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5.15 CH 2 =NCH 3 photo-oxidation studies
Pensar em Deus é desobedecer a Deus, Porque Deus quis que o não conhecêssemos, Por isso se nos não mostrou... (Fernando Pessoa)
Procuram-se na religião signos de transcendência e de esperança como resposta aos problemas básicos da condição humana: contingência, impotência, escassez e morte. As religiões monoteístas - o Judaísmo, o Cristianismo e o Islamismo – apostaram na existência de um único deus para dar conta dessas e outras questões. 26
Falamos do monoteísmo cristão e dos atributos divinos. Para a teologia cristã, um atributo divino é uma qualidade ou característica atribuída a Deus. Dada a condição especial de Deus, em que seus atributos coincidem com o seu ser, é comum serem os atributos chamados de perfeições divinas. Costuma-se classificar os atributos divinos em dois grupos: atributos incomunicáveis e atributos comunicáveis.
Atributos incomunicáveis são aqueles que enfatizam a distinção absoluta entre Deus e a criatura (não podem ser comunicados à criatura). Geralmente, fala-se
26 Acerca da história do monoteísmo ver: ARMSTRONG, Karen. Uma história de Deus: quatro
deles por via negativa, afirmando aquilo que Deus não é - esta descrição é conhecida como teologia apofática.27
Atributos comunicáveis são aqueles em que são encontradas semelhanças ou analogias na criatura, especialmente no ser humano (estes atributos podem ser comunicados à criatura). Entre eles destacam-se o conhecimento, a bondade o amor, a santidade, a justiça, a verdade, a soberania e a vontade.
À nossa pesquisa interessam os atributos incomunicáveis por se tratar de atributos que transcendem o humano e assumem uma identidade superior a ele, atributos que vemos hoje serem usurpados pelas tecnologias comunicacionais, como demonstraremos a seguir. Entre os atributos incomunicáveis destacam-se:
a) A asseidade28, o atributo divino essencial e fundamental, que consiste em derivar sua existência de si mesmo, ou, identicamente, existir por si próprio, sem qualquer nexo exigível ou necessário de causalidade e efetividade, e vem a ser, na compreensão teológica, prerrogativa exclusiva de Deus, em razão do que é um dos atributos incomunicáveis;
b) a imutabilidade, que é a qualidade de não ser capaz de se alterar; a infinitude relacionada à eternidade e à imensidão;
c) a eternidade como um conceito filosófico que se refere no sentido comum ao tempo infinito; ou ainda algo que não pode ser medido pelo tempo, porquanto transcende o tempo. Se entendermos o tempo como duração com alterações, sucessão de momentos, a eternidade é uma duração sem alterações ou sucessões;
27 A teologia apofática (do grego apofatikos - negativo), chamada teologia negativa, baseia-se na
premissa de que só podemos falar corretamente de Deus negando, dizendo que ele não é, por exemplo, como nós, que não é limitado por qualquer coisa, que não se submete às categorias humanas de pensamento, etc., ao passo que as tentativas de afirmações positivas sempre têm que terminar no insucesso e na inverdade (além da afirmação de que Deus é, embora também nesse caso é preciso apressar-se com a restrição de que "é" de outra forma que nós e tudo que nos cerca). A teologia apofática enfatiza que Deus é maior que as nossas palavras e os nossos pensamentos, sempre maior e sempre diferente. Só não cometemos um erro quando afirmamos que Deus não é tudo aquilo que conhecemos. O tipo do pensamento teológico apofático expressa uma profunda falta de confiança na especulação e no conhecimento pela analogia. Cf. ARCHER JR, Gleason L.; HARRIS, R. Laird, WALTKE Bruce K. (Org.) Dicionário Internacional de Teologia do Antigo
Testamento. São Paulo: Vida Nova, 2000.
28 O termo asseidade deriva do latim aseitas, forma abstrata do ens a se. A asseidade é o fato de
existir por si mesmo, de ter o esse por si próprio, e só pode, portanto, aplicar-se a Deus, pois nenhuma criatura se produz a si mesmo.
d) a imensidão (infinitude aplicada ao espaço);
e) a simplicidade, que designa o atributo segundo o qual Deus não é constituído de partes, ou seja, o ser de Deus é idêntico aos seus atributos.
Os atributos divinos incomunicáveis mais conhecidos e identificados aos formatos comunicacionais em rede são:
a) a onipotência29: designa a propriedade de um ser capaz de fazer tudo. É comum a utilização deste termo para designar o poder de Deus, nas religiões judaica, cristã e muçulmana;
b) a onipresença30: compreende a capacidade de estar em todos os lugares ao mesmo tempo. Em teologia, a onipresença é um atributo divino segundo o qual Deus está presente em todos os pontos da criação. Somando-a à simplicidade divina, pode-se dizer que Deus está totalmente presente em cada ponto do universo;
c) a onisciência31 é a designação de uma capacidade de poder saber tudo, em todos os lugares, ao mesmo tempo, e infinitamente. Na maioria das religiões monoteístas esta habilidade extraordinária é tipicamente atribuída a um único Deus supremo, como se mantém tradicionalmente no sistema religioso judaico, cristão e islâmico.
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Também denominada de Potência Divina. ―Na Bíblia hebraica, Deus tem por nomes Sabaoth (Deus dos exércitos, 1 Sm 17,47) ou El-Shaddai (habitante das montanhas, Gn 17,1), traduzidos nos LXX por pantokrator (Todo Poderoso) Assim, a força divina se apresenta como uma potência livre que domina (kratein) o todo (to pan), associando a iniciativa da salvação‖. Cf. LACOSTE. Jean-Yves Lacoste. Dicionário Crítico de Teologia. São Paulo: Paulinas:Edições Loyola, 2004.página 1414. Escritos bíblicos que informam acerca da onipotência de Deus: Jó 42:2 ; Salmo 91:1; Isaías 43:13 ; Lucas 1:37; Mateus 19: 26; Lucas 8:27.
30 A Teologia atribuiu múltiplas presenças d
e Deus: presença (―habitação‖) na alma dos justos, presença em cristo, presença de Cristo na eucaristia a na Igreja. Sob o termo ―onipresença‖ é a
ubiquidade divina que se dá a pensar: a presença do Criador, como causa primeira, em toda sua
criação. Os pensadores muçulmanos fizeram do Onipresente (al-wasi) o 46° nome de Deus. ‖ Cf. LACOSTE. Jean-Yves Lacoste. Dicionário Crítico de Teologia. São Paulo: Paulinas: Edições Loyola, 2004.página 1279.. Escritos bíblicos que informam acerca da onipresença de Deus: Dt 4:39; 1 Reis 8:27; Salmo 139:7-12 Provérbios 15:3; Jeremias 23:23-24; Atos 17:27-28
31 Também denominado de Ciência Divina, trata-se de um atributo divino afirmativo, isto é, uma
operação de Deus que qualifica sua vida intelectiva. Seu emprego estabelece então que há um ato em Deus, do qual o intelecto ou inteligência. A onisciência é o saber divino que se aplica a tudo, e talvez além (indefinidamente), isto é, além do que podemos constituir como objeto de pensamento: tudo o que é, tudo o que não é, mas está por vir, o possível, até mesmo o impossível, o próprio Deus. ‖ Cf. LACOSTE. Jean-Yves Lacoste. Dicionário Crítico de Teologia. São Paulo: Paulinas:Edições Loyola, 2004.página 1279Escritos bíblicos que informam acerca da onisciência de Deus: 1 Samuel 16:7; 1 Reis 8:39; 2 Crônicas 16:9; Salmo 139 ( Na Bíblia de Jerusalém está como homenagem ao Deus onisciente); Atos 1:24; Hebreus 4:13
Como veremos a seguir, esses atributos divinos (onipotência, onisciência e onipresença) são absorvidos, devorados pela mídia , e reaparecem metabolizados. Para tanto vamos examinar as características da civilização cibercultural e perceber como alguns traços marcantes dessa civilização estão associados aos atributos divinos.