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CHEMICAL CHARACTERIZATION OF'PARTICULATES BY

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Se tal como afirmam Barros et al. (2011, p. 2), a Terminologia tem como objecto de estudo o conceito, porquanto constitui uma disciplina diacrónica e sincronicamente ligada ao conhecimento: Terminology is a knowledge-related

discipline whose object of study is the concept62, será também verdade que, para além do conceito, fazem parte do objecto de estudo a denominação, assim como as relações que se estabelecem no interior dos sistemas conceptuais e dos sistemas denominativos, no seio de determinada área de especialidade. A dimensão conceptual da Terminologia visa a representação formal do conhecimento de uma dada área de especialidade, de modo a defini-la e circunscrevê-la face a áreas do saber conexas. A dimensão linguístico-comunicativa da Terminologia, por seu turno, visa a representação linguística e a descrição sócio-pragmática dos termos sustentando-se numa descrição textual. Um trabalho terminológico será sempre coerente conquanto descreve explicitamente o nível de análise em que se propõe observar e manipular os dados empíricos.

Como sustenta Popper (1959, p. 66): Theories are nets cast to catch what we call ‘the world’: to rationalize, to explain, and to master it. We endeavour to make the mesh ever finer and finer. Qualquer disciplina procura captar a realidade complexa do domínio que estuda, visando compreender, reconstituir e criar modelos que permitam prever fenómenos relacionados. Apesar do reconhecimento da importância das teorias e das escolas de Terminologia para a construção de uma identidade, a revisão crítica da

62Sublinhado nosso.

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complexidade argumentativa patente na literatura subjacente a este capítulo leva-nos a subscrever as percepções de Wright & Budin (1997, p. 3), conquanto os investigadores optam por assumir uma perspectiva politeórica e polimetodológica, revelando-se adversos à designação de escolas. Do seu ponto de vista:

/…/ such enumeration tend to perpetuate theoretical, linguistic and cultural biases that contribute to divise positions. Our approach to the problem has been consistently holistic, reflecting our desire to cull the best of all quarters, drawing

on experts in a variety of subfields and geographical areas63.

O exposto dá corpo a uma visão integradora da Terminologia: /…/ a philosophical view of terminology considers it to be an open and integrative science because it may be presented as a complex of theories64 (Alexeeva, 2003, p. 67). Dentro desse complexo, procuraremos seguir os aportes orientados para a utilização do sistema linguístico na sua vertente da langue d’intellection, o que não tem como consequência ignorar a langue d’usage, mas utilizá-la como um meio para apreender a dimensão conceptual e não como um fim em si mesmo65.

Com efeito, é imperativo reforçar que enveredar por um enquadramento teórico-metodológico de base conceptual implica, em nosso entender, valorizar o papel da língua enquanto instrumento organizador do pensamento. Recordemos a este propósito as palavras de Lavoisier (1787, p. 356), na óptica de alguns, o grande precursor da Terminologia moderna66:

63Sublinhado nosso.

64 Sublinhado nosso.

65 Designações de Roche (2012, p. 20).

66 Em colaboração íntima com vários químicos e colegas da Academia Real das Ciências de Paris, Lavoisier levou a cabo, em 1787, uma das maiores rupturas com a tradição, a reforma da linguagem química [Méthode de Nomenclature Chimique] (1787). Trata-se de uma obra emblemática da história da química, no âmbito da qual o papel da língua/palavra na ciência foi claramente reconhecido - são as

palavras que guardam as ideias e que as transmitem: /.../ comme ce sont des mots qui conservent les idées et qui les transmettent, il en résulte qu’il serait impossible de perfectionner la science si on n’en perfectionnait la langue, et que, quelque vrais que fussent les faits, quelque justes que fussent les idées qu’ils auraient fait naître, ils ne transmettraient encore que des impressions fausses sin on n’avait pas des expressions exactes pour les rendre.

Traduzido pela primeira vez para português, no âmbito das comemorações do Ano Internacional da Química, em 2011, por Fontes da Costa, o Manifesto para uma Nova Química - O Discurso Preliminar

do Traité Élémentaires de Chimie de Lavoisier constituiu-se um documento emblemático em prol de uma nova forma de ensinar, de compreender de e praticar esta disciplina. De acordo com Fontes da Costa (2011, p. 30-31): É também nas palavras que reside a dificuldade de implantação da química como

ciência autónoma. A linguagem obscura, alegórica e não uniforme dificulta a comunicação e os processos de entendimento. O mesmo nome podia ser utilizado na designação de substâncias distintas e nomes diferentes na denominação da mesma substância. À medida que começa a aumentar o número de substâncias conhecidas, passa a sentir-se uma crescente necessidade de uma reforma na terminologia

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Les langues n’ont pas seulement pour object, comme on le croit communément, d'exprimer par de signes des idées et des images; ce sont, de plus, de véritabes méthodes analytiques, à l' áide desquelles nous procédons du connu à l'inconnu67.

Em boa verdade, é esse o nosso posicionamento: perspectivamos a língua como um método analítico, tendo, neste contexto, um forte valor instrumental, não na dimensão que Depecker (2002, p. 14) lhe atribui, mas dada a sua componente cognoscitiva, facilitadora das operações do espírito, a qual permite ao sujeito investigador passar do familiar ao ignoto (Lavoisier, 1787, p. 357):

Mais si les langues sont de véritables instruments que les hommes se sont formés

pour faciliter les opérations de leur esprit, il est important que ces instruments

soient des meilleurs qu'il est possible, et c'est travailler véritablement à l'avancement des sciences que de s'attacher à les perfectionner68.

A nossa opção residirá em valorizar a vertente conceptual, por entender que as manifestações linguísticas no plano do texto, per se, são relevantes, mas se tomadas isoladamente, insuficientes para capturar e representar a complexidade de um objecto cultural e dinâmico como se afigura ser o nosso objecto de análise: <o blended learning>. Como advertem Costa et al. (2012, p. 13): The need for a conceptual organization has to do with the indispensability of moving away from linguistic manifestations to better encompass the concepts that exist regardless of language69.

Na esteira deste presuposto, perguntar-se-á: Estaremos a negligenciar o termo, enquanto parte integrante do objecto de estudo da Terminologia? Não sendo - numa lógica de cortesia conversacional - muito curial responder a uma pergunta com uma outra pergunta, o registo académico permite fazê-lo: O que se define então em Terminologia? O termo ou o conceito? Vézina sistematiza o ponto de vista que neste trabalho subscrevemos (2009, p. 6):

Ce serait oublier que le mot terme ne renvoie pas uniquement à une unité formelle, à une dénomination. Du moment de sa création, un terme acquiert une

utilizada.

67 Sublinhado nosso. 68 Sublinhado nosso. 69Sublinhado nosso.

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signification, il s’attache à un concept dans un domaine particulier. Par conséquent, le terme est inséparable du concept qu’il désigne70.

Incidiremos, como tal, na vertente conceptual do termo, convicta do valor da relação que este sustém com a designação que o materializa linguisticamente.

70 Sublinhado nosso.

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CAPÍTULO II - A PRAXIS DO TERMINÓLOGO NUMA OPÇÃO DE

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