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5. Finite Element Modelling, PLAXIS 2D

5.2 Clay Lateral Extent and Failure Mechanism

O ministro-da-direita Abe no Miushi era um homem de grande fortuna e família próspera. Certa ocasião, ele escreveu uma carta endereçada ao homem chamado Wang-Qing57, que naquele ano passara na região, com seu barco mercante, vindo de Morokoshi, com os seguintes dizeres: "Adquiri e enviai-me a Veste de Pele do Rato-de-Fogo". Escolhendo, dentre os servidores, o mais confiável, enviou a carta através daquele que se chamava Ono no Fusamori. Chegando ao destino com a carta, o servo entregou o dinheiro a Wang-Qing, que ainda se encontrava no litoral. O barqueiro abriu a carta, leu e escreveu a resposta ao ministro-da-direita:

A Veste de Pele de Rato-de-Fogo é algo que não há em meu país. Ainda que tenhais ouvido a respeito, trata-se de algo que nunca vi. Caso haja neste mundo, hei de trazê-la para este país. É um artefato de difícil obtenção. Ainda assim, se por um acaso, acontecer de entrar em Tenjiku, posso, quem sabe, buscá-la na casa de algum abastado. Não havendo tal relíquia, devolverei o dinheiro, através de vosso mensageiro.

O barco de Wan-Qing havia retornado. Ao ouvir que Ono no Fusamori dirigia-se à capital, tomou o cavalo mais veloz e foi buscá-lo, levando apenas sete dias desde Tsukushi. Na carta, lia-se o seguinte:

Envio-vos a Veste de Pele do Rato-de-Fogo, pois finalmente a encontrei, mandando pessoas em seu encalço. No mundo de hoje,

56 Trata-se de mais um trocadilho. Em japonês clássico, havia o verbo tamasakaru, composto de dois elementos: tama (espírito) e sakaru (afastar-se), que significava "estar em estado letárgico devido à partida do espírito". O verbo ilustra o que sucedeu ao príncipe Kuramochi, uma vez constatado que não conseguiria suportar a vergonha do fracasso. No entanto, tama é um termo homófono para joia(s). De modo que, o afastamento (sakaru) diz respeito também às joias que tanto o príncipe quanto Kaguyahime falharam em obter.

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Qīng (ou kei, de acordo com a leitura japonês) não é o prenome da personagem. Trata-se de

33 assim como no mundo antigo, esta pele não é encontrada facilmente. Ouvi o boato de que, no passado, um santo monge de Tenjiku viera a Morokoshi trazendo uma veste, que agora se encontrava num templo das montanhas a oeste. Dirigindo-me à corte, finalmente consegui comprá-la e enviá-la. Através do mensageiro, disse-me o governante encarregado da compra, que o dinheiro enviado não seria suficiente, por isso tive que completar o que faltava. Agora deveis enviar-me cinquenta moedas de ouro. Envia-me a quantia quando o barco retornar. Caso não quiserdes pagar, devolvei-me a Veste de Pele.

– O que estais a dizer? É questão de um pouco mais de dinheiro. Enviarei com certeza. Que alegria, que bom que ele conseguiu – disse o ministro-da-direita ao ver o que estava escrito e, em seguida, ajoelhou-se em reverência, na direção de Morokoshi.

A urna na qual guardaram a Veste de Pele era decorada com uma variedade de belíssimas pedras lápis-lazúli. A cor da Pele era azul konjō58 e na ponta dos fios, brilhava uma luz dourada. Mais do que apenas um artefato imune ao fogo, parecia verdadeiramente um tesouro, de elegância e beleza incomparáveis.

– Sem dúvidas, é digno do gosto de Kaguyahime – disse o ministro-da- direita. – Que admirável!

Tendo dito isso, guardou a Veste de Pele na caixa, arranjou-a junto a um ramo de flores, vestiu-se com belíssimos trajes e com o pensamento de que logo teria abrigo no leito de Kaguyahime, foi-se, levando consigo também um poema. Eis o poema:

34 A veste imune

às chamas inabaláveis enfim consegui.

Com as mangas secas, sem lágrimas hoje, juntos a vestiremos59.

O ministro-da-direita chegou e parou diante do portão da propriedade. O Velho Cortador de Bambus saiu, recebeu a Veste, entrou e mostrou-a para Kaguyahime. Ao olhá-la, ela disse:

– É uma magnífica pele. Porém, desconheço se é verdadeira.

– De qualquer modo, gostaria primeiro de convidá-lo a entrar. Parece ser a pele sem igual no mundo. Por isso, aceitai como verdadeira. Não façais esse homem sofrer – respondeu o Velho Cortador, convidando-o a sentar-se.

Chamando-o assim, a tomar assento, o pensamento de que dessa vez o

casamento se realizaria também estava no coração da velha mãe. O velho pai sofria por vê-la solteira e desejava casá-la com um bom homem.

No entanto, ela o contrariava, e ele não podia forçá-la realmente. Disse, então, Kaguyahime ao Velho:

– Caso a Veste seja colocada no fogo e continue imune às chamas, considerarei que ela é verdadeira e acatarei as palavras dele. Dizei-lhe que sendo algo único no mundo, terei certeza de que é verdadeiro. Assim, irei queimar esta Veste.

– Tendes toda a razão – concordou o velho pai, repetindo, em seguida, as palavras de Kaguyahime ao ministro-da-direita.

– Procurei e achei aquilo que não havia nem em Morokoshi. Tendes alguma dúvida? – Respondeu o ministro-da-direita.

– Mesmo assim, queimai-a no fogo imediatamente – disse.

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Ao atirá-la no fogo, a Veste se incendiou, levantando uma labareda. – A ver pelo resultado, a Pele era falsa – conclui o Velho.

Diante do sucedido, o ministro-da-direita permaneceu sentado, com o rosto da cor de folha da relva.

– Ah! Que felicidade! – alegrou-se Kaguyahime, que enviou a resposta do poema dentro da urna da pele. Dizia o poema o seguinte:

Soubesse eu que arderia até virar cinzas, A Veste de Pele,

fora dos meus pensamentos deixar eu preferiria60.

E assim ele partiu. As pessoas perguntaram: “O ministro-da-direita Abe trouxe a Pele de Rato-de-Fogo e irá morar com Kaguyahime. Ele já está aqui?”. Até que alguém esclareceu: “Lançaram a Veste de Pele ao fogo e ela esturricou até virar cinzas, por isso Kaguyahime não se casará com ele”. Ao tomarem conhecimento disso, passaram a chamar aenashi61 as situações em que não se consegue o pretendido.