"Nenhum homem ou nenhuma mulher conseguem atingir uma velhice bem-sucedida "sozinhos", ignorando as circunstâncias sociais e ambientais envolventes, pelo que a este nível o sucesso é sempre uma medida para a qual concorrem factores históricos e contextuais."
(Fonseca, 2011) Segundo a Organização das Nações Unidas (1999), O Serviço Social tem sido, desde a sua criação, uma atividade de defesa dos Direitos Humanos, tendo por princípio base o valor intrínseco de cada ser humano e como um dos seus principais objetivos a promoção de estruturas sociais equitativas, capazes de oferecer às pessoas segurança e desenvolvimento, ao mesmo tempo que defendem a sua dignidade.
O “Serviço Social promove o desenvolvimento social e humano, melhorando as competências sociais e de coesão social, e o reforço da emancipação das pessoas. Princípios de justiça social [Social Advocacy], direitos humanos, responsabilidade coletiva, respeito à diversidade e cidadania global para a paz e a não-violência são fundamentais para o trabalho social. Impulsionadas por pesquisas e teorias de trabalho social, e outras ciências e conhecimento local / informal, o trabalho social envolve as pessoas e estruturas para lidar com os desafios da
49 vida e melhorar o bem-estar sustentável [Empowerment]. [Pode-se assinalar que] a Social Advocacy, apresentada como um conceito-chave na prática de trabalho social é definida como influência exercida em nome de organizações e grupos dentro do poder legal e estrutura política (Pardeck, 1996).
Gates (1994) cita quatro variações de social advocacy: social advocacy legal, a representação do usuário em um contexto formal, por exemplo, um tribunal de revisão de saúde; auto-social advocacy, onde o indivíduo ou um grupo de indivíduos falam por si mesmos, uma forma de capacitação; social advocacy coletiva ou de classe, as grandes organizações que falam pelos interesses e direitos de uma categoria de pessoas; e social advocacy cidadã, a representação dos interesses do usuário por um advogado competente (por exemplo, um assistente social).
Social advocacy é um conceito abraçado pelo trabalho social uma vez que defender os clientes é vital para a profissão de trabalho social. Os principais objetivos da social advocacy são alcançar a justiça social e o empowerment das pessoas. Para alcançar esses objetivos, é necessária uma abordagem pró-ativa, responsiva e participativa (Pardeck, 1996). O papel do defensor é falar em nome dos clientes e capacitá-los a defender em seu próprio nome, sempre que os seus direitos foram negados; por exemplo, no acesso a benefícios estatais ou no trabalho de reparação exigente dos departamentos locais de Habitação. O papel de social advocacy, de um contexto social, inclui a redistribuição do poder e o recurso a um indivíduo ou grupo, protegendo os seus direitos e preservando os seus valores, conservando seus melhores interesses e superando o sentimento de impotência (Pardeck, 1996). Assim, social advocacy é o ato de apoiar uma ideia, necessidade, pessoa ou grupo.
O empowerment, por sua vez, enquanto “valor do Serviço Social e principio de compreensão dos processos psicossociais de exercício de controlo e de influência que os autores sociais têm sobre as decisões que afetam a sua vida (Pinto, 2012 citado por Pinto, 2013), corresponde a um processo de reconhecimento, criação e utilização de recursos e de instrumentos pelos indivíduos, grupos e comunidades, em si mesmos e no meio envolvente, que se traduz num acréscimo de poder - psicológico, sociocultural, político e económico – que permite a estes sujeitos aumentar a eficácia do exercício da sua cidadania.” (Pinto, 2001).
Segundo Zimerman (2000) devemos ter em consideração os seguintes aspetos no que respeita ao entendimento do significado de empowerment, considerar que é uma variável continua e não dicotómica (não se trata de “ter” ou não empowerment mas sim ter mais ou menos); este varia no tempo e não se pode dizer que seja alguma vez acabado, pois é um processo contínuo de crescimento e mudança; tem de ser definido num contexto específico e numa população específica e é multidimensional, englobando diferentes níveis de análise (desde o individual ao grupal, do organizacional ao comunitário) e diferentes campos de ação onde o empowerment individual visa as variáveis interpessoais e comportamentais dos sujeitos, o empowerment a nível
50 organizacional debruça-se sobre a mobilização e criação de oportunidades de participação dos sujeitos e o empowerment comunitário visa as estruturas sociopolíticas e a mudança social.
A grande diferença entre a social advocacy e o empowerment é o facto de a primeira trabalhar para o indivíduo, grupo ou comunidade e o segundo trabalhar com os indivíduos, grupos ou comunidades na criação e desenvolvimento de mecanismos com o intuito de ultrapassarem as situações de crise em que se possam encontrar.
O empowerment tem o seu foco na relação de reciprocidade entre técnico e cliente fazendo com que a intervenção, no caso das pessoas idosas, seja mais adaptável e aceite por todos os intervenientes, uma vez que todos se sentem totalmente integrados neste planeamento.
Tendo em conta as transformações, a todos os níveis, que decorrem das mudanças positivas e negativas ao longo da vida das pessoas idosas, é importante que estas se sintam úteis e ouvidas quando se trata da criação de mecanismos de apoio às suas situações.
O conhecimento e a prática em Serviço Social faz-se em vários domínios, vários contextos e segundo várias perspetivas com um único objetivo, dedicando-se a um “trabalho em prol do bem-estar e da realização pessoal dos seres humanos; ao desenvolvimento e utilização disciplinada do conhecimento científico relativo ao comportamento das pessoas e sociedades; ao desenvolvimento de recursos destinados a satisfazer necessidades e aspirações individuais, colectivas, nacionais e internacionais; e à realização da justiça social." (Organização das Nações Unidas, 1999) O Serviço Social desenvolve-se em diferentes contextos, (…) de carácter geográfico, político, socioeconómico, cultural e espiritual.
Geográfico [uma vez que] toda a atividade se desenvolve dentro de determinadas fronteiras [em determinado] organismo, nação, Estado [ou] região, Político [pois] cada país tem um determinado sistema político [que] define o contexto dentro do qual a atividade se desenvolve, quer o sistema seja liberal ou repressivo, socialista, social-democrata ou capitalista; Socioeconómico [tendo em conta que] um modo de vida adequado, trabalho, saúde e serviços médicos apropriados, educação e, se possível, acesso à segurança social e a serviços sociais são aspirações humanas elementares; (...) Cultural [onde] os usos, crenças, aspirações e cultura dos indivíduos, das famílias, dos grupos, das comunidades e das nações têm de ser respeitadas, embora sem prejuízo da evolução de determinadas práticas e crenças, (...) [e por fim no contexto] Espiritual [em que] nenhuma sociedade no seio da qual se desenvolve o Serviço Social é destituída de valores. [Assim] é de importância central, quer para o desenvolvimento do Serviço Social, quer para o desempenho humano, que seja prestada atenção ao espirito, valores, filosofias e éticas, bem como às esperanças e ideias daqueles com quem os profissionais de Serviço Social trabalham e, ao mesmo tempo, aos valores dos próprios assistentes sociais (Organização das Nações Unidas, 1999).
51 A prática em Serviço Social caracteriza-se com intervenções de diferentes tipos, desde as intervenções institucionais às individuais. Segundo a Organização das Nações Unidas (1999) os profissionais de Serviço Social trabalham com os utentes a diversos níveis: ao nível do indivíduo e da família (nível micro); ao nível da comunidade (nível meso); e ao nível da sociedade - nacional e internacional (nível macro).
Segundo Mouro (2013 in Carvalho, 2014), podemos indicar alguns exemplos destas diferentes práticas, desde processos associativos de idosos, com a finalidade de providenciar as respostas em conformidade com os seus interesses (centros de dia, centros de noite, centros de atividades); respostas criadas na comunidade por via de poder local, a partir dos quais se cria a possibilidade de serem desenvolvidas atividades de interesse coletivo e interesses individuais que promovam as relações de vizinhança e laços sociais na comunidade; dinâmicas de ativação de organismos sociais já existentes na comunidade, capazes de promoverem projetos de intervenção social sob a sua responsabilidade ou em parceria com outras entidades locais, que tenham como missão não só a promoção de uma vida ativa, como também a constituição de redes de entreajuda comunitária; respostas humanitárias, onde se integram as visitas ao domicílio por voluntários ou por entidades de segurança pública; respostas convencionais onde se insere a institucionalização temporária ou continuada em lares, cuidados continuados e cuidados paliativos, assim como os serviços de apoio domiciliário; até às respostas direcionadas, onde se podem incluir todos os serviços que permitem retardar a institucionalização do idoso e promovam o envelhecimento ativo e positivo.
Os assistentes sociais, independentemente do contexto do seu serviço, das práticas que realizem e das metodologias de intervenção que utilizem, trabalham baseados no seu código deontológico e bastante orientados pelos princípios e ensinamentos da Federação Internacional de Assistentes Sociais (FIAS). Esta “foi criada em 1956 como sucessora do secretariado internacional permanente dos assistentes sociais, fundado em 1928. (...) os seus objetivos são promover o Serviço Social enquanto profissão através da cooperação e da ação a nível internacional, especialmente no que diz respeito às normas profissionais, formação, ética e condições de trabalho, e estimular a constituição de associações nacionais de assistentes sociais quando elas ainda não existiam; apoiar os seus membros na promoção da participação dos assistentes sociais no planeamento social, e formulação de políticas sociais, a nível nacional e internacional; estimular e facilitar os contactos entre os assistentes sociais de todos os países, e disponibilizar meios para discussão, e partilha de ideias, através de encontros, visitas de estudo, projetos de investigação e outros meios; apresentar os pontos de vista dos profissionais a nível internacional e colaborar com organizações governamentais e não-governamentais internacionais no planeamento e ação social, bem como noutras áreas que exijam experiência e conhecimentos especializados ao nível de Serviço Social." (Organização das Nações Unidas, 1999).
52 Independentemente de todo o meio envolvente à prática em Serviço Social, segundo a Organização das Nações Unidas (1999) os profissionais garantem e defendem os direitos dos utentes individuais ou coletivos, ao mesmo tempo que tentam satisfazer as suas respetivas necessidades.