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Para serem susceptíveis à análise os dados precisaram ser convertidos em unidades mais

adequadas. Foi necessário fazer uma série de operações com esse objetivo, como descrito a

seguir.

Definição da variável ValorRD

A amostra resultante foi ligeiramente concentrada naqueles pesquisadores de mais alto CC, CE, CP, CS e ValorRD. Isso já seria o suficiente para questionar uma eventual pretensão de aleatoriedade da amostra.

Ao longo de seus primeiros dez anos de existência – espaço temporal da pesquisa, o Consórcio financiou 889 projetos, em um total não corrigido de 87,2 milhões de reais. A planilha RelaçaoSubprojetosBD_PNPD_CaféCustos1997-2006, suprida pela EMBRAPA, aponta esse montante e o valor aplicado em cada um dos subprojetos, bem como os

70 responsáveis por eles. A variável ValorT corresponde a esse montante, agrupado por pesquisador responsável por subprojeto.

Contudo, Rufino (2006) já alertava para a diversidade de aplicações que comporiam a ValorT. Destarte, ele propõe uma decomposição da ValorT em parcelas, eventualmente mais esclarecedoras para o entendimento da alocação de verbas, por pesquisador.

Dessa forma, a primeira intervenção nos dados quantitativos foi classificar as verbas alocadas no Consórcio, por aplicação, seguindo em parte a classificação sugerida por Rufino (2006)51.

O grupo “PADI” foi formado pelos Projetos de Apoio ao Desenvolvimento Institucional52

A segunda etapa do tratamento de dados foi agregar os projetos por entidades. Nessa operação, optou-se por juntar as unidades da EMBRAPA em uma única entidade: EMBRAPA

e demais investimentos não conectados a uma pesquisa específica. O grupo “ADM”, foi formado pelas verbas para a coordenação, apoio e aplicação direta, assumidos pela própria EMBRAPA CAFÉ. O grupo “DTT”, foi constituído pelos subprojetos destinados a encontros, difusão e transferência de tecnologia. O grupo “BOLSA” foi formado pelos subprojetos de bolsa, de incentivo à formação de recursos humanos e para a capacitação de pesquisadores. E finalmente o grupo “R&D”, pelos subprojetos identificados como aqueles de pesquisa. Esse grupo “R&D” é que compôs a variável ValorRD.

Cabe observar que a variável ValorRD comporta itens de custeio (aquisição de materiais e serviços, viagens, publicação) e de investimento (por exemplo, em equipamentos de laboratórios), direcionados ao subprojetos e alocados pelo Consórcio. O volume de recursos efetivamente controlado pelo pesquisador é superior ao ValorRD, pois a essa variável não se agrega a contrapartida das entidades (por exemplo, os salários dos pesquisadores e demais técnicos envolvidos no projeto, as utilidades – como energia elétrica – empregadas e a parcela da vida útil dos equipamentos já encontrados disponíveis e utilizados na pesquisa). Não é feita a contabilização dessas contrapartidas, mas elementos entrevistados da administração do Consórcio sugerem a proporção de 1:8 entre o ValorRD e a contrapartida das entidades.

Outras intervenções nos dados quantitativos

51 Quando comparados os montantes apurados por Rufino (2006) como os valores apurados nesta tese, por aplicação, em igual período, é passível constatar uma razoável concordância, pois afinal, foram adotados critérios semelhantes para classificação. Contudo, Rufino (2006) não oferece os valores por pesquisador.

52 A maior parte dos projetos tem uma fração em investimento, outra em gastos correntes para a consecução de uma dada pesquisa. Os investimentos dessa natureza foram mantidos no grupo “R&D”. Porém existem aqueles investimentos descasados de uma dada pesquisa: são os PADI, basicamente para recuperação ou montagem de laboratórios.

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OUTRAS53

As relações de co-autoria foram o motivo de outra intervenção. Por conveniência e interesse, optou-se como unidade da análise as ligações entre entidades e não as ligações entre pesquisadores

, à exceção da EMBRAPA CAFÉ e do CBP&D/Café (nesse caso, aquelas verbas identificadas como da coordenação do PNP&D/Café e do próprio CBP&D/Café: aplicação ADM, BOLSA, parte da DTT e parte do PADI). Foram também agregadas as verbas de unidades do MAPA e de escolas da Universidade de São Paulo (USP).

Além dessas etapas que exigiram a definição de critérios, os subprojetos foram classificados por ano, por pesquisador, por Entidade & Aplicação. Uma vez realizadas essas operações, os dados relativos às verbas do Consórcio no período considerado – entre 1997 e 2006 – já se apresentavam da forma requerida para análise.

54. Para tanto, se empregaram os Anais do XV, XVI e XXIII Congresso

Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras e dos Anais do primeiro, do quarto e do quinto Simpósio da Pesquisa de Café. Foram identificadas as co-autorias de 1495 trabalhos apurando-se as entidades participantes e atribuindo-lhe créditos proporcionais às participações (número de autores de cada entidade em um dado artigo). As participações e os créditos foram totalizados e calculou-se o grau de exogenia, GEXOG, medido pela razão entre o número de participações e o total de créditos aferido nos artigos, para cada entidade. Foram calculados dados estatísticos e construídos histogramas. Em paralelo, foram levantadas matrizes cruzadas entre as entidades, onde cada célula aij

53 Essa opção foi seguida em todas as oportunidades subseqüentes. Entendeu-se que dessa forma daria a devida projeção da EMBRAPA, uma imagem mais próxima da realidade do que se tratar cada Centro isolado. Manteve-se a EMBRAPA CAFÉ isolada por dois motivos. Primeiro, como os pesquisadores da EMBRAPA CAFÉ estão distribuídos em outras entidades, a verba termina por beneficiar mais essas entidades do que a própria EMBRAPA. Em segundo, como a EMBRAPA CAFÉ cumpre dois papéis – de coordenadora do Consórcio e como executora de projetos – pareceu apropriado distingui-la das demais unidades da EMBRAPA, que atuam apenas na execução.

54 Uma rede de pesquisadores seria muito trabalhosa. Enquanto por entidades trabalhou-se com menos de 90 vértices, para pesquisadores, seriam centenas.

, i j continha o número de vezes que a entidade i se co-ligou a j (e vice-versa), descartando-se os trabalhos de apenas uma entidade. As matrizes permitiram a elaboração de sociogramas pelo emprego do software Pajek, que supriu diversos dados característicos das redes de co-autorias, nos cinco momentos (1989-1990; 1997; 2000, 2005 e 2007), como a densidade das redes e, para cada entidade participante, índices como: centralidade (closeness centrality e betweenness centrality), número de parcerias (all degree) e grau de redundância das ligações (aggregate constraint). Esses índices foram alimentados no pacote estatístico SPSS, versão 13, buscando identificar as co-relações

72 significativas, enquanto a centralidade foi utilizada como indicação do capital organizacional do pesquisador de cada entidade.

Já para criação dos sociograma de prestígio, quando foram utilizadas as indicações de preferência da questão seis do questionário, a unidade de análise principal foi o pesquisador. Mas foi possível apreciar também as ligações entre entidades e entre os núcleos de referência. Para tanto, os dados foram lançados diretamente no software Pajek, permitindo a computação dos mesmos índices dos sociogramas de co-autoria: centralidade, número de parceiros e grau de redundância das ligações. Além desses índices foi computada outra grandeza: o grau de autoridade, “authority weight” ·

Algumas das questões do questionário foram aproveitadas diretamente no banco de dados , que ser revelou a mais apropriada como medida do capital em prestígio.

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Quanto às afirmações da questão 9 o tratamento foi mais complexo. Primeiro, identificaram- se as afirmações que continham algum conceito de valor relativo ao Consórcio. Foram aproveitadas dezoito das vinte e seis afirmativas

, mas os dados da questão 5 (visão do Consórcio) e da questão 9 (grau de concordância com afirmações sobre o Consórcio) requereram uma alteração de escala.

Assim é que, para a questão cinco, as categorias favoráveis ao Consórcio (democrático, centralizado, transparente, voltado ao produtor, abrangente, mais favorecido pelo ambiente, foco prático, alocador eficiente de recursos, definidor de rumos, meritocrático, impulso inovativo, em ascensão) receberam grau “1” em oposição às categorias desfavoráveis ao Consórcio (oligárquico, pulverizado, opaco, voltado ao pesquisador, dispersivo, mais ameaçado pelo ambiente, foco acadêmico, alocador ineficiente de recursos, condicionado externamente, político, continuísmo, em declínio) que receberam grau “-1”. No caso em que o participante preferiu não responder a questão ou optou pela questão “Não sei”, concedeu-se o grau “0”.

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55 Algumas questões do questionário foram utilizadas apenas em análises pontuais – por exemplo: características da pesquisa, critérios de julgamentos de propostas, motivação para as ligações e resultados obtidos com o Consórcio. Aproveitou-se no banco de dados aqueles dados que supostamente estariam relacionados mais diretamente com o teste das hipóteses.

56 As afirmativas não aproveitadas no banco de dados foram utilizadas apenas em análises específicas.

: 1; 2; 6; 7; 8, 9, 10, 11, 12; 16; 17;18; 20; 22; 23; 24; 25; e 26. Na maior parte das afirmativas, o sentido da afirmação era favorável ao Consórcio – portanto quem se manifestou com alto grau de concordância (graus 5, 6 e 7), receberam menção “Favor = 1” em oposição a aquele que manifestou com baixo grau de concordância (1, 2 e 3), que receberam a menção “Contra = -1”. Já aquele que manifestou o

73 grau 4 ou aquele que preferiu não opinar recebeu a menção “0”. As menções “Favor = 1” e “Contra = -1” foram invertidas nas questões em que o sentido era desfavorável ao Consórcio. Para tratar as respostas obtidas das questões 7 e 12 optou-se por desconsiderar os casos em que os respondentes não colocaram em ordem os quesitos. (o que era solicitado no enunciado). A seguir, reduziu-se a sensibilidade da escala fazendo 1o, 2o e 3o = “Importante”; 4o, 5o, 6o e 7o