4 Narratividad y cierre en Los enamoramientos
4.2 El cierre y su narratividad
No âmbito da formação científica da história, a inserção das unidades curriculares de História e Geo- grafia de Portugal I (HGP I) e de História e Geografia de Portugal II (HGP II), na LEB, e de Temas da História e Geografia de Portugal (THGP) e de Sociedade Cultura e Território (SCT) no MPHGP, visa desenvolver competências científico-didático no campo das Ciências Sociais, em particular no que se refere ao Estudo do Meio Social (à escala local) e à História e à Geografia de Portugal (às escalas regional e nacional).
Nas unidades curriculares pertencentes à LEB, privilegia-se uma abordagem integrada que abarca saberes e métodos históricos e geográficos. A própria designação das unidades curriculares assume, na sua formulação, um diálogo de mútua compreensão entre estas ciências sociais. De entre as muitas definições de História, encontramos a de Bloch (1965), que a definiu como “ciência dos homens … no tempo” (pp. 28-29). Mais tarde, Mendes (1993) destacou a dimensão do coletivo e a dimensão temporal da História, defendendo, contudo, a contemplação de uma outra categoria: o espaço. Para este autor, o espaço, independentemente do tema estudado, estaria sempre presente de forma explícita ou implícita. Efetivamente, toda a investigação histórica carece de um enquadramento no tempo e no espaço (Proença, 1992). O tempo dir-nos-á quando as mudanças ocorrem e o espaço, por sua vez, onde estas tiveram lugar (Battlori, 2011). A tendência de associar o ensino da História ao da Geografia deve-se, em parte, à necessidade de localizar os acontecimentos no tempo e no espaço (Mendes, 1993). Por outro lado, também o estudo do território carece de uma abordagem diacrónica.
No que respeita a HGP I, lecionada no 2.º ano da LEB, o programa prevê o estudo da interinfluência entre as características físicas do território e os processos históricos que conduziram à formação e consolidação da nacionalidade. Assim, numa perspetiva sincrónica e diacrónica, os estudantes poderão desenvolver a sua capacidade de mobilizar ferramentas de análise que lhes permitam compreender (i) as características físicas do território, (ii) as raízes históricas da formação de Portugal e, (iii) as manifestações culturais do passado.
Numa perspetiva espácio-temporal, esta unidade curricular desenvolve-se na interação entre três componentes: o passado histórico, compreendido entre o nascimento do País (século XII) e a introdução do Liberalismo em Portugal (século XIX); os fatores físicos que explicam as diferentes características do território, nomeadamente ao nível do relevo, do clima e da rede hidrográfica; a contextualização da realidade portuguesa nos espaços europa-mundo.
De entre as competências que os estudantes devem adquirir, salienta-se (a) compreender a com- plexidade do mundo contemporâneo a partir do conhecimento científico sustentado numa perspetiva histórico-geográfica; e (b) reconhecer as interinfluências entre as principais características físicas do
território português, e o processo de formação e organização do território nacional. Esta articulação entre os conhecimentos histórico e geográfico é reforçada com o contributo em sala de aula de dois docentes, cada um com formação superior numa das duas disciplinas: a História e a Geografia.
Entre outros objetivos de aprendizagem, no final desta unidade curricular pretende-se que os alunos sejam capazes de mobilizar metodologias investigativas, recorrendo a métodos e técnicas específicos da História e da Geografia, no sentido de promover a sua capacidade de contextualização das práticas educativas e de fundamentação do estudo da realidade social.
Nas aulas, teórico-práticas, está prevista uma articulação entre a exposição das diferentes temá- ticas ao grande grupo, e a exploração e construção de imagens, mapas, gráficos e textos em pequeno grupo. Para além do recurso à metodologia expositiva, são também mobilizadas metodologias ativas que envolvem a participação dos formandos na construção do saber. Esta aposta centra-se no desen- volvimento de competência de recolha, tratamento e análise de fontes documentais e iconográficas, de construção de barras cronológicas e de construção/análise de mapas históricos.
A metodologia de investigação consiste na análise de um objeto de estudo através de diversas técnicas e em diferentes etapas. Segundo esta perspetiva, Vilelas (2009) defende que a investigação parte de um conjunto de ideias sobre as quais o investigador tem interesse em verificar, tendo em conta uma determinada realidade. Como se pode perceber, a dimensão investigativa presente nestas duas unidades curriculares assenta em dois momentos interligados: no primeiro, utilizam-se métodos e técnicas de construção do saber histórico; e no segundo, aplicam-se esses métodos e técnicas do conhecimento histórico em situações pedagógico-didáticas. A análise de fontes históricas (sobretudo documentos escritos e imagens) e a organização do tempo histórico são fundamentais no âmbito da pesquisa histórica e na compreensão dos factos e processos da história. O desenvolvimento de compe- tências de contextualização e temporalidade, que mobilizam os conteúdos programáticos, contribuem para a caracterização dos territórios e a localização no espaço e no tempo dos principais momentos da evolução da sociedade humana.
Na avaliação proposta nas unidades curriculares, o trabalho de grupo é uma opção metodológica central no que toca à importância do conhecimento histórico e ao desenvolvimento das competências da história – pesquisa, tratamento e comunicação da informação –, tal como nos são apresentadas por Mattoso (2002): “o exame do passado através das suas marcas, depois a representação mental que desse exame resulta e, por fim, a produção de um texto escrito ou oral que permite comunicar com outrem” (p. 12). Este elemento avaliativo pressupõe a realização de quatro exercícios (dois relativos à componente de História e dois relativos à componente de Geografia) que tem por base um território. Os territórios selecionados estão associados aos respetivos módulos da unidade curricular, referen- tes aos conteúdos de História e da Geografia que estão definidos. A título de exemplo, na unidade curricular de HGP I, alguns dos territórios passíveis de serem trabalhados à luz da articulação entre os conhecimentos histórico e geográfico, são definidos a partir de uma fonte material: o Castelo de São Jorge, Lisboa (Módulo 4, Portugal medieval: reconquista e a formação de Portugal, séculos VIII- XIV); ou o Palácio-convento de Mafra (Módulo 6, Portugal setecentista: O império luso-brasileiro e monarquia absolutista, séculos XVII-XVIII).
A cada grupo é atribuído um destes territórios que deve ser trabalhado a partir de um guião de análise previamente fornecido. No seu estudo dever-se-ão ter em conta diferentes aspetos: a indicação do nome na atualidade; a sua localização geográfica e administrativa (país, região, município, freguesia, ruas/praças na sua confluência); uma breve descrição do território na atualidade; a sua principal função do local na atualidade (no quotidiano e, eventualmente, em momentos particulares); a caracterização do período histórico para que remete, tendo em conta alguns dos acontecimentos históricos a que ficou associado; e a evolução da sua apropriação humana (se possível, desde a sua fundação até ao presente). Os exercícios pressupõem uma estrutura que deve incluir: i) a construção e caracterização do perfil topográfico do território; ii) a análise de uma imagem relativa a uma paisagem desse mesmo território; iii) a construção de uma cronologia dos principais acontecimentos relativos à ocupação humana do território; e iv) a análise de uma fonte escrita associada à história do território. Na sequência dos exercícios, é feita uma análise reflexiva em que se elabora uma síntese da caracterização do território. No 3.º ano da LEB, este trabalho tem continuidade na unidade curricular de HGP II. Continua-se a aprofundar o exercício de práticas investigativas, no âmbito do estudo do território nacional, no arco
temporal dos séculos XIX e XXI e ensaiando uma caracterização da sua população, espaços urbanos, atividades económicas e infraestruturas.
No entanto os trabalhos de grupo que os estudantes são convidados a realizar centram-se agora em determinados eixos temáticos, a partir dos quais devem (a) realizar quatro exercícios relativos a um dos temas apresentados, dois referentes à componente da geografia e dois à componente da história, cujas orientações específicas serão explicitadas mais detalhadamente em aula e disponibilizadas na plataforma moodle e (b) elaborar uma síntese que caracterize o tema selecionado, destacando a relação das características humanas do território nacional com as mutações espácio-temporais registadas em Portugal entre os séculos XIX e a atualidade.
Entre as temáticas possíveis contam-se as (i) Atividades económicas – agricultura ou indústria ou turismo; (ii) Bem-estar e qualidade de vida; (iii) Cidades; (iv) Educação; (v) Migrações, entre outros. Tal como na HGP I, pretende-se desenvolver uma abordagem integrada, em que se prevê a análise da sociedade portuguesa contemporânea numa perspetiva diacrónica e sincrónica, sendo proposto um trabalho de grupo no qual se pretende mobilizar, articuladamente, conhecimentos e metodologias da História e da Geografia. O trabalho de grupo tem por objetivo trabalhar as competências da História e da Geografia (pesquisa, tratamento e comunicação da informação), a partir de grandes temas que permitam compreender: o passado histórico, compreendido entre o liberalismo (século XIX) e a atualidade (séculos. XIX a XXI); os elementos caracterizadores da sociedade portuguesa na sua dimensão territorial; a contextualização da realidade portuguesa nos espaços Europa-mundo.
No âmbito do MPHGP, na unidade curricular de THGP, a componente investigativa é central no modo como os mestrandos trabalham a História. Pretende-se nesta unidade curricular que: a) aprofundem o estudo e análise de temas do Meio Social, a partir da História e Geografia de Portugal; e que, b) reconheçam as potencialidades da História Local/Regional e da Geografia dos Lugares para o estudo/investigação da História e da Geografia de Portugal. Para tal, é pedido aos estudantes que desenvolvam técnicas e procedimentos de investigação em História e Geografia, na conceção e planificação de um projeto de investigação que parta de um tema da História e da Geografia, sempre com um enfoque local.
Os conteúdos programáticos abordam temas centrais da História portuguesa, como sejam o da formação do país e sua construção identitária, o da expansão marítima e encontro de culturas, o da monarquia absoluta, Antigo Regime e Lisboa pombalina, e o do Estado de Direito entre a sociedade liberal e a República. No campo da Geografia de Portugal, os temas estão relacionados com as dife- rentes escalas e geografias do território, diversidades físicas das paisagens, demografia e organização do território, e urbanidades e ruralidades. Tendo esta unidade curricular um olhar local, abordam-se ainda temáticas ligadas ao património natural, social e cultural, sobretudo numa dimensão histórica e geográfica local.
A estudo do património local assume particular relevância em THGP. Pretende-se que os estudan- tes aprofundem o conhecimento da História e da Geografia de Portugal através de uma abordagem temática que parta dos recursos patrimoniais que o meio oferece. Assim sendo, avaliação desta uni- dade curricular é centrada no desenvolvimento de um trabalho de pesquisa que, partindo de uma questão central, comece por identificar as potencialidades de um território para, depois, trabalhá-las a partir de uma temática/problemática emergente das características desse território, que sustente a planificação e desenvolvimento de um projeto.
Para a realização deste trabalho, os estudantes mobilizam um quadro teórico, a partir da reco- lha de dados, que fundamenta as questões de partida elaboradas, levantando hipóteses explicativas acerca das mesmas. Para a recolha de dados, realizam-se diversas pesquisas documentais em locais muito diversificados, nomeadamente, bibliotecas e arquivos. Para além da consulta de fontes escritas, os estudantes visitam exposições, fazem trabalho de campo no território escolhido, recolhem fontes iconográficas em diversos repositórios fotográficos e fazem entrevistas a pessoas com conhecimento relevante acerca do território.
A segunda unidade curricular, da área da docência do MPHGP – Sociedade, Cultura e Território – tem como principais objetivos: (1) problematizar a realidade social numa perspetiva critica, integrada e totalizante; (2) desenvolver um processo de análise histórico-geográfico a partir da construção de um quadro metodológico e conceptual; (3) construir um discurso analítico, mobilizando vocabulário
histórico-geográfico adequado a uma problemática definida; e (4) mobilizar o conhecimento histórico- geográfico na reflexão crítica de problemas sociais no quadro da cidadania global.
O desenvolvimento da capacidade de problematizar a sociedade promove-se a partir de um conjunto de conceitos que são transversais às diferentes disciplinas das Ciências Sociais. Entre estes, destacam-se os conceitos de facto social total, espaço e tempo, sendo estes dois últimos os conceitos estruturantes na contextualização de qualquer facto social. Deste modo, os estudantes devem reconhecer as dinâmicas que explicam o funcionamento e a evolução dos sistemas sociais, em particular das suas estruturas políticas, económicas, socioculturais e mentais.
Assim, promove-se o desenvolvimento do espírito crítico, competência essencial para o professor intervir de forma consciente na sala de aula, na escola e na sua comunidade. Para a concretização desta intervenção é fundamental desenvolver a capacidade de refletir de forma fundamentada, mobilizando leituras e construindo uma narrativa científica em torno de problemáticas sociais que emergem dos contextos de educação.
Como trabalho final, é esperado dos alunos a redação de um texto, em forma de artigo de cariz científico. Partindo de um tema da História e Geografia selecionado a partir do programa em vigor na disciplina de História e Geografia de Portugal do 2.º CEB, os alunos são convidados a explicitar a sua pertinência no sentido de formar jovens com a competência de saber ler, interpretar e agir no mundo atual.