Para a combinação dos atributos predisponente, inicialmente definiram-se os graus da probabilidade aos movimentos de massa gravitacionais e respectivas características a serem adotadas. Tomaram-se, como base para esta classificação, as referências Silva et al. (1995), Ministério da Cidades (2006) e URBEL (PBH, 2007b), apresentadas pela Tabela 4.2.
Inclusive, as características dos graus de intensidades mostradas na Tabela 4.2 geralmente são aplicadas para a região Sudeste na busca de uma uniformização dos dados, para futuras comparações.
Tabela 4.2 – Critérios adotados para definição do grau de probabilidade de ocorrência de movimentos de massa em BH.
Grau da
probabilidade Características
Baixo a Inexistente
(B)
Os condicionantes geológico-geotécnicos predisponentes e o nível de intervenção no setor são de baixa potencialidade para o desenvolvimento de processos de escorregamentos e solapamentos. Não há indícios de desenvolvimento de processos destrutivos em encostas e em margens de drenagens. É a condição menos crítica.
Médio (M)
Os condicionantes geológico-geotécnicos predisponentes e o nível de intervenção no setor são de baixa potencialidade para o desenvolvimento de processos de escorregamentos e solapamentos.Observa-se a presença de alguma(s) evidência(s) de instabilidade (encostas e margens de drenagens), porém incipiente(s). Mantidas as condições existentes, é reduzida a possibilidade de ocorrência de eventos destrutivos durante episódios de chuvas intensas e prolongadas.
Alto (A)
Os condicionantes geológico-geotécnicos predisponentes e o nível de intervenção no setor são de média potencialidade para o desenvolvimento de processos de escorregamentos e solapamentos.Observa-se a presença de significativa(s) evidência(s) de instabilidade (trincas no solo, degraus de abatimento em taludes, etc.). Mantidas as condições existentes, é perfeitamente possível a ocorrência de eventos destrutivos durante episódios de chuvas intensas e prolongadas.
Muito Alto (MA)
Os condicionantes geológico-geotécnicos predisponentes e o nível de intervenção no setor são de elevada potencialidade para o desenvolvimento de processos de escorregamentos e solapamentos. As evidências de instabilidade (trincas no solo, degraus de abatimento em taludes, trincas em moradias ou em muros de contenção, árvores ou postes inclinados, cicatrizes de escorregamento, feições erosivas, proximidade da moradia em relação ao córrego, etc.) são expressivas e estão presentes em grande número e/ou magnitude. É a condição mais crítica.
Em Silva et al. (1995), para avaliar qualitativa e quantitativamente a intensidade do evento, levantaram alguns problemas de caráter prático, como a necessidade de trabalhar com níveis contínuos de susceptibilidade, ou seja, intermediários aos extremos de susceptibilidade desprezível ao de susceptibilidade muito elevada, e que fosse de fácil comparação futura e com outras metodologias.
Na Tabela 4.3, inicialmente apresentam-se as classes dos condicionantes geológicos (com base na Tabela 4.1) e geomorfológicos (com base nas Figuras 4.2 e 4.3).
A seguir têm-se as combinações entre estas classes, atribuindo-se os respectivos graus de probabilidade da ocorrência do evento natural em questão: movimentos de massa gravitacionais.
Observa-se que a coluna “movimento de massa” da Tabela 4.3, foi subdividida em outras duas: escorregamentos de solo e queda de rochas e detritos. Essa opção foi adotada pela maior frequência de ocorrência desses tipos de movimentos de massa gravitacionais em BH. Na caracterização destes movimentos apoiou-se em Hutchinson (1988).
O preenchimento da Tabela 4.3 teve como base, o julgamento dos profissionais encarregados do mapeamento de risco da PBH-URBEL (Tuler et al., 2007b). Nesta atividade, foram consideradas as referências Silva et al. (1995), Xavier (1996), Viana (2000), Carvalho (2001), Costa (2002), Parizzi (2004), PBH (2007a), PBH (2007b), Tuler et al. (2007b), PBH (2008) e outros; além da experiência adquirida em vários anos de atividade em áreas de risco da equipe da URBEL e SMURBE, bem como, de visitas técnicas ao campo.
No Capítulo 5 são apresentadas e discutidas as cartas de zoneamento das susceptibilidades aos movimentos de massa, obtidas pelos graus de intensidades atribuídos na Tabela 4.3 (Figuras 5.1, 5.2 e 5.3).
1 Topo M
2 Encosta (0 - 30%) M (Quadrante SE) e B (Demais quadrantes) 3 Encosta (30 - 47%) A (Quadrante SE) e M (Demais quadrantes) 4 Encosta (> 47%) MA (Quadrante SE) e A (Demais quadrantes)
5 Baixada B 1 Topo M 2 Encosta (0 - 30%) M 3 Encosta (30 - 47%) A 4 Encosta (> 47%) MA 5 Baixada B 1 Topo B 2 Encosta (0 - 30%) B 3 Encosta (30 - 47%) M 4 Encosta (> 47%) A 5 Baixada B 1 Topo M
2 Encosta (0 - 30%) M (Quadrante SE) e B (Demais quadrantes) 3 Encosta (30 - 47%) A (Quadrante SE) e M (Demais quadrantes) 4 Encosta (> 47%) MA (Quadrante SE) e A (Demais quadrantes)
5 Baixada B 1 Topo B 2 Encosta (0 - 30%) B 3 Encosta (30 - 47%) M 4 Encosta (> 47%) A 5 Baixada B 1 Topo M B 2 Encosta (0 - 30%) M B 3 Encosta (30 - 47%) A B 4 Encosta (> 47%) MA M 5 Baixada B B 1 Topo B M 2 Encosta (0 - 30%) B M 3 Encosta (30 - 47%) M A 4 Encosta (> 47%) A MA 5 Baixada B B 1 Topo M B 2 Encosta (0 - 30%) M B 3 Encosta (30 - 47%) A M 4 Encosta (> 47%) MA M 5 Baixada B B 1 Topo M B 2 Encosta (0 - 30%) M B 3 Encosta (30 - 47%) A B 4 Encosta (> 47%) MA M 5 Baixada B B 1 Topo B M 2 Encosta (0 - 30%) B M 3 Encosta (30 - 47%) M A 4 Encosta (> 47%) A MA 5 Baixada B B 1 Topo M B 2 Encosta (0 - 30%) M B 3 Encosta (30 - 47%) A M 4 Encosta (> 47%) MA M 5 Baixada B B 1 Topo M B 2 Encosta (0 - 30%) M B 3 Encosta (30 - 47%) A B 4 Encosta (> 47%) MA M 5 Baixada B B 1 Topo B M 2 Encosta (0 - 30%) B M 3 Encosta (30 - 47%) M A 4 Encosta (> 47%) A MA 5 Baixada B B 1 Topo M B 2 Encosta (0 - 30%) M B 3 Encosta (30 - 47%) A M 4 Encosta (> 47%) MA M 5 Baixada B B 3
Filito dolomítico da Formação Gandarela, de coloração ocre, muito alterado a decomposto. Extensamente recoberto por depósitos de vertente e alúvio-coluviais nas
baixas encostas e nos vales.
Espesso manto de intemperismo em perfil bem desenvolvido
Condicionantes Geológicos (Tabela 3.14) Condicionantes Geomorfológicos (Figuras 3.37 e 3.38) 5
Filitos róseos, pardos, cinzento- carbonosos, medianamente alterados a decompostos das Formações Fecho do Funil e Barreiro e do Grupo Sabará. 2 Dolomito da Formação Gandarela, são a
pouco alterado. 1
Itabirito da Formação Cauê: rocha constituída de lâminas alternadamente
silicosas e hematíticas; pouco a medianamente alterada.
4
Intercalações centimétricas a métricas de quartzito e filito da Formação Cercadinho. Ocasionalmente recoberto de depósitos de
vertente e freqüentemente de terras descartadas.
Gnaisse com bandamento bem marcado mostrando bandas centimétrica a métricas,
granulação variando de fina a grossa e composto essencialmente por quartzo, feldspato e biotita
(Tipo 1). 6
Aflorantes em estado são a pouco alterado
Manto de intemperismo variável em espessura e baixo grau de evolução
pedológica Gnaisse milonítico com bandamento fino,
granulação fina a média, fraturado, com presença de minerais estirados e grande quantidade de minerais micáceos
(Tipo 2). 7
Aflorantes em estado são a pouco alterado
Manto de intemperismo variável em espessura e baixo grau de evolução
pedológica
Aflorantes em estado são a pouco alterado
Manto de intemperismo variável em espessura e baixo grau de evolução
pedológica Espesso manto de intemperismo em
perfil bem desenvolvido
Espesso manto de intemperismo em perfil bem desenvolvido
M
Gnaisse de granulação grossa e com predominância de quartzo e feldspato
(Tipo 3). 8
M
M (Quadrante SE) e B (Demais quadrantes) A (Quadrante SE) e M (Demais quadrantes) MA (Quadrante SE) e A (Demais quadrantes)
B B B
Intensidades da susceptibilidade aos movimento de massa
B M
M (Quadrante SE) e B (Demais quadrantes) M
M (Quadrante SE) e B (Demais quadrantes) A (Quadrante SE) e M (Demais quadrantes) MA (Quadrante SE) e A (Demais quadrantes)
M (Quadrante SE) e B (Demais quadrantes) A (Quadrante SE) e M (Demais quadrantes)
Escorregamento de solo Queda de rocha e detritos
MA (Quadrante SE) e A (Demais quadrantes) B
A (Quadrante SE) e M (Demais quadrantes) MA (Quadrante SE) e A (Demais quadrantes)
B M A B