4.1 General discussion of results
4.1.3 Clinical expression of gingival inflammation
Na interação social, as pessoas agem, de certa forma, movidas pelos rituais presentes no contexto onde interagem, como na escola, por exemplo. Além disso, não se pode negar a eficácia do ritual para demonstrar sentimentos coletivos.
Durkheim (1978) afirma que os ritos nascem nos grupos e suas funções são fazer emergir, manter ou recriar certas ideias atreladas à “religião” desses mesmos grupos. O rito, então, não é uma celebração fechada no tempo e no espaço, antes, porém, transcende as delimitações físicas dos locais onde acontecem. Assim, torna-se importante ampliar conhecimentos acerca do campo ritualístico na escola, pois desconhecê-lo significa ignorar a sua rica demanda cultural.
As instituições das quais as crianças e os jovens fazem parte, tais como a igreja, a família, a escola e os grupos de amigos determinam seus papéis e se reafirmam através dos ritos e rituais, ou seja, determinados símbolos são precípuos à vida social do indivíduo.
A manifestação do humor e das brincadeiras na interação face a face é algo muito comum no cotidiano e também no contexto de sala de aula.
Algumas dessas brincadeiras corresponderiam aos insultos rituais de William Labov (1972): em uma situação precisa, colegas poderiam dizer uns aos outros
“insultos” que revelariam seu pertencimento ao grupo. Alguns alunos são suscetíveis de receber esses “insultos” como se eles fossem verdadeiros porque, por um lado, o
contexto de comunicação não lhes permite compreendê-los como “provocações
amigáveis”, e por outro, porque isso corresponderia à ideia que hoje já está enraizada
de que qualquer insulto figura como bullying.
Labov (1972), em seu artigo Rules for ritual insults, estuda o uso de insultos entre os jovens novaiorquinos de grupos sociais inferiores e/ou marginalizados. Em uma análise detalhada, o autor descreve como funcionam os insultos habituais, explica suas regras, tipos de contrainsultos, avaliação dos ouvintes, as qualidades pejorativas, campos semânticos, as pessoas sujeitas à avaliação negativa etc. Sua conclusão é que alguns insultos pertencem a um tipo de jogo ou ritual em que os participantes sabem que o que é dito não é verdade, igualando-o a uma “brincadeira”, ou superando-o de uma maneira original e inovadora.
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Labov (1972) descreve o sounding como um evento discursivo bem organizado que ocorre com grande frequência na interação verbal de adolescentes negros nos Estados Unidos. Este evento discursivo já havia sido descrito como parte do programa geral de "etnografia da fala", descrita por Hymes (1962).
Sounding é um ritual discursivo que inclui insultos a parentes e insultos pessoais de uma forma mais simples, referindo-se a um atributo ritualizado dessas pessoas. Em seu artigo, Labov tem a oportunidade de ir mais longe e estabelece as regras fundamentais que governam essa “brincadeira” e utiliza esta investigação para alcançar alguma comprreensão mais profunda da análise do discurso. Assim, para entender o significado dos sons e da função desta atividade para os membros de determinada cultura, Labov (1972) descreve regras explícitas de discurso para a produção, interpretação e resposta a insultos rituais.
Para os propósitos da pesquisa, Labov descreve as estruturas sintáticas que servem de base para a construção dos insultos rituais. Ele descreve essas estruturas com exemplos de duas sessões de sounding. Uma delas foi em uma viagem de regresso de uma excursão com os Jets: 13 membros estavam em um microônibus; 180 insultos rituais foram decifrados a partir da gravação feita em um passeio de 35 minutos. A outra era uma sessão com um grupo de cinco Thunderbirds em .que os participantes insultaram uns aos outros: foram registrados 60 insultos rituais nesse grupo.
São identificadas as seguintes estruturas sintáticas para os insultos rituais descritos por Labov (1972):
a) Sua mãe é (como) - Talvez o mais simples de todos os insultos é a comparação ou de identificação da mãe com algo velho, feio, ou bizarro. b) Sua mãe ficou - Igualmente simples de um ponto de vista sintático, é a
série de sons com a forma Sua mãe ficou assim e assim.
c) Sua mãe é tão ____ que ela ____ - Comparações mais complexas são feitas com um quantificador, um adjetivo, e uma frase inserida do tipo b ou outra predicação.
d) Sua mãe come ____ - Retrata a ação direta com os verbos simples. O poder desses sons parece residir na incongruência ou absurdo dos elementos justapostos.
e) Sua mãe te criou no ____ - Este é um padrão específico com sintaxe bastante simples, particularmente eficaz em insultar tanto o adversário e quanto sua mãe.
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f) Eu fui a sua casa ... - Uma série numerosa e importante são insultos
dirigidos contra a família e o estado de pobreza que existe na casa.
g) Outras formas de anedotas - Há muitos outros discursos anedóticos que não se enquadram em um único molde. Alguns são bastante longos e incluem o tipo de detalhe extra, que pode dar a ilusão, no início, que uma história real está sendo contada. Tais narrativas normalmente usam o tipo mais simples de sintaxe, com sujeitos simples e verbos principais no pretérito. A técnica é, portanto, intimamente associada com certos tipos de estilos narrativos em que há suspense, hesitações e o ponto da anedota é adiado para o final da narrativa, quando a avaliação sobre o que está acontecendo acontece, ou seja, se aquilo é verdadeiro ou falso.
h) Retratos - Assim como narrativa apela a sintaxe simples, eventos de fala que apresentam imagens elaboradas exigem complexidade sintática. Os mais comuns são aqueles em que a mãe de alguém é retratada na rua como uma prostituta.
i) Formas absurdas e bizarras - Há uma série de exemplos marcantes que não fazem parte de qualquer padrão óbvio; insultos que apresentam situações absurdas e bizarras, com um mecanismo difícil de analisar.
j) Formulários de resposta: trocadilhos e metáforas – Um evento de fala normalmente é resposta para outro evento de fala, mas há um aspecto formal para essas respostas, que incorporam trocadilhos complexos.
Uma das diferenças mais importantes entre sounding e outros eventos de fala é que a maioria das falas são avaliadas abertamente e imediatamente pelo público. Labov (1972, p. 325) afirma que a marca principal da avaliação positiva é o riso. Podemos avaliar a eficácia de uma fala em uma sessão de grupo pelo número de pessoas que riem. Também aponta que outra forma de avaliação positiva é a interjeição: “Oh!”,
“Oh shit!”, God damn!” ou “Oh lord!” (LABOV, 1972, p. 325), marcada pela
prosódia. Quando a aprovação deve ser assinalada, a vogal de cada palavra é bastante longa, em tom ascendente e lentamente descendente. As mesmas palavras podem ser usadas para expressar reação negativa, ou desgosto, mas, desta forma, a pronúncia é baixa e o tom se mantém. Outro modo, ainda mais contundente de respostas que aprovam é repetição de parte do insulto pelo interlocutor.
A partir dessas descirções do insulto ritual, Labov (1972) aponta três participantes, nesse tipo de evento: antagonista A, antagonista B e o público, em que A
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insulta B, B insulta A e o público avalia positivamente ou negativamente, destacando- se que a avaliação positiva marca o evento como um ritual de interação que evidencia o pertencimento àquele grupo.
A partir das pesquisas de Labov (1972) e Eder, podemos inferir que os insultos rituais não são expressões de descortesia se os participantes da interação estão conscientes das regras: “... devemos pressupor uma competência bem formada por parte dos membros de distinguir insultos rituais de insultos pessoais...” (LABOV, 1972, p. 335).
O insulto, portanto, é uma prática linguística e social. Que fique claro que nosso trabalho pretende descrever como o insulto ritual descrito por Labov torna-se um evento de fala importante na construção do enquadre de brincadeira em sala de aula e não temos, em momento algum, a intenção de julgar as ações dos participantes ou de desmistificar os insultos pessoais, que sabemos, são instrumentos de classificação e de distinções significativas que podem ser usados em conflito, desacordo ou disputa.
Nossa pesquisa tem o objetivo de descrever os momentos em que a conversa institucional sai desse enquadre para o enquadre de uma conversa cotidiana, através da do riso e do insulto ritual.
38 2. PRESSUPOSTOS METODOLÓGICOS
A partir dos pressupostos teóricos apresentados, faremos algumas considerações sobre pesquisa qualitativa, relacionando-a com a Análise da Conversa Etnometodológica, para a qual a interpretação dos dados acontece a partir de uma visão êmica, em que o ponto de vista dos participantes se sobrepõe ao do analista. Na sequência, descrevemos o trabalho de campo apresentando, a observação participante, os participantes e a aula, fazemos uma explanação sobre a geração dos dados e os métodos de análise e, por fim, abordamos algumas questões éticas relacionadas à pesquisa.
2.1. A Pesquisa Qualitativa
A pesquisa qualitativa é um posicionamento metodológico que defende a
agência humana, levando em conta que o ser humano não é passivo, mas interpreta o mundo em que vive continuamente. Os estudiosos que se dedicam a esse tipo de pesquisa são chamados de interpretacionistas (BURREL & MORGAN, 1979) e afirmam que o homem é diferente dos objetos, por isso o seu estudo necessita de uma metodologia que considere essas diferenças. Nesse posicionamento teórico, a vida humana é vista como uma atividade interativa e interpretativa, realizada pelo contato das pessoas. Suas teorias são construídas não do ponto de vista do observador da ação; antes, daquele que age.
Como indicam Burrel & Morgan (1979), a realidade social, para eles, é um processo emergente, uma extensão da consciência humana e da experiência subjetiva, e, por isso, tentam compreender e explicar o mundo social a partir do ponto de vista das pessoas envolvidas nos processos sociais. Os procedimentos metodológicos, então, são do tipo etnográfico como, por exemplo: observação participante, entrevista, história de vida, dentre outros.
Na atualidade, a pesquisa qualitativa vem ganhando espaço em diversas áreas como a educação, a saúde, os campos de estudo da linguagem, a psicologia, dentre outros. Denzin & Lincoln (2006) caracterizam a pesquisa qualitativa como
(...) um conjunto de práticas materiais e interpretativas que dão visibilidade ao mundo. Essas práticas transformam o mundo em uma série de representações, incluindo as notas de campo, as entrevistas, as conversas, as fotografias, as gravações e os lembretes. Nesse nível, a pesquisa qualitativa envolve uma abordagem naturalista, interpretativa, para o mundo, o que significa que seus pesquisadores estudam as coisas em seus cenários naturais, tentando entender, ou interpretar, os fenômenos em termos dos
39 significados que as pessoas a eles conferem (DENZIN & LINCOLN, 2006, p. 17).
Assim, o pesquisador deve ter cuidado ao realizar o trabalho de campo, e, consequentemente, na organização dos dados, pois refletirá na descrição, interpretação e, sobretudo, no resultado final da análise.
Partindo deste princípio, os dois principais suportes teóricos de nossa pesquisa, a Análise da Conversa Etnometodológica e a Sociolinguística Interacional, buscam a compreensão dos processos interacionais e apresentam visões de mundo semelhantes, na medida em que interpretam a construção social do ponto de vista dos participantes, ou seja, a perspectiva êmica. Em estudos de ACE, o foco principal é a busca pelo entendimento dos próprios participantes acerca do que fazem em conjunto a cada instante. Há o reconhecimento de que, para produzirem ações conjuntas sequencialmente organizadas, os próprios participantes precisam demonstrar uns para os outros sua interpretação do que é relevante para eles, a cada micromomento da interação, mediante o uso da linguagem.
Com isso, as análises vão sempre atentar para o que os participantes fazem turno a turno: para produzir uma elocução, o falante precisa fazer isso de modo que revele seu entendimento ou não compreensão do que foi dito e do que foi feito no turno anterior, e assim a cada novo turno subsequente. Portanto, é recorrentemente afirmado que os interesses do analista, externos à interação, não pautem a observação e a análise dos dados, uma vez que, pela análise do uso da linguagem pelos participantes turno a turno, tem-se acesso à perspectiva deles próprios em relação aos seus entendimentos acerca do que está acontecendo naquele momento e o que é relevante para eles.
Desta forma, que fique claro que nosso interesse como pesquisadoras é analisar a construção do enquadre de brincadeira na sala de aula a partir do riso e do insulto ritual sob a perspectiva dos próprios participantes da interação, analisando turno a turno o que eles fazem, momento a momento, libertas de qualquer julgamento dessas ações.
A partir deste enfoque teórico metodológico, existem etapas básicas pelas quais as pesquisas desenvolvidas geralmente passam: 1) geração de dados audiovisuais por meio de gravações em áudio/vídeo; 2) segmentação dos dados relevantes para os interesses de pesquisa; 3) transcrição e análise dos dados.
Mas antes de passarmos para a descrição dessas etapas, faremos um breve relato do contexto do trabalho de campo da pesquisa.
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2.2. Contextualização da pesquisa
Nosso trabalho pode ser considerado de base etnográfica, embora nossa participação em campo tenha se limitado a um curto prazo de tempo, entre os meses de abril a julho de dois mil e quatorze.
Primeiramente, observei e gravei em áudio aulas em uma instituição federal de ensino na qual trabalho, localizada em uma cidade da Zona da Mata mineira, pelo fator tempo e pela oportunidade de estabelecer um contato mais intenso com os participantes. Num período de um mês, observei e gravei aulas da disciplina Biologia5, de dois professores distintos6, no segundo e no terceiro ano do Ensino Médio Técnico Integrado em Agroecologia e no segundo ano do Ensino Médio Técnico Integrado em Eletrotécnica. Entretanto, por motivos diversos, que não vêm ao caso mencionar por razões éticas, não consegui captar nas gravações feitas o tipo de interação a que nos propúnhamos analisar.
A partir de tal constatação, procurei outra escola pública onde pudesse realizar minhas observações e, seguidamente, as gravações em áudio.
Durante o trabalho, tentei assumir uma postura de observadora, buscando permanecer o mais neutra possível dentro das salas de aula, mas minha presença era notada pelos alunos e até pelos professores, que faziam constantes referências a minha presença naquele ambiente. Tive, então, a preocupação de buscar um equilíbrio e um distanciamento para não interferir na relação com o grupo, ou para interferir o mínimo possível. Conversei com os alunos e com os professores para que não se sentissem constrangidos com a minha presença e ocupei um lugar estratégico nas salas de aula
que me tirasse “do foco visual da maioria dos estudantes” e “longe do quadro negro onde escreve o professor” (DURANTI, 2000, p.146). Desde o primeiro encontro
comecei a usar o gravador em cima da mesa do professor e a realizar as gravações em áudio para que os participantes se acostumassem à presença do objeto e a interação transcorresse na maior naturalidade possível.
5 O Projeto de Pesquisa apresentado ao Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da
Universidade Federal de Viçosa (CEP/UFV) propunha a realização da pesquisa em aulas de Biologia, mas tal objeto precisou ser mudado após a emissão do Parecer Consubstanciado emitido pelo CEP/UFV.
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A escolha desses professores foi estritamente porque era de meu conhecimento a construção do enquadre de brincadeira na sala de aula através dos insultos dirigidos aos seus alunos e os risos compartilhados entre professor e alunos a partir dos insultos.
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2.2.1. A escola
A presente pesquisa foi realizada numa escola pública municipal de Ensino fundamental de uma cidade da Zona da Mata mineira, que razões éticas, seu nome e o nome dos participantes serão substituídos por pseudônimos. A confidencialidade dos dados e o anonimato foram respeitados durante todo o período de coleta de dados e o serão na nesta pesquisa e em quaisquer artigos ou relatórios que venham a ser publicados utilizando esses dados.
Por que esta escola foi escolhida?
Por ter trabalhado durante sete anos como professora de Língua Portuguesa do 6º ao 9º ano do Ensino Fundamental nesta escola e conhecer pessoalmente a maioria dos professores que lá trabalham, tornou-se mais fácil o entendimento da pesquisa, uma vez que o pesquisador às vezes é visto como fiscalizador do trabalho do professor e não como um colaborador que poderá trazer novas contribuições para o trabalho em sala de aula.
A escola atua na Educação Básica desde a Educação Infantil até o 9º ano do Ensino Fundamental há 16 anos, atendendo, hoje, cerca de mil alunos. Está localizada num bairro residencial, cujos moradores pertencem, em sua maioria, às classes média e média alta. Entretanto, a maioria dos alunos atendidos pela escola são de bairros periféricos, próximos à escola.
2.2.2. Os participantes
Os participantes desta pesquisa somam vinte e duas pessoas: vinte e um alunos do 8º ano do Ensino Fundamental e uma professora da disciplina Língua Portuguesa.
A escolha pela professora se deu pela boa recepção para a realização da pesquisa e a escolha da turma foi uma consequência da escolha da professora, que leciona nos oitavos anos nesta escola. As observações e gravações foram feitas em outras duas turmas de oitavo ano, mas os dados obtidos a partir da interação nesta turma, especificamente, foram os mais interessantes para a nossa análise.
Os alunos da referida turma têm idades que variam entre treze e dezesseis anos, sendo que a maioria é de repetente do oitavo ano.
Quanto à professora participante, é graduada em Letras, com habilitação em Língua Portuguesa e Língua Inglesa e suas Literaturas, trabalha nesta escola há 15 anos e possui dois cargos no magistério municipal. No turno matutino, atua como
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professora de Língua Portuguesa nos oitavos anos e no turno vespertino, como professora dos anos iniciais do Ensino Fundamental, na mesma escola. Hoje, exerce o cargo de Vice-diretora no segundo cargo (vespertino). Atua no magistério há 23 anos.
Na sala de aula analisada, há uma preocupação quanto à disposição das carteiras, a professora não permite que os alunos sentem em dupla ou grupos e também não permite o empréstimo de algum material esquecido, como livro didático, por exemplo. Há ocorrência de conversas paralelas, mas são muito discretas e não atrapalham a regência da professora.
A propósito, a palavra “regência” é muito adequada para esta professora, que fica de pé praticamente o tempo todo (somente se senta para fazer a chamada ou esperar que os alunos façam a atividade, mas por pouco tempo). Na grande maioria do tempo das aulas, ela fala, lê o livro didático ou corrige as atividades andando pela sala, observando o que os alunos estão fazendo, se não estão realizando algo diferente do que ela propôs para a aula.
São três aulas selecionadas para nossa análise, que aconteceram em dois dias consecutivos, sendo a primeira num dia e as outras duas no dia seguinte, não sendo aulas geminadas, mas uma no primeiro horário, às 07:00, e a outra no terceiro horário, às 08:40.
A professora participante estava retornando à escola, depois de dois meses de férias-prêmio emendadas com um mês de recesso por conta da Copa do Mundo de Futebol.
Na primeira aula gravada, ela conversa com os alunos e fala o resultado das notas de cada aluno em voz alta, aproveitando a oportunidade para realizar um
“sermão” pelo baixo aproveitamento dos alunos durante o período de seu afastamento. Nas duas aulas seguintes, a professora introduz o Capítulo 1, “Com os olhos no céu”, da Unidade 3 do livro didático, que aborda o gênero texto de ficção científica. Os
alunos leem e fazem atividades de interpretação oral e escrita de três fragmentos do
romance de Paulo Rangel (1993), “Os semeadores da Via Láctea”, que narra o
encontro de Alex com os alienígenas. Toda a discussão acerca do tema das aulas gera determinadas formas de brincadeiras e insultos rituais que serão descritos no capítulo três.
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2.3. Geração de dados
Para iniciar a coleta de dados, pedi autorização por escrito aos participantes para que as aulas fossem gravadas e comuniquei que os dados seriam usados em minha pesquisa de mestrado da Universidade Federal de Viçosa, sem mencionar especificamente o que seria analisado, somente explicitando que seria analisada a fala- em-interação em sala de aula.
As gravações ocorreram já a partir da primeira aula, com o objetivo de que a minha presença e a presença do gravador em cima da mesa da professora deixasse logo de causar estranhamento.
Meu objetivo como observadora participante foi criar proximidade e conhecer um pouco as atitudes e comportamentos dos pesquisados. Assim, participei das aulas de Língua Portuguesa e as observei por um período de aproximadamente um mês, a fim de conhecer melhor os participantes e criar proximidade com os mesmos, ao mesmo tempo em que fazia anotações que considerava relevantes para o momento da análise de dados.