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3. Materials and methods

3.5 Data collection

A natureza das mudanças na competição doméstica e internacional das organizações tem-se alterado de sobremaneira, assistindo-se: à queda de barreiras ao comércio e investimento, à globalização dos mercados, à globalização dos investimentos de capital, à globalização das cadeias de valor das organizações, ao crescimento do stock de conhecimento e de difusão da informação, à intensificação da concorrência sobre todas as actividades e sectores, à concentração da criação de valor sobre o sector dos serviços, à passagem de cadeias de valor verticais para as horizontais onde se estabelecem parcerias com fornecedores estrangeiros e instituições, ao aumento dos custos logísticos devido ao aumento dos custos da energia e das emissões, entre outras, tornando-se vital que os países se adaptem a esta realidade para que possam prosperar (Porter, 1990). Assim, segundo Porter (1990), a competitividade de uma nação dependerá da capacidade da sua economia inovar e se desenvolver e as suas empresas ganharem vantagens sobre outras devido à pressão e competição existente, beneficiando os países através dessa rivalidade entre players fortes, entre fornecedores que lutam por ganhos de quota de mercado e por consumidores exigentes.

A capacidade para uma economia entrar numa rota de crescimento encontra-se dependente de um conjunto de factores, que se geram na maior parte dos casos, no nível local – diferenças culturais, de valores, nas estruturas económicas, legislativas, históricas, etc., todas contribuem para

26 a criação e sustentação de vantagens competitivas no nível empresarial e no conjunto das actividades económicas num determinado país e, portanto, da sua própria sustentabilidade enquanto inserida num sistema de produção global (Porter, 1990).

No nível nacional, a competitividade materializa-se no nível de produtividade do país, considerando que o objectivo global é o de proporcionar um nível de vida elevado e crescente aos seus habitantes. Desta forma, as empresas nacionais necessitam de continuamente incrementar os seus níveis de produtividade nos vários sectores de actividade da sua economia seja através do aumento de qualidade dos seus produtos e serviços, da incorporação de características mais valorizadas, do desenvolvimento tecnológico associado ou da eficiência com que os produzem. Onde os níveis de produtividade forem já elevados, é necessária inovação que permita que se desenvolvam novos produtos e serviços e que permitam competir, inclusivamente, em novos sectores. Assim, a competitividade depende da produtividade com que uma nação utiliza os seus recursos humanos, de capital e naturais e na forma como compete para tornar o seu ambiente de negócio o mais produtivo possível para os negócios (Porter, 1990).

O comércio internacional e o investimento estrangeiro podem tanto levar uma economia a elevar o seu desempenho produtivo como a ver-se numa luta por manter os seus resultados produtivos, isto é, permitem que uma economia se possa especializar sobre as indústrias ou sectores onde é competitiva ou mais produtiva, socorrendo-se das importações para colmatar aquilo que não é capaz de produzir internamente com resultados semelhantes. Por outro lado, pode trazer à realidade o teste dos standards internacionais de produtividade num espaço que pode ver o nível de vida dos seus habitantes ameaçado pela competição (Porter, 1990).

Porter (1990) desenvolve esquematicamente o “diamante da vantagem nacional”. Este possui factores ou determinantes que se inter-relacionam entre si, formando um sistema explicativo. Resumidamente, em termos de factores têm-se: i) a disponibilidade de recursos e competências necessárias para a vantagem competitiva em determinado sector ou indústria; ii) a informação que define as oportunidades que as organizações percepcionam e a direcção em que as mesmas empreendem com base nos seus recursos e competências; iii) os objectivos dos gestores, accionistas e indivíduos nas organizações; iv) as pressões sobre as organizações para investir e inovar. Faz ainda parte do mesmo o “ambiente” ou contexto nacional, que deve permitir: i) a acumulação de competências de forma sustentada; ii) a circulação de informação e conhecimento; iii) a existência de pressão para a inovação e investimento.

De todas as condições de factores como a força de trabalho, os recursos naturais e físicos, os recursos de capital e de infra-estruturas, serão sobretudo os que são criados pelo país cuja importância reside não na quantidade em que existem mas na produtividade com que são

27 transformados em bens e serviços que garantem a sustentabilidade competitiva. Os recursos materiais facilmente podem ser adquiridos através de uma estratégia multinacional pelo que são os mais “sensíveis” aqueles que implicam um maior investimento que poderão ser os determinantes para garantir vantagens. Porter nota também, que mesmo recursos humanos especializados podem não ser uma vantagem competitiva se não forem utilizados de forma a que respondam às necessidades das actividades económicas do país. A vantagem competitiva poderá surgir de instituições que primeiro lugar criam os factores específicos necessários e depois trabalham continuamente sobre o seu melhoramento. Por vezes também, a inexistência ou escassez de um determinado factor é o propulsor para a inovação devido à pressão que tal situação cria. Isto tende a acontecer em modelos de concorrência dinâmicos e é muitas vezes a base para a vantagem competitiva.

O facto de se ter uma procura interna sofisticada permite às organizações uma visão das necessidades emergentes de consumo e exerce sobre elas pressão para a inovação e para oferta de bens e serviços diferenciados dos da sua concorrência – assim, o tamanho da procura pode ser visto como menos importante que a qualidade, ou sofisticação, da mesma. As organizações de uma nação podem detectar necessidades globais emergentes com potencial em muitos mercados e actuar sobre eles, exportando os seus valores e produtos.

A presença de empresas internacionais relacionadas e de suporte pode ser extremamente benéfica na criação de vantagens a montante e a jusante através de seu exemplo e influência no que concerne à eficiência operacional e de custos bem como relativamente à sua estratégia, funcionando como exemplo e como catalisadores de melhoria e inovação quanto mais próximas as relações com estas organizações forem.

Também a presença de concorrentes fortes estimula a criação e apuramento das vantagens competitivas, sendo uma fonte de incentivo à inovação e melhoria. As indústrias protegidas pela regulamentação e pelos governos frequentemente perdem na corrida pela inovação. À medida que a concentração geográfica amplia a pressão concorrencial e quanto mais intensa esta se revelar, também em maior número poderão ser os benefícios que tal situação poderá gerar na medida em que as organizações irão tendencialmente procurar abrir-se a novos mercados, investir em formação dos recursos humanos e na construção de parcerias com instituições de ensino, entre outros. Testadas pela concorrência interna, mais facilmente as organizações podem olhar para a concorrência global com maiores probabilidades de sucesso.

O referido “diamante da vantagem nacional” de Porter deve ser visto como um sistema em que a fragilidade em algum dos determinantes do mesmo irá restringir ou estrangular o processo de desenvolvimento das vantagens competitivas. Por outro lado, a maximização dos factores que as

28 poderão criar promove muitas vezes a criação de clusters de indústrias competitivas que se reforçam mutuamente, actuando como veículos para a manutenção da diversidade – em ambientes de organizações multi-relacionadas – gerando ganhos, como a passagem da inércia à mudança, o aumento da flexibilidade e a adopção de uma filosofia de inovação em oposição ao acomodar com posições alcançadas.

A inovação nasce, segundo Porter (1990), dos desafios do mercado, agregada ao exercício de uma liderança que crie um ambiente dinâmico e competitivo. As organizações deverão, desta forma, procurar fontes de pressão para a inovação, olhar para a concorrência de forma a que a mesma sirva de força motivadora, estabelecer mecanismos de alerta provenientes de mudança directa ou indirecta sobre as necessidades dos seus clientes, procurar crescer internacionalmente – na medida em que poderá ser mais vantajoso que procurar dominar um mercado interno já que os mercados externos aceleram o processo de globalização e permitem sustentar e alavancar vantagens competitivas bem como reduzir desvantagens internas. Deverão ainda criar alianças de forma selectiva no sentido em que inovar poderá ser mais vantajoso que proceder ao outsourcing de actividades da cadeia de valor e desenvolver fornecedores internos e consumidores será mais vantajoso que depender exclusivamente dos estrangeiros. Estas premissas surgem no sentido em que a não ser que os determinantes da competitividade estejam presentes: i) no interior da empresa (e o sucesso competitivo será originado nas decisões da organização) ou ii) nas localizações onde a empresa opera (e onde a participação em clusters será um importante factor de sucesso), as vantagens competitivas não serão sustentáveis no longo prazo, pelo que o desenvolvimento do “diamante” nos mercados locais é essencial.