As correlações entre os caracteres observados nos ensaios experimentais são geradas por fatores genéticos e ambientais (VENCOVSKY; BARRIGA, 1992) e são estimadas com o propósito de mensurar a alteração em um caráter quando a seleção é praticada em outro. Segundo Siqueira (1984), atributos morfológicos que exerçam efeitos na produção podem ser definidos por meio das correlações entre caracteres do desenvolvimento vegetativo e caracteres do cacho na bananeira ‘Prata’.
Em experimentos com bananeiras, a utilização de correlações permite predizer variáveis de medição difícil a partir de outras mais simples de medir, por exemplo, a partir da circunferência do pseudocaule, medida a uma determinada altura do solo, pode predizer-se o peso do cacho. Então, a partir de uma série de amostragem, pode estimar-se o rendimento de uma determinada área, em um bananal de densidade conhecida, segundo Chacin Lugo (1977).
Segundo Perez (1972) e Siqueira (1984), o diâmetro do pseudocaule é, provavelmente, o que mais se correlaciona positivamente com as características de produção. O aumento da massa vegetal da planta matriz durante a fase de desenvolvimento vegetativo leva ao aumento do diâmetro do pseudocaule, o que possivelmente explica a correlação entre diâmetro e rendimento da bananeira, como foi verificado por Iuchi et al. (1979) e Siqueira (1984). Os estudos de Vargas (1983), comparando os clones ‘Grande Naine’ e ‘Valery’, também revelaram a existência de uma correlação linear entre peso do cacho e perímetro do pseudocaule. Hasselo (1962), verificou que a correlação entre o peso do cacho e
o diâmetro do pseudocaule na bananeira ‘Gros Michel’ não é, normalmente, influenciada por fatores ambientais.
De acordo com Fernandez Caldas et al. (1977), embora o número de pencas seja um bom índice para prever a produção, o diâmetro do pseudocaule apresenta uma correlação maior com o peso do cacho.
Siqueira (1984), constatou a partir de clones da bananeira ‘Prata’, que dentre os caracteres relacionados ao desenvolvimento vegetativo, o diâmetro do pseudocaule, seguido pelo número de folhas no florescimento, foi aquele que mais se correlacionou positivamente com os caracteres da produção. Segundo o autor, é possível, na bananeira ‘Prata’, selecionar genótipos menores sem prejudicar a produção, pois a altura da planta, na maioria dos clones avaliados, não se relacionou com nenhum caráter associado ao rendimento.
A altura da planta não apresentou correlação significativa com a produção em bananeira ‘Prata’ (IUCHI et al., 1979; SIQUEIRA, 1984), embora, Lima Neto et al. (2003), tenham encontrado correlações positivas e significativas para estes caracteres na maioria dos genótipos estudados.
De acordo com Turner (1980), a produtividade em bananeira é função da quantidade de frutos e do peso médio dos frutos da planta.
Jaramillo (1982), estudando diversos caracteres em cachos da bananeira ‘Cavendish Gigante’ com diferentes números de pencas, peso do cacho, peso das pencas, peso dos dedos, número de pencas por cacho e número de dedos por cacho, estimou equações de regressão e verificou que o número de pencas está fortemente correlacionado com o peso do cacho e com o número de frutos por cacho. Pádua (1978), também obteve estimativas positivas e altas para as correlações entre o diâmetro dos frutos e o peso das pencas, o diâmetro dos frutos e o peso do cacho, o comprimento dos frutos e o peso das pencas e o comprimento dos frutos e o peso do cacho em bananeira ‘Prata’.
O número de frutos produzidos por um genótipo é fundamental na determinação do tamanho e do peso do cacho (CARVALHO, 1995). Este caráter está estritamente relacionado com o número de pencas, sendo que o acréscimo de uma penca aumenta o número de frutos em 24,6 % (JARAMILO, 1982). O mesmo autor ainda cita que existe uma correlação bem definida entre o diâmetro do fruto do dedo central da segunda penca e o peso do cacho.
Nos programas de melhoramento genético, é desejável que o peso do cacho e o ciclo da planta estejam negativamente correlacionados, pois o genótipo recomendado deve ser, preferencialmente, produtivo e precoce (LIMA NETO et al., 2003).
Lima Neto et al. (2003), correlacionando caracteres de desenvolvimento e de rendimento de 15 genótipos de bananeira, em quatro ciclos de produção, em Cruz das Almas (BA), verificaram que apesar de uma expressiva flutuação, a associação entre o peso do cacho e o porte da planta, diâmetro do pseudocaule, número de frutos, comprimento dos frutos, peso médio dos frutos é predominantemente positiva e significativa, constituindo-se um indício de que os caracteres estão geneticamente correlacionados. No entanto, a correlação entre peso do cacho e número de folhas funcionais na colheita não apresentaram uma correlação expressiva para um programa de melhoramento genético. A correlação entre o peso do cacho e o número de dias transcorridos do plantio à colheita não mostrou estabilidade em nenhum genótipo avaliado no decorrer dos ciclos.
Os resultados obtidos por Leonel et al. (2004), evidenciaram correlações positivas e significativas entre o número de folhas, altura de plantas e diâmetro do pseudocaule, com o peso das pencas, peso dos frutos da segunda penca e número de frutos da segunda penca para os cultivares Nanicão e Prata Anã. Para ‘Maçã’, as correlações positivas e significativas estatisticamente foram entre o número de folhas e o peso do cacho, diâmetro e comprimento dos frutos da segunda penca. Também foram positivas as correlações entre altura de plantas e o peso das pencas, e o número de frutos por cacho, permitindo concluir um bom crescimento e desenvolvimento dos cultivares de bananeira, na região de Botucatu-SP.
Lima Neto et al. (2003), concluíram que as correlações entre os caracteres envolvendo todos os genótipos ao longo dos quatro ciclos são predominantemente positivas e pouco expressivas, com exceção daquelas verificadas entre o peso do cacho e o número de frutos, entre o número de pencas e o número de frutos, entre o comprimento do fruto e o peso médio dos frutos e entre o peso do cacho e o diâmetro do engaço, que apresentaram uma elevada magnitude, permitindo, em programas de melhoramento genético da bananeira, a obtenção de respostas correlacionadas por seleção.