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O “mulching” plástico tem contribuído para aumentar o crescimento e rendimento de várias espécies vegetais. Este crescimento e incrementos no rendimento foram atribuídos as mudanças de temperatura do solo e do ar com a utilização do “mulching” como cobertura do solo, ao balanço de água no solo e a disponibilidade de nutriente se comparado com o solo sem cobertura (HAYNES, 1987).

A temperatura do solo pode variar em função do tipo de “mulching” plástico utilizado na cobertura do solo. Geralmente a cobertura do solo com “mulching” transparente apresenta

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PINTO, C.M.F.; LIMA, P.C. de; SALGADO, L.T.; LIMA, P.C.; PICANÇO, M.; PAULA Jr., T.J. de; MOURA, W.M.; BROMMONSCHENKEL, S.R. A cultura da pimenta Capsicum sp. Belo Horizonte: EPAMIG, 1999. 39 p. (Boletim técnico, 56).

maior temperatura que os opacos, seguido pelo “mulching” preto e “mulching” branco (HAYNES, 1987). Streck et al. (1995) também evidenciaram comportamento semelhante entre os “mulches” na Região Sul do Brasil. A cobertura do solo com “mulching” transparente apresenta maior temperatura, seguido pelo “mulching” branco, “mulching” preto e o “mulching” branco-preto (dupla face), independente da profundidade do solo (2, 5, 10 e 20 cm). A causa dessa variação na temperatura do solo ocorre devido a mudanças nos componentes do balanço de radiação, como o albedo e os fluxos de calor sensível, latente e do solo (LIAKATAS et al., 1986). Os materiais transparentes apresentam alta transmitância da radiação solar, sendo mais efetivos no aumento da temperatura do solo que os materiais opacos, dos quais podem possuir alta reflectância ou absorção da radiação solar (ROSENBERG, 1974).

Streck; Schneider e Buriol (1994) demonstraram que os “mulches” opacos (plásticos preto, branco e coloridos em geral, papel, resíduos de petróleo, asfalto e palha) diminuem o fluxo de calor do solo e a amplitude diária da temperatura do solo. “Mulches” transparentes e translúcidos proporcionam maior radiação líquida na superfície do solo e fluxo de calor para o solo e, como conseqüência, as temperaturas mínima e máxima são superiores ao solo sem cobertura.

Al-Karaghouli, Al-Kayssi e Hasson (1990) estudando as propriedades fotométricas (absortância, transmitância e reflectância) do “mulching” plástico de diferentes cores, observaram maior transmitância para radiação global nos “mulches” transparente ≥ vermelho > verde > amarelo > azul > preto. O valor da transmitância do “mulching” vermelho é quase igual ao do transparente, tanto para radiação solar global quanto para radiação infravermelha. Por outro lado, a absortância do “mulching” vermelho, para a radiação global, é menor que no transparente.

Decoteau, Kasperbauer e Hunt (1990) afirmam que as diferentes cores dos “mulches” plásticos afetam o desenvolvimento do pimentão, devido à quantidade e à qualidade da luz refletida e, também, à temperatura do solo. Ao testarem os “mulches” preto, vermelho, amarelo e branco, puderam observar que as plantas cultivadas sob o “mulching” plástico vermelho ficaram mais altas. Os “mulches” mais escuros, preto e vermelho, refletiram uma menor quantidade de luz, e os mais claros, amarelo e branco, registraram menores temperaturas do solo durante a noite.

Os “mulches” plásticos reduzem substancialmente a evaporação de água na superfície do solo, especialmente sob sistemas de irrigação por gotejamento. Associado com a redução na evaporação, em geral, há um aumento na transpiração da vegetação causada pela transferência de calor sensível e radiação da superfície do “mulching” plástico para vegetação adjacente. Normalmente, a evapotranspiração da cultura (ETc) sob “mulching” plástico é aproximadamente 5 a 30% menor que cultivo de vegetais sem cobertura do solo. Embora a taxa de transpiração sob “mulching” possa aumentar em média de 10 a 30% na estação de maior demanda hídrica, se comparado ao solo sem “mulching”, o coeficiente de cultivo diminui em média de 10 a 30% devido a redução de 50 a 80% da evaporação do solo molhado. Geralmente, as taxas de crescimento das culturas e o rendimento aumentam com o uso de “mulches” de plástico (ALLEN et al., 2007).

Amayreh e Al-Abed (2005) em dois anos consecutivo, 2001 e 2002, estimaram o coeficiente da cultura (Kc) do tomate na Jordânia, sob “mulching” plástico preto e sistema de irrigação por gotejamento. O Kc médio na fase de desenvolvimento da cultura foi de 0,82, na fase final 0,46 e durante o ciclo de cultivo 0,69 (sem considerar o Kc da fase inicial), respectivamente, 31, 40 e 36% menor que o Kc da FAO, ajustado para a condição local do experimento e estádios de desenvovimento da cultura (1,19; 0,76 e 1,07). Para os autores, os baixos valores obtidos de Kc refletem o efeito da prática da cobertura do solo com “mulching” plástico e a utilização do sistema de irrigação por gotejamento.

A fertilidade do solo também é influenciada pelo uso do “mulching” plástico, pois este impede que precipitações excessivas infiltrem diretamente na superfície do solo e provoque lixiviação de nutrientes da zona radicular (LAMONT Jr., 1993). Romic et al. (2003) avaliando o efeito de diferentes coberturas do solo na lixiviação do nitrato no cultivo de pimentão. Observaram que no primeiro ano de estudo, a maior quantidade de N lixiviado foi no tratamento sem “mulching” (26 kg.ha-1), seguido pelo tratamento com “mulching” biodegradável (18 kg.ha-1) e por último pelo tratamento com “mulching” preto (10 kg.ha-1). Ressaltam que ao final do ciclo de cultivo o “mulching” biodegradável começou a se decompor, o que resultou em comportamento semelhante ao tratamento sem “mulching”. No segundo ano de avaliação, aconteceram significativas lixiviações após o período de colheita (setembro de 1996). O rendimento do pimentão ficou abaixo da expectativa do cálculo de adubação e a cultura não conseguiu extrair o nitrogênio fornecido, o solo acumulou nitrato

e ficou sujeito a lixiviação causada por precipitação, uma ocorrência regular nas estações de outono e inverno da região mediterrânea da Croácia. Porém, as superfícies com “mulching” mostraram menores quantidades lixiviadas de nitrato em comparação ao tratamento sem “mulching”.

A eficiência do uso do nitrogênio é baixa nas fases iniciais de desenvolvimento do pimentão, principalmente por causa do crescimeto lento nos primeiros 38% da fase de desenvolvimento, onde é absorvido 7% do N total (LOCASCIO et al., 1985). Errebhi et al. (1998) afirmam que o excesso de N aplicado no início da fase de desenvolvimento tem um alto potencial de ser perder por lixiviação. Comumente na fase de estabelecimento de uma cultura é aplicado água em excesso, acima da taxa de evapotranspiração da cultura (ETc), para manter o solo com baixo potencial de água e ajudar no desenvolvimento das raízes (VÁZQUEZ et al., 2006). Segundo os autores, a utilização do “mulching” plástico ajuda a economizar 20% da água exigida pela ETc do tomate, obtida sem a prática da cobertura do solo, e por diminuir a drenagem durante a fase de desenvolvimento da cultura.

Monteiro (2007) estudando a distribuição de nitrato nos solos franco-arenoso e argiloso, utilizando como tratamentos a combinação de cobertura do solo e irrigação por gotejamento subsuperficial, verificou que a profundidade do gotejo a 20 cm da superfície do solo, sem “mulching” plástico, disponibizou mais íons potássio à zona de absorção das raízes no solo franco-arenoso. Para o solo argiloso, o efeito do “mulching” foi mais evidente na distribuição do íon potássio ao redor da zona radicular do que o da profundidade de gotejo, encontrando-se melhores distribuições de potássio no solo, principalmente, nos tratamentos com “mulching”.

O “mulching” plástico proporciona aumento da temperatura e da umidade dos solos o que favorece a atividade microbiana e o aumento da taxa de mineralização da matéria orgânica do solo, proporcionando a nitrificação dos adubos e o aumento da disponibilidade do nitrato (N-NO3) nas camadas mais superficiais do solo (SAMPAIO; FONTES; SEDIYAMA, 1999). Monteiro (2007) também observou maiores concentrações desse íon nas camadas mais superficiais do solo, entre 0 e 4 cm, 4 e 8 cm e 8 e 12 cm.