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A política prevê ações distribuídas em três eixos, que são: Qualificação Territorial; Inovação e Apoio aos Arranjos Produtivos Locais, chamado de APLs, e Gestão Regional e Fortalecimento Institucional.

A Qualificação Territorial compreende projetos de infraestrutura e serviços urbanos de suporte às atividades econômicas priorizadas, como, por exemplo, a questão da acessibilidade, trânsito e transportes, saneamento ambiental, qualificação urbana e ambiental e equipamentos públicos de interesse regional.

No que diz respeito aos APLs, estes estão mais voltados para a área econômica, sobretudo em a ações de fortalecimento e modernização do setor privado do turismo e do calçado, como, por exemplo, capacitação de produtores, geração e difusão tecnológicas, organização, marketing, acesso a mercados e infraestrutura.

O eixo da Gestão Regional e Fortalecimento Institucional inclui projetos e ações nos âmbitos da própria Secretaria, dos municípios envolvidos e das instâncias de representação regional do Cariri Central, com foco na capacitação, assistência técnica, aquisição de bens e equipamentos, gestão ambiental regional e o estímulo à formação de parcerias.

O principal desafio dos gestores públicos da RMC é pensar além das cadeias de demandas municipais e lidar com a heterogeneidade. Compreende-se que a região segue a lógica nacional de desenvolvimento das cidades de médio porte. Apesar de estar acima das estatísticas de crescimento e ser considerado um fenômeno —apenas o Produto Interno Bruto (PIB) de Juazeiro do Norte quase triplicou em um período de cinco anos, passando de R$670 milhões em 2003 para

um R$1,9 bilhão em 2008 — o Cariri ainda tem demandas por serviços básicos de infraestrutura. Em termos de gestão, falta mais interação entre os prefeitos da região.

A maioria das cidades que compõe a região tem basicamente uma economia rural. Por isso, é preciso repensar as prioridades regionais, que atualmente os gestores públicos apontaram como sendo o turismo e a produção industrial de calçados. O território em questão tem potencialidades pulsantes; poderá se fortalecer também como polo de saúde e educação, gerando novos empregos, atraindo imigrantes e investimentos, que deverão impulsionar o processo dinâmico de melhorias e avanços regional, tendo em vista as recentes instalações de universidades e centros hospitalares. Compreende-se que essas atividades são de fundamental importância, mas a região precisa pensar em outros potenciais socioeconômicos.

Neste sentido, observando o Censo de 2010, já se percebe o aumento da renda das famílias e os investimentos governamentais na área de infraestrutura que vem atraindo capital privado para a região. No entanto, não se pode entender o que acontece na região se não olharmos para o Brasil. Ou seja, o desenvolvimento da RMC depende das circunstâncias, das macropolíticas nacional e internacionais e das decisões políticas conjunturais.

Há que se investir ainda na qualidade das gestões municipais, pois a falta de técnicos nestas tem se mostrado uma das grandes dificuldades das administrações públicas. Para superar esses desafios avalia-se que as universidades recentemente territorializadas na região poderão ser instrumentos preponderantes na formação profissional de novos gestores que espera-se aportem subsídios importantes ao eixo contemplados no programa Cariri Central denominado Fortalecimento Institucional.

Com relação ao turismo, o Cariri é um dos principais polos de turismo religioso4 do país, chegando a receber mais de um milhão de turistas anualmente.

Entretanto, a principal dificuldade que impede o incremento do setor ainda é a ausência de um aeroporto capaz de atender à demanda de vôos. Atualmente, o Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes não tem acompanhado o crescimento da

4 Trata-se de turismo capaz de manifestar algum dado de religiosidade. É exatamente na religiosidade – no ato de professar o sistema de crenças chamado de Religião – que o Turismo Religioso pode ser comparado às peregrinações e romarias aos lugares sagrados, em momentos também sagrados.

demanda de passageiros. Falta infraestrutura para um maior fluxo de voos diários. Devido à importância e à evolução do turismo na Região Metropolitana do Cariri, segundo gestores, o governo do estado está destinando ao setor uma atenção especial, por meio do projeto Roteiros da Fé, que está em fase de aprovação, como parte do projeto Cidades do Ceará - Cariri Central. A medida deverá estabelecer a estruturação necessária para um roteiro de peregrinação religiosa na área central de Juazeiro tendo como centro a figura de padre Cícero Romão Batista.

Além dos investimentos no turismo religioso na região, há o seguimento do turismo científico, que vem sendo fortalecido por meio de investimentos do governo do estado, a exemplo do projeto Geopark Araripe, que atrai pesquisadores do mundo inteiro e é considerado como mais uma das soluções para o processo de atração para agregar desenvolvimento à região.

No entanto, compreende-se que não há como pensar o desenvolvimento socioeconômico da região metropolitana de forma isolada, por cidade, mas envolvendo todo o entorno com suas peculiaridades de forma integrada.

É importante destacar que a falta de planejamento urbano, principalmente no triângulo Juazeiro - Crato - Barbalha, especialmente o de Juazeiro, expandiu-se substancialmente e chegou aos limites territoriais. O deslocamento entre as três cidades está incorporado ao cotidiano da população, fazendo com que recebam uma grande quantidade de veículos diariamente. Outro desafio é o tráfego da cidade de Juazeiro para o Crato e vice-versa. Isto tem sido considerado um desafio à mobilidade urbana pela população local e gestores públicos.

Outra crítica se refere à participação dos demais municípios do entorno do Crato Juazeiro Barbalha - CRAJUBAR. Esses municípios do entorno que estão fora do triangulo CRAJUBAR, tem externado, que os benefícios da criação da RMC só viriam a beneficiar as três cidades polos. Espera-se, no entanto, que, através de implementação da RMC, os municípios do entorno possam também atrair mais investimentos federais e obras de infraestrutura impulsionando o desenvolvimento nas demais cidades. Além disso, é necessário haver capacitação dos gestores na temática da governança metropolitana para que saibam como a RMC pode contribuir para os municípios.

Para o Governo do Ceará, os municípios precisam entender que, apesar do suporte dado pela Secretaria das Cidades, quem têm que assumir a gestão da RMC são as próprias prefeituras locais. Na visão da Secretaria, não está havendo

suficiente iniciativa local; falta ainda às prefeituras assumirem efetivamente a causa. O Governo Estadual, através da Secretaria, é que está assumindo e tentando dar suporte à concepção de efetivação da região.

4.3 A Política para a implantação dos componentes que integram o projeto Cariri