5 PROMOTING CORPORATE HUMAN RIGHTS RESPONSIBILITY
5.3 R EMAINING C HALLENGES
5.3.1 Challenges of Human Rights Risk Assessment
alimentar
Segundo Ramírez et al. (2006b) os consumos de energia dos sistemas de refrigeração, nas indústrias alimentares têm aumentado devido ao aumento do fabrico de alimentos e das exigências impostas pelas normas de qualidade, higiene e segurança alimentar. Por terem um elevado grau de utilização, em muitos processos industriais, os sistemas de refrigeração são considerados como de consumo intensivo de energia (Nouri, 2013; Xu e Flapper, 2010; Xu et al., 2009). Devido às características do tecido empresarial, que é composto por um número elevado de indústrias transformadoras de alimentos de pequena dimensão, o seu conjunto contribui também para que os consumos de energia eléctrica sejam muito elevados dentro dos vários países (Ramírez et al., 2006b). A título de exemplo em 2008, na EU-27, a maioria (99,8%) das indústrias presentes na economia eram pequenas e médias empresas (PME) - aproximadamente 20,9 milhões- e mais de nove empresas em cada dez (92%) eram classificadas como microempresas empregando menos de 10 trabalhadores. Este cenário é mais relevante nos estados membros do Sul da Europa, tais como a Itália, Espanha e Portugal (Eurostat, 2011). Em algumas fileiras os consumos de energia evoluíram consideravelmente por acção do aumento das actividades e simultaneamente pelo aumento da utilização dos sistemas de refrigeração (Ramírez et al., 2006b).
Segundo o Departamento da Energia dos Estados Unidos o maior uso da electricidade é a iluminação (27%) e a seguir vem o arrefecimento (Refrigeração e ar condicionado) com 15% do consumo global (Landymore, 2012). Segundo este autor, em países desenvolvidos onde as temperaturas são mais elevadas o uso da refrigeração e ar condicionado é significativamente mais elevado, podendo os valores aproximar-se dos valores da iluminação dos Estados Unidos. Victoria (2009) também salienta que os sistemas de refrigeração consomem grandes quantidades de energia eléctrica, contribuindo significativamente para as despesas de funcionamento das
indústrias com necessidades de arrefecimento consideráveis, em indústrias, onde a refrigeração pode ser responsável por cerca de 85% do consumo total.
No Reino Unido, 11% da energia final é consumida pela indústria dos alimentos e alguns sectores utilizam mais de 90% da energia eléctrica com os sistemas de refrigeração (Swain, 2009). Muitos sectores económicos têm necessidade de retirar a carga térmica inicial dos produtos, muitas vezes mediante o arrefecimento rápido dos produtos. Swain (2009) assinala que no Reino Unido existem seis categorias onde é necessário retirar essa energia, que são o leite (532 GWh/ano), carne (114 GWh/ano), batatas (154 GWh/ano), outros vegetais (36 GWh/ano, peixe (6,5 GWh/ano) e frutas (5,9 GWh/ano). Refere ainda que usando as melhores tecnologias disponíveis no Reino Unido para o arrefecimento, podem ser alcançadas poupanças anuais de energia de 59 GWh no arrefecimento das batatas, 128 GWh no arrefecimento do leite e entre 51 a 80 GWh no arrefecimento das carcaças.
Ainda no Reino Unido, Burfoot et al. (2004) verificaram que o sector dos alimentos refrigerados tinha um consumo de energia anual de 9,27x109 GWh, e que cerca de 18% deste total era
consumido nas indústrias para manter as baixas temperaturas para evitar o crescimento de microorganismos nos alimentos.
Em França o frio industrial representa 4% do consumo de electricidade no seio da indústria francesa e quase 7% do consumo de electricidade daquele país. Neste país, estima-se que o consumo de energia eléctrica no sector dos produtos lácteos seja aproximadamente da ordem dos 2,9 Terawatt-hora (TWh) eléctricos, e desta quantidade 25,5%, aproximadamente 740 Gigawatt-hora (GWh), são exclusivamente consumidos pelos sistemas de produção de frio (Gautherin et al., 2007). Sobre o ponto de vista do consumo de energia eléctrica consumida com o frio industrial, o sector lácteo ocupa a quarta posição, a seguir à grande distribuição alimentar (3,6 TWh), ao armazenamento frigorifico (2,45 TWh) e ao comércio de proximidade (1,4 TWh). Este consumo situa-se acima do consumo de energia eléctrica nas outras actividades alimentares, como os matadouros de bovinos (370 GWh), as charcutarias (369 GWh) e as cervejarias (203 GWh) (Gautherin et al., 2007).
Ainda segundo Gautherin et al. (2007) a distribuição dos consumos de energia eléctrica para a fabricação de leite liquido, fabrico de manteiga, fabrico de queijo e fabrico de outros produtos lácteos correspondem a 1010 GWh, 183,8 GWh, 1204,9 GWh e 554,9 GWh, respectivamente. Em relação ao consumo de energia estimado para a utilização do frio, em cada uma desta área é de 252,5 GWh (34,2%), 45,9 GWh (6,3%), 301,2 GWh (40,8%) e 138,7 GWh (18,7%), respectivamente. Os estabelecimentos de lacticínios, nomeadamente no fabrico de queijo e os de processamento de carne são particularmente exigentes em energia, porque necessitam dela tanto para a refrigeração e para o aquecimento. Por exemplo, Ramírez et al. (2006a) destacam que na Holanda a fabricação de produtos lácteos, e a produção, transformação e conservação da carne é responsável por cerca de 15% e 9% do total da energia consumida no sector alimentar, respectivamente. Ainda segundo Ramírez et al. (2006b), em 2000, o sector lácteo consumiu aproximadamente, 1,444x1011 GWh, 0,944x1011 GWh, 0,444x1011 GWh e 0,388x1011 GWh da
Em 1998, nos Estados Unidos da América (EUA), as indústrias de alimentos contribuíram com 4,4% do consumo de energia eléctrica no sector industrial (Muller et al., 2007). Em relação a este país, no interior do sector das indústrias transformadoras, os produtos lácteos apresentam enorme destaque, com consumos de energia eléctrica em 2002 e 2006 de 0,236x1011 GWh e
0,266x1011 GWh, respectivamente. Durante este período de tempo assistiu-se a um aumento do
consumo de energia eléctrica de 3,1%.
Embora a produção de produtos lácteos tenha crescido, uma evolução oposta, registou-se nos Países Baixos, com uma redução de energia eléctrica de 9,3%, no período de 1998 e 2002. Uma justificação para esta redução dos consumos de energia eléctrica é atribuída a medidas eficientes de poupanças de energia (Xu et al., 2009).
Também na África do Sul, o maior consumo de energia eléctrica verifica-se no sector das indústrias transformadoras, consumindo 68% dos 40000 MWh gastos. O consumo de energia neste país está a aumentar anualmente em cerca de 5% e tem uma componente relevante no sector da alimentação. Entre 1992 e 2000 o consumo de energia aumentou 22%, com o maior crescimento a verificar-se no sector da agricultura (25%) (DESA, 2004)
Segundo Defra (2012) os sistemas de refrigeração utilizados nas indústrias de lacticínios da Grã- Bretanha usam em média 250 GWh/ano. A energia utilizada no sector da refrigeração desempenha um papel muito importante nas necessidades totais de energia de um estabelecimento de lacticínios, muitas vezes representando mais de 40 % da energia eléctrica consumida nos estabelecimentos.
Ainda segundo Defra (2012), o consumo de energia eléctrica para o arrefecimento do leite corresponde a 19% do consumo de energia eléctrica do estabelecimento, enquanto no processo de fabrico do queijo corresponde a 66% do consumo de energia eléctrica. Refere ainda que no Canadá e na Holanda o consumo de energia no arrefecimento do leite é de 2% e 19 % da energia final consumida pelo estabelecimento, respectivamente.
A quantidade e o tipo de energia usada, variam muito consoante o tipo de produtos fabricados. No tocante às indústrias de lacticínios Australianas, em particular para o fabrico do queijo, o uso da energia eléctrica e térmica são da ordem dos 27% e 73%, da energia total respectivamente, enquanto no fabrico de leite para consumo humano esses valores rondam os 66% e 34%, respectivamente (Prasad, 2004). As indústrias que produzem principalmente leite para consumo e queijo, utilizam a energia para a realização das operações de aquecimento, termização pasteurização do leite, arrefecimento e refrigeração, iluminação, ar comprimido, climatização, bombagem e equipamentos de processamento e realização de operações auxiliares. As indústrias que fabricam produtos de leite concentrado e certos tipos de queijo em pó, necessitam de energia térmica adicional para realizar as operações de agitação, separação, concentração, evaporação e secagem.
Em relação à fileira da carne, Gigiel e Collett (1989) destacam que os sistemas de refrigeração nos matadouros no Reino Unido, em 1982 consumiram 75x106 KWh de energia eléctrica no
Também os consumos de energia na fileira da carne em Espanha aumentaram 22,7% desde 1996 até 2001, sendo em 2001 de 333,20 Ktep. Em relação aos produtos transformados de carne (enchidos) o consumo eléctrico e de combustíveis como o gás propano, o gasóleo de aquecimento e lenhas é de cerca de 61% e 39%, respectivamente. Já nos matadouros o consumo eléctrico e de outros combustíveis, como o gás propano e o natural é de cerca de 64,3% e 35,7%, respectivamente (Moreno, 2006).
ICAEN (2009) apresenta os resultados dos diagnósticos energéticos a 51 estabelecimentos de produção e transformação de carne, em Espanha. No conjunto foram diagnosticadas 441 câmaras de refrigeração, transformaram e produziram 478697 ton, com um consumo global de energia de 109603 MWh/ano e um custo de energia de 7713299€/ano. Em termos energéticos, o consumo de energia eléctrica correspondeu a 66187 MWh/ano (60%) e a energia térmica a 42637 MWh/ano (40%). Em relação ao consumo de energia eléctrica, o balanço de energia destaca um consumo de energia eléctrica à componente do frio industrial igual a 59986 MWh/ano (81,2%), ao ar comprimido 1876 MWh (2,9%), maquinaria de processo 7079 MWh/ano (10,8%), iluminação 2651 MWh/ano (4,1%) e outros consumos iguais a 661 MWh/ano (1%). Os principais combustíveis usados foram o gás natural (45%), biomassa (19%), gasóleo (16%) fuelóleo (15%) e GPL (5%).
Um estudo sobre a evolução do consumo de energia das indústrias da carne na Irlanda EI (2009) permite concluir que globalmente entre o período compreendido entre 2003 e 2008 registou-se um aumento de 4,5% do consumo da energia eléctrica e uma diminuição de 4,4% no consumo da energia térmica. Este estudo refere que a refrigeração é utilizada de forma intensiva e como tal é vista como um dos sectores de consumo intensivo de energia. O consumo total de energia no sector do processamento de carne bovina aumentou quase 1% entre 2003 e 2008, atingindo no final do período um valor de 3953245,3 GWh. Nesta referência, conclui-se que o consumo de energia média no processo de abate de uma cabeça de bovino oscila entre 800 e 935 MJ.
Em Espanha para um estabelecimento da categoria de matadouro, o balanço dos consumos de energia eléctrica, apresenta os seguintes resultados: refrigeração 22222 kWh/dia (54,4%), motores eléctricos, 15000 kWh/dia (36,7%), iluminação, 833 kWh/dia (2,1%) e ar comprimido 2778 kWh/dia (6,8%) (Moreno, 2006). Neste país, uma grande parte dos estabelecimentos de carne são indústrias transformadoras de pequena dimensão, em que ainda realizam o ciclo completo (matadouro, desmancha, armazenamento a frio e fabrico de salsicharias e de presunto) embora se esteja a verificar uma separação dos matadouros e salsicharias (EREN, 2008).
Em relação a Portugal, dos dados recolhidos junto da Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Centro (DRAPC) existe uma grande separação entre os matadouros e as salsicharias, realizando cada sector a sua actividade per si, salvo nas raras excepções, que se registam nos grandes estabelecimentos.
No tocante à fileira da fruta, ICAEN (2010) apresenta os resultados dos diagnósticos realizados a 50 estabelecimentos de produção de fruta na região da Catalunha, em Espanha. Este estudo envolveu 818 câmaras de refrigeração, 486065 toneladas de fruta, um consumo de energia eléctrica de 37,62 GWh/ano e um custo total de energia de 3418738 €/ano. As distribuições dos
consumos de energia eléctrica do conjunto de estabelecimentos (centrais de fruta) pelos diferentes consumidores de energia apresentam-se no gráfico da figura 1.5.
Figura 1.5 - Distribuição dos consumos totais de energia eléctrica das centrais de fruta da região da Catalunha.
Segundo os resultados deste relatório uma das principais conclusões a retirar é a diminuição dos custos da energia (€/kWh) à medida que aumenta o consumo de energia da central de frutas. A tendência deste indicador (€/kWh) mostra um comportamento assimptótico por volta dos 80€/MWh. Este estudo refere ainda que o método de descongelamento do evaporador mais utilizado foi o de água (71%), seguido de gás quente (22%), resistências eléctricas (5%) e por ar forçado (2%). Em relação ao fluido utilizado, o Amoníaco é o preferido (55%), seguido do Fréon R22 (36%) e finalmente o R404a (9%).