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Sumney, em sua obra Identifying Paul’s Opponents, examina os trabalhos relevantes de

importantes representantes de várias hipóteses sobre os oponentes de 2 Coríntios, oferecendo uma crítica dos métodos usados nesses levantamentos. Apesar do enfoque da obra estar no método, técnicas e procedimentos, formas de lidar com o texto que permitem a esses representantes identificar os oponentes de 2 Coríntios, eles também sumarizam informações que instruem sobre esses rivais, de forma clara, tentando identificar passagens que legitimam essas informações.

Embora se reconheça a importância da obra de Sumney como um todo, o enfoque a ser abordado são as conclusões tiradas de cada participante ou do grupo deles. As importantes hipóteses sobre os oponentes em 2 Coríntios estão contidas dentro de quatro grupos básicos: Judaizantes, gnósticos, homem divino, e pneumáticos.

A maioria desses pesquisadores concluem que os oponentes de 2 Coríntios são judaizantes, termo que designa judeus cristãos que reivindicam uma continuada observância da lei de Moisés. Representantes importantes dessa posição incluem F. C. Baur, D. Oostendorp, C. K. Barret, J.J. Gunther, e G. Lüdemann486.

Para Baur, Paulo enfrenta os mesmos oponentes em todas as suas comunidades, assumindo assim que as cartas paulinas não devem ser interpretadas individualmente. Pressupondo uma análise conjunta dessas cartas, Baur toma 2 Cor 11,4, onde Paulo menciona “outro evangelho” como importante por causa de seu paralelo com Gálatas 1,17. Seus argumentos mostram uma rivalidade entre os grupos de Pedro e de Paulo. Colocando o enfoque na correspondência de terminologias para identificar os oponentes, o autor não explica porque elas são importantes e omite a identificação fundamental dos oponentes em 2 Coríntios.

A posição de Oostendorp está bem próxima da de Baur, no entanto, ele o corrige em dois pontos: primeiro, no que se refere aos apóstolos Pedro e Tiago, ao defender que eles não são os mesmos líderes do movimento judaizante; e segundo, ao sustentar que Paulo acredita em sua missão com os gentios, sendo o último apóstolo de Israel. O autor começa seu estudo com

486 SUMNEY, Jerry L. Identifying Paul’s Opponents. The Question of Method in 2 Corinthians. Sheffield: JSOT Press, 1990. p. 15.

2 Cor 11,4, que faz referência a um outro Jesus, Espírito, e evangelho, alegando que isso

introduz, de forma clara, os problemas de 2 Coríntios. Para ele, os capítulos 10 e 13,3 desta epístola revelam que a ideia fundamental dos ataques a Paulo é a sua escassez do Espírito. Seus oponentes o acusam de que o seu fracasso em lidar de forma efetiva com o pecado em sua congregação demonstram a sua fraqueza, o que o incapacita para o apostolado. Para Sumney, o fato de Oostendorf enfatizar o lugar do Espírito nos problemas de Corinto faz com que ele se diferencie de Baur487.

De acordo com Barrett, os oponentes de Paulo eram membros de um grupo apostólico rival, judaizantes, que pregavam aos cristãos. Eram agentes da igreja de Jerusalém, comissionados a estabelecer uma conexão entre esta igreja e as comunidades do mundo gentil, talvez para levá- los à obediência da lei. Para Barrett, esses judaizantes não requeriam a circuncisão nem o respeito à lei de Moisés, uma vez que Paulo não menciona essas questões em 2 Coríntios. Eles se desenvolveram do grupo de Jerusalém, incluíam uma ligação com a lei, colocando uma capa de prática não judaica. Demonstravam indiferença às características externas da religião. Para eles o centro da vida era Cristo, e não a Torá. Barrett interpreta as passagens vitais de 2 Cor 10-13 através de paralelos em outras cartas paulinas identificadas como de similaridade verbal.488

John Gunther escreveu uma monografia sobre os oponentes de Paulo. Assumindo conhecer seus oponentes, uma frente única de oposição, Paulo os identifica como judaizantes influenciados por um judaísmo não conformista ou sectário. A intenção de Gunther em seu estudo não é identificar os oponentes de uma particular carta, mas mostrar como o judaísmo sectário afetou os oponentes que ele pressupôs. Por judaísmo sectário, Gunther se refere a judeus que não eram “linha principal”, especialmente apocaliptistas. A apocalíptica visionária era a área de mais forte influência hebraico-cristã na vasta igreja gentia neste período subapostólico. Como Baur, ele usa fontes mais tardias, como o quarto século, por exemplo, para identificar a situação atrás das cartas paulinas. Trabalha com o uso de paralelos, textos de várias outras cartas, na medida em que ele se move através de um tópico.489

487 SUMNEY, Jerry L. Identifying Paul’s Opponents. The Question of Method in 2 Corinthians. Sheffield: JSOT Press, 1990. p. 22-26.

488 Ibid., p. 26- 30. 489 Ibid., p. 31-34.

O último participante que Sumney nomeia como defensor da ideia de que os oponentes de Paulo em 2 Coríntios 12 são judaizantes é Lüdemann, que vê-se a si mesmo como aperfeiçoador e edificador da hipótese de Baur. Lüdermann afirma que sua única pressuposição é a de que os oponentes de Corinto pertencem a um visível partido anti-paulino, um movimento unificado, com raízes históricas que podem ser traçadas. O objetivo de seu trabalho em 2 Coríntios é estabelecer uma classificação histórico-teológica do grupo de Corinto. Para Lüdermann, é possível reconstruir a oposição paulina através de passagens que claramente contêm expressões anti-paulinas, sendo as mais importantes aquelas em que Paulo cita seus oponentes. Sua pesquisa deduz que os oponentes de 1 e 2 Coríntios eram judeus cristãos de Jerusalém que depois da conferência na qual estiveram presentes atacaram Paulo em suas próprias comunidades.490

Outro grupo de estudiosos mencionados por Sumney sustentam que os oponentes de 2

Coríntios são gnósticos. O maior defensor dessa posição e que apresenta o caso mais

desenvolvido é W. Schmithals. Iniciando com uma reconstrução histórica, o autor identifica o Gnosticismo como um fenômeno sincrético pré-cristão do primeiro século que se desenvolveu em contato com o judaísmo. É um movimento religioso que ensina o homem a compreender a si mesmo como parte da substância divina. Schmithals pressupõe que Paulo não compreendia que seus oponentes eram gnósticos. Mesmo lidando com a questão da ressurreição, um exemplo de seu progresso nessa compreensão, Paulo continuava desconhecendo seus oponentes gnósticos. Para Schmithals, isso pode ser comprovado na questão de sua fraqueza e visões. Não familiarizado com a antropologia gnóstico-helenística, Paulo nunca poderia compreender de forma completa os seus oponentes.491

No ponto de vista de D. Georgi e G. Friedrich, os oponentes paulinos eram fortemente influenciados por um “homem divino”, ideologia que era generalizada nas sinagogas helenísticas. Para Georgi, as sinagogas eram o instrumento de propaganda mais importante do judaísmo. As três designações de funções que esses oponentes reivindicam eram “servos de Cristo” (11,23), “apóstolos” (11,5; 12,11), e “obreiros” (11,13), além das designações de origem “hebreus” “israelitas” e “descendência de Abraão”. Para esses propagandistas helenistas, a habilidade para revelar a divindade na aparência era essencial. Eles realizavam

490 SUMNEY, Jerry L. Identifying Paul’s Opponents. The Question of Method in 2 Corinthians. Sheffield: JSOT Press, 1990. p. 34-40.

isso através de experiências extáticas e, no contexto judaico, através da interpretação da Escritura. Eles participavam do poder e da vontade de Deus. A questão mais importante era a suficiência, a qual eles informavam sem reservas possuir. Paulo opõe-se a esta autoavaliação de suficiência. Esses oponentes criticavam o apóstolo por ele comparar-se apenas consigo mesmo e não com outros missionários.492

Essas três hipóteses sobre os oponentes de Paulo em 2 Coríntios são básicas entre os estudiosos do Novo Testamento. Estes associam Käsemann à hipótese dos judaizantes, o que, para Sumney, não parece correto, uma vez que Käsemann não crê que esses oponentes ordenem guardar a Lei. Para ele, a questão entre Paulo e os seus oponentes está centrada no espírito. A crítica dos oponentes a Paulo não se refere à falta de habilidade retórica, mas à questão de sua espiritualidade, em razão de seu discurso. A expressão “sinais de um apóstolo” refere-se à habilidade de operar milagres. A carência desses sinais é parte da fraqueza de Paulo o que leva os coríntios a duvidar de sua autoridade (10,8), negando ser ele um verdadeiro pneumático. Käsemann designa os oponentes de 2 Cor 10-13 como pneumáticos palestinos (11,22) que vieram a Corinto caracterizando-se como “apóstolos de Cristo”, “obreiros” e “servos de Cristo”. Paulo rejeita assim intitulá-los e os chama de falsos apóstolos (11,12-23).493

A menção de Paulo sobre um diferente Cristo, Espírito e evangelho mostra que os oponentes têm uma falsa cristologia, ainda que o problema central diga respeito ao Espírito. Diferente do ponto de vista de Bash494, o estilo da polêmica mostra que Paulo não está lidando com obscuros oponentes. Para Käsemann, somente a igreja de Jerusalém possuía autoridade suficiente para abalar a comunidade de Corinto. A referência de Paulo aos “superapóstolos” (11,5;12,11), e apoio para os apóstolos mostra que o problema de Corinto envolve um círculo dentro da igreja de Jerusalém associado com os apóstolos de Jerusalém. Com base em Gálatas 2, Käsemann assevera que os oponentes de 2 Coríntios não têm reconhecimento oficial e proteção para as suas pretensões. Dessa forma, Paulo tem o trabalho difícil de derrotar os oponentes e ainda evitar qualquer conflito com os apóstolos de Jerusalém.495

492 SUMNEY, Jerry L. Identifying Paul’s Opponents. The Question of Method in 2 Corinthians. Sheffield: JSOT Press, 1990. p. 49-61.

493 Ibid., p. 64-66.

494 BASH, Anthony. A Psychodynamic Approach to the Interpretation of 2 Corinthians 10-13. In: JSNT 83, 2001. p. 60-61.

Para Sumney, a tentativa de desenvolver um método que adere aos princípios da pesquisa histórica crítica e que produza uma identificação detalhada e coerente dos oponentes de Paulo em 2 Coríntios foi bem sucedida. Os autores chegaram a diferentes conclusões em função de suas pressuposições, não em decorrência dos dados de 2 Coríntios. O foco dos oponentes dos capítulos 10-13 era a questão da legitimação do apostolado e a manifestação do Espírito. Os oponentes reivindicam receber experiências visionárias e possuir poder de operar milagres. Defendem que apóstolos devem ter personalidades poderosas e imponentes, levar uma vida gloriosa e serem oradores impressionantes, tudo procedendo do Espírito que legitima seus

status apostólicos, dando-lhes direitos especiais incluindo os de receber pagamentos.496

Esses oponentes citam aceitar suporte financeiro e suas cartas de recomendação como evidência de seus apostolados. Paulo se recusa a aceitar suporte financeiro dos coríntios, ainda que o tenha aceitado dos macedônios. Paulo refere-se à vida poderosa desses superapóstolos como “gloriar-se”. O fato de os oponentes dos capítulos 10-13 exibirem dons espirituais extáticos como marcas do apostolado não sugere que os mesmos os exerçam publicamente. O que o texto aponta é que eles relatam essas experiências aos coríntios como evidência de seus status apostólicos. Essas informações e a evidência do método desenvolvido por Sumney para identificar os oponentes do apóstolo Paulo em 2 Coríntios 10-13 trazem luz à imagem desses oponentes. Uma vez que é o Espírito que capacita os apóstolos a uma forma de vida poderosa e bem sucedida, colocando-os acima de dificuldades, privações e humilhações da vida, legitimando seus status apostólicos, Sumney confirma esses oponentes como “pneumáticos”, ênfase dada às manifestações do Espírito.

5. 2 2 CORÍNTIOS 11,1-12,13: O “DISCURSO DO INSENSATO”

O termo “discurso do insensato497” é atribuído a H. Windisch, e justificado pela repetição do

termo dentro da passagem em 11,1,16 (duas vezes),17, 19, 23; 12,6,11.498 Paulo sabe que os seus oponentes consideram suas qualificações inferiores aos apóstolos de Jerusalém que foram, de forma especial, enviados por Jesus. Embora Paulo os considere como falsos apóstolos, agentes de satanás, decide competir com eles no papel de insensato (louco),

496 SUMNEY, Jerry L., op. cit., p. 188-191.

497 O termo avfrosu,nhj\ (loucura, tolice, insensatez) no início do discurso 2 Cor 11,1, e o termo a;frwn (louco, ignorante, insensato) no fim, em 12,11 delimitam o texto sobre o tema.

498 BARNETT, Paul. The Second Epistle to the Corinthians. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1997. p. 494.

utilizando as mesmas armas usadas por esses oponentes, o “gloriar-se”, ou “gabar-se”. Paulo inicia o seu discurso buscando uma forma de ser ouvido: “Quisera eu me suportásseis um pouco na minha loucura! Suportai-me, porém, ainda”. 2 Cor 11,1. Paulo passa então a contestar o “gloriar-se” de seus rivais com o seu “gloriar-se”.

Na extensiva seção do discurso em 2 Cor 11,1-12,13, Paulo usa um estilo de comparação irônica, entre ele e os super apóstolos. O louvor para a audiência comprova essa forma sarcástica do recurso literário em 11,19-20: “Porque, sendo vós sensatos, de boa mente tolerais os insensatos. Tolerais (suportais) se alguém vos escraviza, se alguém vos devora, se alguém vos apanha, se alguém se exalta, se alguém na face vos bate.” Paulo, aqui, intensifica a ironia a respeito das descrições citadas. Para Thrall, os perpetradores desse lamentável comportamento, o qual pessoas sensíveis considerariam como intolerável, são certamente os missionários rivais oponentes499. Metaforicamente, essa liderança dominadora escraviza a comunidade de Corinto, fazendo-a cumprir sua própria autoridade na congregação.

Quando Paulo se refere a ações exploradoras do tipo “devoram os coríntios”, é provável que isso se refira ao recebimento de suporte financeiro por parte desses oponentes. Seria essa descrição irônica uma linguagem figurativa ou estavam os oponentes se apoderando realmente dos coríntios? Não se sabe, mas pode-se considerar que os coríntios estavam sendo desonrados pelos rivais do apóstolo. Seria improvável que os oponentes estivessem infligindo punições corporais neles.

Em 1 Coríntios 4,21, Paulo adverte alguns que andam ensoberbecidos na comunidade, e questionando a respeito de sua viagem a Corinto diz: “Que quereis? Irei ter convosco com vara ou com amor e espírito de mansidão?” Usando o termo “vara”, dificilmente o apóstolo estaria se referindo a castigos corporais.

Depois da descrição irônica de seus leitores, Paulo volta novamente à sua defesa. Em 2 Cor 11,18, o apóstolo surpreende com a afirmação: “Uma vez que muitos se gloriam segundo a carne, eu também me gloriarei”. Paulo sempre atacou tal atitude de “gloriar-se”. Para Savage, embora Paulo concordasse que “gloriar-se” seja inútil (12,1) e insensato (11,1,17,21), seus

499 THRALL, Margaret E. The Second Epistle to the Corinthians. Volume 2. London; new York: T&T Clark, 2004.p.716.

discípulos o deixaram sem opção. Por falharem em recomendá-lo, eles o forçaram a recomendar a si mesmo500.

Em 2 Cor 11,21, sua ironia alcança a sua expressão mais cruel. A admissão irônica de sua “fraqueza”, vocabulário empregado apenas uma vez até este ponto da carta, será usado constantemente, até o final do discurso do insensato. O termo encontrará o seu clímax na passagem 12,7-10, na conhecida expressão “poder na fraqueza”501. Paulo afirma ser fraco em

Cristo (13,4). Gloriar-se de qualquer outra forma não seria honesto. Mas gloriando-se na sua fraqueza ele se gloria não em si, mas em Cristo que é a sua suficiência na fraqueza (12,9).

Hans Dieter Betz chama a atenção para a similaridade entre o estilo paulino de “gloriar-se”, e os métodos de “recomendar-se ou louvar-se a si mesmo” empregado na retórica helenística. Em sua obra Der Apostel Paulus und die sokratische Tradition502, o autor dá atenção especial ao “gloriar-se” de Paulo em 2 Coríntios 10-12, dando enfoque à questão da forma literária. Para o autor, o “gloriar-se” de Paulo pode ser compreendido como parte de sua apologia. Seguindo uma convenção bem estabelecida, o apóstolo responde a acusações de que ele mesmo é um impostor, um falso filósofo, com uma clássica defesa Socrática. A discussão de Betz sobre a apologia de Paulo relacionando isso a elementos da tradição Socrática de fazer tais defesas é o mais completo nesse tema.

Esse reconhecimento vem da parte de Tabor, Savage, Forbes, entre outros. No entanto, apesar de se tratar de argumento muito impressivo e de que Paulo foi realmente atraído por tais métodos, Tabor503 e Savage504 concordam que Betz falhou na tentativa de subordinar tudo dos capítulos 10-13 de 2 Coríntios a uma única linha de interpretação. Estudiosos têm, de

500 SAVAGE, Timothy B. Power through weakness. Paul’s understanding the Christian ministry in 2 Corinthians. New York: Cambridge University Press, 2004. p. 62.

501 BARNETT, Paul. The Second Epistle to the Corinthians. Grand Rapids: William B. Eerdmans Publishing Company, 1997. p. 533-534.

502 BETZ, Hanz D. Der Apostel Paulus und die sokratische Tradition. Beiträge zur Historischen Teologie 45. Tübingen: J.C.B. Mohr (Paul Siebeck), 1972. Por razões citadas anteriormente, a obra existente apenas em alemão será analisada à luz de FORBES, Christopher. Comparison, Self-Praise and Irony: Paul’s Boasting and the Conventions of Hellenistic Rhetoric. New Testament Studies, vol. 32, 1986, p. 1-30. p.1; de SAVAGE, Timothy B. Power through weakness. Paul’s understanding of the Christian ministry in 2 Corinthians. New York: Cambridge University Press, 2004. p. 62-93; de TABOR, James D. Things Unutterable. Paul’s Ascent to Paradise in its Greco-Roman, Judaic, and Early Christian Contexts. Lanham; New York; London: University Press of America, 1986, além de comentários da carta paulina como o de Margaret Thrall, Paul Barnett, Ben Witherington, já citados anteriormente, e outras literaturas.

503 TABOR, James D. Things Unutterable. Paul’s Ascent to Paradise in its Greco-Roman, Judaic, and Early Christian Contexts. Lanham; New York; London: University Press of America, 1986.

504 SAVAGE, Timothy B. Power through weakness. Paul’s understanding of the Christian ministry in 2 Corinthians. New York: Cambridge University Press, 2004.

forma geral, o quadro do argumento de Betz. Thrall, em sua exegese do texto, discorda da posição de Betz e afirma que a sugestão do autor, de que a forma do “discurso de insensato” pode ter vindo a Paulo através de filosofia popular, na qual o platônico Sócrates desempenha um papel de tolo, não é convincente. O modelo de Betz falha por desconsiderar evidências claras, como o fato de o apóstolo estar respondendo a seus oponentes de forma amável. Independentemente do padrão de comparação que alguém possa escolher, o que Thrall garante é que Paulo pode provar sua igualdade com os missionários rivais, e mais ainda, sua superioridade a eles505.

A convenção de “comparação” no argumento retórico é tratada com detalhes por Forbes, em seu artigo Comparison, Self-praise and Irony: Paul’s Boasting and the Conventions of

Hellenistic Rhetoric. É considerada pelo autor como um instrumento fundamental da retórica.

Tão antiga quanto Aristóteles, essa convenção mostra os seus vários tipos e utilização na história. Forbes mostra que ela é largamente comprovada no “Discourses” de Dio Chrysostom of Prusa, um contemporâneo próximo de Paulo que trabalhou dentro da tradição de filósofos oradores Stoic/Cynic, os quais têm mostrado ser paralelos próximos de muitos aspectos do ministério paulino. Comparações eram ensinadas no início do primeiro século dessa era por retóricos em vez de grammaticus, embora seja comprovado que no final deste século os

grammatici se apoderaram dos estágios do curriculum retórico.506

Dio e Epictetus têm mostrado, de forma clara, que a autopropaganda era a principal característica dos professores populares. A convenção de “comparação” era praticada como parte dessa autopropaganda. Lúcio, um professor de “Discurso Público” citado por Forbes retrata bem essa autopropaganda. O professor sugere que seu aluno cultive o método da autopropaganda. “... if anyone accosts you, make marvellous assertions about yourself, be extravagant in your self-praise, and make yourself a nuisance to him. ‘What was Demosthenes beside me?’ ‘Perhaps one of the ancients is in the running with me!’ and that sort of thing.”507

Pelo que foi visto anteriormente, a maior parte das críticas paulinas aos seus oponentes é feita através de uma autoexaltação extravagante, formulada, em geral, através de comparações

505 THRALL, Margaret E. The Second Epistle to the Corinthians. Volume 2. London; new York: T&T Clark, 2004. p. 712, 722.

506 FORBES, Christopher. Comparison, Self-Praise and Irony: Paul’s Boasting and the Conventions of Hellenistic Rhetoric. New Teatament Studies, vol. 32, 1986. p. 4-7.

individuais. Entretanto, autoexaltação é considerada um negócio sujo, não próprio de pessoas decentes, a não ser em circunstâncias claramente definidas.

Segundo Forbes, o termo “ironia” teve um significado mais preciso no período helenístico do