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A closer account of the interests of Bangladesh situated in the water of the Ganges:

In document Moral perspectives on water disputes (sider 38-52)

Chapter 2: A consequentialist analysis (Risk-Cost-Benefit Analysis) from a particularistic point of view

C. A closer account of the interests of Bangladesh situated in the water of the Ganges:

Diante da necessidade de analisar o comportamento de membros de outra cultura, Poyatos estabelece um modelo de análise sistemática e progressiva a partir de uma unidade que denominou culturema: “qualquer porção significativa de atividade ou não-atividade cultural percebida por meio de signos sensíveis e inteligíveis com valor simbólico e susceptível de ser dividida em unidades menores ou amalgamada em outras maiores” (1994, v.1, p. 37). Ele propõe a seguinte classificação dos culturemas em quatro fases, como vemos na figura a seguir:

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Figura 2.3. — Análise de uma cultura por meio de seus culturemas16 (Poyatos, 1994, v. 1, p. 38).

Os culturemas básicos correspondem aos dois meios ecológicos fundamentais — o rural e o urbano — e podem ser classificados como culturemas de exteriores ou interiores, além de abranger descrições de uma cultura tal e como a percebemos no primeiro contato, de forma impressionista. A partir destas categorias, podemos definir os culturemas básicos como urbanos-interiores, urbanos-exteriores, rurais-interiores ou rurais-exteriores e acrescentar nossas impressões gerais sobre eles.

Os culturemas primários nos permitem separar os elementos ambientais dos comportamentais, a fim de começar a vislumbrar padrões e temas culturais próprios de uma

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38 cultura. Por exemplo, podemos obter classificações como culturemas urbanos-interiores- comportamentais, urbanos-interiores-ambientais, urbanos-exteriores-comportamentais, urbanos-exteriores-ambientais, entre outras.

Os culturemas secundários nos permitem fazer uma análise mais detalhada dos culturemas primários, dividindo-os em cenários, tais como a casa, a escola, a igreja, o bar etc.

Os culturemas terciários viabilizam um estudo mais profundo dos culturemas secundários em função do sistema sensível através do qual são percebidos, por exemplo: urbano-interior-comportamental-visível ou ‘comportamento visual no bar andaluz’.

Além destas quatro fases, Poyatos distingue fases derivadas para subdividir os culturemas terciários em culturemas menores. Por exemplo, dentro do ‘visual’ podemos focar no ‘vestuário’, na ‘kinésica’ ou na ‘proxêmica’, por exemplo.

Esta análise cultural pode ser integrada ao ensino comunicativo da língua de maneira implícita ou explícita, dependendo do tipo de conteúdo e do nível de proficiência dos aprendentes. Segundo Cestero Mancera (1999, p. 25), durante os primeiros estágios, é conveniente começar com uma apresentação implícita dos hábitos cotidianos inseridos em um contexto comunicativo — onde se revelem, por exemplo, as relações familiares e as formas de vida de uma comunidade — para depois fazer uma apresentação explícita de temas relacionados com a ‘alta’ cultura, partindo dos hábitos mais gerais para chegar progressivamente até os mais específicos (os hábitos ‘menores’). A autora propõe a elaboração de fichas como a que segue para a análise dos culturemas na sala de aula:

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Impressões gerais Impressões particulares

Comportamentos (verbais e não verbais)

Ambiente

Crenças (e possíveis explicações dos comportamentos e do ambiente).

Quadro 2.1. – Ficha para análise de um cenário17 (Cestero Mancera, 1999)

Por exemplo, se quiséssemos analisar uma cena de um filme onde os personagens estão tomando uma cerveja do lado de fora do Café Central, em Madri, poderíamos preencher esta ficha com informações como as que apresentamos a seguir18:

• Impressões gerais: é um ambiente exterior urbano. O nome do local é Café Central e, pela fachada, parece um café antigo. Há várias pessoas sentadas nas mesas da parte exterior do café.

• Impressões particulares: O café parece estar em uma zona comercial ou de escritórios, porque há muita movimentação de carros e pessoas. A julgar pela luz, parecem as primeiras horas da tarde; parece verão, porque as pessoas estão vestidas com roupa sem mangas; há pessoas de terno e pessoas vestidas com roupa mais informal.

17 Tradução nossa.

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• Comportamentos: as pessoas conversam animadamente nas mesas do café e o ruído dos carros e dos transeuntes não parece atrapalhar as conversas; várias pessoas estão bebendo cerveja e umas poucas bebem café; muitas pessoas estão fumando e não têm cinzeiros nas mesas (jogam a guimba no chão); do lado das mesas, muita gente passa andando rápido e conversando alto; as pessoas parecem falar rápido e gesticular muito ao falar.

• Ambiente: confuso, barulhento, pouco espaço entre as mesas (prejudicando a intimidade das conversas).

• Crenças: na Espanha parece normal as pessoas sentarem para tomar uma cerveja em um café. No Brasil, as pessoas geralmente tomam cerveja nos botecos, pois nos cafés não servem bebidas alcoólicas; na Espanha, o hábito de fumar é socialmente aceito, até em lugares públicos com muita gente; do mesmo modo, o consumo de bebidas alcoólicas nos intervalos do trabalho parece normal, pois até as pessoas de terno estão tomando cerveja; os espanhóis não mantêm muita distância interpessoal e não são muito reservados, pois não parecem preocupados com a proximidade das pessoas da mesa do lado, que certamente ouvem suas conversas; os espanhóis falam muito e gesticulam muito enquanto falam.

Este modelo de análise cultural foi adotado, com pequenas adaptações, como metodologia em nossa pesquisa. Nosso objetivo era discutir na sala de aula os aspectos e comportamentos da cultura cubana observados pelos aprendentes durante o visionamento de uma sequência de um filme. Consideramos este procedimento muito útil e produtivo quando bem utilizado pelo professor. Uma análise individual dos comportamentos alheios, a partir dos valores e princípios do observador, não costuma ser formativa, porque não gera situações

41 de conflito nem contraste de pontos de vista. Porém, um estudo construído de forma dialógica e colaborativa pode gerar uma experiência formativa e transformadora para todos os participantes. Em nosso entender, para um melhor aproveitamento didático, o estudo deve estar constituído de várias fases: uma de observação impressionista, outra de reflexão e comparação com a própria cultura e uma posterior constatação dos dados observados mediante o contato direto com pessoas conhecedoras da outra cultura. Esta última fase pode ser combinada com uma proposta etnográfica, como mostramos no próximo item.

In document Moral perspectives on water disputes (sider 38-52)