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Changing the rolling friction in the Drag Force Model 45

In document Master’s thesis (sider 57-65)

5.2 Simulate the Drag Force Model with input from Carla

5.2.2 Changing the rolling friction in the Drag Force Model 45

Desde que William James4, em 1884, se questionou sobre o verdadeiro significado da palavra emoc¸˜ao, surgiram diversas definic¸˜oes sobre este conceito. Nos dias de hoje n˜ao existe, efetivamente, uma definic¸˜ao da palavra “emoc¸˜ao” universalmente aceite por to- dos os investigadores da ´area, contudo existem dois aspetos que s˜ao de consenso ge- ral: as emoc¸˜oes est˜ao relacionadas com os componentes afetivos, comportamentais e psicol´ogicos; e a emoc¸˜ao resulta da resposta a acontecimentos relevantes aos objetivos, necessidades e preocupac¸˜oes de cada indiv´ıduo (Brave & Nass, 2002). Desempenham um papel importante no dia-a-dia de cada um, dado que influenciam a forma de agir, a sa´ude e bem-estar e a felicidade. Produzem alterac¸˜oes fisiol´ogicas (como a variac¸˜ao da respirac¸˜ao ou ritmo card´ıaco) e corporais (como as express˜oes faciais, voz ou postura) e podem ser divididas em emoc¸˜oes positivas e emoc¸˜oes negativas. As emoc¸˜oes positivas tˆem o efeito de construir recursos cognitivos para o futuro uma vez que s˜ao situac¸˜oes que

apresentam oportunidades. As emoc¸˜oes negativas tamb´em podem ter consequˆencias po- sitivas, como por exemplo mostrar a necessidade de uma ac¸˜ao ser feita, para manter ou alterar a interac¸˜ao (Lisetti & Nasoz, 2004; Huppert, 2005; Oliveira et al., 2013). Pode-se tamb´em afirmar que existem dois tipos de emoc¸˜oes: b´asicas (como o medo ou a raiva) e de longo-prazo (como o amor ou o ci´ume).

As emoc¸˜oes s˜ao uma das formas mais importantes de comunicac¸˜ao humana, pois ex- perienciamos e expressamos emoc¸˜oes quando interagimos com os outros, assim como tamb´em interpretamos a express˜ao emocional dos outros (Strongman, 2004). William James defendeu que primeiro ocorre a manifestac¸˜ao corporal e s´o depois vem a emoc¸˜ao e que esta ´e influenciada pelo meio envolvente. Exemplo disso ´e quando uma pessoa treme porque est´a com medo ou quando chora porque est´a triste. Em 1885, James-Lange5 afirma que para sentir uma emoc¸˜ao s˜ao necess´arias mudanc¸as que acontecem no corpo e a existˆencia de compreens˜ao da pessoa das mudanc¸as ap´os o estado emocional. Am- bos acreditavam que a parte f´ısica vinha primeiro e depois a interpretac¸˜ao das alterac¸˜oes f´ısicas, e que sentir ´e um fen´omeno definido onde a emoc¸˜ao e a sua express˜ao s˜ao um s´o. Isto ´e, se tentarmos expressar duas emoc¸˜oes diferentes em simultˆaneo, h´a um bloqueio, grac¸as `a propriedade da exclusividade (um s´o canal; cada uma ´e expressa de cada vez) (Lang, 1994; Piechowski, 2011).

A an´alise das emoc¸˜oes na ´area dos media ´e uma combinac¸˜ao interessante da ´area da Psico- logia e da Inform´atica. Cada vez mais s˜ao criados algoritmos de an´alise de sentimentos6 (que podem ser baseados em algoritmos de Machine Learning7) que n˜ao s˜ao s´o utilizados

nesta ´area mas tamb´em, por exemplo, em aeroportos (para detetar a reac¸˜ao n˜ao verbal das pessoas e poss´ıveis ameac¸as); no setor empresarial (de forma a detetar o n´ıvel de satisfac¸˜ao ou de stress dos funcion´arios, criando assim uma lista de t´opicos a melhorar); na educac¸˜ao (de forma a criar um incentivo quando o aluno est´a desmotivado) e na ´area da sa´ude (detetando o grau de ansiedade dos pacientes e at´e mesmo captando ind´ıcios de depress˜ao). Nas redes sociais ou em sites como a Netflix (.com) ou Amazon (.com) ´e uti- lizado este tipo de algoritmos de forma a apresentar sugest˜oes, consoante as publicac¸˜oes, gostos ou interesses do utilizador. Na ´area de marketing e publicidade, as empresas tˆem vindo a investir cada vez mais no desenvolvimento de algoritmos que conseguem detetar as emoc¸˜oes das pessoas de forma a maximizar o impacto das campanhas publicit´arias e da pesquisa no mercado. A compress˜ao do trin´omio c´erebro-face-emoc¸˜ao ´e primordial para uma boa leitura do estado emocional, visto que a emoc¸˜ao pode provocar uma express˜ao facial, mas tamb´em pode ocorrer sem express˜ao e esta tamb´em pode ocorrer sem emoc¸˜ao (Magalh˜aes, 2015).

5Fil´osofo e fundador da teoria das emoc¸˜oes.

6Sequˆencias de instruc¸˜oes que mostram os procedimentos necess´arios para a resoluc¸˜ao de uma tarefa. 7 Aprendizagem Autom´atica - um conjunto de regras ou procedimentos, que permite que os computa-

dores possam agir e tomar decis˜oes baseados em dados ao inv´es de ser explicitamente programados para realizar uma determinada tarefa.

Foram criadas diferentes teorias e diferentes modelos representativos defendendo a n˜ao universalidade das emoc¸˜oes, sendo alguns deles apresentados em seguida (Averill, 1980; Mead & Fairfield, 1975; Russell, 1994; Schweder, 1993):

Modelo Categ´orico Define um n´umero finito de emoc¸˜oes em estados discretos que iden- tificam um certo comportamento e experiˆencia. Acredita-se que estas emoc¸˜oes b´asicas tenham evolu´ıdo ao longo do tempo guiando o comportamento humano atrav´es de even- tos imprevis´ıveis (Sloboda & Juslin, 2001). Podemos afirmar que a sua classificac¸˜ao mais simples ´e entre as emoc¸˜oes positivas e negativas. Um dos principais estudos sobre as emoc¸˜oes foi realizado por Paul Ekman8, que identificou as seis emoc¸˜oes b´asicas basea- das em express˜oes faciais reconhecidas em todas as culturas: raiva, nojo, medo, alegria, tristeza e surpresa (Ekman, 1992; Ekman & Friesen, 1980). Mais tarde, por se reco- nhecer a sua importˆancia, foram adicionadas as emoc¸˜oes antecipac¸˜ao e confianc¸a a este modelo. Este modelo ´e tamb´em conhecido como Modelo Darwinista ou Modelo Discreto de Emoc¸˜oes.

Modelo Dimensional Tamb´em conhecido como Modelo Circumplexo, ilustra as suas perspetivas de emoc¸˜oes num espac¸o circumplexo (Figura 2.3). Defende que os estados emocionais s˜ao acionados devido `as interpretac¸˜oes cognitivas das principais sensac¸˜oes neuronais e que as express˜oes faciais n˜ao transmitem mais informac¸˜ao sobre as emoc¸˜oes do indiv´ıduo do que o resto do corpo (postura, palavras, entoac¸˜ao) mas podem dar infor- mac¸˜ao prim´aria sobre a emoc¸˜ao geral a atribuir ao indiv´ıduo (Russell, 1980).

Figura 2.3: Representac¸˜ao Categ´orica do Modelo Dimensional (Russell, 1980) Em 1980, Bertrand Russell9prop˜oem uma representac¸˜ao espacial bidimensional para or- ganizar todas as poss´ıveis emoc¸˜oes conhecidas, onde o eixo vertical representa a intensi- dade (arousal) da emoc¸˜ao, sendo a parte superior a de maior intensidade e a parte inferior a mais calma; e o eixo horizontal representa a valˆencia (valence), que mostra a polaridade

8Psic´ologo americano e pioneiro nos estudos das emoc¸˜oes e express˜oes faciais. 9Influente matem´atico, fil´osofo e l´ogico.

da emoc¸˜ao, ficando no lado esquerdo as emoc¸˜oes negativas e no lado direito as emoc¸˜oes positivas. No centro do modelo, o ponto neutro, os valores de intensidade e de valˆencia s˜ao zero (Russell, 1980). Apesar de n˜ao existir uma representac¸˜ao visual das emoc¸˜oes do Modelo Categ´orico, existe uma correspondˆencia entre estas e as emoc¸˜oes do Modelo Dimensional: a alegria e a surpresa est˜ao inseridas na parte superior direita (positivas e intensas), enquanto medo e raiva est˜ao na parte superior `a esquerda (negativas e intensas). A tristeza e o repulsa est˜ao tamb´em do lado esquerdo mas na parte inferior (negativas e de menor intensidade) e na parte de baixo do lado direito as emoc¸˜oes calmo, sereno e relaxado.

Modelo de Plutchick Robert Plutchick10 considerava existirem oito emoc¸˜oes prim´arias

(raiva, medo, tristeza, nojo, surpresa, curiosidade, aceitac¸˜ao e alegria). Utilizou o Modelo Categ´orico e o Modelo Dimensional, e criou um modelo 3D, tamb´em conhecido como Modelo de 3 Dimens˜oes (Polaridade, Similaridade e Intensidade) (Figura 2.4). Propˆos pela primeira vez em forma de cone (3D) e, em 1980, em modelo de roda (2D) para de- monstrar como as emoc¸˜oes se relacionavam. O c´ırculo da base assemelha-se `a roda das cores e representa a similaridade entre as emoc¸˜oes, enquanto a dimens˜ao vertical mostra a intensidade da emoc¸˜ao.

Figura 2.4: Modelo de Emoc¸˜oes de Plutchick (Plutchik, 2001)

O Modelo de 3 Dimens˜oes organiza as emoc¸˜oes em c´ırculos concˆentricos, onde os c´ırculos internos s˜ao mais b´asicos e onde se encontram as oito emoc¸˜oes prim´arias. Cada categoria possui 3 n´ıveis de intensidade (central, interm´edio e extremo) representados com um n´ıvel de saturac¸˜ao da cor a corresponder com a intensidade da emoc¸˜ao (Plutchik, 2001). Os modelos Categ´orico, Dimensional e de Plutchick tamb´em por ser utilizados na ´area de HCI11 (Human-Computer Interaction) para medir os graus de agradabilidade (se est´a

a gostar das modalidades de interac¸˜ao); atenc¸˜ao (se est´a interessado em conte´udos de interac¸˜ao); sensibilidade (se est´a confort´avel com as dinˆamicas de interac¸˜ao) e a aptid˜ao (se est´a confiante com os benef´ıcios da interac¸˜ao) (Cambria et al., 2012).

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