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What can be done? Common patterns of suggestions by the community and NGOs

CHAPTER 5: PRESENTATION AND ANALYSIS OF EMPIRICAL DATA

5.3 Discussion/analysis

5.3.2 Qualitative findings

5.3.2.8 What can be done? Common patterns of suggestions by the community and NGOs

Outro estudo que traz elementos sobre a formação de educadores de jovens e adultos do campo é a dissertação de Moura (2011), defendida no Programa de Pós- Graduação em Educação da UFV, cujo propósito foi analisar as representações sociais de educadores do Programa Projovem Campo - Saberes da Terra de Minas Gerais sobre a Pedagogia da Alternância. Esta tem sido uma proposta educativa muito presente na realidade educacional do campo, na medida em que é uma estratégia que possibilita uma maior proximidade da escola com as vivências, cultura e saberes dos jovens agricultores. A fim de compreender a representação de alternância, a autora realiza uma caracterização do Programa, assim como descreve os princípios e processos de formação dos educadores para atuação no Programa. O percurso metodológico da autora constituiu-se de uma conjugação de estratégias: questionário, entrevistas semiestruturadas e pesquisa documental, inserindo-se na abordagem qualitativa de pesquisa.

Ao traçar o perfil dos 24 educadores que compuseram a amostra da pesquisa, Moura (2011) evidencia que o ingresso no Projovem Campo - Saberes da Terra se deu como uma oportunidade de emprego e complementação de renda e que nenhum deles declarou ter como objetivo abraçar a causa da Educação do Campo. Em relação às experiências profissionais, a autora evidencia que os educadores compõem um grupo bastante heterogêneo, com educadores sem nenhuma experiência e outros com uma relativa trajetória na docência. Um grupo de educadores (10/24) eram iniciantes no magistério, sendo o Projovem Campo sua primeira experiência, sendo que quatro não tinham formação pedagógica (são técnico-agrícolas), quatro eram recém graduados e dois estavam cursando a graduação. Outro grupo de educadores (quatro/24) tinha até cinco anos de docência e outro grupo (dez) tinha mais de cinco anos de exercício profissional.

90 De acordo com Moura (2011), o Projovem Campo tem, dentre seus objetivos, a formação dos educadores que, no caso de Minas Gerais, teve como ente executor do processo de formação a UFMG, e como parceiros os Movimentos sociais do campo e a Secretaria Estadual de Educação de Minas Gerais, obedecendo ao Projeto Base do programa Projovem Campo - Saberes da Terra. Nessa formação eram articulados encontros e oficinas temáticas para oferecer aos educadores subsídios para compreensão da proposta teórico-metodológica da Pedagogia da Alternância. Em relação à formação, a autora destaca que os educadores sentiram um relativo distanciamento entre teoria e prática, e um distanciamento temporal entre um encontro e outro, o que dificultava a sistematização das informações. Nessa perspectiva, a autora identificou que a formação específica recebida pelos educadores no Projeto de Formação Estadual é considerada frágil pelos educadores, visto que ainda não tem compreensão acerca da alternância e que não há uma distinção (no momento dos cursos de formação) da didática usada no meio urbano e da didática a ser adotada no meio rural. Frente a falta de (in)formação sobre o trabalho com a Pedagogia da Alternância, a autora identificou que alguns educadores recorreram aos saberes da prática para estruturarem seus trabalhos.

Um dos aspectos destacados pela autora como um dos limites do Programa foi o fato de ele ter se iniciado “[...] sem que os educadores tivessem uma formação inicial sobre as bases teórico-metodológicas que o embasava” (MOURA, 2010, p. 84). Para a autora, os educadores ficaram desestabilizados diante da proposta inovadora do Programa, de articulação do processo de aprendizagem de um tempo na escola e outro na comunidade, na lógica da Pedagogia da Alternância. Além disso, outro aspecto emblemático na implementação do Programa refere-se, segundo Moura (2011), ao fato de os educadores não serem, na sua maioria, vinculados aos movimentos sociais e/ou organizações populares do campo, sem inserção no movimento da Educação do Campo e/ou experiência na Pedagogia da Alternância. Na sua maioria, os educadores foram recrutados do ensino regular urbano. Apesar da não vinculação com a luta do campo, Moura (2011) conclui que os educadores têm se esforçado por realizar práticas educativas que valorizem os jovens do campo e os considerem como protagonistas de sua formação.

Outro limite apontado por Moura (2011) em relação ao Programa e, especificamente, em relação à formação de seus educadores, refere-se ao afastamento dos movimentos sociais do campo no processo de implementação do Programa, em virtude de uma serie de tensionamentos vivenciados na relação com a Secretaria de

91 Estado de Educação de Minas Gerais. Para a autora, embora o Programa tenha sido gestado no âmbito do MEC, foram os movimentos sociais do campo que forjaram a criação dessa política pública de educação dos jovens do campo. Entretanto, considera que a intercessão entre ações do governo e dos movimentos sociais que estão na gênese desse Programa não se efetivou no Estado, frente à constatação de que os movimentos sociais não se fizeram presentes nos encontros de formação dos educadores. Um dos tensionamentos mencionados pela autora é com relação à seleção dos educadores do Programa: os movimentos sociais queriam educadores ligados à luta pela terra e a SEE/MG selecionou um quadro de educadores que, de maneira geral, não tem experiência com a educação do campo.

De uma maneira geral, o que o trabalho revela é que ainda persiste a improvisação de educadores para atuar nos programas governamentais, como aconteceu historicamente nas diversas campanhas de educação de jovens e adultos implementadas desde a década de 1940. Portanto, esse é um problema recorrente no contexto da EJA e que precisa ser revisto pelos responsáveis, visando o sucesso das políticas públicas existentes. Além disso, as contradições que o Programa investigado apresenta, próprias da relação de forças do sistema capitalista, são indicativos das “[...] limitações de se efetivar, via Estado, uma educação comprometida com as transformações do campo e com o fortalecimento do protagonismo de seus sujeitos sociais” (MOURA, 2011, p. 87).

O estudo revela ainda que a atuação na EJA, no contexto do Programa, ocorre como uma oportunidade de emprego e de complementação de renda, não havendo exigência de formação específica. Quanto à formação oferecida aos educadores no decorrer do Programa, era realizada por meio de encontros e oficinas pedagógicas, avaliada como frágil e dispersa temporalmente, além de apresentar distanciamento entre teoria e prática. Quanto ao exercício da docência, Moura (2011) constata que os educadores não têm conhecimento do público com que atuam e que os saberes adquiridos na prática é que orientam suas ações.

4.1.7 Vasconcelos/UFMG (2011): educadores de EJA de uma escola da rede estadual