2. THE STUDY AREA IN GEOGRAPHIC AND TEMPORAL
2.2 Natural Disasters and their Impacts
2.2.1 Climate Change as a Priority for the Government of
A Cooperativa Agropecuária do Cariri, além de ter conseguido atingir o seu objetivo principal que era melhorar a qualidade de vida dos produtores familiares de leite do município de Caturité, proporcionou também uma série de modificações metodológicas com relação à prática da atividade pecuária. Esta antes era realizada sem muitas preocupações com medidas de higiene, nem com a melhoria do rebanho e, muito menos, com a inserção de práticas mais amigas da natureza. Por outro lado, o crescimento da cooperativa contribuiu também para a efetivação de mudanças sociais e para impulsionar a economia do município de Caturité na medida em que tornou-se um relevante instrumento gerador de empregos diretos e indiretos, no campo e na cidade. Sua influência extrapolou os limites municipais e alcançou vários outros municípios situados próximos a Caturité e que fornecem leite ou comercializam os produtos fabricados na COAPECAL.
16 Pessoa que utilizava os seus próprios transportes para recolher o leite nos currais dos produtores e transportá-
lo para a usina de beneficiamento o que resultava na perda da qualidade necessária do produto que seria industrializado.
91 Segundo Andrade:
A pecuária, uma das principais atividades econômicas do Nordeste, ocupa grandes proporções da área regional, empregando grande parte da população para o abastecimento de alimentos às populações urbanas e rurais e ainda têm grande participação na renda regional (1987, p.98).
Com relação aos empregos diretos, a COAPECAL, emprega formalmente aproximadamente 130 funcionários, que realizam atividades das mais diferenciadas. Entre elas, pode-se citar os funcionários que trabalham na indústria, executando tarefas como: operador de pasteurizador; acondicionador de lacticínio; auxiliar de escritório; auxiliar de pasteurização; promotor de vendas; queijeiro; auxiliar de serviços gerais; secretário; veterinário; doceiro; químico; recepcionista de plataforma; carregador de caminhão; dentre outras variadas profissões (v. quadro 1) .
Foto 2: COAPECAL - Químico da COAPECAL. Arquivo: Eduardo Ernesto do Rego, Caturité, 2009.
Outro segmento que gera emprego no âmbito da cooperativa é a distribuição e o
marketing dos produtos, sendo esses ligados ao escritório central da COAPECAL, situado no
Município de Campina Grande. Com relação à distribuição dos produtos, a empresa dispõe de vários motoristas contratados para essa função que a realizam constantemente, percorrendo os lugares mais longínquos deste estado, com o objetivo de distribuir os produtos no comércio. O pessoal responsável pelo marketing oferece os produtos da cooperativa que receberam a denominação de “Cariri” nos mais variados estabelecimentos comerciais, a exemplo de supermercados, padarias, lanchonetes e outros.
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Quadro 1- Funcionários diretos da COAPECAL e suas funções
Função Quantidade de funcionários
Sócio gerente 01
Sócio gerente industrial 01
Sócio presidente 01
Sócio gerente de produção 01
Operador de pasteurizador 03 Carregador de caminhão 06 Marketing 01 Acondicionador de laticínios 09 Auxiliar de escritório 03 Auxiliar de pasteurização 07 Veterinário 01 Monitor S.S. usuário 02 Promotor de vendas 06 Doceiro 01 Auxiliar de laboratório 01 Motorista 07 Queijeiro 02 Mantegueiro 03 Vendedor 07 Assistente administrativo 10 Vigilante 04
Auxiliar de serviços gerais 10
Office boy 03
Trab. Na fabrica de laticínio 01
Calderista 01 Químico 01 Químico industrial 01 Auxiliar de queijeiro 03 Recepcionista de leite 03 Secretária 02 Mecânico 01 Almoxarife 01 Acondicionador de alimentos 01 Envasador de garrafas 01
93 Servente 02
Envasador de bebida Láctea 01
Rotulador 02
Auxiliar de manutenção 02
Reclicador de lixo 01
Químico 01
Motorista tanque rodoviário 03
Total de funcionários 124
Fonte: COAPECAL, dezembro de 2008.
Em se tratando dos empregos indiretos, também se constata forte expansão principalmente na zona rural do município de Caturité, que concentra como já foi demonstrado, 70% da população municipal. Esses empregos são criados pelos produtores familiares que fornecem o leite dos seus rebanhos para a cooperativa. Devido ao aumento da produção, eles contratam mais trabalhadores para ajudar no processo de ordenha e no tratamento e manejo dos animais. Esses são empregados indiretos, conhecidos pelo nome de vaqueiros (ver foto 3). Só neste segmento de geração de empregos indiretos a cooperativa contabiliza cerca de 1.300 empregados. Este número, segundo os entrevistados, vem crescendo muito rapidamente e tende a aumentar, cada vez mais, devido à crescente expansão da comercialização dos produtos da COAPECAL por outros estados do Nordeste.
Foto 3: COAPECAL - Funcionário indireto da COAPECAL (vaqueiro). Arquivo: Eduardo Ernesto do Rego, Caturité, 2009.
94 Nessa perspectiva, a cooperativa hoje tem contribuído bastante para inserir parcela da população de Caturité e dos municípios que se integram à sua cadeia produtiva, no mercado de trabalho. Assim, tem colaborado para recuperar a auto-estima dessas famílias, na medida em que possibilita a melhoria de sua situação social e econômica. Não se pode negar a importância do Programa Fome Zero nesse processo, pois, foi a partir da inserção da COAPECAL neste programa que se deu seu crescimento efetivo e a conseqüente ampliação do emprego direto e direto de mão-de-obra no seu processo produtivo.
No que diz respeito à organização administrativa da estrutura interna da COAPECAL, a mesma possui uma hierarquia de funções, ou divisão social do trabalho conforme pode ser observado no organograma abaixo.
Organograma Administrativo de Funcionamento Interno da COAPECAL
Essa hierarquia que reproduz o esquema das empresas capitalistas é responsável pela tomada de decisões na cooperativa, sendo também de extrema importância para o seu funcionamento. Dois fatores diferenciam a divisão social do trabalho da cooperativa, da
95 divisão de tarefas de uma empresa capitalista quais sejam: a) a distribuição dos lucros que, no caso da cooperativa, são distribuídos com todos os sócios que participam do empreendimento, ao contrário da empresa capitalista, cujo lucro fica nas mãos de um proprietário capitalista, ou de um pequeno grupo de acionários; b) o direito dos sócios de opinar no processo produtivo da cooperativa, independente do poder aquisitivo de cada um, o que torna a cooperativa pelo menos do ponto de vista teórico, um empreendimento que, na visão da dinâmica estrutural interna se diferencia da organização de uma empresa capitalista.