4.2 Chromatin Immunoprecipitation Optimisation
4.2.2 Chromatin Immunoprecipitation optimisation using α-CTCF
O computador promete, através da tecnologia, uma situação milagrosa de compreensão e unidade universais. A atual tradução de toda a nossa vida para a forma espiritual da informação aparentemente torna todo o globo, e a família humana, uma única consciência.
Marshall Mc Luhan
A idéia de que o computador viria para libertar o trabalhador, liberando-o do serviço tedioso e cansativo, permitindo-o entregar-se a tarefas mais criativas continua sendo uma esperança e não uma prática geral. Conforme Kumar,
Para muitos trabalhadores do setor de informação, a aplicação da nova tecnologia deu prosseguimento à “dinâmica da desqualificação”, intrínseca aos princípios taylorianos, complementados como estes foram pelo controle técnico mais rígido, tornado possível pela linha de montagem móvel da fábrica fordista (2006, p. 59).
Acontece que os funcionários dos escritórios tornaram-se “escravos do computador”, assim como os trabalhadores da pós-modernidade estão dependentes das redes, das informações “on line”, sendo massacrados pela necessidade de respostas rápidas à interminável lista de e-mails diários que lotam a caixa de entrada de seus computadores e celulares. A urgência gera a ansiedade, sentimento que está presente no “DNA das empresas em rede”. A criatividade se concentra na produção de “pacotes” e de “softwares” “que podem em seguida ser facilmente implementados por programadores” (KUMAR, 2006, p. 62).
A necessidade de urgência transforma todos em iguais, o tempo de cada um passa a ser o mesmo, não há diferenças entre as pessoas.
Para Friedman (2005) a sociedade do conhecimento baseada na competição “rebaixa todos ao mesmo nível, tornando o mundo mais fechado, dando aos indivíduos a sensação de aprisionamento e perda da liberdade” (p. 452). É o que ocorre nas empresas, quando as diferenças individuais são identificadas e utilizadas como pré-requisitos para estruturar cargos e competências, podendo ser rapidamente mudadas, de acordo com os novos objetivos da organização e das novas tecnologias de gestão demandadas pelo mercado. Pode estar ocorrendo uma estranheza entre a necessidade de inovação, através de rápidas mudanças, e a padronização.
Como enfoca Kumar (2006) é possível ter motivos para duvidar, genericamente, se a força de trabalho está aumentando em perícia e autonomia. “Na medida em que o taylorismo continua a ser o princípio dominante ainda, a tecnologia da informação possui maior potencial de proletarizar do que de profissionalizar o trabalhador” (p. 64). Dessa maneira esse processo pode ser disfarçado com grande eficiência por estatísticas ocupacionais, que sugerem uma força de trabalho mais culta e treinada, e o conhecido processo da inflação de rótulos de emprego e autopromoção ocupacional podem criar a impressão, inteiramente errônea, de crescimento de uma sociedade mais culta.
Nesse ambiente, novas propostas como as de Lévy (2000), por exemplo, que aponta para um futuro criado pela construção de uma “inteligência coletiva” onde as dimensões éticas e estéticas são tão importantes quanto os aspectos tecnológicos ou organizacionais, podem apresentar-se como verdadeiras utopias. “A construção ou reconstrução do laço social é especialmente sensível ao momento em que grupos
humanos implodem, cancerizam-se, perdem seus pontos de referência e vêem suas identidades se desagregar” (p. 27). Além disso, para o autor:
Em nossas interações com as coisas, desenvolvemos competências; por meio de nossas relações com os signos e com a informação adquirimos conhecimentos; em relação com os outros, mediante iniciação e transmissão, fazemos viver o saber. Competência, conhecimento e saber (que podem dizer respeito aos mesmos objetos) são três modos complementares do negócio cognitivo, e se transformam, constantemente, uns nos outros (LÉVY, 2000, p. 27).
Na percepção de Lévy as identidades se transformariam em “identidades do saber” e as conseqüências éticas dessa nova instituição da subjetividade seriam imensas. A condição de compreender que um sabe algo que o outro não sabe, colocaria os indivíduos em igual condição, pois o conhecimento seria percebido como algo que agrega e não como fator de exclusão. O outro, que pode ser o colega de trabalho, a partir dessa lógica, deixa de ser uma ameaça, um concorrente, alguém que poderá tomar o lugar de alguém e passa a ser aquele que sabe tanto quanto qualquer um.
Na mesma linha de pensamento, Harvey (2006) mostra que a condição pós- moderna passa por uma súbita evolução, como se estivesse alcançando um “ponto de autodissolução em alguma coisa diferente”:
Há uma renovação do materialismo histórico e do projeto do iluminismo. Através do primeiro, podemos começar a compreender a pós-modernidade como condição histórico-geográfica. Com essa base crítica, torna-se possível lançar um contra-ataque da narrativa contra a imagem, da ética contra a estética e de um projeto de Vir-a-Ser em vez de Ser, buscando a unidade no interior da diferença, embora um contexto em que o poder da imagem e da estética, os problemas de compreensão do tempo-espaço e a importância da geopolítica e da alteridade sejam claramente entendidos (2006, p. 325-326).
O que poderia estar ocorrendo nesse momento é a tendência a louvar a cultura de massa e o consumismo. É algo que se ajusta ao estilo de vida e aos interesses de muitos membros da nova classe média (KUMAR, 2006). Em outro extremo pode estar a tendência a se erguer contra as correntes da cultura capitalista. Isso tem respaldado muitos dos movimentos sociais que têm por base reivindicações ligadas a sexo, localidade, ecologia e etnicidade. “A globalização em si significa não só padronização e dependência, mas também criação de um novo cosmopolitismo e consciência global” (KUMAR, 2006, p. 226).
Existem novas práticas representantes de uma lógica ainda inerente ao modelo capitalista. Funcionários mais preparados podem estar disfarçando um ator supostamente mais evoluído em sua capacidade de perceber o mundo. No entanto, o saber individual, enquanto possibilidade dos sujeitos de se desenvolverem, efetivamente, a partir das suas diferenças, ainda não é assim percebido no cotidiano das empresas que vivem a competitividade.