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O uso de agentes biológicos não é recente como já comentado anteriormente. Este tenor e terror foram aperfeiçoados pela tecnologia moderna que possibilitou riscos bem superiores e resultados mais terríveis202.

Podem-se definir toxinas como sendo materiais tóxicos produzidos por animais, plantas, microrganismo, vírus, fungos ou qualquer outra substância infecciosa e também, por molécula recombinante, não importando a origem ou método de produção, englobando dois pressupostos, como: (a) sendo qualquer produção de substância venenosa ou produto biológico de organismo vivo resultante da biotecnologia, ou (b) qualquer produto biológico homólogo ou derivado de uma substância ou ainda, isômero venenoso203.

Tem-se como complemento de que o organismo vivo ou o material infeccioso derivado dos agentes biológicos são os causadores de doenças ou mortes no ser humano, animais e plantas, possuindo o seu efeito na habilidade de se multiplicar em que foi exposto204, desta

202 WENZEL, R. P. R. The Real Threat Of Biological Terror. Transactions Of The American Clinical And

Climatological Association, v. 113, p.42-55, 2002.

203 WHO – World Health Organization. Public health response to biological and chemical weapons. WHO

guidance. Geneva, 2004, 2ª ed. Disponível em:

<http://www.who.int/csr/delibepidemics/biochemguide/en/>. Acesso em: jun. 2014.

204 HARIGEL, G. G.; The Concept of Weapons of Mass Destruction: Chemical and Biological Weapons, Use in

Warfare, Impact on Society and Environment. Biosecurity and Bioterrorism, Geneva: Suiça, p. 0-18, Out. 2000.

forma, disseminados por meio de vetores com insetos ou em aerossóis205 ou por uso de instrumentos mecânicos ou acondicionados em coisas, como envelopes e pacotes.

Qualquer tipo de ataque biológico é de difícil detecção, tendo um enorme potencial para afetar grande parte de áreas, dependendo do tipo e mecanismo de contágio, enquanto que um ataque químico, radiológico ou explosivo querem outras estratégias de prevenção.

As principais toxinas utilizadas com armas de guerra são a saxitoxina e a ricina, onde a primeira é conhecida desde o século XIX, por ingestão de mariscos contaminados, sendo isolada pelo programa americano de Guerra Biológica, quando da Segunda guerra Mundial206, por possuir alta afinidade com os canais de sódios das membranas celulares, provocando o bloqueio do fluxo de sódio dos canis de sódio presentes nas células nervosas, com isto estimulando das células musculares, onde os impulsos inibitórios dos axônios levam a paralisia muscular e insuficiência respiratória e possível morte. As algas cianofíceas como a Gonyaulax catanella produzem a saxitoxina que provoca o envenenamento paralítico ou diarreico. Não existe antídoto e o tratamento e sintomático e os sintomas aparecem entre 10 a 60 minutos, com dormência ou formigamento dos lábios e língua, espalhando-se para o rosto e pescoço, braços e pernas, pode haver paralisia, dificuldade de dicção e respiração prejudicada e entre 2 a 12 horas após a exposição vai a óbito.

Outro composto, a ricina, que é uma glicoproteína muito toxica derivada da semente da mamona, Ricinus communis, onde afeta a atividade ribossomal celular e caso for inalada provoca patologia pulmonar, aumentando citocinas, inflamação acentuada e edema pulmonar e se ingerida gastrenterite possivelmente hemorrágica, pode desenvolver convulsões, choques e insuficiência renal, afetando ainda coração, células nervosas e o baço e quando exposto a pó irritação dos olhos, garganta e nariz.

A racina é um subproduto do óleo de rícino conhecida deste o século XIX, e Estados Unidos, Canadá, Grã-Bretenha e França fizeram testes. Infelizmente não há antídoto específico207.

Problemas com as toxinas, microrganismos e doenças infecciosas sempre existiram, mas com o avanço da tecnologia, da ciência microbiológica e com a revolução da

205 INGLESBY, T. V.; O’TOOLE, T.; HENDERSON, D. A. Preventing the Use of Biological Weapons:

Improving Response Should Prevention Fail. Clinical Infectious Diseases, v. 30, p. 926–929, jun. 2000.

206 BISMUTH, C. et al. Chemical weapons documented use and compounds on the horizon. Toxicology Letters.

n. 149, p. 11-18, 2004.

207 COLASSO, C.; AZEVEDO, F. A.; Riscos da utilização de Armas Químicas. Parte II – Aspectos

Toxicológicos. RevInter Revista Intertox de Toxicologia, Risco Ambiental e Sociedade. São Paula, v. 5, n. 1, p. 7-47, fev. 2012. Disponível em: <http://www.intertox.com.br>. Acesso em: jun. 2014.

biotecnologia, possibilitou o isolamento, cultivo e aumento do seu potencial de contágio (virulência) e letalidade sem limites dos microrganismos, com isto sendo utilizado como armas de guerra208, 209

Os agentes biológicos não necessitam de laboratórios elaborados e sua produção pode assemelhar-se a de vacinas, ao contrário das armas químicas que necessitam de uma estrutura especificas, onde as primeiras são produzidas em hospitais ou pequenos laboratórios caseiros.

A liberação de agentes químicos ou de uma explosão possui efeito imediato, podendo ser melhores manejados e aferidos os danos e mortes, onde a averiguação, a estabilização e recuperação são direcionadas, enquanto que o ataque biológico é dificultoso as ações210.

Tanto o impacto como o alcance de uma epidemia está atrelado em fatores como a características do patógeno ou toxina utilizada, o sistema de disseminação, o ambiente de uso e pela rapidez de resposta dos órgãos de saúde e médica211.

Para um agente microbiológico ser utilizado como arma deve possuir algumas características como taxa de letalidade alta, a sua produção estar em quantidade suficiente, possuir resistência para ser disperso, geralmente por ser a melhor via para ataques em larga escala, na forma de aerossol, pois as partículas devem possuir um tamanho entre 1 a 5 µm212.

A contaminação utilizando agentes biológicos é variada, inclusive os modos de utilizá- los impregnando o ar, água, solo e alimentos213. Desta forma, a disseminação ocorre naturalmente, mesmo em episódios naturais, no meio ambiente, gerando infecções em humanos ou animais. Agora para a manipulação destes agentes é necessário um conhecimento técnico com no mínimo noções básicas de microbiologia, de métodos de cultura para detecção e a recuperação destes organismos214, 215.

208 KLIETMANN, W. F.; RUOFF, K. L. Bioterrorism: Implications for the Clinical Microbiologist. Clinical

Microbiology Reviews, v. 14, n. 2, p. 364–381, abr. 2001.

209 ALMEIDA, M. E. O desenvolvimento biológico em conexão com a guerra. Physis: Rev. Saúde Coletiva, Rio

de Janeiro, v. 17, n. 3, p.545-564, 2007.

210 HENDERSON, D. A. et al. Smallpox as a Biological Weapon: Medical and Public Health Management.

JAMA, v. 281, n. 22, p. 2127-2137, jun. 1999.

211 INGLESBY, T. V.; O’TOOLE, T. HENDERSON, D. A.; Preventing the Use of Biological Weapons:

Improving Response Should Prevention Fail. Clinical Infectious Diseases, v. 30, p. 926–929, jun. 2000.

212 KORTEPETER, M. G.; PARKER, G. W. Potential Biological Weapons Threats. Emerging Infectious

Diseases, v. 5, n. 4, p. 523-527, jul-ago 1999.

213 SINCLAIR, Ryan et al. Persistence of Category a Select Agents in the Environment. Applied And

Environmental Microbiology, v. 74, n. 3, p.555-563, fev 2008.

214 JORTANI, S. A.; SNYDER, J. W.; VALDES, R. Jr.; The Role of the Clinical Laboratory in Managing

Chemical or Biological Terrorism. Clinical Chemistry, v. 46, n. 12, p. 1883–1893, 2000;

215 KAUFMANN, A. F.; MELTZER, M..; SCHMID, G. P. The Economic Impact of a Bioterrorist Attack: Are

Prevention and Postattack Intervention Programs Justifiable. Emerging Infectious Diseases, v. 3, n. 2, p. 83- 94, abr/jun. 1997.