Foi utilizado um questionário eletrónico que permitiu recolher informação da perceção da gestão de topo de 218 organizações acerca de diferentes aspetos relacionados com a GQT, a inovação e o desempenho da organização. Ao tratar-se de um questionário do tipo fechado, a gestão de topo de cada organização selecionou a sua concordância com cada afirmação de acordo com 10 alternativas possíveis (de 1 – totalmente em desacordo a 10 – totalmente de acordo). A utilização de uma escala de 10 pontos está de acordo com Kanji e Wallace (1998) e Fornell e Cha (1994). Os primeiros referem que este tipo de escala contribui para uma maior fiabilidade, os segundos consideram que a utilização de uma escala de 10 pontos, comparativamente com uma de 5 ou 7 pontos, possibilita uma maior discriminação em termos de resposta por parte dos inquiridos, reduzindo os problemas estatísticos de assimetria. O questionário foi submetido a um pré-teste junto de alguns gestores de topo. Este procedimento possibilitou averiguar a existência de algumas falhas, designadamente dificuldades na interpretação das afirmações e avaliação da extensão do questionário, permitindo desenvolver algumas sugestões de melhoria. As variáveis latentes do modelo foram medidas de acordo com um conjunto de indicadores como a seguir de apresenta:
Medição da GQT: Apesar do conceito GQT já ter sido discutido por muitos investigadores, não
existe um instrumento de medida para o avaliar nem qualquer acordo sobre as variáveis que o devem constituir (Sila e Ebrahimpour, 2002). As variáveis geralmente usadas na medição da GQT são inspiradas tanto nos conceitos fundamentais do modelo de excelência da EFQM como nos princípios de gestão da qualidade considerados pelo modelo ISO 9000 (Han et al., 2007; Pinho, 2007; Abrunhosa e Sá, 2008; Hung et al., 2010; Satish e Srinivasan, 2010). Cada investigador mede a GQT com as variáveis que considera mais adequadas ao trabalho de investigação que realiza. Dos indicadores associados à GQT usados em diversos trabalhos de investigação empírica (Han et al., 2007; Pinho, 2007; Hung et al., 2010; Satish e Srinivasan, 2010), são considerados, nesta investigação, os 8 indicadores seguintes: Liderança (LID); focalização no cliente (FOC); envolvimento e desenvolvimento de pessoas (EDP); gestão por processos (GPR); melhoria contínua (MCO); relação com fornecedores (RFO); medição de resultados (MRE); design de produtos (DPR). Para cada indicador foram considerados vários itens (afirmações do questionário) que se encontram listados no anexo I. Foi efetuada análise fatorial (sotware SPSS) para se averiguar se os indicadores e respetivos itens (afirmações) estão em conformidade com a revisão da literatura e os pressupostos considerados na
elaboração do questionário (Abrunhosa e Sá, 2008). O cumprimento do valor de referência (mínimo de 0,500) relativo ao teste Kaiser–Meyer-Olkin (KMO) (Hair et al., 2006) permitiu considerar a análise fatorial adequada ao tratamento dos dados. Da análise fatorial conclui-se que deve ser apenas considerado um indicador para o conjunto de itens associados a cada indicador. Em todos os casos, o valor de Eigenvalue (variância total explicada pelo fator) obtido foi superior a 1 (Hair et al., 2006). Face ao exposto considerou-se que os indicadores são unidimensionais e pela análise fatorial foram calculados os “component scores” para cada indicador, sendo depois usados na abordagem PLS.
Medição da Inovação: O construto inovação foi medido através de 6 indicadores que
representam diversas formas de manifestação da atividade inovadora das organizações. Como indicadores, foram consideradas as 5 variáveis utilizadas por Satish e Srinivasan (2010) (Investigação, Desenvolvimento e inovação tecnológica (IDI); inovação do produto (IPR); inovação do processo (IPC); inovação organizacional (IOR); inovação da gestão (IGE)) e um outro indicador designado de inovação de marketing (IMA), relativo à implementação de um novo método de marketing (OECD, 2005). À semelhança do que aconteceu com a medição da GQT, para alguns indicadores foi considerado mais do que um item. Nestes casos foi seguida a mesma abordagem metodológica com análise fatorial aos indicadores e cálculo dos respetivos “component scores”. Os vários itens considerados na medição de cada indicador encontram- se listados no anexo I.
Medição do Desempenho Financeiro, do Desempenho Organizacional e do Desempenho Operacional: Os três construtos associados ao desempenho da organização foram medidos dos
indicadores propostos por Metts (2007). Foram considerados 3 indicadores para o desempenho financeiro, 4 indicadores para o desempenho organizacional e 3 indicadores para o desempenho operacional. Os indicadores encontram-se listados no anexo I.
5.3.3 Amostra
A investigação foi desenvolvida a partir de dados recolhidos junto da gestão de topo de 218 organizações certificadas de acordo com a norma ISO 9001:2008. O facto de se considerarem organizações certificadas permitiu garantir um certo interesse pelo tema da gestão da qualidade por parte das organizações assim como familiaridade com os conceitos usados no questionário enviado às organizações (Curry e Kadasah, 2002). O facto de ser a gestão de topo a responder ao questionário permitiu de certa forma assegurar a validade interna do estudo, na medida em que se garante um conhecimento abrangente quer das práticas da organização dos domínios da GQT e da inovação quer do desempenho ao nível das três dimensões consideradas: financeira, organizacional e operacional (Taylor e Wright, 2003).
O convite para participação na investigação foi feito através de um email enviado para endereço geral de correio eletrónico de 2054 organizações. Na amostra final obtida constaram
218 questionários (218 organizações) corretamente submetidos. Das organizações participantes na investigação e que assinalaram o setor de atividade a que pertencem, 47% eram organizações industriais e 53% organizações de serviços. Relativamente ao número de colaboradores (resposta obrigatória), 43,1% das organizações tinham entre 10 a 249 colaboradores, 28,9% entre 50 e 250 colaboradores, 15,1 % mais de 250 colaboradores e 12,8% menos de 10 colaboradores.
Segundo Chin (1998 a) e Barclay et al. (1995), o tamanho da amostra recomendável para aplicação do PLS deve ser 10 vezes a maior que cada uma das duas seguintes situações: bloco com maior número de indicadores formativos, ou seja, a maior equação de medição; variável latente dependente com maior número de variáveis latentes independentes com impacto sobre ela, ou seja, a maior equação estrutural. Na presente investigação não existe nenhum bloco com indicadores formativos pelo que a primeira condição não é colocada. Relativamente à segunda, o construto desempenho financeiro tem o maior número de construtos com impacto sobre ele, ou seja 4. Assim, a amostra deverá conter, um mínimo de 40 observações. Atendendo que se conseguiu um total de 218 observações, considera-se adequado aplicar a abordagem PLS.