CONSENTIMIENTO INFORMADO
2.6.2. Citorreducción Radical
Quanto à cultura, Cametá é bastante diversa e rica, sob o foco da cultura popular manifestada através da tradição oral coletiva, qual tem como vetor as lendas, os contos, os “causos”, e mitos amazônicos característicos do município, mas com trações peculiares a mesma característica central desses manifestos dos amazônidas, a exemplo da lenda do boto, um tipo de golfinho de água doce que, em noite de lua cheia, transforma-se em um homem encantador, engravida uma moça outrora virgem e logo depois some no leito do rio para nunca mais voltar. A tradição oral se perpetua ao longo dos tempos, mantendo-se viva, pois as historias contadas em forma de lendas, contos, e mitos misturam-se à realidade dos sujeitos amazônicos, transformadas em “causos” – historias fantásticas contadas pelos sujeitos que dizem ter vivenciado, ou fazer parte do evento fantasioso e real, por assim dizer.
Cametá é ainda referência cultural sob outros aspectos, como a culinária, as danças e as musicas regionais, os ritos religiosos e as festas populares, como descreve Costa (2010 p. 101-102):
além desses existem outros segmentos culturais como: a culinária, com o saboroso mapará com açaí; as danças e músicas regionais, destacadamente o Siriá, reconhecido nacionalmente; o samba-de-cacete, de cunho pagão, acompanhado do ritmo Síria, criado pelo Mestre Cupijó, filho da Terra.
O município possui também manifestações de cunho religioso, como o Bambaê na Vila de Juabá e o Marierrê, da Vila de Carapajó, acrescido das festas populares, como o carnaval e as festas de padroeiros. Mas é nos festejos religiosos, que o município de Cametá expressa de forma mais autêntica a sua cultura popular, elas são muito freqüentes na cidade e no interior. Existe em cada localidade do município e Bairro da cidade um padroeiro. Além da festividade do Santo padroeiro, São João Batista, realizada no mês de junho, entre os dias 14 e 24, com procissão e apresentações de grupos típicos, acontecem outras festividades religiosas importantes no Município, como a festa de Nossa Senhora do Carmo, o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, na Vila do Areião, a festa do Rosário, na Vila de Juaba, acompanhada por manifestações da cultura local e celebrações de cunho religioso, durante a qual é coroada, simbolicamente, a pureza, na figura de um menino e uma menina, vestidos de rei e rainha, respectivamente. Além dessas, acontece a festa de São Benedito, festejada na Vila de Carapajó, sendo que a grande atração nesta é o Marierrê.
Como na maioria das festividades populares de Cametá, o sagrado mistura-se com o profano, como nas festas de santos padroeiros, nas quais se dá o pico da manifestação popular de cada localidade ou distrito do município, tendo como pano de fundo o imaginário popular e a natureza esplendorosa que circunda e faz parte da cidade, considerada pelos que lá vivem e pelos que por lá passaram como “Pérola do Tocantins”, por ser um dos municípios mais antigos e tradicionais do Estado do Pará e, por isso, tombado como patrimônio histórico nacional pela Lei 7.537, de 16 de setembro de 1987, em virtude de sua notável tradição histórica e por ainda manter viva toda a sua riqueza cultural.
Entretanto, tal riqueza vem sendo sucumbida por culturas nacionais e mundiais, a exemplo do carnaval de Cametá, famoso nacionalmente e eleito pela crítica nacional, formadora de opinião através dos meios de comunicação de massa na década passada, como um dos melhores carnavais do Brasil, manifesto pela grande movimentação de turistas nacionais e internacionais no mês de fevereiro, a ponto de duplicar praticamente o numero de habitantes nesta época e por movimentar o capital com mais intensidade neste período.
Tal atração estaria associada a vários aspectos, como a hospitalidade dos cametaenses em receber no seio de sua casa uma pessoa estranha e acolhê-la, na alegria contagiante do povo, e principalmente na miscigenação de manifestações culturais, como o baile de máscaras – tipicamente europeu, o desfile de escolas de samba tradicionais com carros alegóricos requintados e blocos de mais de dois mil brincantes apresentando histórias verídicas de Cametá, como ocorrem nas escolas de samba do Rio de Janeiro e São Paulo, apresentação de grupos folclóricos de danças regionais e, nos últimos anos, o aparecimento e permanência dos blocos de micaretas características do estado da Bahia, como afirma Rodrigues (2005, p. 79):
Quanto ao carnaval, entretanto, observa-se que durante anos a sua configuração mais nativa vem cedendo lugar para as realizações mais oriundas do fenômeno mundial conhecido como globalização, quando os traços de identidade local dão cada vez mais espaço aos chamados modismos do capitalismo, como as micaretas presentes no Brasil todo, transformando a criatividade cultural em homogeneização, que vai desde a fantasia do tipo abadá às músicas carnavalescas como as de blocos da Bahia.
Estas micaretas iniciam em dez sedes dançantes, simultaneamente, as quais comportam um total de, no mínimo, quinhentos brincantes, que no início da noite são conduzidos por um trio elétrico (caminhão com um palco construído no teto para a apresentação de uma banda musical) e, portanto, fazem parte da programação oficial do carnaval, organizada pela prefeitura.
Há também um bloco tradicional popular, ou seja, não precisando pagar um abadá (camisa do bloco da micareta) para participar. Basta se travestir, isto é, os homens travestem- se de mulher e estas de homem. Chegando o bloco a bater recorde de mais de cinco mil pessoas contadas e oficializadas pelo Corpo de Bombeiros da Cidade.
Nestas micaretas toca-se de tudo: axé, samba, pagode, samba-de-cacete, musica eletrônica e o tecnomélody (ritmo mecanizado e mixado, que tem como base a guitarrada – ritmo típico de Belém do Pará), em que este ritmo é apresentado por um DJ ou por uma banda musical.
Portanto, a “marca registrada” da cultura cametaense no que tange as manifestações culturais de massa está cada vez mais eclética, a fim de atender a todos os públicos e a todos os gostos culturais.