3.2 Gaussian process in classification
4.1.2 Combining kernels
No processo de tomada de decisão em política comercial externa, existe uma primeira fase caracterisada pelo posicionamento retórico (Fase A), quando os diversos grupos envolvidos na questão buscam construir uma agenda. Foram vários os esforços de todo o setor siderúrgico norte-americano para mobilizar a sociedade em geral com o objetivo de pressionar pela adoção de salvaguardas pelo governo norte-americano, em detrimento dos produtores estrangeiros, como o Brasil. Entre
57 Este estudo está focado no processo de tomada de decisões, da mobilização dos atores privados à mobilização dos decisores governamentais, de forma que está limitado às fases A e B do processo de tomada de decisões, apresentadas no primeiro capítulo. As fases C e D estão ligadas à implementação das decisões e às conseqüências dessa implementação, fatos que ultrapassam os limites desse estudo.
estes esforços, além do lobby tradicional e das contribuições financeiras a partidos e políticos, o Grass Roots Lobby (GRL) também foi muito utilizado.
GRL é “a political lobby movement organized by a network of citizens (...). Grassroot activists want change in the political institutions by non-violent action” (Fact-Archive, sem data). No caso em questão, faziam parte desses movimentos todos os envolvidos no setor, desde os administradores das empresas até os trabalhadores com menor qualificação. Em última instância pode-se dizer que todo o setor se uniu com a mesma finalidade: proteger seus empregos.
Entre as campanhas de GRL elaboradas pelo setor siderúrgico, a Stand Up for Steel foi a que mais se destacou. Milhares de trabalhadores se juntaram e utilizaram todos os meios que estavam ao seu alcance para pressionar o governo: telefonemas e cartas para parlamentares e para o presidente, passeatas, campanhas porta-à- porta, além de elaboração de artigos e entrevistas com o objetivo formar a opinião pública em benefício dos interesses do setor.
Acompanhando as principais técnicas de GRL empregadas atualmente, quando se faz uma campanha como aquela elaborada pelo setor siderúrgico norte- americano, estrategicamente é importante concentrar os esforços nas regiões diretamente envolvidas. Por este motivo, campanhas regionais são mais utilizadas pelas campanhas de GRL, sendo evitadas propagandas em âmbito nacional. Isso contextualiza um dos discursos de Andrew G. Sharkey, presidente da American Iron Steel Institute (Aisi), no qual diz que “the strategy for the campaign is based on agreement that we are not going to win the battle of public opinion in the national newspapers (such as The Wall Street Journal, The New York Times and the Washington Post), but rather we can find a more receptive audience in states where steel has an important presence” (American Iron and Steel Institute, 2002).
No caso das ações de GRL do setor siderúrgico, percebe-se que as negociações sobre a adoção ou não das salvaguardas apresentaram uma temporalidade relativamente extensa (teve seu início em 1998 e durou até a decisão do presidente Bush de impor tarifas em 2002). Durante todo este período houve três períodos eleitorais (1998, 2000 e 2002) que favoreceram a ascensão de uma forte bancada siderúrgica no Congresso, como será visto a seguir. Nos períodos não-
eleitorais a estratégia de GRL utilizada era a pressão sobre os políticos já eleitos para que cumprissem a agenda pelo qual haviam sido eleitos.
Dentre os movimentos protecionistas, o mais articulado foi o Stand Up for Steel (Sufs). Iniciado em 1998, o Sufs surgiu em Pittsburgh e em pouco tempo aumentou seu poder de ação. “Stand Up For Steel pledge drive kicked off in high gear with scores of volunteers manning tables in local malls and businesses, sporting events, craft shows and churches to prove the Ohio Valley was united in the fight to stop the illegal dumping of foreign steel” (Stand up for steel, sem data).
Várias passeatas foram organizadas no ano de 1998, sendo a maioria delas em regiões produtoras de aço. A passeata mais importante aconteceu no dia 20 de janeiro de 1999 em Washington D.C. e ficou conhecida como “The Valley’s Rally”. Essa era uma tentativa de mostrar para o presidente dos Estados Unidos, na época Bill Clinton, que a sociedade estava mobilizada e disposta a lutar pelo que já era considerada “uma indústria morta”. Segundo o deputado Bob Ney, eleito pelo estado de Ohio, o presidente Clinton havia prometido ajudar a indústria siderúrgica em sua campanha eleitoral, porém as medidas adotadas pelo presidente foram “propostas patéticas” (Ney, 1999). O plano de Clinton consistia basicamente em aumento ao combate à sonegação de impostos que prejudicavam o setor e ajuda financeira aos trabalhadores que perdessem seus empregos.
The measure was blasted by United Steelworkers of America President George Becker as a ‘pat on the head and a special pass to move us to the front of the unemployment line’. Independent Steelworkers Union President Mark Glyptis said the White House plan would attempt to turn the Ohio Valley into a hospice for what they obviously believe is a dying industry’ (Ney, 1999).
Embora a questão não tenha sido recebida como prioridade pelo presidente Clinton, o vice-presidente Al Gore, nesta época lutando pela indicação para concorrer pela presidência pelo partido Democrata, tinha motivos para dar atenção aos trabalhadores do setor siderúrgico uma vez que poderiam ser importantes para a sua indicação.
Por outro lado, a campanha eleitoral de Bush, como já apontado, atentou mais concentradamente para as regiões siderúrgicas, uma vez que seriam importantes para a sua vitória. Bush prometeu não se esquecer do setor caso fosse
eleito. Antes das eleições à presidência, juntamente com Bush, Dick Cheney discursou para metalúrgicos de West Virginia afirmando veementemente que as coisas seriam diferentes caso fossem eleitos (The Economist 2002c). Os trabalhadores do setor, mobilizados pela posição adotada pelo candidato Bush, direcionaram seus votos para ele, fazendo com que ganhasse em Ohio, um estado que historicamente possui inclinações democratas.
Uma outra característica importante da Susf é seu caráter apartidário. Quer isso dizer que este GRL não estava preocupado com a lógica partidária per se e se alinhava com aqueles que seriam úteis para a causa siderúrgica, quer fosse Democrata ou Republicano. "You will come to Washington.... and when you do you’ll have the support of Democratics and Republicans alike" (Stand up for steel, sem data).
Várias campanhas foram organizadas ainda dentro desta lógica de ação. Uma delas, conhecida como Massive Letter Writing Campaign, foi organizada pela Sufs e buscava atingir todos os políticos que estavam ao seu alcance. David Gossett, diretor de comunicação da Independent Steelworkers Union disse que “we really need to get as many letters sent to all of the Senators as we can. We have learned it really makes a difference (...). This is all about old-fashioned grassroots politics (...). The most important thing now is to send letters to the Senators. We need as many people to get involved for a big lobbying campaign” (Stand up for steel, 1999 i). Esta campanha enviou cerca de 250.000 cartas para o presidente Bush e ao secretário de comércio Robert Zoellick (Uswa 2002).
Outras campanhas do mesmo gênero foram realizadas. Uma delas ficou conhecida como Telephone Lobby Effort e apresentou efeitos positivos, segundo David Gossett. “This is real grassroots politics at its best. We need to show the strength of the Ohio Valley and get this bill passed by a large majority in order to send a message to the Clinton Administration as well as the Senate. The more people calling the better our campaign looks” (Stand up for steel, 1999 g).
De acordo com o deputado Alan B. Mollohan (Democrata, West Virginia), “there is absolutely no doubt that the Stand Up for Steel campaign was a positive influence on the President's decision. It is the most impressive grass-roots campaign
I have witnessed, and the people of the Ohio Valley should be proud of their success in focusing national attention on the import crisis” (Mollohan, 2002).
4.2.1 Aisi – Acompanhamento Depois da Decisão.
O American Iron and Steel Institute (Aisi), também foi muito importante na estruturação da opinião pública, especialmente após a decisão favorável do presidente Bush em prol da adoção de salvaguardas. Este instituto se equipou com vários programas com o objetivo de divulgar a causa siderúrgica norte-amerciana e manter as tarifas sobre os produtos estrangeiros.O principal programa desenvolvido pela Aisi foi o Network Program. Este programa treinava todos os envolvidos na questão siderúrgica a se portarem de maneira convincente para envolver mais pessoas pró-manutenção das salvaguardas. Pensilvânia, Ohio e West Virginia eram os principais alvos do programa visto que são os maiores estados produtores.
A Aisi era responsável pela elaboração de entrevistas, pelo treinamento dos locutores e por toda a divulgação na mídia em geral (American Iron and Steel Institute , 2002). A Aisi também elaborava palestras, além da distribuição e elaboração de artigos para publicação em jornais. Ao mesmo tempo, se encarregava de enfatizar os interesses do setor junto à Casa Branca, aumentando assim os níveis de pressão no poder Executivo. Este programa promovia empresários e políticos na mídia, contribuindo assim para colocar o assunto em pauta. “An important element of the grass roots campaign is the Steel Spokesmen Program. Led by The Steel Alliance President Bill Heenan, a trained corps of articulate Steel Spokesmen is being identified and charged to handle media interviews and possible speaking engagements” (American Iron and Steel Institute, 2002).
A premissa central do programa é a idéia de que tais mensagens acabariam chegando no alto comando do Executivo. De acordo com a própria Aisi, “equally important to the success of the program is that, once AISI generates coverage, it is conveying those favorable results to a select group of federal officials in the White House, Department of Commerce, Treasury, and Customs, and the U.S. Trade Representative's office” (American Iron and Steel Institute , 2002).
Os seis objetivos da Aisi
1) Secure extensive print and broadcast media coverage in steel states;
2) Saturate the airwaves with the steel industry's message through a focused radio interview placement program;
3) Identify steel spokesmen from AISI companies, media train them so they can effectively convey the industry's message, and then utilize them for media interviews and local speaking engagements;
4) Generate a series of press releases about the positive impact of the tariff remedy with a state or local angle so that editors in the steel states are compelled to publish them; 5) Seek to place op ed articles, some of which will be bylined by steel executives, some
by members of Congress, and others by sympathetic third parties; 6) Communicate the results back to federal officials.
Extraído de www.steel.org/news/newsletters/2002_09/grassroots.htm. Acesso em 02/08/2005.