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RESEARCH DESIGN AND METHODOLOGY

4. Research Design

4.3 Choice of Qualitative Research

Conforme Crepani et al. (1996) esta metodologia foi desenvolvida a partir do conceito de Ecodinâmica de Tricart (1977), com base na relação morfogênese/pedogênese e da potencialidade para estudos integrados das imagens TM-LANDSAT, uma vez que permitem uma visão sinótica e holística da paisagem.

Para Crepani et al. (1996) ao se analisar uma unidade de paisagem natural é necessário conhecer sua gênese, constituição física, forma e estágio de evolução, bem como o tipo de cobertura vegetal que sobre ela se desenvolve. Estas informações são fornecidas pela geologia, geomorfologia, pedologia e fitogeografia e precisam ser integradas para que se tenha um relatório fiel do comportamento de unidade frente à sua ocupação.

Finalmente, é necessário o auxílio da climatologia para que se conheçam algumas características climáticas da região onde se localiza a unidade de paisagem, a fim de que se anteveja o seu comportamento frente às alterações impostas pela ocupação.

De acordo com Tricart (1977) a análise morfodinâmica das unidades de paisagem natural pode ser feita a partir dos princípios da Ecodinâmica que estabelece uma relação entre os processos de morfogênese/pedogênese. Quando predomina a morfogênese prevalecem os processos erosivos modificadores das formas de relevo, e quando predomina a pedogênese prevalecem os processos formadores de solos.

Conforme a metodologia proposta por Tricart (1977) apud Crepani et al. (1996), a geomorfologia oferece para a caracterização da estabilidade das unidades de paisagem natural, as informações relativas à Morfometria que influenciam de maneira marcante os processos ecodinâmicos.

6 – CARACTERIZAÇÃO GERAL DA GEODIVERSIDADE DO ESTADO DE MATO GROSSO

A necessidade do conhecimento da geodiversidade de determinada região, possibilita a identificação áreas aptas e restritas de uso do meio físico, assim como os impactos oriundos de seu uso inadequado. Torna-se possível também, ampliar as possibilidades de melhor conhecer os recursos minerais, os riscos geológicos e as paisagens naturais de determinada região por meio dos tipos específicos de rochas, relevo, solos e clima. Assim, obtêm-se um diagnóstico do meio físico e de sua capacidade de suporte para auxiliar atividades produtivas sustentáveis.

Para Moraes (2010) o conhecimento da geodiversidade de uma região implica o conhecimento de suas rochas, portanto, nesse caso específico, a rocha, constituindo-se em um granitóide, mostraria aptidões para aproveitamento do material como rocha ornamental ou brita para construção civil em áreas próximas. O relevo ondulado e a pouca espessura do solo (figura 04 seriam outros fatores para auxiliar no desenvolvimento dessa atividade. Deve-se considerar, ainda, que, se essa rocha possuir alto grau de fraturamento, é provável que se soltem blocos, tornando arriscada a ocupação de áreas próximas a essas ocorrências

FONTE: MORAES (2010)

Figura 04: Morro em rocha cristalina (MT).

Em outro exemplo, (Moraes, 2010) que tem-se uma área plana (planície de inundação de um rio) cujo terreno é constituído por areias e argilas, com possível presença de turfas e argilas moles. Nessa situação, os espessos pacotes de areia viabilizam a exploração desse material para construção civil. Os grandes rios também possuem alto potencial turístico e são amplamente utilizados para pesca esportiva e lazer, principalmente nos períodos secos, quando formam praias devido ao baixo nível de suas águas (Figura 05).

FONTE: MORAES (2010) Figura 05: Rio Xingu e parte de sua planície de inundação, MT.

No estudo da geodiversidade do Estado do Mato Grosso, é importante a observação do uso e ocupação dos terrenos. É comum a presença de áreas que apresentam solos pouco coesos ou muito rasos. Nesses casos, a vegetação é fundamental para frear o processo erosivo. Quando há desmatamento, os solos ficam expostos à ação das chuvas. Nas áreas desmatadas, observam-se diversos pontos com ocorrência de processos erosivos superficiais e profundos (Figura 06). (MORAES, 2010).

FONTE: MORAES (2010) Figura 06: Área impactada por processos erosivos, MT.

As unidades geológicas presentes no estado do Mato Grosso, segundo a classificação do Mapa Geológico do Estado do Mato Grosso, escala 1:1.000.000 (LACERDA FILHO et al., 2004), foram enquadradas em 54 unidades geológico-ambientais, que, por sua vez, agrupam-se em 18 domínios geológicos. Esses diversos domínios geológicos e as unidades geológico-ambientais relacionadas, quando associadas ao relevo, podem apresentar diferentes respostas frente ao uso e à ocupação do território (Figura 07). (MORAES, 2010).

FONTE: MORAES (2010)

Figura 08: Distribuição espacial das unidades geológico-ambientais no estado do Mato Grosso.

Com o objetivo de contribuir para a elaboração das macro diretrizes do planejamento estadual, apresenta-se, a seguir, a origem dos geossistemas formadores do território mato- grossense (domínios geológico-ambientais) ao longo do tempo geológico e seus aspectos relevantes sobre as adequabilidades/potencialidades e limitações de cada unidade geológico- ambiental, frente ao uso e ocupação do território. (MORAES, 2010).

6.1. Domínio das Coberturas Cenozóicas Detrito-Lateríticas (DCDL)

6.1.1 Elementos de Definição e Área de Ocorrência

Esse domínio ocorre sob a forma de extensas superfícies planas, de interflúvios tabulares, distribuídas nas porções central e centro-oeste do estado do Mato Grosso, principalmente na região do vale do Guaporé (Figura 08). Dentre as unidades geológico- ambientais que o compõem, a que ocorre no estado é o horizonte laterítico in situ (DCDLi).

Fonte: MORAES (2010) Figura 19: Distribuição areal do domínio DCDL no estado do Mato Grosso.

6.1.2. Geologia

Um perfil laterítico é formado pela ação da variação lenta do nível do lençol freático e é composto, da base para o topo, pelo saprólito, que ainda preserva propriedades da rocha que o originou, seguido de horizonte pálido, que foi lixiviado pela ação oscilatória do nível da água (mais expressivo em perfis maturos). Sobreposto, tem-se um horizonte mosqueado seguido de uma crosta concrecionária ferruginosa e de Latossolo arenoargiloso. No estado do Mato Grosso, observam-se principalmente perfis lateríticos imaturos, localmente maturos.

As superfícies aplainadas que representam esse domínio são constituídas por solos argilo-arenosos de tonalidade avermelhada, podendo conter concreções ferruginosas (que constituem a parte superior do perfil e sustentam as porções mais elevadas do relevo), além de níveis de argilas coloridas e areias inconsolidadas. Nas encostas, aflora a parte mediana do perfil laterítico (horizonte mosqueado), que pode estar parcialmente recoberta por colúvios- alúvios arenoargilosos (LACERDA FILHO et al., 2004).

6.1.3. Formas de Relevo

O domínio de coberturas lateríticas se apresenta na forma de extensas superfícies aplainadas (Figura 09). As porções em que o perfil laterítico é mais evoluído apresentam o horizonte superior (concrecionário) sustentando as áreas mais altas do relevo (Figura 10). Nesse caso, os tipos de relevo mais comuns encontrados são planaltos, chapadas e platôs e, subordinadamente, podem representar terraços fluviais. As partes baixas do relevo são compostas predominantemente por solo argiloso do horizonte mosqueado. Nesse caso, são observadas, predominantemente, superfícies aplainadas retocadas, colinas amplas e suaves e colinas dissecadas e morros baixos.

Fonte: MORAES (2010) Figura 09: Superfície aplainada (domínio DCDL).

Fonte: MORAES (2010) Figura 10: Quebra de relevo no horizonte laterítico (visada do topo da unidade para a parte baixa).

6.1.4. Características, Adequabilidades e Limitações Frente ao Uso e à Ocupação

Esse domínio ocorre sob a forma de grandes superfícies planas, sustentadas por carapaças endurecidas, que são recobertas por latossolo arenoargiloso, representantes do nível superior do horizonte laterítico. Tal horizonte possui baixa erosividade natural e boa estabilidade em taludes de corte; em contrapartida, possui alta resistência ao corte e à penetração.

Os solos costumam apresentar fertilidade natural muito baixa e, normalmente, contêm excesso de alumínio, portanto, são bastante ácidos. Por outro lado, o relevo plano e a ausência de seixos favorecem a mecanização da agricultura que, com a apropriada correção do solo, pode se desenvolver normalmente. Como exemplo bem-sucedido de produção agrícola em áreas de coberturas lateríticas, tem-se os municípios de Sapezal e Campos de Júlio, portadores de extensas áreas de produção de algodão (Figura 11).

Fonte: MORAES (2010) Figura 11: Plantio extensivo de algodão (domínio DCDL).

Nas porções centrais dos platôs, o nível do lençol freático é raso, o que, associado à alta permeabilidade das crostas lateríticas, aumenta a vulnerabilidade dos aqüíferos subjacentes. Já nas bordas da unidade, onde há exposição do horizonte mosqueado, os solos argilosos tornam o processo de infiltração mais lento e protegem o lençol freático de possíveis contaminantes.

6.1.5. Potencial Mineral

O potencial mineral desse domínio está diretamente relacionado às características químicas e mineralógicas das rochas sobre as quais ele se desenvolve. Possui, portanto, potencial para existência de mineralizações secundárias diversas. As mais comuns são de bauxita (alumínio) e níquel laterítico (garnierita), que ocorrem em horizontes lateríticos bem desenvolvidos, além de minério de ferro (horizonte concrecionário), caulim (horizonte pálido) e depósitos de manganês, em decorrência do próprio processo de laterização que lixivia e concentra determinados elementos em diferentes níveis do solo. Em depósitos sulfetados primários podem ocorrer mineralizações secundárias de cobre (gossans).

A porção basal do horizonte concrecionário apresenta características físico-químicas especiais para utilização nas bases de estradas. Quando há formação de blocos, pode ser usado como pedra de cantaria e de revestimento.

6.1.6. Potencial Geoturístico

A morfologia desse domínio apresenta regiões de beleza cênica, que podem ser exploradas para o turismo ecológico, como caminhadas e cavalgadas.

6.2. Domínio das Sequências Sedimentares Proterozóicas Dobradas, Metamorfizadas de