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A fase empírica na qual nos encontramos não pode olvidar os conhecimentos assimilados durante todo o enquadramento teórico. Só assim poderemos observar os resultados e deles extrapolar conclusões válidas que confluam para o objecto em estudo.

Como já foi referido, a pesquisa debruçou-se sobre as notícias radiofónicas, nomeadamente as que foram difundidas pela Antena 1, pela Renascença e pela TSF, no decorrer do ano civil de 2013 referentes à actuação policial nos grandes eventos políticos mencionados anteriormente. Para tal, foi feita uma pesquisa na base CISION

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MAI, de forma a recolher e seleccionar as notícias que obedecessem aos critérios pretendidos. Contudo, para que fosse possível, foi necessário solicitar ao Gabinete de Imprensa e Relações Públicas (GIRP) da PSP (vd. Anexo 6) a autorização e o respectivo registo que nos permitisse entrar neste serviço.

Já na base de dados, a investigação desenrolou-se mediante a definição de pesquisa avançada, de seguida na instância relativa às “Datas” foi definido o hiato temporal compreendido entre 01/01/2013 até 31/12/2013, no “Tipo de meio” escolhemos a rádio, na “Fonte” seleccionámos a componente “Notícias (PT)” referente às três estações radiofónicas em estudo (Antena 1, Renascença e TSF) e, por fim, no “Texto a pesquisar” onde foram inseridos os noves descritores definidos a priori: “greve geral", "indignados", "manifestação", "polícia", “policiamento", "protesto", "PSP", "rasca", e "troika". Assim, no descritor “greve geral” o resultado foi de 392 notícias, para “indignados” 49, para “manifestação” 686, para “polícia” 467, para “policiamento” 36, para “protesto” 858, para “PSP” 690, para “rasca” 2 e, por fim, para “troika” 2553, o que perfez um total de 5733 notícias.

Posteriormente foi feita a filtragem tendo em conta o horário nobre da rádio, ou seja, entre as 07H00 e as 09H00 da parte da manhã, e entre as 18H00 e as 20H00 da parte da tarde. Esta escolha baseia-se no facto de este meio de comunicação ser utilizado, maioritariamente, enquanto os seus ouvintes se deslocam para o trabalho e ao fim do dia durante o percurso de regresso a casa. Assim, e à medida que se foi verificando os horários em que as notícias foram difundidas, foi aplicado o filtro tendo em conta os eventos definidos, ou seja, a manifestação de 26 de Janeiro dos “Professores”, a “Jornada nacional de acção e luta, contra medidas de austeridade governamental”, organizada pela CGTP a 16 de Fevereiro, o protesto “Que se lixe a Troika – o povo é quem mais ordena” de 2 de Março, o manifesto dos professores antes dos exames, realizado a 15 de Junho, a “Manifestação das Forças e dos Serviços de Segurança” em 21 de Novembro, e a “Greve Geral – Dia da Indignação” de 26 de Novembro. Desta forma, obtivemos um total de 180 notícias. De seguida procedeu-se à consideração das notícias respeitantes à actuação policial, constatando a inexistência de qualquer notícia respeitante ao descritor rasca. Desta forma, e dada a sua perda de importância mediática, a sua possível eliminação será algo a ter em consideração em investigações futuras. Assim, o nosso universo ficou reduzido a 80 notícias.

Contudo, para que o corpus fosse, definitivamente, definido, foi necessário suprimir as notícias duplicadas em razão de o seu conteúdo conter dois ou mais

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descritores. Desta forma, e porque a pesquisa foi realizada para cada descritor de forma isolada, algumas das notícias recolhidas repetiam-se na selecção que foi feita tendo em conta os vários descritores. Este facto foi facilmente solucionado, através da constatação da duplicação dos números de identificação. Assim, procedeu-se à eliminação de 43 notícias, o que fez com que o corpus do nosso estudo compreenda 37 notícias.

Neste seguimento, procedeu-se à análise do conteúdo das notícias que constituem o corpus deste trabalho, através da aplicação de técnicas que, como afirma Bardin (1977), têm como objectivo a obtenção de indicadores que nos permitam inferir conhecimentos acerca das condições de produção e de recepção das mensagens. Para tal, foi usado um procedimento misto (Pais, 2004), aplicando a grelha categorial (vd. Anexo 7) utilizada nos estudos realizados por (Machado, 2012; Pereira, 2012; Rodrigues, 2013; Santos, 2013; Serra, 2012; Varela, 2013). Desta forma, atentámos à possibilidade de, através da constatação de novas características nos documentos analisados, inserir novas categorias ou subcategorias, promovendo a maleabilidade e adaptabilidade da investigação aos dados sobre os quais recaiu a análise. Como consequência, foi necessário proceder à criação de uma nova subcategoria, inserida na categoria (F) referente ao “Enquadramento/Descrição” dos eventos. Esta subcategoria denomina-se por “F.9 – História”, e comporta todas as u.r. que fazem referência a manifestações ocorridas no passado.

Relativamente às regras de fiabilidade e validade, importa referir que estas constituíram um pressuposto fundamental ao longo de toda a investigação. Assim, assegurou-se a fiabilidade inter-codificadores, garantida através da codificação das mesmas unidades de registo por vários analistas a trabalhar na Linha de Investigação em que este estudo se insere. No que diz respeito à fiabilidade intra-codificadores, esta é assegurada através da codificação sistemática dos mesmos elementos do conjunto pelo mesmo analista mas em momentos distanciados no tempo.

Para além destes processos de fiabilidade, a validade dos resultados só pode ser obtida através da exposição detalhada de todos os procedimentos adoptados ao longo do estudo (Pais, 2004), permitindo uma possível réplica. Desta forma, e como foi possível verificar, procedemos à pormenorização de todos os processos utilizados, tanto no que diz respeito à selecção dos dados bem como à sua posterior análise.

Finalizada a codificação e a contagem das unidades de registo procedeu-se, então, à análise dos resultados, inferindo alguns conhecimentos derivados da sua observação.

43 8,11% 32,43% 37,84% 21,62% 26 de Janeiro –

Professores se lixe a Troika – 2 Março – “Que o povo é quem mais ordena” 21 Novembro – Manifestação das Forças de Segurança 26 Novembro – CGTP - Greve Geral – Dia da Indignação

III. Apresentação, análise e discussão dos resultados