Devido ao facto da maioria das intervenções da estagiária serem em contexto grupal, torna-se relevante abordar os objetivos da intervenção e estratégias a utilizadas em cada área de intervenção e com cada grupo, pois as competências e capacidades variam, bem como as suas necessidades cognitivas, motoras, psicomotoras, sociais e comportamentais.
Através do tempo dedicado à observação da dinâmica da instituição, dos clientes e posterior avaliação, foi possível identificar quais as dificuldades, necessidades e expetativas inerentes a cada cliente e perceber de que forma é que em grupo seria possível diminuir e colmatar essas dificuldades e necessidades, indo de encontro aos gostos, vontades e metas individuais, maximizando as suas potencialidades.
Os grupos apoiados pela estagiária eram constituídos, na sua maioria por adultos, em menos quantidade por jovens e um grupo distinto de gerontes. Desta forma, todas as atividades desenvolvidas foram ao encontro da sua faixa etária e das suas capacidades, objetivando a manutenção das competências já adquiridas. A intervenção teve como objetivo primordial, potenciar as áreas fortes e desenvolver as áreas fracas, preservando as habilidades interiorizadas e minimizando as consequências do processo de envelhecimento e perda de habilidades.
A intervenção da estagiária teve como base a estimulação cognitiva, maximização de capacidades motoras, manutenção e potencialização da funcionalidade, promoção de relações interpessoais, integração na sociedade, desenvolvimento de competências de controlo emocional, estimulação de comportamentos adequados e estratégias de atuação em diversos contextos.
No Desenvolvimento Pessoal e Social, para o grupo 1A, as atividades a desenvolver centravam-se nos seguintes objetivos consoante o tema a ser trabalhado: Resolução de problemas e gestão de conflitos – interiorizar e respeitar regras
sociais; promover a aquisição de comportamentos positivos; identificar e utilizar comportamentos assertivos em diferentes contextos sociais; desenvolver estratégias para identificar situações de conflito; trabalhar e adquirir competências para a resolução dos conflitos; desenvolver a capacidade de autocontrolo e a perceção de uma eficácia pessoal; identificar formas ajustadas de agir, reagir e atuar em diversas situações; maximizar a autoconfiança e a autonomia;
Segurança na rua, no recinto ocupacional e em casa – maximizar a autonomia; identificar situações de perigo; saber como pedir ajuda a outrem; seguir instruções/ recomendações em situações de perigo; reconhecer alguns sinais de trânsito para peões; saber como passear na rua em segurança; saber contactos de emergência públicos e/ou de pessoas próximas; identificar saídas de emergência no recinto ocupacional; aprender comportamentos a adotar em situações de emergência.
Para o grupo 1B os objetivos também se subjugavam ao tema a ser desenvolvido, tratando-se do seguinte:
As quatro emoções primárias – identificar as emoções (feliz, triste, zangado, assustado); trabalhar a expressão facial e corporal; desenvolver a capacidade de jogo simbólico; potenciar e treinar competências de atenção, concentração, memória e raciocínio; partilhar emoções; promover a competência de compreensão dos sentimentos dos outros;
Habilidades Sociais Básicas – interiorizar e respeitar regras sociais; promover a aquisição de comportamentos positivos; desenvolver competências de relacionamento interpessoal e de socialização; identificar e utilizar comportamentos assertivos em diferentes contextos sociais; distinguir a família, dos amigos, e técnicos e/ou colaboradores do C.A.O. Estas sessões são compostas por um diálogo inicial, ativação geral, dinâmica prática, relaxamento e diálogo final, tem a duração de 45 minutos e a presença de 2 Técnicos (Psicomotricista e Técnica de Ação Social) mais 1 Ajudante de Reabilitação sempre que possível, de referir que a cada ano é efetuado um Plano Anual de Atividades no qual se propõem e planeiam novos temas a serem tratados, desde o momento que os anteriores estejam consolidados.
Na Atividade Motora em Ginásio, os grupos 2A e 2B, apesar de apresentarem capacidades funcionais e motoras distintas, tinham os mesmos objetivos com a sua frequência ao ginásio. Desta forma, destaca-se: a manutenção e melhoria da condição física; trabalho de reforço muscular; promoção da atividade física; estimulação da autoestima e da autoconfiança; desenvolver o interesse dos clientes por manter estilos de vida saudável. Importa referir que cada cliente tinha um plano de exercícios adaptados às suas necessidades e capacidades, e que aquando a sua permanência no ginásio eram acompanhados pela estagiária, por um técnico de exercício físico e saúde, sempre que possível, e por um ajudante de reabilitação.
Nas Multiatividades o grupo 3, por ser constituído por um conjunto de clientes menos autónomos, necessitava de algum apoio e as suas dificuldades evidenciavam- se com bastante relevância no seu dia-a-dia. Desta forma, os objetivos traçados para esta população, no contexto de ginásio e exploração da natureza foram os seguintes: promover a coordenação motora global; maximizar o equilíbrio; trabalhar noções corporais; planificar os movimentos através da relação-conceção e execução; maximizar o bem-estar pessoal e a qualidade de vida; estimular estilos de vida saudáveis; adquirir hábitos de prática de condição física; capacitar para o aumento da autonomia, autoestima e autoconceito; promover a cooperação e a superação das pessoas com dificuldades intelectuais; conhecer e valorizar as próprias possibilidades de resistência e capacidade motriz; promover relações intra e inter grupais; potencializar conhecimentos do quotidiano; aumentar a prática de atividades de contacto com a natureza. Estas sessões foram compostas por um diálogo inicial, ativação muscular, jogo de grupo interativo, circuito funcional, relaxamento e diálogo final.
No atletismo, ou seja, o grupo 4, é composto na sua maioria pelos clientes mais autónomos do CAO e apesar de ser uma prática de competição os seus objetivos não se resumiam a essa facto, mas sim a muitos outros, tais como: conhecer, praticar, aprender e desenvolver diferentes disciplinas do atletismo; estimular a iniciação ao desporto; melhorar a condição física; desenvolver as habilidades motoras; promover o bem-estar e a qualidade de vida; maximizar a autonomia, autoestima e o autoconceito; promover a cooperação e a sua superação; aprimorar o desenvolvimento cognitivo, afetivo e social; respeitar os colegas, promovendo o espirito de cooperação; promover a melhoria das competências específicas de cada disciplina com vista a garantir bons resultados nos torneios e campeonatos. De referir que os clientes pertencentes a este núcleo, tiveram a possibilidade de participar em torneios de ilha, em campeonatos regionais, com jovens adultos de todo o arquipélago e posterior acesso a provas nacionais, europeias e mundiais se se destacarem nas classificações.
Na Estimulação Sensorial, com o grupo 5, constituído por um número mais restrito de clientes menos autónomos e com uma grande necessidade de apoio por parte de terceiros, foram traçados objetivos simples e que se manterão durante algum tempo: desenvolver a atenção e a capacidade de concentração nas atividades propostas; maximizar a compreensão verbal; estimular a motricidade fina; trabalhar noções corporais; estimular aprendizagens do quotidiano; diminuir comportamentos desajustados; estimular o sistema propriocetivo e sensorial; promover o relaxamento corporal. As intervenções de estimulação sensorial foram individuais (técnico-cliente) e constituídas por um diálogo inicial, atividade prática, relaxamento e diálogo final e tinham a duração máxima de 30 minutos, salvo alguma exceção.
Na atividade de Gerontopsicomotricidade (grupo 6) os objetivos foram traçados com base num grupo muito heterogéneo, pelo que a estagiária optou por trabalhar durante todo o período de intervenção um conjunto de objetivos gerais que pudessem ir ao encontro das dificuldades e necessidades individuais de cada cliente. Os objetivos propostos foram a manutenção da funcionalidade, estimular um estilo de vida ativa, trabalhar a marcha, maximizar a consciencialização corporal, estimular a
coordenação motora, desenvolver a força, resistência e amplitude muscular. As sessões de gerontopsicomotricidade tinham uma duração de 45 minutos e era composta por diálogo inicial, aquecimento muscular, atividades dinâmicas, retorno à calma e diálogo final.
Após o processo de intervenção psicomotora importa referir os seus principais resultados bem como as metas atingidas com a intervenção.