SALTOS EQUILIBRIOS PIVOTS FLEX./ONDAS ELEMENTOS DE FLEXIBILIDADE E ONDAS SALTOS EQUILIBRIOS PIVOTS PIVOTS SALTOS Quadro de referência
Fonte: Código de Pontuação – 2009/2012
O capítulo orienta o procedimento a ser tomado quando existe a criação de um elemento corporal original que possa ser reconhecido pela FIG. Apresenta as penalizações aplicadas pelos árbitros de dificuldade no que concerne ao número de dificuldades a mais do que o permitido, número de elementos corporais do grupo corporal fundamental insuficiente, utilização de elementos acrobáticos não autorizados, podendo então atribuir a nota pertinente e deduzir as penalizações.
Em seguida inicia a apresentação dos elementos corporais acompanhados da descrição dos critérios de execução e suas características de base tanto em forma texto como representados com gravuras e símbolos. Esses símbolos são utilizados para o preenchimento das fichas avaliativas e em caso de erro na transcrição, a ginasta é penalizada.
As Dificuldades com Aparelhos (D2) podem ter para um valor máximo de dez pontos com um número ilimitado de elementos de maestria do aparelho, com ou sem lançamento, com elementos de risco e originalidades.
As maestrias são elementos do aparelho que devem ser executadas com perfeição para serem validadas. São elementos descriminados no CP que enfatizam a qualidade do trabalho das ginastas ao relacionar-se com o aparelho. Esses elementos podem ser realizados fora do campo visual, sem auxilio das mãos, com alteração da trajetória dos aparelhos, com rolamentos sobre o corpo em série entre outras maneiras de se apresentar o aparelho de forma surpreendente. Em uma mesma ação pode haver várias maestrias, inclusive com lançamentos, no entanto o erro em uma das maestrias dessa ação, não invalida as demais.
Os elementos de risco referem-se aos lançamentos em que a ginasta perde o contato visual com o aparelho através das rotações do corpo. Essas rotações podem ser em diferentes eixos, com mudança de nível, com recuperações dos aparelhos associados as diferentes maestrias como por exemplo: fora do campo visual, sem mãos, com passagem por dentro do aparelho entre outros.
Os elementos de originalidade são elementos novos, originais, exclusivos, criados pela ginasta ou por sua equipe e submetidos a avaliação da FIG, caso seja realmente considerado original, por um ano a ginasta ou equipe tem a bonificação do elemento. Após esse período, passa a ser incorporado ao código como os demais. Atualmente a FIG tem utilizado o nome das ginastas para batizar os elementos, assim como já se faz na ginástica artística.
Assim como as dificuldades corporais, os elementos com aparelhos devem ser escritas em uma ficha para a apreciação dos árbitros. O preenchimento se dá através dos símbolos indicados no CP, que indica também os elementos específicos de cada aparelho.
Esses elementos devem predominar nas coreografias para que sejam garantidas as características dos mesmos.
O texto seguinte trata do valor artístico (A) da coreografia. Na GR esse caráter é representado pelo acompanhamento musical, pela coreografia e pela imagem artística, no entanto o CP não detalha o que deve ser entendido por imagem artística, um dos pontos que geram divagações. A banca de artístico é composta por quatro árbitros e o valor máximo da nota é igual a dez pontos.
Esse critério da GR é o que mais polemiza a ação dos árbitros ao mesmo tempo em que instiga as técnicas e coreógrafos na busca de novas composições que atendam a subjetividade do julgamento à luz dos ditames do CP. O objetivo principal do componente artístico “é a projeção de uma mensagem emocional para os espectadores e a apresentação de uma ideia coreográfica com uma interpretação expressiva guiada por três aspectos seguintes: acompanhamento musical, imagem artística e expressividade” (CP 2009/2012 p.81).
Todos os exercícios devem ser realizados em sua totalidade com música no entanto pausas breves são permitidas quando motivadas pela composição. As músicas podem ser compostas especialmente para a coreografia ou ser a junção de mais de uma, desde que seja respeitada a coerência do tema. Não é permitido o uso de palavras a não ser como instrumento vocal. É obrigatória uma harmonia muito estreita entre o caráter e o ritmo da música com o exercício e seus movimentos.
A coreografia deve está caracterizada por uma ideia-guia que deve ser mantida do início ao fim de forma coerente e se utilizando para isso de todas as possibilidades corporais e de manuseio do aparelho, preocupando–se com a variedade na escolha desses elementos, nos níveis, panos e trajetórias de execução. Entretanto a composição não deve ser uma sucessão inglória de dificuldades, mas sim utilizar “enlaces técnicos, estéticos e emocionais” (CP 2009/2012, p. 82) de forma a conduzir o tema em harmonia com a música. A coreografia deve preocupar-se com a escolha e distribuição dos elementos corporais e do aparelho por toda a coreografia de forma homogênea.
Enfatiza a importância de evitar movimentos segmentados, restritos a movimentos amplos, mas sim ficar atento aos detalhes como posição das mãos ou da cabeça que muitas vezes apresentam-se mais expressivos. Assim o corpo deve ser um todo em cada movimento.
Os movimentos dos aparelhos devem ser coordenados com os elementos corporais em diferentes deslocamentos, com diferentes movimentos dos braços e do tronco, com saltos, equilíbrios, pivôs e elementos de flexibilidade/ondas.
O capítulo também trata dos elementos acrobáticos autorizados para a GR. Movimentos inspirados na ginástica artística, que são realizados em associação com os aparelhos e sempre com a intensão de compor uma sequência mais artística ou de dar mais agilidade e preciosismo a um elemento de risco ou maestria.
Aqui também encontramos as orientações com relação à atuação dos árbitros para esse critério, as faltas e penalizações pertinentes.
Fechando os exercícios individuais temos o tópico sobre a execução, critério que alerta para as falhas possíveis e suas penalizações no que diz respeito a musica, a técnica corporal, a técnica com aparelho. O valor das penalizações parte de 0,05 e 0,10 para as pequenas falhas, 0,20 ponto para as falhas de gravidade mediana e a partir de 0,30 para as faltas graves. As faltas de execução devem ser aplicadas a cada vez e por cada elemento. O total das penalizações deve ser retirado de dez pontos.
Assim chegamos à nota final individual; trinta pontos ou D (D1+D2)+A+E = 30 pontos. 2
EXERCÍCIOS DE CONJUNTO:
No capitulo dos conjuntos a mesma estrutura se repete e as mesmas orientações a respeito das dificuldades corporais, dificuldades com aparelhos, artístico e execução dos exercícios individuais, permanecem válidas. A ênfase agora é no que se refere ao grupo de cinco ginastas que formam o conjunto e as inter-relações necessárias entre elas, quer sejam através das trocas, quer sejam através das colaborações.
Nas generalidades, além do exposto nos exercícios individuais, temos itens referentes à ginasta e aparelhos reservas, ao colant60 das ginastas do grupo, a entrada na área de competição, início e final do exercício.
Nas dificuldades corporais (D1), o foco passar a ser a escolha das dificuldades possíveis para todas as componentes do grupo, pois uma escolha inadequada à condição técnica de uma ginasta invalida a execução de todas as componentes do grupo.
Cada exercício pode ter até quatorze dificuldades no máximo, sendo 6, no mínimo, através das trocas que são elementos de lançamento de ginasta para a outra, envolvendo as duas ações: lançar e receber.
As trocas poderão ser associadas aos elementos corporais durante o lançamento ou a recepção assim como podem acontecer usando elementos de maestria. Nelas concentram-se as maiores possibilidades de erros, porque envolve as ações de enviar e receber corretamente cinco aparelhos ao mesmo tempo ou em rápida sucessão, as duas ações sem falhas. As trocas e as dificuldades corporais compõem esse critério da GR.
Nas dificuldades com aparelhos (D2) entram as colaborações que junto às trocas dão a prova de conjunto seu verdadeiro sentido, a união das cinco ginastas em uma mesma coreografia de forma harmônica. Ginastas sempre em sintonia, passando artisticamente aos espectadores, público e jurados, a ideia de unidade.
As colaborações podem ser definidas como o momento em que as ginastas estão, em sua totalidade ou parcialmente, em contato direto umas com as outras ou por intermédio de aparelhos, em deslocamento ou em formações estáticas. O importante é passar a ideia de interação entre as ginastas.
Nas colaborações podemos ver movimentos realizados simultaneamente pelas cinco ginastas ou em subgrupos, com lançamentos ou maestria. Quando essa relação acontece com lançamento e perda do contato visual com utilização de rotações do corpo, passa a ser denominada colaboração de risco. O CP apresenta várias possibilidades e dar valores diferentes na medida em que aumenta a complexidade dessas colaborações.
Nessa perspectiva percebemos que o conjunto utiliza a compreensão dos critérios individuais para aplica-los nas provas de conjunto inclusive na execução, diferenciando-se apenas no que se refere às trocas e colaborações.
As normas referentes ao artístico seguem as mesmas orientações dadas às coreografias individuais. Obviamente que a particularidade da presença das cinco ginastas que caracteriza o conjunto pede um olhar também diferenciado para a coreografia.
A organização do trabalho coletivo, citado no CP, solicita que as coreografias preocupem-se, no caso dos movimentos iguais para as cinco ginastas, com a execução
sincronizada, mas também em rápida sucessão, em cascata (canon) e por contraste, quando existe uma contraposição entre os movimentos que são executados alternadamente. No caso dos movimentos diferentes podem ser apresentados em coral ou em colaboração. O coral é também um termo utilizado na música, mas que transposto para a GR significa que cada ginasta em determinado momento da série pode executar um movimento específico e diferente das ouras ginastas. Essa situação, porém não deve ser a tônica do conjunto.
Para a execução permanecem as mesmas orientações dos individuais. A diferença para os conjuntos é que as penalizações, em sua maioria são multiplicadas por cinco. Aí reside a importância da estratégia de composição das treinadoras e coreógrafas. Todo trabalho de composição deve garantir que mesmo cumprindo as exigências orientadas pelo código, escolhendo movimentos adequados, com valor competitivo, não haja perda na qualidade artística da composição, principalmente no conjunto onde a meta principal é garantir a ideia de grupo, de unicidade na individualidade, de coesão, sem esquecer a expressão artística.
REFERÊNCIAS:
ÁVILA-CARVALHO, L. Ginástica Rítmica de Alto Rendimento Desportivo: Estudo de variáveis do desempenho na especialidade de conjuntos. Dissertação de Doutoramento em Ciências do Desporto apresentada à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. 2012
CÓDIGO DE PONTUAÇÃO GINÁSTICA RÍTMICA DESPORTIVA - FIG – 2009 – 2012
LLOBET, Anna Canalda, Gimnasia Rítmica Deportiva teoría y práctica – Colección Deporte – Editorial Paidotribo, 1998.
SANTOS, Eliana Virginia Nobre dos – Composição coreográfica em ginástica rítmica: do compreender ao fazer/ Eliana Virginia Nobre dos Santos, Márcia Regina Aversani, Roberta Gaio – Jundiaí, SP: Fontoura, 2010.