6.3 Log Size
6.4.2 Checksumming
O estudo sobre a contabilidade do crescimento brasileiro que se segue utilizou dados compilados a partir de várias fontes. Usamos a série de estoque de capital de máquinas e equipamentos, elaborada pelo autor5 a partir dos dados de formação bruto de capital físico preparados pelo IPEA, os dados de produto real também elaborados pelo IPEA6, e os dados de pessoal empregado compilado pelo GGDC (Groningen Growth and Development Centre) na 10-Sector Database7. Procedemos ao cálculo do resíduo de Solow nos moldes do artigo de 1957, ou seja, calculamos a PTF a partir de
Optamos por não incorporar capital humano pela tendo em vista que de um lado os dados disponíveis são bastante precários para períodos anteriores a 1970. Por outro lado, os dados disponíveis a partir de 1970 apresentam uma expansão do capital humano, mas falham em captar mudanças na qualidade do ensino. Em todo caso, o trabalho de Ferreira, Jr e Gomes (2008) indicam que a incorporação de capital humano não muda de forma significativa a estimativa da PTF, apresentando apenas uma menor PTF a partir dos anos 1980. Porém Barbosa-Filho, Pessôa e Veloso (2009), procurando obter a partir dos salários uma medida de capital humana ponderada pela qualidade, apontaram para um efeito insignificante do capital humano sobre o crescimento da PTF entre 1992 e 2007.
A natureza das variáveis gera dificuldades teóricas e a elas devemos acrescentar as dificuldades de ordem prática: o conceito relevante de fator de produção é quantidade deste fator efetivamente em uso. Assim, o estoque de capital e a população economicamente ativa deveriam ser ponderados por alguma variável que nos forneça uma medida aproximada de capital em uso e horas trabalhadas. A escolha dos dados e do tratamento destes implica a escolha do erro menos grave em vista do problema em análise. Solow (1957) julgou ser um
5 Usamos o método consagrado de inventário perpétuo cuja descrição pode ser encontrada, dentre outras fontes,
em Gomes, Abreu e Veloso (2003).
6 A elaboração do IPEA é importante devido à mudança na metodologia das contas nacionais em anos recentes, o
que leva a problemas de compatibilidade entre a série nova e antiga.
7 Essa opção deve-se ao trabalho de compatibilização dos dados da PEA com os dados do Censo Demográfico
erro grave não ponderar o estoque de capital por uma medida, ainda que precária e demandando hipóteses heróicas, de desemprego. Bacha e Bonelli (2005) utilizaram uma estimativa de taxa de emprego do capital dada pela capacidade utilizada da indústria (FGV) ajustada no período em que essa variável é disponível (1970-2006), considerando que 35% da produção seja do setor agropecuário em permanente pleno emprego e tomando o ano de 1973 como o pico de utilização da capacidade. Para o resto da amostra eles retropolaram os dados a partir de uma regressão entre a capacidade utilizada e o crescimento do produto industrial. Ambos os métodos utilizados tem conseqüências que julgamos igualmente graves, uma vez que nos parece natural que o próprio conceito de produto potencial, implícito no argumento, seja também determinado pelo progresso técnico e pelas instituições, não sendo estável ao longo do tempo como atesta a Figura 6 discutida na próxima seção. Dessa forma, usou-se o número de pessoas empregadas e o estoque de capital não ponderado, optando assim por analisar a evolução da PTF apenas em termos de suas grandes tendências.
Por fim, usamos o parâmetro que é um valor citado na literatura ( Gomes, Abreu e Veloso (2003)). Nosso exercício procedeu ao cálculo da produtividade total dos fatores e sua taxa de variação ( ) usando o estoque de capital somente de máquinas e equipamentos, os motivos dessa opção serão discutidos nas seções seguintes. Apresentamos abaixo a estimativa da produtividade total dos fatores para o Brasil.
Das figuras 3 e 4 podemos observar a irregularidade da PTF ao longo desse período. A qualidade e a agregação dos dados são em parte responsáveis por essa irregularidade sendo outra fonte os ciclos econômicos. Na Figura 3 temos o pico da PTF em 1979, mas essa data é sensível a mudanças nas variáveis, por exemplo, usando a População Economicamente Ativa o pico se desloca para 1973. Embora tenhamos essa incerteza quanto a data, não há dúvida que esse pico ocorreu nos anos 1970 como apontado em Gomes, Abreu e Veloso (2003) ou Ferreira, Jr e Gomes (2008) usando outras formas alternativas de medir a PTF.
Figura 3 – PTF brasileira normalizada (1950=1)
Fonte: GGDC, IPEADATA e elaboração do autor.
Na figura 4 apresentamos uma tendência na forma de média móvel de 7 anos na tentativa de eliminar os ciclos de curto prazo e ao mesmo tempo reter os ciclo de médio prazo. Podemos distinguir quatro ciclos de crescimento da PTF: o primeiro nos anos 1950, um segundo principiando em 1966 e culminando em 1973, um terceiro entre 1992 e 1998 e o último de 2002 em diante. Chama a atenção a intensidade dos dois primeiros ciclos em relação aos dois últimos, bem como o grande hiato, a chamada década perdida, entre o segundo e o terceiro ciclo. 0 0.5 1 1.5 2 2.5 3 3.5 1950 1951 1952 1953 1954 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007
Figura 4 – Resíduo de Solow e sua tendência (média móvel 7 anos) Fonte: GGDC, IPEADATA e elaboração do autor.
Entre 1950 e 1976, temos um período de intensa mudança estrutural na economia brasileira e os elevados valores do crescimento da produtividade. Timmer e Vries (2007) apresentam estimativas da contribuição setorial ao crescimento da produtividade que indicam que entre 1966 e 1980 a contribuição do crescimento do setor industrial foi expressiva. Entre 1976 e 1982 temos um segundo período de industrialização, II PND, com forte presença do estado, investimento em indústrias de alta intensidade de capital e grande endividamento externo. O esforço de redirecionamento da economia se mostrou na redução da produtividade nesse. O posterior declínio é marcado pelo período de hiperinflação, moratória da dívida externa e a transição democrática. O restante da figura representa outro período de mudança estrutural onde o Brasil recupera a estabilidade monetária e temos a abertura da economia ao comércio e as privatizações. Esse período é caracterizado por uma fraca recuperação da PTF. O ciclo atual da economia brasileira pode não ter se encerrado com a crise mundial em 2009, mas mantém o mesmo padrão do ciclo anterior, restando dúvida se ele poderá ser um ciclo longo de crescimento sustentado ou se terá a duração típica dos ciclos anteriores de menos de uma década. -0.12 -0.1 -0.08 -0.06 -0.04 -0.02 0 0.02 0.04 0.06 0.08 1950 1951 1952 1953 1954 1955 1956 1957 1958 1959 1960 1961 1962 1963 1964 1965 1966 1967 1968 1969 1970 1971 1972 1973 1974 1975 1976 1977 1978 1979 1980 1981 1982 1983 1984 1985 1986 1987 1988 1989 1990 1991 1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004 2005 2006 2007 Resíduo de Solow Tendência do Resíduo