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2.3 Methods to analyze parallel-group RCTs

2.3.4 cLDA

não vai desenvolver (...)

(...) se for caso de estupro também concordo (em) ser abortado porque ai (É triste!)

Em uma entrevista semi-estruturada (gravada em áudio, no mesmo dia do debate, fita: FA/01 lado B 1º/2007), perguntei à aluna por que, ao produzir o texto oral, ela havia repetido algumas palavras, como, por exemplo, a palavra caso. Ela afirmou que repetiu algumas palavras no texto oral porque estava procurando outras que lhe ajudassem a completar e “melhorar” seu pensamento (como pode ser observado na entrevista abaixo). Já no texto escrito, essa estratégia foi utilizada porque, segundo a educanda, ela não sabia que palavra poderia usar para substitui-la.

Quando fui explorar as produções realizadas pela aluna, pedi que ela lesse o seu texto que fora transcrito por mim. Após a leitura, eu fiz algumas perguntas informais relatadas no diário de bordo:

Episódio 6 – Conversando sobre a presença da repetição no texto da educanda: Pp: por que você repetiu a palavra caso tantas vezes?

A aluna então responde:

Fernanda: a ( pausa média) sei lá( pausa média) acho que foi... ((risos)) Vendo que a aluna não estava conseguindo falar, eu digo:

Ela então diz:

Fernanda: ah, eu não sei explicar não, foi saindo assim... E eu pergunto:

Pp: Você estava nervosa no dia?

Fernanda: tava, a gente fica, a gente não acha as palavras na hora, depois que a gente vai pensar, podia ter falado assim, assim, assim. Na hora dá aquela coisa assim que deixa a gente falar cada coisa.

Depois, eu volto a perguntar:

Pp: quando você repete as palavras como caso, caso. Quando você está repetindo, você está procurando outras palavras, você está procurando melhorar a sua fala, é isso?

A aluna responde:

Fernanda: a gente fica atrás de uma palavra que dá certo, que tenha a ver com aquilo que a gente quer falar, aí a gente fica falando caso, caso...

Continuando a entrevista, eu indago:

Pp: no texto escrito, se você for observar, você só repetiu a palavra caso, você não repetiu a palavra vai, e nem a palavra é. Por que isso ocorreu?

Ela afirma:

Fernanda: porque no texto escrito você pode pensar, falar certo... Logo depois, eu a questiono:

Pp: então no texto escrito, você tem condições de elaborar melhor esse texto? Nesse momento, a aluna diz que no texto escrito, ela tem condições de:

Fernanda: escrever com mais calma, pensar com mais calma, escrever a palavra certinha.

( FA/01 lado B 1º/2007)

Ao observar essa seqüência de perguntas e respostas, verifica-se que a aluna tem consciência de que usou em ambas as produções textuais a estratégia de reforço, porém percebe-se, através de sua fala, que essas repetições não acontecem por acaso, pelas colocações apresentadas acima, entende-se que a repetição acontece quando a educanda procura palavras no seu próprio repertório lingüístico que possam ser substituídas,mas quando não as encontra, acaba repetindo outras que já foram empregadas anteriormente.

Ao prosseguirmos a entrevista, eu lhe perguntei:

Pp:... quando olha para seu texto oral e para seu texto escrito qual você acha que está melhor?

Fernanda: o escrito, porque eu tive a oportunidade de pensar (pausa curta) desenvolver melhor meu pensamento sobre o aborto.

Pela explicação da aluna, o seu texto escrito está melhor que seu texto oral, isso se dá porque, segundo ela, teve mais oportunidade para organizá-lo, para planejá-lo e desenvolvê-lo.

Após a explicação da aluna, eu fiz o seguinte questionamento:

Pp: Fernanda, esse trabalho a gente desenvolveu em três momentos você se lembra? Primeiro, fizemos o debate coletivo sobre o aborto, depois vocês fizeram um texto oral (individual) e depois produziram um texto escrito (também individual) sobre o aborto . Você acha que essa forma foi boa ou seria melhor que eu já chegasse pedindo que vocês escrevessem um texto? Qual das duas formas é melhor?

A aluna olha para mim e responde: Fernanda: melhor? melhor ?((risos)). Diante da dúvida da aluna, eu digo: Pp: pode falar:

Fernanda: as duas formas são boas (pausa curta) mas primeiro o debate depois o texto escrito é bem melhor.

Pp: você acha que o fato de a gente ter falado um pouco sobre o aborto ajudou você escrever seu texto?

Fernanda: sim ajudou... tem coisas que a gente não tem nem idéia, tem palavra que a gente não sabe nem o que quer falar... depois que você explicou eu disse: Ah é isso?

( FA/01 lado B 1º/2007)

Observa-se na fala da aluna que ela apresenta noções de discurso planejado e não planejado.

Segundo OCHS (1979), o discurso não-planejado, caracteriza-se por não ter uma premeditação e por se tratar de um discurso espontâneo.

Para essa autora, no discurso não-planejado, o comunicador não organiza como a idéia será expressa ou como alguns atos verbais serão realizados, antes que a comunicação ocorra.

Quanto ao discurso planejado, a autora acima o define como um discurso que é pensado e organizado antes de ser expresso.

A partir das falas construídas pela educanda, percebe-se que o uso de repetições (estratégia de reforço), seja em textos orais, seja em textos escritos assume funções diferentes, conforme afirma MARCUSCHI (1996 apud FÁVERO, ANDRADE & AQUINO, 2005).

• Estratégia supressora de marcadores conversacionais e de repetição como pode ser verificado no texto escrito, onde a aluna eliminou os marcadores conversacionais, tais como a palavra “né” e as palavras de uso enfático. Ao observar seus textos fica muito claro que o número de repetições diminuem, apesar de ainda existirem algumas.

• Estratégia de paragrafação e de pontuação, já explicadas anteriormente. • Estratégia de padronização escrita, também já explicitada na análise anterior

a essa.

• Estratégia de reforço. Com essa estratégia, a aluna reforça suas idéias repetindo algumas palavras, porém ela repete menos nessa última versão do seu texto que nas versões anteriores.

• Estratégia de inclusão de exemplificação e de explicação, como pode ser observado nos exemplos abaixo:

Episódio 7 – Exemplo de estratégia de inclusão de exemplificação e de