Seguidamente será descrito o historial clínico das duas crianças que fazem parte dos estudos de caso individuais, nomeadamente o Da. e o Af., sendo também apresentados os dados relevantes acerca do estudo de caso de grupo, do Projeto Redes Ativas II. As informações foram retiradas dos processos individuais de cada sujeito e recolhidas junto das técnicas responsáveis pelos casos.
Da.
O Da. é uma criança do género masculino, nascido em 2010, com 3 anos de idade. Vive com os pais e a irmã, de 8 anos.
Não foram destacadas quaisquer intercorrências no período de gestação, parto ou pós- parto. Relativamente ao desenvolvimento psicomotor, o Da. fez as aquisições dentro do período considerado normativo. Tem tido um desenvolvimento saudável.
As primeiras preocupações surgiram após ter completado 2 anos, quando entrou para o infantário, devido ao atraso na aquisição de linguagem, brincadeiras repetitivas e disfuncionais (e.g., alinhar e empilhar objetos), baixa tolerância à frustração, entre outras características comportamentais.
Pelas particularidades acima enumeradas, foi pedida uma avaliação pela Neuropediatra, a fim de realizar o despiste de uma PEA e caracterizar o perfil de desenvolvimento da criança.
Para a referida avaliação, realizada em janeiro de 2013, foram utilizados os seguintes instrumentos: Entrevista Semiestruturada aos pais com base no ADI-R (Rutter, et al., 2003); ADOS-2 (Lord, et al., 2012); Escala de Avaliação do Desenvolvimento de Griffiths (Luiz, et al., 2007); Questionário de Informações da Educadora e Questionário do Comportamento da criança (avaliações informais do CADIn). Para além da avaliação formal, foi ainda tida em conta a observação realizada em janeiro e fevereiro de 2013. Desta forma, através da avaliação feita à criança e das informações dadas pela família e educadora, concluiu-se que o Da. apresentava um quadro clínico compatível com o de PEA. No entanto, há que ressalvar que, apesar do quadro de PEA, o Da. ainda se encontra numa idade precoce e apresenta muitas competências que utiliza de forma funcional e adequada. Assim, é importante ir acompanhando e avaliando a evolução das suas áreas fortes e fracas e o seu impacto na qualidade de vida e integração social e escolar do Da..
As áreas onde a criança apresenta maiores competências dizem respeito à Locomoção, Coordenação Olho-mão, Realização, Regulação da Interação e da Comunicação (i.e., conservação do contacto ocular, utilização espontânea de gestos e manutenção de alguns ciclos de comunicação). Já as suas maiores dificuldades relacionam-se com a Interação Social e a Comunicação, especialmente as Competências Pré-comunicativas e a Comunicação Expressiva, assim como a área Pessoal-Social.
Atualmente, o Da. é acompanhado no CADIn uma vez por semana por uma TSEER e uma vez por semana por uma Terapeuta da Fala.
Af.
O Af. é uma criança do género masculino, nascido em 2006, com 7 anos de idade. Vive com os pais e a irmã, de 2 anos.
Não são destacadas quaisquer intercorrências no período de gestação, parto ou pós- parto. Relativamente ao desenvolvimento psicomotor, o Af. fez as aquisições dentro do período considerado normativo. Tem tido um desenvolvimento saudável.
As primeiras preocupações surgiram após ter completado 3 anos, tendo sido realizado uma avaliação do desenvolvimento no Hospital Garcia de Orta (HGO), que demonstrou um comprometimento relevante em todas as áreas avaliadas: Motora, Pessoal-Social, Audição-Linguagem, Coordenação Óculomotora e de Realização. Desta forma, através da avaliação feita à criança concluiu-se que apresentava um quadro clínico compatível com o de PEA.
De acordo com a informação dada pelos técnicos do HGO que seguiam a criança em Psicologia, Terapia da Fala e Psicomotricidade, o Af. mostrava-se uma criança com um contacto indiferenciado, que nem sempre respondia ao nome. Gostava de explorar o espaço envolvente, tinha um grande interesse por animais e era capaz de se manter nas atividades de interesse por tempo ilimitado, recusando aquelas que não lhe interessavam.
Em 2011, já com 5 anos, o Af. começou a ser acompanhado no CADIn, em Neuropediatria. É referido que é uma criança que interage muito pouco, não responde a perguntas simples, faz birras graves e apresenta estereotipias. Começou a ser acompanhado também pela Terapeuta da Fala e pela TSEER.
Foi realizada nova avaliação em outubro de 2013, a fim de avaliar o comportamento adaptativo da criança. Desta forma, foi aplicada a Escala de Comportamento Adaptativo de Vineland (Sparrow, et al., 2005) que permitiu verificar que os domínios onde a criança apresentava maiores competências diziam respeito às atividades de vida diária doméstica e à motricidade. Já as suas maiores dificuldades relacionavam-se com a comunicação, e socialização. Relativamente aos comportamentos desajustados, estes apresentavam uma importância relativa.
Atualmente, o Af. é acompanhado no CADIn uma vez por semana por uma TSEER e uma vez por semana por uma Terapeuta da Fala.
Redes Ativas II
O grupo do Projeto Redes Ativas II é constituído por 10 jovens, com diagnóstico de PEA de nível 1, sendo um do género feminino e os restantes do género masculino. Têm idades compreendidas entre os 15 e os 24 anos, ao qual corresponde uma média de 20 anos de idade. Estes jovens moram maioritariamente em concelhos do distrito de Lisboa, vindo apenas um do distrito de Leiria.
Relativamente à escolaridade de cada um, todos têm pelo menos o 9º ano, pelo que dois dos jovens estão ainda a terminar o secundário, três estão a frequentar um curso profissional e outros dois seguiram para cursos superiores. Os restantes três jovens terminaram o seu percurso académico com o secundário concluído, estando um a trabalhar, um a realizar uma formação profissional numa Cooperativa de Educação e Reabilitação dos Cidadãos com Incapacidade (CERCI) e outro desempregado, em casa. Antes de participarem em qualquer tipo de sessões de grupo, seis dos jovens usufruíram de intervenção individual entre 1 mês a 1 ano, tendo três deles ingressado posteriormente na primeira edição do projeto e os outros três apenas na segunda edição. Os restantes quatro elementos entraram diretamente para uma intervenção em grupo, dois para o Redes Ativas I e dois para o Redes Ativas II. Desta forma, cinco dos dez jovens já haviam participado na primeira edição do projeto.