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1.1 Cicero og hans forfatterskap

1.1.2 Ciceros viktigste verk

Nossa hipótese geral – de que haveria correlação entre os escores dos testes de Resumo, Compreensão Leitora e Consciência Textual entre sujeitos do 5º e 6º ano do Ensino fundamental – foi confirmada no sentido de que houve, sim, uma correlação entre essas três variáveis. Analisando de modo mais detalhado, porém, surge a questão de o quanto essa correlação é importante e encaminha para algumas conclusões, e isso nos remete às hipóteses específicas, tratadas a seguir.

O que observamos em relação às variáveis e hipóteses específicas de nossa pesquisa, está nos próximos parágrafos. A relação entre Compreensão Leitora (CL), Consciência Metatextual (CM) e Resumo (R) se apresentou da seguinte forma, considerando-se as três escolas em conjunto:

- Objetivo “a” e Hipótese “a”: cumprido esse Objetivo e testada essa Hipótese, verificamos que a CM e o R tiveram correlação de 0,44, e que há alguma correlação entre essas variáveis. A correlação, segundo o critério de Cohen (1988), é moderada.

- Objetivo “b” e Hipótese “b”: cumprido esse objetivo e testada essa Hipótese, verificamos que a CL e o R tiveram uma correlação de 0,25, e que a hipótese não foi corroborada, dado o índice fraco de correlação entre essas variáveis, segundo Cohen (idem).

- Objetivo “c” e Hipótese “c”: cumprido esse Objetivo e testada essa Hipótese, verificamos que a CM e a CL tiveram o maior índice de correlação, 0,48. Há maior correlação entre essas variáveis, significando que os sujeitos que tiveram bom desempenho no teste de CL também tendiam a ter bom desempenho no teste de CM. Segundo o critério de Cohen (idem), a correlação é moderada.

Assim, as variáveis CL x CM (0,48) e CM x R (0,44) tiveram suas correlações moderadas, e as variáveis CL x R (0,25) tiveram correlação fraca, de acordo com o que propõe Cohen (1988) para esse tipo de estudo:

Correlação fraca: r = 0,10 – 0,29 Correlação moderada: r = 0,30 – 0,49 Correlação forte: r = 0,50 – 1

As hipóteses específicas, a respeito das correlações em separado entre essas variáveis, demandam um olhar mais atento. A Tabela 6 (página 128), que expõe as correlações gerais dos testes, pode apontar para algumas conclusões.

Vamos procurar explicar as correlações encontradas. Dentro desse espectro “moderado”, o que temos a analisar são as diferenças das três correlações entre si. A maior correlação, referente à Consciência Metatextual e à Compreensão Leitora (r = 0,48), nos sugere que os sujeitos com um bom nível de compreensão leitora tendem a possuir uma consciência sobre textos também interessante. A relação entre esses aspectos também foi investigada por alguns autores, apesar de não haver muitos trabalhos nesse sentido. Entre eles, Cain e Oakhill (1996)23, que tratavam da representação mental de uma narrativa na avaliação da compreensão leitora. Os sujeitos com melhor desempenho em compreensão também tiveram um bom desempenho em testes que envolviam estrutura textual, pois logravam formar uma representação mental integrando os eventos de uma história, de acordo com os conhecimentos que eles tinham sobre narrativas. Como mencionam Spinillo, Mota e Corrêa (2010), a explicação para essa relação seria “porque ambas as habilidades se apoiam em uma representação mental global do texto” (p. 9). Isso nos levaria a acreditar que esse ponto em comum se limitaria a essa explicação, inclusive porque cada uma dessas habilidades (compreensão e consciência) tem focos distintos. Porém, como essas autoras acrescentam, pesquisas que tratam de conteúdo, compreensão e de macroestrutura tratam, de forma indireta, da consciência metatextual. Assim, esta pode ser abrangente, tratando do texto em si como dos

23 CAIN, K.; OAKHILL, J. The nature of the relationship between comprehension skill and the ability to tell a story. British Journal of Developmental Psychology, n. 14, p. 187-201, 1996. Nesse trabalho, os autores analisaram a habilidade metatextual em crianças previamente definidas com níveis de compreensão distintos: mediano, bom e abaixo do esperado.

processos de leitura. Outra pesquisa que abordou compreensão leitora e consciência, mas que teve conclusões distintas, foi a investigação longitudinal na tese de Simões (2002), em que a autora verificou que não havia correlação entre testes dessas duas habilidades, nos dois momentos de coleta dos dados. Considerando esse resultado, Spinillo, Mota e Corrêa (2010) concluem:

(...) as relações entre a consciência metatextual e a compreensão de textos não são tão claras e evidentes assim. Porém, os estudos, ainda que raros,apontam dados interessantes a respeito desta relação. Embora os dados não indiquem haver uma correlação entre conhecimento sobre a estrutura do texto e habilidade de compreensão, as pesquisas mostram haver uma relação entre monitoramento e compreensão de textos e entre o conhecimento geral sobre textos e compreensão de textos. (p. 10)

O que se pode sugerir, pelos dados gerados nesta pesquisa, é que a consciência metatextual permeia atividades relacionadas diretamente à busca de compreensão de um texto, qualquer gênero ou tipo que seja ele. A compreensão leitora, talvez, seja em parte alimentada pela consciência sobre textos, isso dependendo do tipo e do gênero textual com que se trabalha. Estes podem determinar melhor ou pior desempenho na atividade de compreensão – não é arbitrária a escolha pelo professor por textos narrativos, informativos, argumentativos, pois ela depende do grau de complexidade compatível com a idade dos alunos.

Os sujeitos, ao elaborarem um resumo de história, podem ser mais influenciados pela sua consciência metatextual. Eles tomam o texto-fonte como um guia para sua produção escrita, e o reelaboram tendo em vista a forma como ele se apresenta, em termos de superestrutura (início, desenvolvimento, final). Embora as produções escritas sejam deficientes de modo geral, pois a escrita é, reconhecidamente, uma atividade complexa, elas foram amparadas por um texto original, e foram ao encontro do que pretendíamos: analisar superestrutura, autonomia e eventos principais, dispostos em uma macroestrutura advinda do texto original. Podemos estabelecer um paralelo entre a correlação moderada Resumo X Consciência Metatextual e outra correlação moderada, mas dentro do teste de CM – Coerência X Superestrutura (0,36). O Resumo representa a macroestrutura da narrativa, conferida pela coerência global; e a Consciência Metatextual teria relação

estreita com a Superestrutura. Assim, o sujeito tem seu desempenho coerente em se tratando dessas variáveis. O mesmo não se pode dizer da correlação do Resumo com o teste de Compreensão Leitora, abordada mais adiante.

Trataremos de outra correlação, entre Consciência Metatextual e Resumo (r = 0,44), igualmente considerada moderada. Como sugerido no parágrafo anterior a respeito da consciência metatextual, o que podemos concluir é que, como esta de certo modo orienta a leitura e compreensão de textos, também pode exercer essa função junto à tarefa de reescrita de textos, em especial, resumo de narrativas – amplamente marcadas por caracterizações de personagens, situação inicial e final e transformações. A tendência pode ser a de o sujeito reescrever uma história à luz do próprio modelo superestrutural da história, guiando-se pela sua forma e seu conteúdo, relacionado à macroestrutura. Além do impacto da presença de personagens e enredo, que podem criar certa curiosidade no leitor, pesquisa de Teberoski (1995)24 pode reforçar nossa suposição de que a criança procura reproduzir o modelo do que leu. Conforme as conclusões dessa autora, os sujeitos lograram manter as características do texto-fonte relacionadas à fidelidade ao assunto, à sintaxe e ao gênero do texto que foi apresentado. Essa reprodução das características deu-se tanto no nível de conteúdo como no nível de forma.

A correlação menos significativa, ou fraca segundo parâmetros de Cohen (1988), foi entre a Compreensão Leitora e o Resumo. Em dissertação desta autora, em que se comparavam desempenhos entre resumo de texto informativo e teste de compreensão leitora de escolha simples, não se observou uma correlação importante. O mesmo ocorreu comparando-se esses dois testes nesta tese. À semelhança do que se concluiu naquele trabalho de final de curso, percebe-se que, como testes de escolha simples têm caráter pontual em suas questões, eles avaliam habilidades distintas dos sujeitos, têm um formato padrão e têm respostas mais previsíveis, de certa forma. O teste de compreensão leitora, nos moldes em que foi concebido – com questões de escolha simples – não ofereceu subsídios para a escrita de um resumo, talvez por tratar do texto-fonte de forma compartimentada,

24 Teberosky, A. (1995). Compor textos. Em A. Teberosky & L. Tolchinsky (Orgs.) Além da

sem ênfase nos eventos da história. Já o resumo de narrativa é uma reprodução (vide sobre Teberoski em parágrafo anterior), e cabe aqui citarmos Brandão e Spinillo (1998):

Ao reproduzir, a criança precisa ter em mente dois níveis de texto: aquele que serve de modelo e aquele que está a produzir. Portanto, a reprodução requer atenção a um modelo apresentado. Além disso, ao reproduzir é preciso, em certo sentido, selecionar os aspectos do texto original que são relevantes a serem reproduzidos, bem como as relações essenciais entre esses aspectos. (p.15, grifo desta autora)

Acrescentamos que, já que se trata de modelo, trata-se essencialmente de um formato típico – neste nosso caso, narrativo, e que remete à superestrutura, correlacionada com a produção de resumos. As autoras (1998) concluem que há aspectos gerais comuns a qualquer ato de compreender, e que esse fato não exclui a existência de aspectos específicos de determinados testes – como nesta tese, de escolha simples para a Compreensão Leitora. Acreditamos que o fato de essa correlação CL e R ser fraca reforça uma proposta de atividades que possam avaliar habilidades diferentes nos sujeitos, e que sejam vistas como complementares. “Assim, um único instrumento não revela todos os aspectos envolvidos na compreensão, e tarefas distintas podem requerer diferentes mecanismos cognitivos e linguísticos” (idem, p. 15). Trazemos novamente Charolles (1991), que vê o resumo como um teste que avalia as capacidades de compreensão e produção escrita. Sendo também utilizado como uma evidência de compreensão, pode ser colocado lado a lado a outro tipo de teste que trata o texto original de forma mais segmentada, como o teste de escolha simples que aqui utilizamos.