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Chapter 2 Literature Review

2.2 Issues about Teaching as a Profession

2.2.2 Changes and challenges for the teaching profession

A fotografia, nascida em um âmbito positivista, foi vista quase unicamente como registro visual da verdade, tendo sido adotada, nessa condição, pela imprensa. Com a evolução das práticas foto-jornalísticas, esses gêneros realistas passaram do domínio do real para o domínio do crível, já no final do século, devido à manipulação das imagens em função de objetivos que nada tinham a ver com a verdade, mas de fato, com o que se podia crer.

Em meio a esse processo de criação dos fotógrafos surge o foto-jornalismo, carregado de cultura e ideologia, representando através das fotografias a realidade histórica e testemunhal de uma sociedade, embora às vezes influenciado pela visão realista de seu autor.

Até se chegar ao foto-jornalismo, a fotografia passou por diversas fases. Nasce na chamada câmara clara e escura, depois surge o pictoralismo movimento, que objetivava a integração da fotografia às artes plásticas, bem como a fotografia de retrato, que imitava os cenários utilizados pela pintura e, assim por diante, até o aparecimento das primeiras manifestações do foto-jornalismo no momento em que os fotógrafos apontam a câmera para um episódio, tendo em vista fazer chegar essa imagem a um público com intenção testemunhal.

O foto-jornalismo se nutre principalmente de acontecimentos bélicos e revoluções. A primeira guerra para onde os jornais enviaram seus correspondentes foi

a Guerra Americano-Mexicana de 1846-1848. Apesar de serem feitas por um daguerreotipista anônimo, as imagens registravam soldados e oficiais de guerra antes da batalha. A muitas revoluções foram enviados fotógrafos e com isso o desenvolvimento da fotografia de imprensa foi-se transformando com afinco e, em meados do século XIX, inicia-se a edição de publicações ilustradas da revista The

Ilustrated London News. Seu fundador, Herbert Ingram, afirmou que daria aos seus

leitores informação continuadamente dos acontecimentos mundiais e nacionais mais relevantes da sociedade à política, com a ajuda de imagens variadas e realistas. Nos seus primeiros cinco anos a tiragem dessa revista aumenta relevantemente e indica o crescente gosto social pela imagem.

A fotografia de imprensa foi e é de suma importância para a evolução da população enquanto indivíduos participantes de uma sociedade. Ela proporciona integração, interação e contribui assiduamente para o desenvolvimento tanto de seu emissor quanto de seu receptor. Além disso, o foto-jornalismo possui cinco forças que ocasionaram e ocasionam sua evolução, são elas: a ação pessoal onde cada fotógrafo elege por influência própria adotar ou não certos recursos; a ação social que a fotografia de imprensa produz nas pessoas e na sociedade; a ação ideológica onde se verificam as semelhanças de visões do mundo por parte dos fotógrafos; a ação cultural que vê o foto-jornalismo como produto de cultura e a ação tecnológica que perspectiva a fotografia jornalística como um produtor da tecnologia. Essas ações, expostas pelo autor Jorge Pedro Sousa,61 confirmam a importância da fotografia de imprensa para seu próprio meio, bem como para os indivíduos e a sociedade.

Foto-jornalismo, segundo o site Wikipedia "é a prática do jornalismo por meio da linguagem fotográfica em substituição à linguagem verbal”62. O foto-jornalismo

61 T ermo extraído do site http://ubista.ubi.pt/~comum/sousa-jorge-pedro-historia_fotojorn1.htm 62 http://pt.wikipedia.org/wiki/Fotojornalismo

preenche uma função bem determinada e tem características próprias. O impacto é elemento fundamental. A informação é imprescindível, assim como a atualidade e o interesse social.

Já na década de cinqüenta do século XIX, a fotografia havia se beneficiado dos avanços técnicos, químicos e óticos, que lhe possibilitaram abdicar dos estúdios e partir para a documentação de imagens do mundo com o realismo que a pintura não conseguia. Portanto a fotografia de pronto se tornou instrumento de prova, testemunho e verdade e, depois, a época lhe deu status de “espelho do real”. Essa qualidade de autenticidade e sentido utilitário da fotografia é desde suas origens uma particularidade essencial que faz deste meio o ideal para criar testemunhos de forma verídica, como por exemplo as batalhas, uma importante forma de propagar essa prática.

Desde sua origem as guerras foram adotadas como tema principal pela arte de fotografar. Até o descobrimento da fotografia, os conflitos bélicos eram algo longínquo e de certo modo excitante. A população desconhecia os cruéis detalhes desses conflitos: cadáveres, feridos e mutilados estavam somente nos textos ou nas pinturas. Foi assim que a participação britânica na Guerra da Criméia (1854-55), com o conseqüente interesse da população, levou o editor Thomas Agnew a convidar o fotógrafo oficial do Museu Britânico, Roger Fenton, a ir à frente da batalha, para cobrir “foto-jornalísticamente” o evento.

As fotografias produzidas por Fenton na Guerra da Crimeia foram publicadas na imprensa sob a forma de gravuras, e constituíram o primeiro indício do privilégio que o foto-jornalismo vai conceder à cobertura de conflitos bélicos. Roger Fenton, considerado como primeiro repórte fotográfico, tinha como missão realizar fotos do referido conflito com o intuito de acalmar os temores da opinião pública britânica sobre as tropas que ali estavam. Suas fotografias não mostram o horror da dor e da morte, ao

contrário, são imagens de soldados e oficiais sorridentes, posando para o fotógrafo, ou imagens dos campos de batalha limpos de cadáveres, porém repletos de bala de canhão.

Com a primeira cobertura foto-jornalística de guerra, realizada por Fenton, nasce a censura prévia ao foto-jornalismo. Por isso as fotos de Fenton não revelavam a dureza dos combates, mas sim a “guerra fictícia”, com soldados longe da frente de batalha. É ainda a guerra com sua mácula de heroísmo, tão habitualmente apresentada pela pintura. Cabe ressaltar também as limitações técnicas, já que nessa época os materiais utilizados eram pesados e difíceis de operar, fato que impossibilitava chegar a tempo de fotografar os instantes fugazes de uma batalha.

Durante a Guerra da Secessão americana de 1861, realizam-se inúmeras fotografias dos acontecimentos. Ao contrário do que aconteceu a Fenton, durante a Guerra da Secessão, sem censura, começou a aparecer uma estética do horror. Utiliza-se a fotografia para denunciar as atrocidades da guerra, assim como para denunciar o adversário ou para registrar episódios importantes da memória coletiva do país. Diferente de Fenton, muitos dos que fotografaram a guerra civil americana eram independentes, e não possuíam nenhum tipo de censura na hora de forjar a crueldade dos acontecimentos.

A Guerra da Secessão contribuiu em vários aspectos para o desenvolvimento da fotografia de guerra, bem como para o foto-jornalismo. A guerra foi despida de sua auréola de epopéia, a fotografia passou a ser vista como força atuante e capaz de persuadir devido ao seu realismo. Os fotógrafos tiveram a noção de que era preciso estar perto do acontecimento quando este ocorresse. Também a noção de que a fotografia possuía uma carga dramática superior à da pintura levaram os fotógrafos a vislumbrar o poder do novo meio.

Outro conflito que propagou a fotografia de guerra foi a Guerra Civil espanhola. Nela vários fotógrafos espanhóis, até então desconhecidos, distinguiram-se durante o conflito que ensangüentou seu país. Dentre eles está Agustí Centelles, que cobriu exaustivamente a frente de Aragão. Conforme C. Brothers, a fotografia sobre a Guerra Civil da Espanha tinha notoriamente fins persuasivos, especialmente porque o conflito provocou intensa polarização política na Europa.

A conseqüente exposição das fotos traumáticas dos acontecimentos violentos nas casas de família ocasionaram mudanças em toda sociedade. Depois da fotografia, a guerra nunca mais seria a mesma. Com o novo meio, o leitor era projetado num mundo mais próximo, mais real, mais cruel. Neste momento a escrita cede espaço para a imagem. É desta forma que a publicidade utilizará a fotografia de guerra a seu favor.

Agustí Centelles nasceu em Grao (Valencia) na Espanha em 1909, e foi junto com seus pais viver em Barcelona a partir de um ano de idade, por isso pode ser considerado mais barcelonês que valenciano. Já muito jovem se iniciou na fotografia trabalhando no jornal El día gráfico, onde publicou suas primeiras fotografias. Foi neste diário, onde começou a trabalhar como aprendiz de Ramón Baños, que assimilou a técnica do retrato. Anos mais tarde foi ajudante de Josep Baldosa, o qual haveria de introduzi-lo no mundo do foto-jornalismo. Porém em 1934 principia por conta própria sua carreira de fotógrafo fazendo reportagens nas ruas, espetáculos, esportes para vender aos jornais da época como: La Publicitat, Diari de Barcelona, Última hora,

L’Opinió, La Vanguardia e La Rambla .

É considerado o precursor do foto-jornalismo na Espanha (denominado como o Robert Capa espanhol), no entanto, sua obra sobre a Guerra Civil espanhola só foi reconhecida após muitos anos. Com a morte de Franco (1975) e a chegada da democracia na Espanha, Centelles retorna à França (1976), recupera a mala com seus

negativos e publica-os; com isso recebe, em 1984, o Prêmio Nacional de Fotografia pelo Ministério de Cultura da Espanha. Autor de Agustí Centelles: La lucidez de la

mejor fotografía de guerra, falece em 01 dezembro de 1985, aos 76 anos, em

Barcelona, esse grande nome do foto-jornalismo espanhol.

Centelles foi um dos primeiros fotógrafos que utilizou uma câmera Leica na Espanha. Essa câmera possibilitou-lhe colaborar como reporte gráfico em diversos jornais da época. Sendo o terceiro fotógrafo a utilizar este tipo de câmera, conseguiu realizar através dela um tipo de fotografia diferente das que existiam na época. Os retratos de Centelles tinham uma grande força expressiva abandonando as clássicas fotografias planas, sem relevo, que até então eram feitas e que estavam, de certo modo, condicionadas pelas câmeras de placas e pela utilização do magnésio.

Como fotógrafo não buscava a criatividade, mas sim mostrar a crua realidade. Suas fotografias eram autênticas, verídicas e expressavam o cotidiano de preocupação e horror da sociedade espanhola. As primeiras fotografias de um conflito bélico, considerando como o primeiro evento foto-jornalístico, a Guerra da Criméia, realizadas por Roger Fenton não apresentavam nenhum indício de guerra. Eram imagens manipuladas de soldados bem instalados, longe da frente, campos de batalhas sem mortos, ou seja, imagens de uma “falsa guerra”, em que o fotógrafo se preocupava em retratar o “glamour” bélico como se fazia na pintura. Esse primeiro registro visual de uma guerra é totalmente distinto do registro visual de Centelles, pois enquanto o fotógrafo espanhol fotografava o real, a dor, a morte e o desespero o outro fotografava o falso heroísmo, a falsa alegria dos soldados, os falsos campos sem corpos. Em certa ocasião, Agustí Centelles declarou em uma entrevista: “Yo me daba cuenta de que el reportaje gráfico de entonces era muy

gustaba. Yo sentía la necesidad de reflejar una cosa más viva”.63 Por isso buscava realizar fotos livres de qualquer intervenção, puras, num cenário real e vivo conhecido pela população.

Na fotografia64 exposta ao lado, a objetiva de Centelles capta uma imagem de tristeza onde se percebe indícios de uma revolução. Cavalos mortos, pessoas tapando o nariz para não sentir o mal-cheiro; nesse momento, o fotógrafo consegue registrar até mesmo a fumaça produzida pela incineração dos eqüinos mortos. Mais uma vez, ele marca com a veracidade de suas fotografias a imagem caótica que será exposta para a população.

O presente fotógrafo tinha como perspectiva apresentar os objetos focados sobre um plano principal tais como são

percebidos pela vista, para que assim suas

fotos resultassem no mais natural

possível. Sua lente captava o centro, porém

nunca deixava de registrar e dar a devida

importância ao todo. Em muitas de suas

fotografias o todo simbolizava mais que o centro, ou seja, o objeto focado em segundo plano tinha mais significação do que o objeto focado em primeiro plano. Esta afirmação pode ser confirmada pela observação da foto acima.

Pioneiro da reportagem moderna,

considerando que a Guerra Civil da Espanha foi o primeiro grande conflito bélico que mereceu uma atenção especial por parte dos meios de comunicação internacional, o que pode determinar o começo do

63 http://es.wikipedia.org/wiki/Agust%C3%Ad_Centelles

64 Centelles. Incineração de cavalos mortos na Praça Catalunha – 19/07/36.

Centelles. Tomada de Montearagón pelos milicianos – 09/1936 Centelles. Jogos de crianças – 1936.

fotojornalismo, Centelles foi uma figura que marcou definitivamente esse gênero. Ele conseguiu através de sua Leica e de sua técnica criar imagens impactantes, cheias de dinamismo e espontaneidade; movimentou-se entre os campos de batalha e os conflitos citadinos, e com isso pôde registrar na íntegra e com beleza o caos espanhol de 1936-1939. Agustí Centelles foi o primeiro fotógrafo a registrar, em 18 de julho de 1936, as primeiras imagens do fracassado levantamento dos militares fascistas nas ruas de Barcelona. Com grande risco de vida, ele sai pela cidade colhendo imagens chocantes do que seria o início da Guerra Civil espanhola.

Ao iniciar o conflito bélico, Centelles foi destinado para a frente de Aragón e Catalunha junto com as milícias populares do exército republicano, e se dedicou a elaborar reportagens sobre as tropas dessas frentes para La Revista, sendo suas imagens também exploradas por ambas as frentes em suas propagandas. Realizou reportagens sobre a conquista de Truel e sobre a batalha de Belchite. Foi também colaborador do Comissariado de propaganda da Generalitat de Catalunha e encarregado do arquivo do exército da Catalunha em Barcelona.

Uma fotografia muito divulgada durante o conflito, conhecida por muitos e que também foi capa de importantes jornais, é a dos três guardas de assalto armados com fuzis atrás de um cavalo morto. Esta fotografia,

exposta ao lado, na época, foi muito utilizada em

cartazes propagandísticos a favor dos republicanos. Nela

percebe-se que a desordem ocasionada pela ruptura da

ordem política, inaugurou uma cidade caótica.

Centelles. Guardas de assalto fazem barricadas (Barcelona,19/07/1936)

Em 1939, Centelles se auto-exilou na França e levou consigo os negativos mais relevantes assim como as câmeras fotográficas. Esteve preso em diversos campos de concentração onde conseguiu salvar seus negativos, devido a uma carteira de jornalista expedida pelas autoridades francesas, estabelecendo um pequeno laboratório fotográfico no campo de Bram. Desta forma, conforme mostra a

fotografia ao lado, consegue registrar a dramática situação dos refugiados espanhóis. Em 1976, Agustí Centelles ao recuperar a maleta com seus negativos e, já com a chegada da democracia, expõe suas imagens, transformando-se num símbolo do foto-jornalismo de guerra. Portanto, esse conflito bélico tornou-se para o referido fotógrafo o maior acontecimento de sua vida profissional, que proporcionou seu reconhecimento nacionalmente como um dos maiores fotógrafos da Espanha.