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11 Changes in mortality, bargaining power of women and the cost of children

Processos materiais são processos de fazer, realizam ações concretas, “relacionam-se à experiência externa do indivíduo, são processos do mundo exterior, do fazer” (Bressane, 2000: 24); ou seja, representam o mundo exterior do indivíduo, “são processos sobre fazer, sobre ações” (Eggins, 1994: 230).

Os processos materiais expressam o significado no qual alguma entidade faz algo ou desempenha uma ação para outra entidade. Tais entidades já existem ou podem ser trazidas à existência pelo processo. Desse modo, Halliday (1994: 110) distingue os processos materiais como do tipo dispositivo, que refletem as ações habituais, que são realizadas no dia-a-dia; e do tipo criativo, que refletem ações pré-existentes na ação do fazer diário.

Os participantes envolvidos nas ações desempenhadas pelos processos materiais são denominados ator e meta e são realizados por um grupo nominal, como todos os processos.

“O ator é o constituinte da oração que executa a ação” (Eggins, 1994: 231), ou seja, o participante que realiza a ação, no caso específico desta pesquisa, “o

Professor”. Segundo Thompson (1996: 78), “sua existência é obrigatória, mesmo

quando não mencionado na oração”.

A meta é o participante a quem a ação é estendida ou que foi modificado pela ação. Segundo Eggins (1994: 231), “na gramática tradicional, é o participante classificado como objeto direto da oração". Por exemplo, na entrevista o Professor diz: “eu trabalho muito com a Internet”. Dessa feita, temos o “eu” como ator, “trabalho” como processo material, “muito” como intensificador e “com a Internet” como meta. Procuro identificar, no discurso do Professor, as experiências vivenciadas por ele no decurso de sua participação no programa Teachers’ Links.

1.4.2.2 Processo mental

Os processos mentais são relacionados ao sentir, pensar e perceber. Eles retratam as reações mentais do indivíduo, “são relativos à representação do mundo interior” (Thompson, 1996: 82), ou seja, “relacionam-se à experiência interior do indivíduo, aos processos da consciência do sentir, saber “ (Bressane, 2000: 25).

Nas orações com processos mentais, o participante é, sempre, um humano, ou humanizado dotado de consciência, “uma vez que somente um ser humano consciente é capaz de desempenhar processos de afeição, cognição e percepção” (Romero, 1998: 76).

Os processos mentais são subdivididos em três categorias por Halliday: processos mentais de afeição, processos mentais de cognição e processos mentais de percepção.

Os processos mentais de afeição projetam sentimentos, como gostar, temer, odiar, amar etc, enquanto os processos mentais de cognição projetam o conhecimento que o indivíduo possui, ou seja, é a representação do significado intrínseco dos “pensamentos” adquiridos e que são expressos pelos processos: pensar, saber entender etc. Já os processos mentais de percepção projetam a

aquisição do conhecimento por meio dos sentidos, como ver, ouvir, divisar, enxergar etc.

Os participantes do processo mental são experienciador e fenômeno. O experienciador é um ser consciente, que sente, pensa, vê e é na sua mente que o processo se realiza. O fenômeno é aquilo que é sentido, pensado, visto pelo ser consciente, ou seja, pelo experienciador. Como, no exemplo da entrevista do Professor: “...eu reelaborei alguns assuntos grafite, violência...” , temos “eu”, que é o experienciador; “reelaborei” é o processo mental de cognição e “alguns

assuntos grafite, violência...” vêm a ser o fenômeno.

Nesta pesquisa, analiso os processos mentais, com o intuito de identificar, no discurso do Professor, os significados que atribuiu ao programa Teachers’

links, como aponta Halliday: Talking is not the only way of using language; we also use language to think. Hence a process of thinking also serves to project (1989:

252).

Nesse sentido, busco identificar os significados projetados no discurso do Professor.

1.4.2.3 Processo relacional

Os processos relacionais refletem os diversos significados que são atribuídos pelos processos ser ou um de seus sinônimos. Eles indicam o estabelecimento de uma relação entre duas entidades, “são processos que relacionam um fragmento de experiência a outro, classificando e identificando” (Bressane, 2000: 25). Portanto, temos dois modos de processos relacionais: os atributivos e os identificadores.

O processo relacional é atributivo, quando “é dada ao participante uma qualidade, uma classificação, ou seja, um atributo” (Romero, 1998: 77). Processo relacional é identificador, quando desempenha a função de identificar alguma coisa em relação a outra. Eles são classificados em três tipos: intensivo, circunstancial e possessivo, totalizando seis categorias de processos relacionais.

Processo relacional Modo atributivo Modo indentificador

Tipo intensivo X X

Tipo circunstancial X X

Tipo possessivo X X

Quadro 1- Categorias de processos relacionais (Halliday, 1994: 119)

a. Processo relacional intensivo: atributivo

A categoria tipo intensivo, modo atributivo, pode ser interpretada, quando tem alguma qualidade atribuída a um membro de uma classe. A entidade à qual é atribuída a qualidade é rotulada de portador, enquanto a qualidade é o atributo. Dessa forma, temos os participantes, que são: o portador, que é possuidor de alguma qualidade; o atributo, que é a qualidade dirigida ao portador. Como no exemplo tirado do corpus desta pesquisa, “A metodologia foi inovadora”; “a

metodologia” é o portador, “foi” processo relacional atributivo e “inovadora” é o

atributo.

b. Processo relacional intensivo: identificador

Na categoria intensivo identificador, algo tem uma identidade atribuída a ele. Temos dois elementos na oração: o identificado e o identificador. Por exemplo: “Eduarda é a mais sapeca”. No caso, “Eduarda” é o elemento identificado e “a mais sapeca”, o elemento identificador. Portanto, estamos especificando que, na classe dos sapecas, existem muitos participantes, no entanto ela é destacada como um único membro dentro dessa classe. Assim, os participantes são rotulados de identificado e identificador e podem ser reconhecidos, por estabelecerem orações equativas, onde os participantes podem trocar de lugar na oração, sem modificar o sentido. Neste exemplo retirado do

corpus da pesquisa, temos: “O chat era o ponto chave”, sendo “o chat” identificado, “era” processo relacional identificador e “o ponto chave” é o identificador.

c. Processo relacional circunstancial: atributivo e identificador

No tipo circunstancial, tanto atributivo quanto identificador, a relação dos termos da oração indica circunstâncias de tempo, modo, intensidade, lugar etc, que retratam idéias que cada pessoa constrói e reproduz no seu discurso.

No modo circunstancial tipo atributivo, o elemento circunstancial é um atributo que qualifica uma entidade. Ele pode ser expresso na forma de atributo, onde a relação circunstancial é expressa pelo grupo preposicional na forma de processo, quando a circunstancia é expressa por um processo. Neste exemplo da entrevista com o Professor: “...o curso foi muito legal....”, “o curso” é o identificado, “foi” processo relacional circunstancial atributivo, “muito” intensificador e “legal” o atributo.

No modo circunstancial tipo identificador, o elemento circunstancial proporciona uma relação entre o identificado e o identificador, sendo expresso por meio dos participantes ou dos processos. Quando expressos por meio dos participantes, estabelecem uma relação de igualdade nas orações; porém, quando são expressos por meio dos processos, são eles os processos que vão desempenhar a função de expressar as circunstancias. Neste exemplo retirado do corpus dos depoimentos temos, “...estou explorando mais a Internet”, “estou

explorando” é o processo relacional, “mais” circunstancial e “a Internet”

identificador.

d. Processo relacional possessivo: atributivo e identificador

No tipo possessivo, o modo atributivo e o identificador expressam circunstâncias de posse.

No modo possessivo tipo atributivo, as orações não são reversíveis, estando, sempre, na voz ativa. Os participantes expressam noções de posse. Neste exemplo retirado do corpus: “meu trabalho é diversificado”, onde “meu

trabalho” é denominado portador de posse e “diversificado” é o atributo, a

qualidade que é atribuída ao trabalho. Dessa forma, os participantes da oração são o portador que é o possuidor e o atributo que é o possuído.

No modo possessivo tipo identificador, as orações são reversíveis, podendo estar tanto na voz ativa como na passiva, existindo, assim, uma relação entre duas entidades. Por exemplo: “o professor tem um carro”, “o carro é do professor”. Dessa forma, na voz ativa, o identificado é “o professor”, sendo “o carro” o identificador; e, na voz passiva, “o carro” é o identificado e “o professor” é o identificador. Portanto, os participantes das orações do modo possessivo do tipo identificador são identificado e identificador, sendo as orações reversíveis.

1.4.2.4 Processo comportamental

Processos comportamentais são processos que expressam comportamentos físicos e psicológicos, “representam manifestações externas de trabalhos interiores, são demonstrações de processos de consciência e de estados psicológicos” (Bressane, 2000: 25).

Geralmente os processos comportamentais possuem somente um participante obrigatório, que é um ser consciente. Esse participante é denominado comportante, que é responsável pela realização da ação. Exemplo: “Ele olhou torto”, “ele” é o comportante, “olhou”, o processo comportamental, e “torto”,

circunstância de modo.

Para Eggins (1994: 249), “os processos comportamentais geralmente ocorrem com elementos de circunstâncias particularmente de modo e causa”.

1.4.2.5 Processo verbal

Os processos verbais são expressos pelo processo dizer, juntamente com todos os seus sinônimos ou processos, que também representam a ação de dizer. “São relações construídas na consciência humana e representadas na forma de linguagem, como falar e querer dizer” (Bressane, 2000: 25).

Em processos verbais, o participante nem sempre é um humano, podendo ser um elemento figurativo, como relógio, receita etc. Eles possuem um padrão próprio; além do participante rotulado como dizente, apresentam mais três funções: receptor, verbiagem e alvo. Por exemplo: “O professor contou-me sua

experiência do curso”. Neste exemplo “o professor” é o dizente, “contou” é o

processo verbal, “me” é o receptor, “sua experiência” é a verbiagem e “do curso” vem a ser o alvo.

Assim o dizente segundo Eggins (1994: 251), é o responsável pelo processo verbal, e, portanto, o elemento que realiza a ação. O receptor é aquele que recebe a mensagem, tornando-se beneficiário da mensagem. Pode ocorrer com ou sem preposições. Na gramática tradicional, representa objeto direto ou indireto. A verbiagem vem a ser a mensagem propriamente dita, podendo ser expressa por substantivo ou elementos circunstanciais, sendo o mais comum de modo. E o alvo é a entidade que é focalizada pelo processo verbal, ou seja, aquilo que o processo enfoca.

1.4.2.6 Processo existencial

O processo existencial retrata o que existe ou acontece, são declarações estanques, mediante as quais diversos tipos de fenômenos são identificados pelos processos ser, existir e seus sinônimos. Eles dividem-se em dois grupos: a) o grupo dos processos com significados de existir e acontecer; b) o grupo dos advérbios de tempo e lugar.

Freqüentemente, o sujeito não é determinado numa oração com processos existenciais. Neste processo o participante é único e recebe o rótulo de existente,

geralmente vem após o processo existencial podem ser um fato ou um evento, os elementos circunstanciais são comuns nos processos existenciais, como demonstram os exemplos abaixo:

a) “Houve um furacão no Rio Grande do Sul” - “houve” processo existencial; “um furacão” é o participante denominado existente; e, “no Rio Grande do

Sul” circunstancial de lugar.

b) “Há muitos pontos positivos” - “há” processo existencial; “muitos pontos

positivos” é o evento; o participante é inexistente.

c) “...Os problemas mais variados que há no mundo...” sujeito inexistente, “os

problemas variados” são o evento, “há” é o processo existencial; e “no mundo” é o advérbio de lugar.