência de padrões universais, algo que só pode ser identificado com a realização de estudos comparativos entre diferentes culturas e sociedades.

Com relação à gravidez na adolescência, a utilização de uma abordagem evolucionista pode trazer um entendimento bastante diferente, como citado anteriormente, considerando-se a possibilidade de que se constitua enquanto uma estratégia reprodutiva alternativa.

Por fim, a hipótese evolucionista de que a depressão pós-parto pode ser considerada como uma adaptação, defendida por Edward Hagen (1999), ainda precisa ser testada empiricamente, de maneira que um estudo prospectivo da gravidez ao pós-parto oferece uma situação privilegiada para tal tipo de investigação.

Nesta tese, realizamos o teste de hipóteses evolucionistas com dados coletados empiricamente, numa amostra de mulheres grávidas brasileiras. Consideramos que durante a gravidez, e logo após o nascimento dos bebês, temos circunstâncias em que o envolvimento feminino com o fenômeno da reprodução não é apenas teórico, mas literal. São períodos marcados por decisões reprodutivas fundamentais: Com quem reproduzir? Quando reproduzir? Como será o bebê? Quanto investir no bebê?

Planejados ou não, esses filhos foram fruto de pelo menos uma escolha: o sexo consentido. O que essas mulheres têm a nos dizer? O que elas podem nos ajudar a descobrir sobre a Psicologia reprodutiva feminina?