1 Introduction
1.11 Coccidiostats included in the present assessment
Para avaliar as condições de trabalho dos professores, utilizou-se como instrumento a análise ergonômica do trabalho (AET), de acordo com Guérin et al. (2001), onde se avalia o trabalho por meio da análise da demanda, da tarefa e da atividade de maneira a traçar um diagnóstico da situação de referência que norteará as recomendações de melhoria.
• Análise da Demanda: A literatura revelou a importância de se estudar o trabalho do professor, independente da localização mundial. Foi destacada a exposição
59 dos professores a doenças entre as quais são encontrados o stress, disfonia e a síndrome de burnout, relacionadas às condições de trabalho (VEDOVATO e MONTEIRO, 2008; REIS et al, 2005; PENTEADO, 2007; EVERS et al., 2004).
Na atual pesquisa, foram coletados dados gerais das seis escolas, sua localização, o quadro de funcionários, bem como o total de alunos do ensino médio de cada escola, o período de funcionamento com horários, os calendários, além do tipo de atendimento oferecido e o levantamento para tratamento de saúde nos anos de 2008 e 2009.
• Análise da Tarefa: Na análise da tarefa, as situações prescritas para atividade docente foram identificadas e registradas a partir da análise dos regimentos escolares obtidos em cada escola.
As condições físicas no ambiente de trabalho foram avaliadas em vários aspectos. Buscando uma melhor caracterização do ambiente, nas salas de aula, foram quantificadas todas as carteiras, procedimento ao qual se seguiu a medição das suas dimensões, incluídas as cadeiras do professor e dos alunos. Tal medida se fez necessária pelo fato de que os professores no decorrer das aulas prestam atendimento individualizado aos alunos, adotando algumas posturas como a flexão da coluna lombar, torácica ou cervical, além de esforço excessivo da visão para leitura de cadernos e livros dos alunos.
Os quadros de giz foram medidos para identificação da área efetiva do trabalho do professor. Também foi observada a presença ou não de quadro de avisos.
As janelas foram contadas e registradas as suas medidas, além da existência ou não de proteção quanto à luminosidade. É importante ressaltar que a presença de proteção nas janelas contribui para a redução da ação dos raios solares, os quais elevam a temperatura do ambiente e do corpo, trazendo desconforto para professores e alunos, ocasionando prejuízo no processo ensino-aprendizagem.
A cor e limpeza de paredes e tetos, também mereceram destaque. A coloração pode auxiliar na melhora da luminosidade do ambiente, enquanto a limpeza é fundamental para melhorar a estética e a higiene ambiental das salas, além de demonstrar a necessidade de uma maior educação voltada para o meio ambiente escolar, onde é muito comum o hábito de escrever em paredes, tetos e carteiras. O piso precisa ser observado, pois a situação do mesmo pode ocasionar entre outras situações, o risco de queda.
60 Através do uso de um termo-higro-anemômetro luxímetro digital, (modelo THAL-300 marca Instrutherm) foi medida a luminosidade sobre a mesa do professor e em cada carteira dos alunos. A temperatura foi avaliada apenas na mesa do professor, durante esta etapa.
Observou-se ainda a presença ou não de ventiladores, bem como o seu estado de funcionamento, o que poderia auxiliar na temperatura ambiente ou provocar ruídos.
Na parte elétrica foram quantificados os interruptores e as tomadas, sendo os mesmos classificados quanto ao estado de conservação ou segurança, objetivando identificar a disponibilidade para utilização destes com segurança para professores e alunos. Foram identificadas situações de luminosidade insuficiente, o que acarreta prejuízo na leitura e, consequentemente, na aprendizagem, além de prejuízo para a acuidade visual de professores e alunos.
• Análise da Atividade: Nesta etapa foram realizadas observações sistematizadas do cotidiano de cada professor durante um turno de trabalho. Como avaliadores desta etapa, participaram também duas estudantes de graduação do Curso de Nutrição da UFV, que anteriormente, haviam sido treinadas.
Para não provocar grandes transtornos nas rotinas das aulas e na atividade do professor, apenas um pesquisador ficou em cada sala. Tal fato se deveu também ao grande número de alunos em algumas turmas.
Durante essa etapa, procurou-se não fazer um agendamento prévio, mas sim comunicar ao professor no momento da avaliação, para tentar minimizar possíveis mudanças de comportamento. A observação sistemática foi realizada durante um turno de trabalho do mesmo, que foi acompanhado desde a chegada à sala dos professores até o término do trabalho.
No transcorrer da atividade, fotografias foram tiradas sem a utilização de flash, registrando algumas posturas e estratégias adotadas pelos professores durante as aulas além das condições ambientais apresentadas, procurando sempre não interromper o andamento das aulas. Algumas destas fotos, posteriormente, foram trabalhadas para não haver identificação dos professores ou da escola.
Nessa etapa, o pesquisador ficou assentado em uma cadeira entre os alunos, registrando em formulário impresso próprio (ANEXO 5) e observando toda a dinâmica da aula.
61 Em cada sala de aula, utilizou-se um Medidor de Nível de Pressão Sonora DEC – 460 Sound Level Meter, da marca Instrutherm, que identificou os níveis de ruído do ambiente sendo anotado juntamente com o horário de medição no formulário de observação. Conforme citado anteriormente, tal procedimento foi adotado visando reduzir alterações nas rotinas em sala de aula.
Ainda nessa etapa, visando a uma análise mais completa das condições da atividade, utilizou-se o termo-higro-anemômetro luxímetro digital, para medir a temperatura, umidade relativa do ar e condições lumínicas.
Buscando uma melhor avaliação, algumas estratégias complementares foram utilizadas:
Avaliação das queixas de dores
Para avaliação das queixas de dores, os professores foram questionados sobre a existência ou não de dor e o respectivo local já afetado, em período anterior ao início de sua atividade na carreira docente. Além disso, foi utilizado o diagrama corporal (Corlett & Manenica, 1980) adaptado, onde, após o turno de trabalho e de acordo com a localização corporal, a dor foi classificada graficamente em cinco diferentes intensidades: sem dor, leve, moderada, intensa e pior dor possível (ANEXO 6).
A avaliação foi entregue em formulário próprio para preenchimento após um turno de trabalho (matutino ou noturno).
Avaliação da altura do braço acima da cabeça
Foi medida a altura que o professor alcança com o braço estendido acima da cabeça, 180º em relação ao tronco, para identificar o alcance vertical da mão, necessário durante a escrita no quadro. Utilizou-se uma trena metálica (marca STARRET de 8m, modelo T1-8), onde foi medida a distância vertical do chão até o alcance da mão do professor com o braço erguido, em sua altura máxima, sem que ocorra incômodo algum. O professor permaneceu de costas, com calcanhares, costas e cabeça encostados na parede e a medição foi realizada a partir de um ponto, referente ao dedo médio, que foi marcado com um lápis na parede (PANERO e ZELNIK, 2002; ALEXANDRE e MAFRA, 2004). Esta medida foi comparada com a média da altura dos quadros de giz encontrados nas salas de aula avaliadas, para verificar a adequação do quadro à maioria dos professores que atuam no ensino médio.
62 Avaliação dos Riscos para Distúrbios Músculo-Esqueléticos de Membros Superiores Relacionados ao Trabalho
A avaliação para distúrbios músculo-esqueléticos de membros superiores foi realizada com a aplicação de um check-list denominado Avaliação Simplificada do Fator Biomecânico no Risco para Distúrbios Músculo-Esqueléticos de Membros Superiores Relacionados ao Trabalho, proposto por Couto (2000).
Este modelo, desenvolvido há mais de dez anos, permite analisar o risco de distúrbios e lesões em membros superiores. A avaliação do check-list subdivide-se da seguinte forma: 5 questões sobre sobrecarga física; 4 questões sobre força com as mãos; 7 questões sobre postura no trabalho; 2 questões sobre posto de trabalho; 5 questões sobre repetitividade e organização do trabalho; 2 questões sobre ferramenta de trabalho. As opções de resposta são sim, não, não se aplica, não há e desnecessária, sendo as respostas pontuadas por 0 ou 1 (ANEXO 7).
Para o critério de interpretação, considera-se a soma dos pontos do trabalhador avaliado. Com pontuação acima de 22 estão ausentes os fatores biomecânicos que predispõem aos riscos de distúrbios músculo-esqueléticos de membros superiores, relacionados ao trabalho; entre 19 e 22 pontos, o fator biomecânico é pouco significativo; entre 15 e 18 pontos, o fator biomecânico apresenta moderada importância; entre 11 e 14 pontos, o fator biomecânico é significativo; e, abaixo de 11 pontos, o fator biomecânico é muito significativo.
Durante a análise da atividade, no acompanhamento do turno de trabalho foi realizado o preenchimento deste check-list para cada professor avaliado.
Avaliação dos deslocamentos
Anteriormente à data desta avaliação, foi realizado o levantamento da distância alcançada pelos professores após 10 passadas em uma superfície plana, sendo registrado o total das passadas e calculada a média da passada de cada professor. Um pedômetro (marca Digi Walker, modelo SW701) foi utilizado para medir a distância percorrida pelos professores, durante um turno de trabalho.
Utilizando-se como ponto de partida a sala dos professores, na data da avaliação da atividade, colocou-se o pedômetro no quadril de cada professor, preso próximo ao cós da calça, sendo retirado ao término do turno de trabalho.
63 A quantidade de passos e a distância alcançada no término do turno foram registradas no formulário impresso. Em função da diferença na quantidade de aula dos professores, foi calculada a média de passos e distância alcançada em relação a 50 minutos de aula, período adotado pela maioria das escolas.
Avaliação da carga transportada durante o período de trabalho
Na sala dos professores, foi colocada uma balança digital (marca Toledo, modelo Junior, com sensibilidade de 5 g, com registro mínimo de 100g e carga máxima de 15 kg) para verificar o peso do material transportado pelos professores durante o período que permanecem na escola, em deslocamento de uma sala para outra, bem como o peso de livros utilizados pelos mesmos.